segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Caminhadas terapêuticas


Escritores como Thoreau (…) exprimiram o que muitos pensavam no ensaio Caminhada: “Creio que só consigo preservar a minha saúde e o meu ânimo se passar pelo menos quatro horas por dia – e costuma ser mais do que isso – a deambular pelos bosques, nas colinas e nos campos, completamente livre de todos os compromissos mundanos”. Isto são claramente banhos de floresta muito antes de a expressão existir. Thoreau viveu em tempos muito mais agrários, logo, mais ligados aos ciclos e ritmos naturais da floresta. Grande parte dessa ligação foi-se perdendo à medida  que a nossa  consciência cultural foi sendo cada vez mais moldada pela tecnologia, pela indústria e por uma orientação para a produtividade. Vivemos num tempo que pede uma renovação da nossa ligação ancestral às florestas.
[CLIFFORD, 2018: 27]

 © Algures na Net

NOTAS
· Os banhos de floresta são por vezes apelidados de “antiga prática japonesa do Shinrin-youku”. Na realidade, não é bem assim. Para começar, a expressão não é antiga, foi criada em 1982 por Tomohide Akiyama, então director da Agência Japonesa da Floresta. A ideia era desenvolver uma identidade de marca única, associando as visitas às florestas com o ecoturismo orientado para a saúde e o bem-estar. Mas isso não significa que os banhos de floresta não tenham raízes ancestrais. [CLIFFORD, 2018: 22]
· Amos Clifford fundou, em 2012, nos Estados Unidos da América, a Association of Nature and Forest Therapy Guides and Programs – ANFT (Associação de Guias e Programas Terapêuticos da Natureza e da Floresta).
· Os efeitos terapêuticos do contacto com a natureza em geral e com as florestas em particular são sobejamente conhecidos, e ancestralmente intuídos, tendo suscitado um crescente interesse nas últimas décadas, a par da brutal destruição das áreas naturais selvagens (wilderness) e suas sucedâneas (sistemas semi-naturais), da domesticação e desnaturalização dos seres humanos e da comercialização de praticamente todos os sectores da vivência humana, mormente das actividades ditas "out-door"!

Pedro Cuiça © Passadiços do Paiva (2018)


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CLIFFORD, M. Amos. O Guia dos Banhos de Floresta. Alfragide: Lua de Papel, 2018, pp. 176. ISBN 978-989-23-4255-9


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