segunda-feira, 16 de outubro de 2017

E folhas ao vento

No coração do silêncio 
[Pedro Cuiça ©  Serra dos Candeeiros (15/Out. 2017)]

«Goza o concreto sabendo-o abstrato.»
Agostinho da Silva

Na sequência de uma formação na área das actividades de ar livre, que decorreu no passado fim-de-semana, dei por mim num estado de espírito incomodativamente perturbante: uma sensação de notório desagrado aparentemente indizível, inominável e, portanto, inenarrável. No entanto, tal aparência não passava disso mesmo, tendo em conta que o fenómeno era não só definível como explanável em grande parte.
O andar a pé pode constituir um ponto de partida e/ou um fio condutor de diversificadas vivências profundas. Por exemplo, na linha da designada “caminhada holotrópica”, em torno da ecosofia e da eco-espiritualidade com base em exercícios direccionados ao sentir, demandar e des(en)cobrir a Natureza. Todavia, no passado fim-de-semana estivemos apartados de tais experimentalismos, nem era suposto, expectável ou desejável que tal ocorresse. Os exercícios incidiram num conjunto de abordagens e de técnicas centradas na prática, mais costumaz, da chamada “caminhada pedestre” ou “pedestrianismo”! A fenomenologia emocional de que padeci não se deveu, contudo, a tais abordagens que, aliás, podem (e devem) ser, por sinal, muito interessantes e susceptíveis de originarem importantes frutos. Ademais, não é condição necessária, e menos ainda obrigatória (?), que as praxis em causa busquem as profundezas ou seja o que for enquanto (espartilhante ou monotonamente) único. A desatenção plena será tão desejável nalgumas circunstâncias quanto a atenção plena noutras, tal como a superficialidade nalgumas ocasiões quanto a profundidade noutras tantas. São estas ambivalências do sentir/fazer que permitem abranger o mais amplo e desejável espectro de possibilidades do ser… A simplicidade não implica ser simplório, ignorante e, menos ainda, fanático ou adepto de tiranias! E, na linha de Agostinho da Silva, apetece-me dizer que não sou nem do ortodoxo, nem do heterodoxo, mas sim do paradoxo.
O incómodo que me assaltou terá sido uma espécie de efeito secundário daquilo que se poderá designar por “distopia pós-moderna anti-natural e pretensamente igualitária”, plena de ruídos, enganos ou leviandades dans l'air du temps… Talvez nesse dia estivesse extraordinariamente saudoso da utopia espartana híper-natural que tanto valorizo e aprecio, da nobreza do ser, do virtuosismo da simplicidade, da perfeição e da elaboração cuidada, da vontade de excelência, do dever a cumprir arduamente, monasticamente… E, simultaneamente, de um sentimento de extraordinária leveza, de uma subtil impermanência, da insubstancialidade e da inter-dependência de/entre todos os seres. Talvez nesse dia estivesse assaltado por recorrentes saudades do futuro, na busca de um novo/velho andar, a-final de um andar bem.
As nossas fraquezas podem ser forças e, muitas vezes, o importante não é o que fazemos mas sim a forma como fazemos. E cada vez que nos “confrontamos” com a Natureza não é possível enganar-nos, tal como não podemos enganar o cavalo se formos o cavaleiro! Qualquer tempo e espaço são sagrados porque estão no interior da consciência. Daí a importância da atenção e da intenção… E, neste contexto, meia palavra deveria bastar ou, melhor ainda, o belo e esclarecedor silêncio.
A linguagem verbal ou escrita não permite apreender a essência do real, exceptuando por vezes através da poesia, e o seu mau uso pode não só gerar graves equívocos como ser extremamente perturbador. Afortunadamente podemos partir do ruído da linguagem até ao silêncio: a pedra angular do carácter e simultaneamente o Grande Mistério. E a verdade encontrar-se-á no coração do silêncio.

«There is a language older by far and deeper than words. It is the language of bodies, of body on body, wind on snow, rain on trees, wave on stone. It is the language of dream, gesture, symbol, memory. We have forgotten this language. We do not even remember that it exists.»
Derrick Jensen

Porque amanhã vem aí chuva... E já não era sem tempo! 
[Pedro Cuiça ©  Serra dos Candeeiros (14/Out. 2017)]


Que tempo o tempo tem? E folhas ao vento... 
[Pedro Cuiça ©  Serra dos Candeeiros (15/Out. 2017)]


O tempo geo... lógico 
[Pedro Cuiça ©  Serra dos Candeeiros (15/Out. 2017)]

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Uma Forma de Transcendência

710 anos após a fatídica sexta-feira 13, de Outubro de 1307, é propício lembrar o bom combate contra "a ignorância, o fanatismo e a tirania)...
Lisboa, 13 de Outubro de 2017

© Nicholas Roerich

O Montanhismo, tal como a escalada, para além da componente física, será também uma profunda experiência emocional, uma atracção pela liberdade dos vastos espaços verticais, pela grandiosa beleza do mundo mineral, pela simplicidade e pela rusticidade. Subir montanhas será igualmente um meio de (re)ligação à natureza, uma forma de transcendência
(CUIÇA, 2010: 27)

© Nicholas Roerich


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CUIÇA, Pedro. Guia de Montanha – Manual Técnico de Montanhismo I. Lisboa: Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal/Campo Base, 2010, pp. 224.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Treinadores de Montanha


Na sequência do enquadramento legal que estabeleceu o Plano Nacional de Formação de Treinadores (PNFT) e após um intenso trabalho de definição dos referenciais específicos que culminaram na realização do primeiro Curso de Treinadores de Montanha – Grau I, no ano passado, o Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal/Escola Nacional de Montanhismo (FCMP/ENM) acaba de concretizar os dois módulos de aulas e avaliações práticas da segunda edição do curso que segue agora para a fase de estágios. O primeiro módulo, que decorreu na Serra da Estrela, de 22 a 24 de Setembro, centrou-se na avaliação das capacidades de orientação (posicionamento e navegação) dos formandos, tal como nas técnicas de progressão em montanha (marcha e rapel). O segundo módulo, que teve lugar nas penínsulas de Setúbal e Lisboa, de 5 a 8 de Outubro, foi dedicado inteiramente à escalada: técnicas de escalada desportiva e de escalada clássica em rocha (no Fojo – Arrábida), didáctica da escalada (na EAE – Estrutura Artificial de Escalada do Colégio Marista de Carcavelos) e técnicas de rapel (no Penedo da Amizade – Sintra). Os módulos de aulas e avaliações no terreno realizaram-se depois das aulas teóricas das componentes geral e específica, que decorreram em regime e-learning e culminaram na realização dos testes escritos presenciais. Agora seguem-se os respectivos estágios, de cada um dos formandos que obtiveram avaliação positiva, com início em Dezembro e uma duração mínima de 10 meses, numa entidade de acolhimento (associação ou empresa), sob a orientação de um tutor detentor do Título Profissional de Treinador de Desporto (TPTD), de Grau II ou de Grau III, nas modalidades de Alpinismo, Montanhismo e/ou Escalada.
O TPTD de Montanha – Grau I atesta a competência dos respectivos detentores para enquadrarem e treinarem praticantes, num nível de iniciação, em actividades de montanhismo (em média montanha) e de escalada (em vias de um só largo, com acesso pedonal ao topo e à base).

Dia de técnicas de progressão em Montanha [António Ramos © algures (Serra da Estrela, Set. 2017)]

Dia de técnicas de escalada desportiva [Pedro Cuiça © Fojo (Serra da Arrábida, Out. 2017)]

Dia de técnicas de escalada clássica [Pedro Cuiça © Fojo (Serra da Arrábida, Out. 2017)]

Dia de técnicas de didáctica da escalada [Pedro Cuiça © Colégio Marista (Carcavelos, Out. 2017)]

Dia de técnicas de rapel [Pedro Cuiça © Penedo da Amizade (Serra da Sintra, Out. 2017)]

Testes teóricos presenciais [Pedro Cuiça © Sala de Formação FCMP (Lisboa, Out. 2017)]

D'a Rosa...

«O que escala os mais elevados montes ri-se das cenas trágicas do palco como da gravidade trágica da vida.
Corajosos, despreocupados, zombeteiros, imperiosos, assim nos quer a sabedoria; é mulher e só pode amar os guerreiros.
(…) O que temos de comum com o botão de rosa que verga sob o peso de uma gota de orvalho?
(…) E quanto a mim, que gosto da vida, parece-me que aqueles que melhor se entendem com a felicidade, são as borboletas e as bolas de sabão, e tudo o que entre os homens se lhes assemelhe.»
(Nietzsche, 1985: 46)


© da net (?)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falava Zaratustra. Lisboa: Guimarães Editores, 1985, pp. 376.



quarta-feira, 11 de outubro de 2017

O Tentador...

...e/ou aquele que tenta?


Escalar altas montanhas a fim de tentar o Tentador?
(NIETZSCHE, 1985: 29)


A ÁRVORE NA MONTANHA
Zaratustra tinha notado que um mancebo o evitava. E uma tarde, ao atravessar sozinho as montanhas que dominam a cidade denominada «Vaca Malhada», eis que encontrou no seu caminho esse mancebo sentado ao pé de uma árvore, dirigindo ao vale um olhar cansado. Zaratustra enlaçou a árvore a que o mancebo se encostava e disse:
«Se eu quisesse sacudir esta árvore com as minhas mãos, não seria capaz.
Mas o vento, que não vemos, açoita-a e dobra-a como lhe apraz. As mãos invisíveis são hábeis entre todas em nos dobrar e açoitar à sua vontade».
A tais palavras o mancebo levantou-se estupefacto e exclamou: «Estou a ouvir Zaratustra, e era precisamente nele que estava a pensar».
Zaratustra replicou: «Que te leva a ter medo? O que sucede à árvore sucede ao homem.
Quanto mais aspira a subir para as alturas e para a luz, mais as suas raízes aspiram a mergulhar na terra, nas trevas, nas profunduras – no mal».
«Sim, no mal – exclamou o mancebo. Como é possível teres descoberto a minha alma?»
Zaratustra sorriu e disse: «Há almas que nunca descobriremos, a não ser que as tenhamos inventado».
«Sim, no mal!» – repetiu o mancebo – «Disseste a verdade Zaratustra. Já não tenho confiança em mim desde que aspiro a elevar-me às alturas e já ninguém tem confiança em mim. A que se deve isto?
Mudo depressa demais. O meu Eu de hoje contradiz o meu Eu de ontem. Com frequência salto degraus quando subo – e nenhum degrau mo perdoa.
Quando chego acima, acho-me sempre só. Ninguém me dirige a palavra, a solidão glacial obriga-me a tiritar. O que venho eu então procurar nas alturas?
O meu desejo e o meu desprezo crescem a par; quanto mais me elevo, mais desprezo o que se eleva.  Que vai ele procurar nas alturas?
Como me envergonho de subir aos tropeções! Como troço do meu fôlego ofegante! Como odeio aquele que tem asas! Como me sinto cansado de ter subido tão alto!»
Aqui o mancebo calou-se. E Zaratustra, olhando atento a árvore a que estavam encostados, assim lhe falou:
«Esta árvore cresceu solitária na montanha; ultrapassou no seu crescimento homens e animais.
E se quisesse falar, ninguém havia que a pudesse compreender, tanto cresceu.
Agora espera, espera sem cessar – mas o quê? Habita demasiado perto da morada das nuvens, decerto espera o raio que não tardará a vir».
Quando Zaratustra acabava de dizer estas palavras, o mancebo dominado por uma violenta agitação exclamou: «É verdade, Zaratustra, dizes bem. Ao procurar as alturas, aspirava à minha queda, e tu és o raio que esperava. Olha: que sou eu desde que tu nos apareceste? Foi a inveja que te tenho que me destruiu!» Assim falou o mancebo, chorando amargamente. Zaratustra, cingindo-o com o seu braço, levou-o consigo.
E depois de andarem juntos durante algum tempo, Zaratustra começou a falar assim:
«Tenho o coração dilacerado. Melhor do que as tuas palavras, dizem-me os teus olhos o perigo em que estás.
Ainda não és livre, procuras ainda a verdade. Foi esta procura que te fez passar noites em claro, e exasperou a tua consciência.
Queres escalar as livres alturas, a tua alma aspira às estrelas. Mas os teus maus instintos também têm sede de liberdade.
Os teus cães selvagens querem libertar-te; ladram de alegria na tua cave enquanto o teu espírito tende a abrir todas as prisões.
Tu és ainda, como verifico, um prisioneiro que sonha com a liberdade. Ai! alma destes presos torna-se prudente, mas também astuta e má.
Até o espírito libertado precisa ainda de se purificar. Guarda ainda sobre si a sombra da sua prisão e o cheiro a bafio; é preciso ainda que a sua vista se purifique.
É certo, conheço o perigo em que estás. Mas conjuro-te, em nome do meu amor e da minha esperança, não repudies nem o teu amor nem a tua esperança!
Ainda te reconheces nobre, assim como nobre te reconhecem os que te querem mal e te olham com maus olhos. Fica sabendo que o homem nobre é uma pedra de toque no caminho de todos os outros.
Até para os bons o nobre é um obstáculo, e até quando lhe chamam bom, é tão sòmente uma maneira de o pôr de parte.
O homem nobre quer criar alguma coisa nova e uma nova virtude. O bom deseja as velhas coisas, e conservar tudo o que é velho.
E o perigo para o nobre, contudo, não é tornar-se bom, mas insolente, trocista e destruidor.
Ah! quantos nobres corações assim conheci, que perderam a sua mais elevada esperança! E depois caluniaram todas as elevadas esperanças.
Desde então têm vivido uma vida de minguadas aspirações, feita de alegrias breves, sem ver mais longe que de um dia para outro.
«O espírito é também voluptuosidade», diziam. E quebravam as asas do seu espírito. Agora rastejam e maculam tudo o que consomem.
Noutro tempo pensavam fazer-se heróis; agora são apenas gozadores. O herói é para eles aflição e espanto.
Mas, em nome do meu amor e da minha esperança, eu te conjuro: não repudies o herói que há em ti! Venera piedosamente a tua mais elevada esperança!»

Assim falava Zaratustra.
(NIETZSCHE, 1985: 47-50)


© da net (?)


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falava Zaratustra. Lisboa: Guimarães Editores, 1985, pp. 376.




terça-feira, 10 de outubro de 2017

Vem subir o Pico

Vem SUBIR O PICO connosco, em Fevereiro de 2018, numa actividade Green Trekker... Uma oportunidade única de atingir o ponto mais alto de Portugal  o Piquinho  – e de conhecer os encantos de uma das ilhas mais belas dos Açores: a Ilha Montanha. A actividade inclui também a realização de dois percursos pedestres onde se irão revelar antigos segredos da ilha e dar a conhecer o diversificado património picaroto: geologia, flora e fauna, arquitectura e gastronomia, entre outras interessantes facetas.

Pedro Cuiça © Ilha do Pico (Açores, Mar. 2016)

«O Pico é a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ela pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção. É mais do que uma ilha – é uma estátua erguida até ao céu e moldada pelo fogo (…).»
Raúl Brandão in As Ilhas Desconhecidas (1926)


Pedro Cuiça © Ilha do Pico (Açores, Mar. 2016)



quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Saunter

© da net (?)

Hiking : "I don't like either the word or the thing. People ought to saunter in the mountains - not hike! Do you know the origin of that word 'saunter?' It's a beautiful word. Away back in the Middle Ages people used to go on pilgrimages to the Holy Land, and when people in the villages through which they passed asked where they were going, they would reply, 'A la sainte terre,' 'To the Holy Land.' And so they became known as sainte-terre-ers or saunterers. Now these mountains are our Holy Land, and we ought to saunter through them reverently, not 'hike' through them."

John Muir

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Há ir e voltar

Na sequência de intensas experiências minimalistas e após uma morosa recuperação de uma fasceíte plantar, voltei aos experimentalismos da minha adolescência, na base do calçado robusto para terrenos e desempenhos exigentes.  Depois de um “descanso forçado”, é tempo de regressar a actividades “puras e duras”, a treinos preparatórios de novos desafios, a um up-grade da “ciência do concreto”. Foi neste contexto que deparei com as interessantes botas S-Karp, fabricadas na Roménia, e que adquiri um par no passado fim-de-semana em Braşov. Estas são agora alvo de uma diversão que me relembra estados motivacionais de outras idades. Já não tenho 20 anos – na verdade contabilizo mais de duas décadas em cada perna :) – mas continuo a sentir a inspiradora alegria de ir (joy to go). 



Nota: a publicidade em causa é declaradamente gratuita tendo em conta que comprei as Bocanci Ascent MT, tal como a generalidade do equipamento que utilizo; não sou patrocinado por nenhuma marca e esse facto implica que tenho de suportar todas as despesas (elevadas) inerentes à necessidade de equipar-me mas, por outro lado, também me dá a liberdade de escolher as marcas e os modelos que bem entenda, tal como pronunciar-me de forma isenta sobre os mesmos. 


quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Must Walk

A caminho da Transilvânia... Devo andar.

«Sometimes, as the road was cut through the pine woods that seemed in the darkness to be closing down upon us, great masses of greyness, which here and there bestrewed the trees, produced a peculiarly weird and solemn effect, which carried on the thoughts and grim fancies engendered earlier in the evening, when the falling sunset threw into strange relief the ghost-like clouds which amongst the Carpathians seem to wind ceaselessly through the valleys. Sometimes the hills were so step that, despite our driver’s haste, the horses could only go slowly. I wished to get down and walk up them, as we do at home, but the driver would not hear of it. ‘No, no,’ he said; ‘you must not walk here: the dogs are too fierce,’ and then he added, with what he evidently meant for grim pleasantry – for he looked round to catsh the approving smile of the rest – ‘and you may have enough of such matters before you go to sleep.’»
[STOKER, 2009: 31]

© da net (?)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
STOKER, Bram. Dracula, Dracula’s Guest and Other Stories. Hertfordshire : Wordsworth Editions, 2009, pp. 576. ISBN 978-I-84022-627-0


© Pedro Cuiça (2017)

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1/10/2017
De regresso a casa; mas parte do meu coração ficou na Roménia, mais precisamente na Trans-silvânia... E andei. Não tanto quanto gostaria, mas andei :)

Pedro Cuiça © Biserica Neagra - Igreja Negra (Brazov - Transilvânia, 2017)

Pedro Cuiça © algures na Floresta (Transilvânia, 2017)

Pedro Cuiça © algures na Floresta (Transilvânia, 2017)

Pedro Cuiça © Busceni e Montanhas Bucegi (Roménia, 2017)

Pedro Cuiça © algures no Maciço de Postavarul (Transilvânia, 2017)

The Dark Mountain

© da net (?)

I
WALKING ON LAVA

The end of the human race will be that it will
eventually die of civilisation.
Ralph Waldo Emerson

Those who witness extreme social collapse at first hand seldom describe any deep revelation about the truths of human existence. What they do mention, if asked, is their surprise at how easy it is to die.
The pattern of ordinary life, in which so much stays the same from one day to the next, disguises the fragility of its fabric. How many of our activities are made possible by the impression of stability that pattern gives? So long as it repeats, or varies steadily enough, we are able to plan for tomorrow as if all the things we rely on and don’t think about too carefully will still be there. When the pattern is broken, by civil war or natural disaster or the smaller-scale tragedies that tear at its fabric, many of those activities become impossible or meaningless, while simply meeting needs we once took for granted may occupy much of our lives.
What war correspondents and relief workers report is not only the fragility of the fabric, but the speed with which it can unravel. As we write this, no one can say with certainty where the unravelling of the financial and commercial fabric of our economies will end. Meanwhile, beyond the cities, unchecked industrial exploitation frays the material basis of life in many parts of the world, and pulls at the ecological systems which sustain it.
Precarious as this moment may be, however, an awareness of the fragility of what we call civilisation is nothing new.
‘Few men realise,’ wrote Joseph Conrad in 1896, ‘that their life, the very essence of their character, their capabilities and their audacities, are only the expression of their belief in the safety of their surroundings.’ Conrad’s writings exposed the civilisation exported by European imperialists to be little more than a comforting illusion, not only in the dark, unconquerable heart of Africa, but in the whited sepulchres of their capital cities. The inhabitants of that civilisation believed ‘blindly in the irresistible force of its institutions and its morals, in the power of its police and of its opinion,’ but their confidence could be maintained only by the seeming solidity of the crowd of like-minded believers surrounding them. Outside the walls, the wild remained as close to the surface as blood under skin, though the city-dweller was no longer equipped to face it directly.
Bertrand Russell caught this vein in Conrad’s worldview, suggesting that the novelist ‘thought of civilised and morally tolerable human life as a dangerous walk on a thin crust of barely cooled lava which at any moment might break and let the unwary sink into fiery depths.’ What both Russell and Conrad were getting at was a simple fact which any historian could confirm: human civilisation is an intensely fragile construction. It is built on little more than belief: belief in the rightness of its values; belief in the strength of its system of law and order; belief in its currency; above all, perhaps, belief in its future.
Once that belief begins to crumble, the collapse of a civilisation may become unstoppable. That civilisations fall, sooner or later, is as much a law of history as gravity is a law of physics. What remains after the fall is a wild mixture of cultural debris, confused and angry people whose certainties have betrayed them, and those forces which were always there, deeper than the foundations of the city walls: the desire to survive and the desire for meaning.


Pedro Cuiça © Pico (2017)

It is, it seems, our civilisation’s turn to experience the inrush of the savage and the unseen; our turn to be brought up short by contact with untamed reality. There is a fall coming. We live in an age in which familiar restraints are being kicked away, and foundations snatched from under us. After a quarter century of complacency, in which we were invited to believe in bubbles that would never burst, prices that would never fall, the end of history, the crude repackaging of the triumphalism of Conrad’s Victorian twilight — Hubris has been introduced to Nemesis. Now a familiar human story is being played out. It is the story of an empire corroding from within. It is the story of a people who believed, for a long time, that their actions did not have consequences. It is the story of how that people will cope with the crumbling of their own myth. It is our story.
This time, the crumbling empire is the unassailable global economy, and the brave new world of consumer democracy being forged worldwide in its name. Upon the indestructibility of this edifice we have pinned the hopes of this latest phase of our civilisation. Now, its failure and fallibility exposed, the world’s elites are scrabbling frantically to buoy up an economic machine which, for decades, they told us needed little restraint, for restraint would be its undoing. Uncountable sums of money are being funnelled upwards in order to prevent an uncontrolled explosion. The machine is stuttering and the engineers are in panic. They are wondering if perhaps they do not understand it as well as they imagined. They are wondering whether they are controlling it at all or whether, perhaps, it is controlling them.
Increasingly, people are restless. The engineers group themselves into competing teams, but neither side seems to know what to do, and neither seems much different from the other. Around the world, discontent can be heard. The extremists are grinding their knives and moving in as the machine’s coughing and stuttering exposes the inadequacies of the political oligarchies who claimed to have everything in hand. Old gods are rearing their heads, and old answers: revolution, war, ethnic strife. Politics as we have known it totters, like the machine it was built to sustain. In its place could easily arise something more elemental, with a dark heart.
As the financial wizards lose their powers of levitation, as the politicians and economists struggle to conjure new explanations, it starts to dawn on us that behind the curtain, at the heart of the Emerald City, sits not the benign and omnipotent invisible hand we had been promised, but something else entirely. Something responsible for what Marx, writing not so long before Conrad, cast as the ‘everlasting uncertainty and anguish’ of the ‘bourgeois epoch’; a time in which ‘all that is solid melts into air, all that is holy is profaned.’ Draw back the curtain, follow the tireless motion of cogs and wheels back to its source, and you will find the engine driving our civilisation: the myth of progress.
The myth of progress is to us what the myth of god-given warrior prowess was to the Romans, or the myth of eternal salvation was to the conquistadors: without it, our efforts cannot be sustained. Onto the root stock of Western Christianity, the Enlightenment at its most optimistic grafted a vision of an Earthly paradise, towards which human effort guided by calculative reason could take us. Following this guidance, each generation will live a better life than the life of those that went before it. History becomes an escalator, and the only way is up. On the top floor is human perfection. It is important that this should remain just out of reach in order to sustain the sensation of motion.
Recent history, however, has given this mechanism something of a battering. The past century too often threatened a descent into hell, rather than the promised heaven on Earth. Even within the prosperous and liberal societies of the West progress has, in many ways, failed to deliver the goods. Today’s generation are demonstrably less content, and consequently less optimistic, than those that went before. They work longer hours, with less security, and less chance of leaving behind the social background into which they were born. They fear crime, social breakdown, overdevelopment, environmental collapse. They do not believe that the future will be better than the past. Individually, they are less constrained by class and convention than their parents or grandparents, but more constrained by law, surveillance, state proscription and personal debt. Their physical health is better, their mental health more fragile. Nobody knows what is coming. Nobody wants to look.
Most significantly of all, there is an underlying darkness at the root of everything we have built. Outside the cities, beyond the blurring edges of our civilisation, at the mercy of the machine but not under its control, lies something that neither Marx nor Conrad, Caesar nor Hume, Thatcher nor Lenin ever really understood. Something that Western civilisation — which has set the terms for global civilisation—was never capable of understanding, because to understand it would be to undermine, fatally, the myth of that civilisation. Something upon which that thin crust of lava is balanced; which feeds the machine and all the people who run it, and which they have all trained themselves not to see.



© da net (?)