[Foto topo: Ó Patxi CASCANTE – Apresentação do livro Los Pirineos, Una Frontera con Amargas Historias (2023); foto abaixo: Ó Javier ARADAS – XVIII Jornadas Estatales de Senderismo, La Guardia (2010)]
[Foto topo: Ó Patxi CASCANTE – Apresentação do livro Los Pirineos, Una Frontera con Amargas Historias (2023); foto abaixo: Ó Javier ARADAS – XVIII Jornadas Estatales de Senderismo, La Guardia (2010)]
CONFUSÕES DE AR LIVRE, PROBLEMAS DE AR CONDICIONADO (I)
Na sequência da morte, no dia 27 de Julho, do carregador paquistanês Muhammad Hassan, na parte
superior do K2, após ter permanecido vivo durante várias horas perante a indiferença
daqueles que por ele passaram para fazer cume ou já na sua descida, regressou o
coro de críticas àquilo que se tornou o “alpinismo” nas mais altas montanhas
himalaianas. Como se algo de (muito) extraordinário se tivesse passado no panorama
dos inúmeros mortos abandonados, em alta altitude, nas vertentes do Everest e
de outros oito mil, tal como das toneladas de detritos largados nessas montanhas,
que fazem com que certos campos de altitude se tenham transformado em lixeiras
(nas mais altas lixeiras do mundo) a céu aberto! Infortunadamente, nada de novo.
Basta(ria) lembrar-nos da tragédia de 1996 no Everest ou das diversas campanhas
de recolha de lixo nas vias normais do Everest, nos lados nepalês e chinês,
para constatar o que deveria ser evidente!... De entre as diversas intervenções
críticas ao agora (mais uma vez) sucedido, destacamos os comentários, "sem papas na língua", do amplamente conhecido alpinista espanhol Sebastián Álvaro, publicados online pela editorial
Desnivel: «Cómo llegaron a converterse en parques de atracciones las montañas más altas y bellas del Himalaya y el Karakórum? Cuando se jódio el himalaysmo?»
O fenómeno dos mortos e do lixo em altitude já mereceu diversas intervenções publicas da minha parte, em comunicações e textos diversos e, por isso, não tenho nada a acrescentar de concreto. Apenas lamentar o sucedido e manifestar o meu pesar à família e amigos do malogrado carregador.
Seria talvez oportuno e importante fazer uma análise crítica e uma reflexão aprofundada não só daquilo em que se transformou o himalaismo, mas também acerca da prática de alpinismo/montanhismo em geral e, já agora, da escalada clássica (e até da desportiva) nos mais diversos contextos e geografias, inclusivamente "à porta de casa"...
De resto, escrevi ontem o seguinte no Facebook:
«O problema não se circunscreve, de todo, à alta montanha. A massificação, a alienação e a banalização das actividades de ar livre generalizou-se. E não é apenas a "turistificação" que está em causa, é todo um conjunto de motivações e de formas de "viver", nomeadamente o (hiper)consumismo e o poder aquisitivo do "capital": pensar que tudo se traduz em dinheiro e tudo é vendível e comprável. O que está verdadeiramente em causa são questões de ética e de estética; são questões ontológicas e substanciais, do Ser (em detrimento do ter). Não é lícito, nestas (e noutras) matérias continuar a confundir "uma obra prima com a prima do mestre de obras".»
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© Lakpa Sherpa/8K
Expeditions |
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© ERA |
Soube hoje que Arthur
Howcroft faleceu no dia 25 de Fevereiro de 2023, aos 96 anos. Arthur foi um dos
membros mais antigos e que mais anos fez parte da European Ramblers Association
(ERA): representou a Grã-Bretanha, durante inúmeros anos, nessa federação
europeia, mais precisamente a Long Distance Walkers Association e a Rambler’s
Association, foi o primeiro presidente da Comissão de Pedestrianismo (Walking
Commission), desde a sua formação em Junho de 1976 até 1994, e foi também, de
1985 a 1991, vice-presidente da ERA. A
sua longevidade na federação europeia de pedestrianismo, associada aos seus importantes
contributos para o desenvolvimento dessa instituição, fez com que fosse nomeado
Presidente Honorário.
Tive o privilégio de caminhar
com o Arthur em vários países europeus, recordando com particular saudosismo as
longas marchas que fizemos, em diversas ocasiões, na cidade de Paris, quando ambos pertencíamos ao Grupo de Trabalho sobre ERA Walk Leaders. Caminhadas
pautadas invariavelmente por também dilatadas conversas acerca do assunto que
gerou e consolidou a nossa amizade: a caminhada. A última vez que estive com o
Arthur foi durante as comemorações dos 50 anos da ERA, que decorreram, em Outubro
de 2019, em Bad Urach, na Alemanha. Não posso deixar de expressar o meu especial
apreço por esse invulgar gentleman, enquanto Homem, Caminheiro e Amigo. Até Sempre…
«Arthur will continue
to walk on the stars, he loved walking with so many people during his long
life, especially with his beloved wife Renee. He led many people on walking
holidays for numerous walking associations all over Europe, and he loved
speaking several European languages. The ERA, with all its members and staff,
had a special place in his heart, and I count it a great privilege to have
known Arthur.»
Peter Ayling