segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Saúde em Movimento

PC © Estónia (2007)

Na próxima sexta-feira (dia 7 de Outubro) terei o grato prazer de apresentar a palestra Caminhada, Bem-estar e Conexão à Natureza, na Câmara Municipal de Lagos, no âmbito do lançamento da iniciativa Saúde em Movimento. O evento, de entrada livre, começa às 10:00 a.m. e realiza-se no Auditório do edifício Paços do Concelho Século XXI. 

A conexão dos seres humanos com a natureza tornou-se uma matéria de crescente interesse no âmbito da investigação científica, designadamente no que concerne a saúde e o bem-estar. De acordo com a Hipótese da Biofilia, os seres humanos foram moldados cognitiva e emocionalmente, no decurso da sua evolução, para uma predisposição inata à conexão com a natureza. O processo evolutivo dos hominídeos transformou-os em caminhantes, adaptados a percorrer extensas distâncias a pé.

O benefícios para a saúde, decorrentes da prática de caminhada, estão amplamente descritos, revelando que os praticantes desse exercício físico apresentam um menor risco de contraírem doenças crónicas, como a diabetes (tipo 2), hipertensão, doenças coronárias, dores lombares, miopia, défice de atenção, ansiedade, depressão, etc.. Salienta-se igualmente a importância da caminhada desde as crianças e jovens aos idosos, mormente no que concerne a mitigação de situações de sarcopenia, de fragilidade e quedas associadas. 

A caminhada em meio florestal ou, na expressão de Wohlleben (2019), onde se «crie a ilusão de floresta», merece um particular destaque no que concerne a conexão à natureza e os inúmeros benefícios para a saúde e o bem-estar dos praticantes. O contacto com a natureza pode não ser, todavia, suficiente per se, exigindo o envolvimento psicológico, intencional, com vista a uma mais efetiva conexão ao mundo natural. Conexão que não pode estar alheada do corpo, mais precisamente do corpo-mente enquanto entidade inseparável e indivisível. Estas e outras temáticas serão abordadas na palestra Caminhada, Bem-estar e Conexão à Natureza e constituirão o ponto de partida para a troca de pontos de vista e de experiências entre o palestrante e os participantes.

PC © Pirenéus (2004)

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Foi extremamente gratificante ter uma sala cheia de idosos, altamente motivados pelos benefícios que a prática regular de caminhada proporciona, não só em termos de saúde, mas também de bem-estar, designadamente resultante da socialização e do convívio…


© DR




© DR


quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Património viário


The most obvious and often the most enjoyable space to walk in the city, and one that usually ticks all four of these boxes, is green space. Is there any better urban space to enjoy than London’s Hyde Park, Dublin’s Phoenix Park, New York’s Central Park, Paris’s Jardin du Luxemburg, Cubbon Park in Bangalore, or the Villa Borghese Gardens in Rome, to name just a few? [E, não esquecendo, o Parque Florestal de Monsanto, que é uma ilha de “verdura” rodeada pela urbanidade da Grande Lisboa.] However, with urbanization set on a one-way trajectory, a common and reasonable fear is that urban development has and will encroach upon historic areas of urban green space, meaning that trees and hedging that reduce the urban heat island effect are being lost. Western Europe has had an urban culture of great parks which has developed over several centuries, and which has sustained itself through famine, disease, and warfare. Are these green spaces under threat from a tide of concrete and tar? [O’MARA, 2019: 104] [Sem dúvida. E, no caso de Monsanto, as ameaças não surgem apenas do exterior mas, também, de quem gestiona a área e que, por ignorância ou insensibilidade, tem vindo a desnaturalizar paulatinamente o espaço… Basta ver o que tem acontecido aos caminhos de pé-posto (single-tracks), substituídos por caminhos alargados, com pisos artificializados, por vezes com escadarias e corrimões, entre outros “primores”. É que os trilhos também são património viário, e merecem ser valorizados e conservados.]



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

O’MARA, Shane. 2019. In Praise of Walking – The new science of how we walk and why it’s good for us. London: Vintage, pp.218

terça-feira, 27 de setembro de 2022

A Oriente do Paraíso...

  

Pen(h)a: a Montanha do Graal.

Há poucos dias, tive o grato prazer de conduzir um grupo de americanos num percurso pedestre na mítica Montanha da Lua! Uma caminhada panorâmica, na área oriental da Serra de Sintra, com vistas esplendorosas sobre o Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros, e que culminou numa visita de interpretação aos “jardins iniciáticos”, à capela e ao palácio da Quinta da Regaleira.

A Regaleira constitui um dos mais enigmáticos “locais” da paisagem romântica sintrense, pela sua riquíssima e diversificada simbologia, segundo alguns autores (e.g. Manuel Anes), maçónico-templária, alquímica e rosicruciana e, segundo outros (e.g. Manuel J. Gandra), com base na Ilha dos Amores, d’Os Lusíadas (1572), e na Divina Comédia (ca. 1304-1321), de Dante Alighieri. Sem dúvida, uma real-ização magnífica resultante da visão conjunta de António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), o proprietário do espaço, e de Luigi Manini (1848-1936), o arquitecto e cenógrafo responsável pelas obras.

Depois de mais de duas décadas de visitas frequentes à Regaleira e do estudo de diversa bibliografia sobre essa misteriosa e intrigante “quinta”, esta tratou-se da primeira vez que efectuei uma visita-guiada, enquanto profissional, conduzindo um grupo… 

Em torno do Poço Imperfeito.


Trilhos & Trilhos

 Foi uma grata surpresa deparar com uma mensagem de Belchior Monteiro, no grupo Trilhos & Trilhos, do Facebook, sobre o Passo a Passo - Manual de Caminhada e Trekking... Num país e num contexto caracterizados por um autismo e indiferença generalizados, não devemos ignorar tal facto.

"Deixo-vos aqui uma sugestão que, para mim, serve de manual obrigatório para aqueles que querem começar nestas coisas das caminhadas e trekking.
Da autoria de Pedro Cuiça, director técnico da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP), "Passo a Passo - Manual de Caminhada e Trekking" é, no meu entender, uma excelente ferramenta para todos os que gostam da montanha e tudo que lhe está associado.
Apesar de alguma linguagem, aqui e ali, mais técnica, este livro tem o condão de ser claro o suficiente para todos aqueles que são iniciantes nestas lides.
Para além disso, é também um excelente manual para os que, apesar da sua experiência no "terreno", querem alargar ainda mais o seu conhecimento teórico criando, desta forma, uma importante ponte entre o conhecimento empírico e o teórico e, consequentemente, uma base sustentada de conhecimento.
Este manual aborda várias temáticas importantes, nomeadamente equipamento, orientação, alimentação, pernoita, segurança entre outros aspectos, não despiciendos, deste "nosso" mundo das caminhadas na montanha (e não só).
Procurem este livro pois, apesar da primeira edição datar de 2015, o seu conteúdo continua bem actual.
Recomendo vivamente
👌👣
"
Não devemos ignorar e, certamente, deixar de agradecer. Um grande Bem-haja.




quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Caminhada e Saúde

 


No próximo domingo (25 de Setembro) irei apresentar na Fnac de Faro (Fórum Algarve), das 16 às 17 horas, uma palestra sob o tema Caminhada, Bem-estar e Conexão à Natureza. A palestra, moderada por José Paulo Sousa, do Clube Desportivo Faro XXI, é de acesso livre e está inserida no programa Faro Ativo.

A conexão dos seres humanos com a natureza tornou-se uma matéria de crescente interesse no âmbito da investigação científica, designadamente no que concerne a saúde e o bem-estar. De acordo com a Hipótese da Biofilia, os seres humanos foram moldados cognitiva e emocionalmente, no decurso da sua evolução, para uma predisposição inata à conexão com a natureza. O processo evolutivo dos hominídeos transformou-os em caminhantes, adaptados a percorrer extensas distâncias a pé.

O benefícios para a saúde, decorrentes da prática de caminhada, estão amplamente descritos, revelando que os praticantes desse exercício físico apresentam um menor risco de contraírem doenças crónicas, como a diabetes (tipo 2), hipertensão, doenças coronárias, dores lombares, miopia, défice de atenção, ansiedade, depressão, etc.Salienta-se igualmente a importância da caminhada desde as crianças e jovens aos idosos, mormente no que concerne a mitigação de situações de sarcopenia, de fragilidade e quedas associadas. 

A caminhada em meio florestal ou, na expressão de Wohlleben (2019), onde se «crie a ilusão de floresta», merece um particular destaque no que concerne a conexão à natureza e os inúmeros benefícios para a saúde e o bem-estar dos praticantes. O contacto com a natureza pode não ser, todavia, suficiente per se, exigindo o envolvimento psicológico, intencional, com vista a uma mais efetiva conexão ao mundo natural. Conexão que não pode estar alheada do corpo, mais precisamente do corpo-mente enquanto entidade inseparável e indivisível. Estas e outras temáticas serão abordadas na palestra Caminhada, Bem-estar e Conexão à Natureza e constituirão o ponto de partida para a troca de pontos de vista e de experiências entre o palestrante e os participantes.

O Faro Ativo 2022 está a decorrer, de 3 de Setembro a 15 de Outubro, traduzindo-se em mais de um mês de promoção da prática desportiva e do exercício físico para todos. Este evento é organizado pela Câmara Municipal de Faro, envolve a colaboração de mais de meia centena de entidades e de intervenientes individuais, e irá certamente contar, à semelhança das edições anteriores, com a presença de milhares de participantes. 

Esta oportunidade de apresentar uma palestra sobre a promoção da prática de exercício físico para todos é triplamente gratificante tendo em conta que (1) ocorre em Faro - a minha terra natal -, (2) no âmbito do Faro Ativo e (3) coincidente com a Semana Europeia do Desporto 2022 (23 a 30 setembro): #BeActive.


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Na sequência da palestra Caminhada, Bem-estar e Conexão à Natureza que se realizou, no dia 25 de Setembro, no Fórum Algarve (Faro), gostaria de agradecer, publicamente:
1) o convite para apresentar esta temática e a moderação por parte do José Paulo Sousa Gordinho do Clube Faro XXI;
2) a aceitação da realização de uma palestra, pela primeira vez no Faro Ativo, por parte de Vitor Filipe (Chefe de Divisão) e de Jorge Candeias (Chefe de Unidade) da Divisão de Desporto e Juventude da Câmara Municipal de Faro;
3) o apoio, a atenção e a simpatia inexcedíveis por parte de Ana Narciso (Directora de Comunicação da Fnac Algarve) e de Ana Margarida (Estagiária da Fnac do Fórum Algarve), que proporcionaram todas as condições para a realização da palestra e tiveram a amabilidade de disponibilizarem diversos exemplares do Passo a Passo - Manual de Caminhada e Trekking para o evento. Bem-hajam.

27 de Setembro de 2022



segunda-feira, 19 de setembro de 2022

Sinalização de Trilhas

Na próxima quarta-feira (21 de Setembro de 2022) irei participar, das 18:00 às 21:00 (hora de Brasília), num seminário on-line sobre "Sinalização de Trilhas na Europa", para alunos da Universidade Federal de Rio Grande do Sul (UFRGS). A iniciativa, organizada pelo Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (CF-FCMP), juntamente com a Escola Superior de Educação Física, Fisioterapia e Dança da UFRGS, conta com a moderação do Prof. Dr. Alcides Vieira Costa.



domingo, 28 de agosto de 2022

Neolítico


© Algures na Net


Andar e/ou correr tinha-se tornado num meio de transporte primário, como o carro para os "urbanoides"; para todo o lado onde vá, vai a passo ou em corrida "com tão pouco equipamento como um caçador neolítico, e com a mesma despreocupação quanto ao destino, por muito distante que seja.


© PC 2022

sábado, 13 de agosto de 2022

Estilo Precipício

 



O «estilo precipício» nas edificações dos carmelitas descalços consistia na recreação e preservação da inacessibilidade e do desconforto, e, muitas vezes, coincidia com a natureza e simbologia da montanha como lugar de iniciação e de epifania místicas. Traduzia-se pela exaltação do obstáculo e da capacidade de o superar. Conseguir encontrar-se todos os dias com a morte e dar-lhe um aperto de mão, oferecer-lhe uma cadeira para ela descansar, pedindo-lhe, porém, que se atrasasse um pouco do seu intento não para fugir à morte, mas para sofrer um pouco mais, e tudo isto sem perder a bondade perante os que sofrem, ainda que sofressem apenas por não conseguirem criar uma «flor inverosímil», como o monge do Buçaco que durante sessenta anos tentou criar uma rosa azul.

Susana Neves (2022, p. 64)

 

Um grupo de monges carmelitas descalços portugueses fundou, em 1628, um deserto ou eremitério, no extremo noroeste da serra do Buçaco, inspirados pelo exemplo de Santa Teresa de Ávila e San Juan de la Cruz: reformadores da Ordem de Nossa Senhora do Monte Carmelo.

O deserto do Buçaco, enquanto «local de recolhimento, oração e ascese», favorável à vivência do silêncio, coexistiu com a presença do sagrado, expressa de forma inequívoca no frondoso bosque resultante dos trabalhos de arborização levados a cabo por frades e monges. A autora, Susana Neves, calcorreou a mata inúmeras vezes «no modo e no tempo de um carmelita descalço, ou seja, a pé (embora descarmeliticamente tenha andado sempre bem calçada) e sem ninguém por perto» (NEVES 2022, p. 12). O «estilo precipício» foi traduzido não só nas edificações dos carmelitas como também, e sobretudo, na construção do templo interior de cada um dos monges.  Um livro a não perder.


Título: Ama o Precipício – Viagem à Mata Nacional do Buçaco

Autora: Susana Neves

Edição: Fundação Francisco Manuel dos Santos (Maio 2022)

ISBN: 978-989-9064-59-1 




sexta-feira, 12 de agosto de 2022

O Silêncio - mais do que uma virtude

[revista Fraternitas nº 14, Jul./Set. 2022, pp. 20-23]


Mestre Lima de Freitas - O Caminho da Serpente (1995)


«O que lhe dizia, caro Amigo, é que me parece que ao verdadeiro Amor corresponde o silêncio; a perfeita vibração diante de uma flor ou de um pôr-do-sol ou de uma libélula sobre as águas de um ribeiro ou, o que mais vale, diante de uma mulher, traz consigo uma inibição de todas as funções de relação; não se diz nada à rosa, não se diz nada à mulher e, com muito mais razão, não se diz nada aos amigos, não se lhes comunica, com esse entusiasmo, com que você faz, que se nadou no azul dos céus ou totalmente nos fundimos no grande corpo de Deméter. Os mais fracos correm diante das suas emoções uma porta ondulada de ironia. Os mais fortes, porém, e eu desejo que você seja dos mais fortes, encerram-se num palácio de silêncio

Agostinho da SILVA in Sete Cartas a um Jovem Filósofo


Pensava que o silêncio, uma pedra basilar ou angular da espiritualidade e do esoterismo, era uma virtude. O caminho incontornável para aquilo que, sendo inefável, indizível e quiçá inominável, não podia ser expresso por palavras. Assim pensei, até há poucos anos, quando um companheiro questionou essa minha perspectiva e me levou, portanto, a aprofundar o pensamento sobre essa matéria. De facto, o silêncio não será tão somente uma virtude, pelo menos um determinado tipo de silêncio, o Silêncio. Tal como o Caminho da Serpente, de Fernando Pessoa, vai para além de Deus, também o Silêncio, quando ultrapassa o bem e o mal, vai para lá da(s) virtude(s). Passo a explicar.

O desejo de qualquer sujeito ético é “tornar-se bom”, ou, pelo menos, aperfeiçoar-se. Deste modo, uma das vantagens reivindicadas pela ética das virtudes centra-se no facto de ser formulada, logo à partida, na perspectiva da experiência de um sujeito ético que tenta agir bem ou melhorar, e que, para tal, deve estar racionalmente motivado (SANTOS, 2012: 102). Para Aristóteles, a virtude era uma disposição interiorizada de acção, desejo e sentimento. Tratava-se, pois, de uma disposição intencional que implicava o exercício do juízo de um agente – necessariamente humano –, que envolvia uma razão prática (WILLIAMS, 2017: 55). No seu sentido literal, o termo aretê, que constitui o superlativo substantivado do adjectivo agathon (bom, bem), pode ser traduzido por “excelência”. O conceito de virtude (do grego “aretê”) remete, portanto, in traditio, para a busca de excelência e aplica-se exclusivamente aos humanos. Como exemplos temos as virtudes cardeais (justiça, temperança, prudência e fortaleza) e as virtudes teologais (fé, caridade e esperança). Mas o leque não se esgota, de todo, nestas sete virtudes cristãs.

É frequente ouvir-se que «a melhor virtude do Aprendiz é o silêncio». Não se deverá confundir, todavia, o calar-se ou a renúncia à palavra (que poderá assumir a situação extrema de voto de silêncio), tal como a capacidade de guardar segredo ou reserva (manter o véu do silêncio), com a “ausência de ruído”, o Silêncio. A prudência e a temperança no uso da palavra, que poderão revestir as feições de silêncio, denominar-se “silêncio”, traduzem inequivocamente força e carácter. Apartar-se da tagarelice, de palavreado inoportuno ou, mais grave, indecoroso, ultrapassa a mera ética ao adentra-se na estética: revela bom gosto e beleza. Conseguir renunciar à palavra e guardar segredo implicam intencionalidade, desejo e sentimento de agir bem e, portanto, estas tipologias de silêncio poderão ser categorizadas como virtude(s). Conter, mesurar e até interromper a fala dá lugar ao Silêncio. É este Silêncio, subjacente à palavra falada1 (e simultaneamente sobrejacente), primal e original, que «é a pedra basilar ou angular da espiritualidade e do esoterismo.» É este Silêncio que é o «caminho incontornável para aquilo», e será aquilo (?), «que, sendo inefável, indizível e quiçá inominável2, não pode ser expresso por palavras.» É este Silêncio que não é uma virtude, porque extravasa o humano; está fora de qualquer intencionalidade, está para além do bem e do mal.

Não ignoramos que as virtudes, numa espécie de pareidolia, podem ser atribuídas a animais, a órgãos do corpo ou mesmo a utensílios, para designar as boas qualidades que possam ter. No caso de artefactos, trata-se da qualidade da coisa que, no âmbito do seu uso pelo homem, melhor preenche a sua função habitual. Saliente-se, contudo, que, nestes cenários, continuamos na lógica das virtudes associadas, directa ou indirectamente, ao ser humano e por isso numa ética evidentemente antropocêntrica. O naturalismo, o romantismo e o transcendentalismo, que viriam a emergir na ética ambiental, na ecologia profunda (deep ecology) e na ecosofia, vieram superar essas abordagens homocêntricas ao atribuírem valor intrínseco aos seres não humanos – vivos e “inanimados” – e até aos ecossistemas, numa abrangência “holotrópica”3 que aparentemente remete para um regresso às vivências dos povos primevos mas que, na verdade, aponta a novos horizontes futuros: o Homem abrir-se ao Todo, num “antropologismo holístico”4. Um pleno retorno ao natural (e ao sobrenatural?), a partir da condição de anthropos, reconhecendo valor intrínseco a todos os seres mas sem lhes atribuir estatuto moral porque «no fundo da floresta vagueia um urso temível, feroz e ameaçador, mas isento de culpa.» (DOSTOIEVSKI, 1981: 238). Como referiu esse Grande Colosso que foi Agostinho da Silva: «estamos tão afastados do natural como do sobrenatural, quando estes deviam ser os pontos centrais da nossa existência: plenamente vivemos no artificial» (SILVA, 1990: 69). Como expressou Teixeira de Pascoes, e que reescrevo de memória, «para lá desta região média em que habitamos, um outro plano se esboça ignotamente pressentido. (…) O homem é mais do que ele próprio. E esse mais é o silêncio profundo da sua alma, que sabe tudo e não diz nada: um silêncio igual ao das montanhas.» Comecemos pelo abandono ostensivo do discurso para ocupar a morada do silêncio5. Silenciar-se para ouvir a voz do Silêncio6


Nicholas Roerich - Christ in the Desert (1933)


NOTAS

1. É evidente que a existência primordial da linguagem (“língua”) se dá na fala. A linguagem não é uma gramática (de gramma techne: “rabiscos entrançados”), é um sopro de ar (SNYDER, 2018: 95). Distinção já assinalada pelo linguístico suíço Ferdinand de Saussure (no séc. XIX), e que tanto intrigou Merleau-Ponty, entre la parole (o acto concreto da fala) e la langue (enquanto sistema de regras terminológicas, sintácticas e semânticas) (ABRAM, 2007: 85).

2. Aquilo que nas tradições teístas se chama “Deus”, da raiz indo-europeia “dei”, que designa “o que brilha”, a irrupção da luz nas trevas (BORGES, 2015: 24). A linguagem humana não pode definir Deus (ou sequer altas entidades espirituais), mas tem a capacidade de denominar, consciente ou inconscientemente, quando refere “Deus” ou utiliza expressões como “a-deus” ou “se Deus quiser” – o mesmo que oxalá (do árabe Inch’Allāh). Os 99 nomes de Deus (Allāh) mencionados no Alcorão designam os atributos do Ser Supremo. Os cabalistas apontam 72 nomes de Deus (BONEWITS, 1971: 78), com base nos versículos 19, 20 e 21 do Capítulo 14 do Êxodo:   Shemhamphorasch, o conjunto de nomes de 3 letras, do alfabeto hebraico, formados a partir do desdobramento do Tetragrammaton YHVH (יהוה).

3. Aqui “holotrópico” (termo cunhado pelo psicólogo transpessoal Stanislav Grof) é utilizado no sentido literal de uma progressão rumo ao Todo (holos). Já no século XIII, São Francisco de Assis tentou desviar o cristianismo dos pressupostos antropocêntricos dominantes, num posicionamento biocêntrico resultante de tendências, mais antigas, animistas: propôs «uma democracia de todas as criaturas de Deus» (DEVALL & SESSIONS, 2004: 65). Destacamos igualmente a visão religiosa de Spinoza (séc. XVII) – da unidade e divindade da Natureza – que influenciou um diversificado conjunto de pensadores “holísticos”. Algumas das principais figuras do movimento romântico europeu (Goethe, Coleridge, Wordsworth e Shelley), os transcendentalistas americanos (Emerson, Thoreau e Muir), entre outros: George Santayana, Bertrand Russel, Albert Einstein, Robinson Jeffers, John Wetlesen, Arne Naess, etc. (ibid.: 261).

4. “Antropologismo holístico” como forma de estar/pensar ancorada no Homem, enquanto ponto de partida, mas que se abre (descentralizando) ao todo. Pese embora estarmos conscientes da critica do antropologismo, mormente pela fenomenologia de Husserl: as estruturas transcendentais, descritas depois da redução fenomenológica, não são as do ente intramundano chamado “homem” e não estão ligadas à sociedade, à cultura, linguagem ou alma. Daí abrir-se espaço para a imaginação de uma consciência sem homem ou sem alma (DERRIDA in CARVALHO, 2008: 29).

5. O caminho iniciático prevê uma única reversão: a demanda pragmática do silêncio, a passagem para «o País do Silêncio» (BOYER, 2011b: 102). «A primeira função das sociedades iniciáticas consiste em acompanhar o demandador até à zona de Silêncio, onde se desenvolve o Ser e a Consciência não-dual» (ibid.: 114-115). O domínio pessoal é eminentemente especulativo e a operatividade só pode ser posta em prática «na Zona de Silêncio, no não-condicionado» (BOYER, 2017: 35). A obra literária de Rémi Boyer confere uma especial importância ao Silêncio,  posicionamento reiteradamente manifestado nas diversas comunicações a que tive o grato privilégio de assistir: (1) “Martinismo – História, Símbolos e Práticas da Via Martinista”, realizada no dia 2 de Maio de 2015, na Casa do Fauno (Sintra), juntamente com o palestrante José Manuel Anes; (2) “Despertar, Tradição e Iniciação”, no âmbito do relançamento do livro A Tradição Maçónica e o Despertar da Consciência, que decorreu, no dia 24 de Abril de 2017, na AMORC (Lisboa); (3) “A Iniciação Maçónica no Século XXI”, proferida, no dia 12 de Abril de 2018, no Museu Maçónico do GOL (Grande Oriente Lusitano).

6. Calar-se e, em altos níveis de atenção ou em atenção plena, colocar-se à escuta: para ouvir a paradoxal voz do silêncio. 


BIBLIOGRAFIA

ABRAM, David (2007). A Magia do Sensível – Percepção e Linguagem num mundo mais do que humano. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, pp. 340. ISBN 978-972-31-1184-2

BONEWITS, Philip Emmons Isaac (1971). Real Magic – An introdutory treatise on the basic principles of yellow magic. New York: Coward, MacCann & Geoghegan, pp. 236.

BORGES, Paulo (2015). O Coração da Vida – visão, meditação, transformação integral.  Paço de Arcos: Edições Mahatma, pp. 198. ISBN 978-989-8522-60-3

BOYER, Rémi (2011). O Discurso de Sintra. Sintra: Zéfiro e Arcano Zero, pp. 170. ISBN 978-989-677-076-1

BOYER, Rémi (2017). A Tradição Maçónica e o Despertar da Consciência. Sintra: Zéfiro, pp. 168. ISBN 978-989-677-148-5

CARVALHO (2008), Júlia Diniz. Fenomenologia e antropologismo: a morte do homem entre Foucault e Derrida. Em Construção – Arquivos de Epistemologia Histórica e Estudos de Ciência, nº 3, p. 21-34. Disponível em:

https://www.e-publicacoes.uerj.br/ojs/index.php/emconstrucao/article/viewFile/34352/24267

DEVALL, Bill & SESSIONS, George (2004). Ecologia Profunda – Dar prioridade à natureza na nossa vida. Águas Santas, pp. 290. ISBN 972-8870-01-9

DOSTOIEVSKI, Fiódor (1981). Os Irmãos Karamazov. Lisboa: Círculo de Leitores, pp. 602.

SANTOS, José Manuel (2012). Introdução à Ética. São João de Ver: Sistema Solar, pp. 304. ISBN 978-989-8618-12-2

SILVA, Agostinho da (2019). Sete Cartas a um Jovem Filósofo. Lisboa: Ulmeiro, pp. 120. ISBN 978-972-706-217-1

SNYDER, Gary. A Prática da Natureza Selvagem. Lisboa: Antígona, 2018, pp. 256. ISBN 978-972-608-326-9

WILLIAMS, Bernard (2017). A Ética e os Limites da Filosofia. São João de Ver: Sistema Solar, pp. 264. ISBN 978-989-8834-47-8


ADENDA: O silêncio é um dos temas a que regressamos por diversas vezes no blogue Pedestris e ao qual regressaremos certamente em novas intervenções, tendo em conta de que se trata, antes de mais, de uma boa prática em actividades de ar livre, mas ultrapassa, em muito, essa faceta...

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

Simplicidade Voluntária III

 



3. Simplicidade para o Desperdício Zero

 

«Simples nos meios, ricos nos fins.»

Arne Naess (Devall & Sessions, 2004, p. 25)

 

Os cidadãos dos países desenvolvidos (e até de países em vias de desenvolvimento) vivem numa sociedade de abundância e são atraídos para um consumo desenfreado através de diversas estratégias agressivas de marketing e de publicidade, com vista à aquisição de novos produtos e serviços, num contexto de “capitalismo selvagem”, onde o crédito é vendido a eito numa política de “compre agora e pague depois”.  Até os países sub-desenvolvidos são invadidos por quantidades inauditas de produtos “baratos”, designadamente bugigangas de plástico e vestuário. A abundância de mercadorias associada à propaganda intrusiva e à manipulação do marketing incentiva os consumidores a assumirem comportamentos insustentáveis (ZRALEK 2016). E o consumo insustentável é uma das causas importantes da contínua deterioração do meio ambiente, quer a nível local, quer global (KROPFELD, NEPOMUCENO e DANTAS 2018). É, pois, frequente que adeptos da SV questionem os efeitos que o consumo excessivo provoca na saúde, a nível pessoal e planetário (AIDAR e DANIELS 2020), designadamente no que concerne os efeitos nefastos do lixo que, bastantes vezes, assumem o cariz inquestionável de poluição.

A passagem de uma economia linear a uma economia circular pode mitigar o problema do lixo, mas não será certamente a resolução do mesmo, tendo em conta que em ambos os casos o que é verdadeiramente necessário é um decréscimo muito significativo na produção e no consumo (GHEORGHICĂ 2012; SEKULOVA et al., 2013). Decrescimento que poderá ser implementado por vivências de SV ou minimalistas, mas que deverão contar com o envolvimento activo dos produtores e da própria governança dos países e a nível internacional. Se o “círculo” receber uma crescente quantidade de novos produtos, para circulação, vai certamente chegar a um limite insustentável no qual esses “produtos” viram lixo! É prioritário pensar para além da economia circular (reutilizar, reciclar, eco-design) e imaginar estilos de vida marcados por uma maior sobriedade (GUILLARD 2021).

A título de exemplo, a poluição por resíduos plásticos constitui uma grande preocupação ambiental, tendo em conta que cerca de 80% de todos os plásticos produzidos acabam, de alguma forma, como detritos no meio ambiente (ZAMAN 2022): os microplásticos espalham-se no ar, na água e na terra, encontrando-se nas partes mais remotas do planeta e nas cadeias tróficas, enquanto gigantescas “ilhas” de plástico se acumulam nos oceanos! Esses plásticos continuarão a poluir o meio ambiente, durante centenas ou milhares de anos, constituindo um problema que, para além de acções de cidadania ambiental, a nível individual ou colectivo, exigem medidas efectivas por parte dos decisores políticos.

As profundas e fracturantes modificações que o consumismo está a provocar, segundo Sebastien Charles, assumem também facetas preocupantes e difíceis de gerir a nível social (LIPOVETSKY e CHARLES, 2004, p. 32-33):

 

«Le monde de la consommation parait chaque jour s’immiscer dans nos vies et modifier nos rapports aux objects et aux êtres que, pour autant, et ce malgré les critiques que l’on formule à son égard, on puisse proposer de contre-modèle crédible. Et, au-delá de la posture critique, rares seraient ceux qui souhaiteraient réellement l’abolir définitivement.  Force est de constater que son empire ne cesse de progresser: le principe du libre-service, le recherche d’émotions et de plaisirs, le calcul utilitariste, la superficialité des liens semblent avoir contaminé l’ensemble du corps social, la spiritualité elle-même n’y échappant pas.»

 

O sociólogo polaco Zygmunt Bauman (2017), que estuda a face mais perversa e doentia do capitalismo, também assinala diversas preocupações, designadamente a ideia de que somos o que consumimos, a pressão para consumir cada vez mais e os centros comerciais enquanto “catedrais” do consumo! O (hiper)consumismo das sociedades (pós)modernas, na expressão do filósofo Gilles Lipovetsky (2004), é considerado um estilo de vida e um estado de espírito.  A primeira reforma com vista a avançar para um efectivo desperdício zero8 devia centrar-se, portanto, numa profunda mudança de mentalidades e de atitudes. É fundamental reduzir substancialmente a quantidade de lixo: a produção de resíduos deve diminuir progressivamente, decrescer tendencialmente para a meta do desperdício zero. Nesse pressuposto, os “Rs” prioritários serão o reduzir e o renunciar e só depois se seguirão outros. As estratégias de gestão desperdício zero, com base na reutilização, na reparação e na reciclagem, são importantes com vista ao reaproveitamento do “lixo”, mas é fundamental agir a montante reduzindo substancialmente a produção, o consumo e consequentemente a geração de resíduos. É importante saber dizer não. Não ao consumo, num acto de renúncia consciente e conscienciosa. Neste contexto, torna-se importante examinar as relações entre a sobriedade e o desregramento dos consumidores e a sua posse de “bens” ou ausência de posse, de modo a identificar comportamentos e desenvolver estratégias de intervenção adequadas, com o objectivo de reduzir o desperdício.

Saliente-se, todavia, que algumas estratégias e comportamentos para reduzir a quantidade de lixo ultrapassam o plano meramente individual e exigem intervenções comunitárias (BEKIN, CARRIGAN e SZMIGIN 2007). Por outro lado, é também fundamental responsabilizar os produtores, numa lógica de “poluidor pagador”, na qual estes assumam as externalidades decorrentes da produção; tal como os políticos, que foram eleitos para resolver problemas e não para perpetuarem o status quo. É imperioso que se adoptem estratégias de decrescimento para diminuir a produção de resíduos, rumo ao desperdício zero, mas também para minimizar as alterações climáticas, mitigar a degradação ambiental e amenizar os conflitos sociais (MARÍN-BELTRÁN et al. 2021; HICKEL 2021). E, esse desiderato de decrescimento e de uma vida boa, deverá passar necessariamente pela SV.

 

Conclusões

O hiper-consumismo das sociedades pós-modernas assume a condição de estilo de vida e constitui um estado de espírito generalizado.  Uma diminuição significativa e gradual dos resíduos, com vista ao desperdício zero, deve basear-se numa mudança de atitudes, designadamente através do decrescimento e da adopção de estilos de vida (mais) simples. Essa mudança só será sustentável, todavia, se satisfizer um conjunto de necessidades que permitam o bem-estar eudaimónico dos intervenientes. O conceito de vida simples surge frequentemente associado a bem-estar e considera-se que este será fundamental como motivação para a aplicação e sustentabilidade do conceito, tal como para a sua expressão a nível social.

A passagem de uma economia linear a uma economia circular pode mitigar o problema do lixo, mas não constituirá certamente a resolução do mesmo. As estratégias de gestão desperdício zero, com base na reutilização, na reparação e na reciclagem, são importantes com vista ao reaproveitamento do “lixo”, mas é fundamental agir a montante. Só através de um decrescimento (muito) significativo na produção e no consumo é que será possível avançar para situações sustentáveis de gestão do lixo.

A inter-relação entre a SV, o decrescimento e o desperdício zero deverá passar inevitavelmente por vivências mais eco-lógicas, assentes na moderação e no equilíbrio, na sobriedade e na temperança, no minimalismo e na frugalidade, na renúncia e na abstinência. Os estilos de vida decorrentes destas renovadas atitudes devem basear-se, enfim, numa Ética da Terra, assente no bem-estar e no bem-fazer, que permita mais do que uma vida simples, uma vida de maravilhamento e de (Auto)realização.





Nota

8. O termo “desperdício zero”, cunhado em 1974 por Paul Palmer, trata-se do desiderato de progredir para uma gestão sustentável do lixo, que está ancorada no conceito de economia circular (HANNON e ZAMAN 2018). A Zero Waste International Alliance definiu, em 2018, desperdício zero como «the conservation of all resources, packaging, and materials without burning and with no discharges to land, water or air that threatens the environment or human health» (ZAMAN 2022, p. 3).

 

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