segunda-feira, 22 de maio de 2017

Scouting: Raids and Hikes

O Núcleo da Barra do Corpo Nacional de Escutas (CNE) vai realizar, na próxima quarta-feira (24 de Junho), mais uma acção de formação, desta feita sob o tema «Condução, Cuidadoria e Responsabilidade em Actividades de Escutismo». A iniciativa, que irá decorrer das 21.30 às 23.30, na sede do Agrupamento 113 de S. Domingos de Rana, insere-se no Marés de Formação, um programa de formação para candidatos a dirigentes e dirigentes escutistas. A formação de adultos é fundamental para assegurar elevados níveis de qualidade e de segurança nas actividades de campo, designadamente raids e hikesO Núcleo da Barra, que é um dos sete núcleos do CNE na região de Lisboa, abarca os concelhos de Cascais e de Oeiras, envolvendo 22 Agrupamentos e cerca de 2300 escuteiros.


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Walking-Pedestrianismo


Na próxima sexta-feira (dia 19 de Maio) irei integrar o painel de palestrantes da sessão “Walking-Pedestrianismo” do workshopTurismo Ativo e Ar Livre – Desafios para o Desenvolvimento do Cycling & Walking em Portugal e na Região Centro”, onde apresentarei a comunicação “Pedestrianismo e Percursos Pedestres: simplesmente andar?”, na qualidade de Director Técnico de Montanha da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP). O workshop, organizado no âmbito da conferência internacional INVTUR 2017 – Cocriar o Futuro do Turismo, ocorrerá, das 10.00 às 18.00, no Espaço BIT (Business Innovation Tank), situado no Campus Universitário de Santiago da Universidade de Aveiro.
A conferência internacional INVTUR 2017, que decorre de 17 a 19 de Maio, trata-se de um dos maiores eventos na área do turismo da Península Ibérica, como se pode constatar pelo amplo e diversificado programa. Esta quarta edição da INVTUR constituirá certamente mais uma importante plataforma interactiva – dinâmica e internacional – onde académicos e profissionais poderão partilhar conhecimentos no âmbito das suas investigações e experiências. Paralelamente à conferência realiza-se também o BIT – Business Innovation Tank, de que faz parte a sessão "Walking-Pedestrianismo" e onde mais de 30 empresas e organizações apresentarão experiências inovadoras nas diversas áreas do turismo. Esta iniciativa é organizada pela Universidade de Aveiro, o Turismo do Centro de Portugal e a Idtour – Unique Solutions, Lda..


ATENÇÃO: a participação no workshop é gratuita mas sujeita a inscrição prévia.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Fórum Terra


No próximo sábado (dia 20 de Maio) realiza-se a Não-Conferência Fórum Terra, das 9.00 às 18.00, no Auditório Agostinho da Silva da Universidade Lusófona (Lisboa): uma importante iniciativa, no âmbito do Fórum Terra – Portugal a Cuidar da Terra Comum, a não perder. Este fórum, de que temos o grato prazer de ser embaixador, trata-se de uma oportunidade única de trocar experiências e pontos de vista, de 22 de Abril a 22 de Maio, sobre um amplo conjunto de questões acerca deste grande condomínio comum que é a Terra: que Modelos de Educação? de Saúde? de Economia? de Participação? que Relações? que Ética do Cuidado? que Políticas Locais?
Porque não basta Ser, há que Fazer: seja um FAZEDOR DE MUDANÇA.






segunda-feira, 15 de maio de 2017

Com o Coração

«E quando as suas pernas estiverem cansadas... Caminhe com o coração.»
João Paulo II


Atenção Plena

Workshop de Caminhada em Atenção Plena.... Uma iniciativa do Círculo do Entre-Ser e da Federação Portuguesa de Yoga, dia 20 de Maio, no Parque Florestal de Monsanto.



quarta-feira, 3 de maio de 2017

Caminhos

«Nem todos os caminhos são para todos os caminhantes.»
Goethe

Na verdade, OS CAMINHOS SÃO PARA TODOS, apesar de uns serem mais estreitos (empinados e/ou aéreos) do que outros...


 © da/na Net

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Waiting to...



"There There"

In pitch dark I go walking in your landscape
Broken branches trip me as I speak
Just cos you feel it doesn't mean it's there
Just cos you feel it doesn't mean it's there
There's always a siren singing you to shipwreck (don't reach out, don't reach out [x2])
Stay away from these rocks we'd be a walking disaster (don't reach out, don't reach out [x2])
Just cos you feel it doesn't mean it's there (there's someone on your shoulder [x2])
Just coz you feel it doesn't mean it's there (there's someone on your shoulder [x2])
There there...
Why so green
And lonely [x3]
Heaven sent you
To me [x3]
We are accidents waiting
Waiting to happen
We are accidents waiting
Waiting to happen

terça-feira, 11 de abril de 2017

Tempos (d)e Leituras

Verdade seja que, para elevar assim a leitura à dignidade de «arte» é mister, antes de mais nada, possuir uma faculdade hoje muito esquecida (por isso há-de passar muito tempo antes dos meus escritos serem «legíveis») uma faculdade que exige qualidades bovinas, e não as de um homem fim-de-século. Falo da faculdade de ruminar.
Nietzche (1887) in A Genealogia da Moral (Guimarães & Cª Editores, 1983, 4ª ed., p. 16)

Emersos naquilo que já foi apelidado, no século passado*, de “sociedade da informação”, e que outros definiram como sociedade hipermoderna ou hiperconsumista**, parece que nunca tanto gentio se sentiu detentor de tão prolífero “conhecimento”, tendo em conta a imensa quantidade, diversidade e facilidade de acesso a… “dados”. Aquilo que antigamente se poderia designar por “à mão de semear” e que agora é costumaz referir como conhecimento "à distância de um clique”, pronto a consumir num estilo tão fast como superficial, extemporâneo e, por vezes, descaradamente fake. É a democratização da “coltura”, ou a soltura neoliberal, geradora de um ilusionista “admirável mundo novo” ao jeito huxleyiano**. Não será, pois, de admirar que “toda a gente” (salvo seja) emita “doutos” pareceres ou (até) grosseiras “bocas”, sobre tudo e os ou as debite amiúde sobre a forma de “palavras ao vento”, ao redor de umas “mines” e tremoços, ou noutros (muitos) cenários igualmente propícios para tais proezas, mormente em virtuais ciber-ambientes.  

Nestes dias nos quais se constata o predomínio de grandes grupos económicos – em detrimento de pequenas e micro-empresas típicas de um comércio local e, portanto, de proximidade – confrontamo-nos com a tão lamentável quanto irreversível extinção de tradições ímpares e de importantes valores... Os centros comerciais e os hipermercados surgem, num cenário globalizante, como símbolos inequívocos dessa tendência monopolizadora e monocultural, mas o fenómeno é muito mais vasto e alastra-se a praticamente todos os sectores das sociedades pós-modernas. O mercado livreiro não é excepção e a demonstrá-lo está o fecho de numerosas editoras, livrarias e alfarrabistas. Maleita particularmente fatal nos projectos especializados mas que também afecta (e cada vez mais) opções generalistas. Neste contexto, será de enaltecer os projectos de nichos como a literatura de montanha e é, sem dúvida, fundamental apoiar/incentivar essas iniciativas que, salvo algumas raríssimas e honrosas excepções, surgem sob roupagens “românticas” ao estilo “último dos moicanos”!

É também neste contexto que surge como sumamente importante a reflexão sobre o que é “interesse público” ou “serviço público”, a par de outros conceitos aparentemente démodés, como “gratuitidade”, “dar tempo ao tempo” ou “ética”!... É igualmente neste contexto que será não só importante valorizar as editoras, livrarias e alfarrabistas, especialmente as que se dedicam a nichos como a literatura de montanha, mas também as bibliotecas públicas, onde possamos usufruir do prazer de desfolhar e aprender gratuitamente da leitura lenta e reflexiva de livros. É por essas e por outras razões que tenho o grato e o imenso prazer de constatar a presença dos livros de que sou autor em insignes livrarias e em diversas bibliotecas públicas.

Terry Portugal © Biblioteca Pública da Madalena (Pico-Açores, 2016)

Terry Portugal © Biblioteca Pública da Madalena (Pico-Açores, 2016)

Joaquim Figueiredo © Sala Multimédia da Biblioteca Municipal de Ponta Delgada (S. Miguel-Açores, 2017)

Pedro Cuiça © Livraria Cecílio (Barcelos, 2016)

Olivier Coucelos © Livraria Lello (Porto, 2017)


*Fritz Machlup (1902-1983) é o autor da obra que popularizou o conceito de sociedade da informação: The Production and Distribution of Knowledge in the United States (1962).
**O conceito surgiu nos anos 70 mas só viria a obter um notável destaque, em 2004, com a publicação da obra Os tempos hipermodernos, escrita pelo filósofo Gilles Lipovetsky, com a colaboração de Sébastien Charles.
***Aldous Huxley (1894-1963) foi um escritor inglês, autor de uma vasta e interessantíssima obra literária, de que se destaca o livro Brave New World (1932), traduzido para português sob o título O Admirável Mundo Novo.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Subida ao Pico

Venha SUBIR O PICO connosco, em Junho de 2017, numa actividade Green Trekker...




«O Pico é a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ela pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção. É mais do que uma ilha – é uma estátua erguida até ao céu e moldada pelo fogo (…).»

Raúl Brandão in As Ilhas Desconhecidas (1926)


sexta-feira, 7 de abril de 2017

Ética e Deontologia


O Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP) vai realizar uma palestra, no dia 4 de Maio, na cidade do Porto, sobre a temática Ética e Deontologia em Desportos de Montanha. Esta Acção de Formação Contínua é reconhecida pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) com vista à atribuição de Unidades de Crédito para a revalidação de Títulos Profissionais de Treinador de Desporto (TPTD) nos diversos graus (I, II e III) das modalidades de Alpinismo, Montanhismo, Escalada, Pedestrianismo e Canyoning.
A acção de formação em causa visa abordar a importância da ética na condução de actividades e no treino em Desportos de Montanha, designadamente nas suas múltiplas vertentes: desportiva, ambiental e turística, entre outras. Nesse contexto, será efectuada uma explanação sobre o enquadramento, história e diversos conceitos no âmbito da ética normativa, ética ambiental e ética do desporto, tal como a aplicação da ética em situações concretas de tomada de decisões e dilemas éticos. Esta palestra vem na sequência, e é em tudo semelhante, a aula ministrada por nós, de 2014 a 2016, no âmbito da Unidade Curricular de Ética e Deontologia Profissional, do sexto semestre da licenciatura de Treino Desportivo, da Escola Superior de Desporto de Rio Maior (ESDRM).

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Ultreya...

Na próxima quinta-feira (6 de Abril), realizarei um workshop, sob a temática “Percursos Pedestres de Longo Curso – Estratégias de progressão rápida e (ultra)leve”, no Auditório do INFARMED I.P.. A iniciativa, que decorrerá no Dia Mundial da Actividade Física, insere-se no plano de estágio do Curso de Treinadores de Pedestrianismo – Grau I levado a cabo por Mário Amorim sob o mote “Seis Aparições, Seis Peregrinações”.

Para mais informações, consulte a página do Facebook: Ultreya.

ENTRADA LIVRE: a sua presença será uma forma de apoiar o Albergue de Coz, um dos albergues de peregrinos da Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima. 


sexta-feira, 31 de março de 2017

Walking Weekend

Nos dias 28 a 30 de Abril realiza-se o Walking Weekend’17, “o melhor festival de caminhadas da região centro”, no qual irei realizar o workshop Pedestrianismo enquanto Actividade Multifacetada: treino e enquadramento de praticantes. Apareçam!...





Para mais informações consulte a organização.
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Vera Raimundo © Fajão-Cultura (Fajão - Pampilhosa da Serra, 29/04/2017)

segunda-feira, 27 de março de 2017

Return to (Lisbon) Walks

Maria Correia © Gare do Oriente-Cascais (Lisboa, 25/Mar. 2017)

Depois de praticamente três meses de “paragem” no que concerne ao treino e à prática de caminhada, na sequência de tratamento de uma fasceíte plantar, regressámos às nossas Lisbon Walks, desta feita da Gare do Oriente até Cascais. Uma caminhada de cerca de 40 quilómetros de extensão e nove horas de duração, ao jeito de “tira-teimas”, para ver… como vão as coisas! Parece que vamos recomeçar as andanças pedestres, mas devagarinho e com “conta, peso e medida” :)

Maria Correia © Gare do Oriente-Cascais (Cascais, 25/Mar. 2017)

DR © Gare do Oriente-Cascais (Cascais, 25/Mar. 2017)

domingo, 19 de março de 2017

Conversas


Conversas no Coração do Mundo




O Círculo do Entre-Ser inicia em Abril um ciclo de tertúlias quinzenais, onde se debaterão informalmente questões contemporâneas, na perspectiva de uma cultura do despertar da consciência para a natureza profunda da realidade, a da interdependência de todos os seres e fenómenos. O mês de Abril será dedicado ao tema ecologia profunda e eco-espiritualidade. As sessões decorrerão das 18:30 às 20:30.

4 de Abril 
Paulo Borges - Apaixonar-se pela Terra. A ecologia integral no Papa Francisco e em Thich Nhat Hanh
Sara Inácio - Formas de Silêncio: Esculturas com a Terra

18 de Abril 
Isabel Correia - Ecobudismo
Pedro Cuiça - Caminhar: ecosofia e eco-espiritualidade 

Entrada Livre


Your day is...

Today

sexta-feira, 17 de março de 2017

Pico (II)

Pedro Cuiça © Ilha do Pico (Açores, Jan. 2016)

Subida ao Pico, em Junho de 2017, numa actividade Green Trekker...

Pedro Cuiça © Ilha do Pico (Açores, Fev. 2017)

quinta-feira, 9 de março de 2017

Uma Enorme Andarilha


E como o dia da Mulher é como o Natal – devia ser todos os dias –, aqui fica uma pequena nota, aparentemente desfasada, acerca de um SER HUMANO com letra grande e de uma grande MULHER: Emma Rowena Gatewood (1887-1973).
Emma foi uma dona de casa e mãe de 11 filhos, vítima reiterada daquilo que é hoje amiúde designado por «violência doméstica»: sofreu graves e continuadas agressões, a partir das primeiras semanas do casamento, tendo sido espancada pelo marido, em várias ocasiões, quase até à morte, de que resultaram costelas e dentes partidos, entre outras lesões físicas, tal como tão ou mais graves danos a nível psicológico. Ademais, não bastasse essa aterradora realidade, o marido ameaçou-a de efectivar o seu internamento, e tentou repetidamente confiná-la, em instituições de saúde mental. No entanto, as autoridades sabiam que se havia algum problema do foro psíquico não seria certamente da parte dela!
O que nos move, todavia, neste sumário texto, não é certamente o devassar da vida privada deste desavindo casal nem, muito menos, produzir um, tão em moda, reconfortante relambório acerca da infortunada condição do «coitadinho» ou do «desgraçadinho» – neste caso no feminino – versus o papel do «malvado» ou do «abjecto» (vulgo «javardolas»). E, tão evidente quanto decorrente, estando nós do lado do bem e indignadíssimos com o mal!... Menos ainda nos move expor os infortunados episódios da vida de Emma Gatewood, bem pelo contrário*. Nesta singela homenagem a essa grande MULHER pretendemos, precisamente, enaltecer as suas ímpares e altaneiras vivências.
Quando o seu marido se tornava violento, Emma de vez em quando fugia para o bosque para encontrar paz e… solidão. Depois de várias vezes recorrer às caminhadas na floresta, nas imediações da sua casa no Ohio (EUA), como fuga ao seu marido, ganhou finalmente, em 1940, a coragem necessária para se divorciar.
Depois de criar os seus filhos, comunicou, em 1955, que partia para uma grande caminhada e… tornou-se a primeira mulher a percorrer integralmente o Appalachian Trail. Na altura tinha 67 anos e um equipamento precário: o calçado era umas simples sapatilhas Keds e como abrigo dispunha de uma cortina plástica de duche; carregava um cobertor do exército, um casaco impermeável, um saco caseiro para transportar o equipamento ao ombro e pouco mais! Foi alvo da atenção dos media, ficou famosa e ganhou o epíteto de «Grandma Gatewood».
Apesar de ser algo crítica acerca do itinerário que, segundo ela, por alguma «tola razão» conduz sistematicamente ao topo das maiores montanhas, viria a repetir o percurso por mais duas vezes (em 1960 e 1963), a última das quais com 75 anos de idade. Deste modo, tornou-se a primeira pessoa a fazer o Appalachian Trail três vezes e a mulher com mais idade a perfazer esse itinerário. Além disso, caminhou 3200 quilómetros ao longo do Oregon Trail, de Independence (Missouri) até Portland (Oregon), andando uma média de 35 quilómetros por dia. Grandma Gatewood foi, por mérito próprio (independentemente de questões de género), uma «extreme hiker» e pioneira do pedestrianismo ultra-leve de longo curso. Tendo-se tornado uma celebridade, foi alvo de frequentes momentos de «trail magic» (assistência de estranhos), designadamente através da dádivas de alimentos e oferta de lugares para pernoitar, e fez inúmeros amigos. Grandma Gatewood desfrutou imensamente do andar e foi certamente muito feliz nas suas andanças.



*A propósito de infortunados episódios da vida, ocorre-nos o exemplo de Christopher McCandless sobre o qual foram revelados episódios de violência paterna durante a sua infância, juntamente com «teorias pouco abonatórias» e perfeitamente dispensáveis, no livro The Wild Truth (2014), da autoria da sua irmã Carine McCandless!



A Flor do Caminho (XI)

Mais uma edição d'A Flor do Caminho...



terça-feira, 7 de março de 2017

ComTemplação



«Um dos fenómenos mais significativos da atualidade é a redescoberta das práticas contemplativas tradicionais pela civilização ocidental, não só nos seus originais contextos espirituais e religiosos, mas também pela cultura laica, verificando-se a sua crescente difusão não só na sociedade em geral, mas também em vários contextos mais específicos como a educação e o ensino, o mundo empresarial, os cuidados de saúde, as prisões e os projetos de transformação social.

O Colóquio pretende refletir sobre este fenómeno da redescoberta das práticas contemplativas pela cultura contemporânea, aprofundando as suas origens, natureza e consequências em termos do devir desta cultura e da própria civilização ocidental globalizada, num momento de evidente crise do seu paradigma dominante.»



quinta-feira, 2 de março de 2017

Sessão Pública


«No próximo sábado irá decorrer, no Parque de Saúde de Lisboa, a apresentação pública do projecto “Seis Aparições, Seis Peregrinações”. O evento pretende revelar alguns pormenores desta iniciativa que, em ano de Centenário das Aparições de Fátima, visa concretizar seis peregrinações pelos Caminhos de Fátima. As seis peregrinações, em autonomia (sem carro de apoio), realizar-se-ão entre Maio e Outubro, ao longo dos diferentes Caminhos de Fátima – Caminho do Norte, Caminho Poente, Caminho Nascente e Caminho do Tejo) –, num total de 27 dias em peregrinação e 604 quilómetros de extensão.
O projecto “Seis Aparições, Seis Peregrinações” é parte integrante do estágio de Treinador de Desporto, referente ao curso de Treinadores de Grau I na modalidade de Pedestrianismo, organizado pela primeira vez, em 2016, pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP). Pedro Cuiça, o tutor do estágio, é detentor do Título Profissional de Treinador de Desporto em Pedestrianismo – Grau III, é Director Técnico de Montanha da FCMP e autor de diversos livros e manuais de caminhada e trekking, incluindo o recente manual Passo a Passo. Mário Amorim é Treinador Estagiário e autor do projecto. Este peregrino e guia de peregrinos, entendeu fundir num só projecto diferentes vertentes da sua vida, destacando-se uma marcante componente solidária e social sob diversos moldes:
1)    divulgar o extraordinário trabalho da Associação Humanidades, em especial a sua missão orientada para o apoio à Mulher, jovem e Mãe, promovendo a angariação de fundos que esta IPSS tanto necessita;
2) divulgar o altamente meritório esforço da Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima, na recuperação, conservação, sinalização e divulgação dos caminhos do Tejo, Poente, Nascente e Norte;
3) contribuir para promover as peregrinações por caminhos alternativos às estradas, privilegiando a segurança e bem-estar de milhares de peregrinos;
4) divulgar a prática de pedestrianismo como actividade de ar livre promotora do bem-estar e saúde dos praticantes, estimulando um contacto consciente e responsável com a Natureza.»
M.A.



Sessão de apresentação pública do Projeto “Seis Aparições, Seis Peregrinações”

ENTRADA LIVRE
Data: 4 de março de 2017
Local: Parque de Saúde de Lisboa – auditório do edifício Tomé Pires – Avenida do Brasil nº 53, 1749-004 Lisboa
Abertura da sessão: 10.00 a.m.
Programa:           
10.00 – Rodrigo Cerqueira: Os caminhos e a Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima;
10.30 – Pedro Cuiça: Pedestrianismo enquanto actividade multifacetada: treino e enquadramento de praticantes;
11.00 – Isabel Lopes: A missão e os desafios da Associação Humanidades;
11.30 – Mário Amorim: Projeto de estágio “Seis Aparições, Seis Peregrinações”;
12.00 – Encerramento da sessão.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

A Obra ao Negro (II)

Pedro Cuiça © A Ilha Montanha (Pico, Jan. 2016)

«O Pico é a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ela pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção. É mais do que uma ilha – é uma estátua erguida até ao céu e moldada pelo fogo (…).»
Raúl Brandão in As Ilhas Desconhecidas (1926)

«Nigredo alquímico; cor-beau (corvo) da “langue verte” dos argóticos (os da arte “gótica”) que belamente exprime o corpo tisnado pelo fogo, reduzido a uma espécie de pura antracite cujas escórias estão já consumidas e é tudo o que resta (…) após a primeira morte ou consumação pelo fogo alquímico, resíduo negro volátil, matéria prima ou caroço da quadratura ou corpo belo de que poderá partir-se para a ulterior sucessão de sublimações, precipitações e operações conducentes à obra branca e à rubificação.»
Diário de Lima de Freitas (14 Nov. 83) in Porto Graal (Ésquilo, 2006: 175)

«All those moments will be lost in time… Like tears in rain… time to die.»
Rutger Haver no filme Blade Runner

José Feliciano Photografy © "a mais bela" Montanha do Pico (2017)



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Toca a andar



O Pedestrianismo trata-se de um desporto para todos – uma actividade informal, inclusiva, recreativa, intergeracional e não competitiva – cuja prática regular comporta inúmeros benefícios para a saúde dos praticantes, designadamente por decorrer preferencialmente na “Natureza”. Mais, a prática informal de caminhada, integrada nos afazeres do dia-a-dia, mesmo (e sobretudo) em ambiente urbano, revela-se, para além de promotora da saúde dos “praticantes”, uma actividade slow, sustentável e green que pode (e deve) contribuir para mitigar a pegada ecológica diária de cada um dos cidadãos envolvidos.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Princípios Fundadores

Numa época de apologias, mais ou menos sub-reptícias ou ostensivas, sobre ambientes tão virtuais quanto alienantes, na qual vigoram superficialismos estereotipados e obsessões “politicamente correctas”, em torno de equívocos (pretensos) unanimismos, virá à colação uma reflexão sumária sobre o woodcraft, ademais no dia em que se comemora o nascimento do fundador do Boy Scout Movement: Lord Baden-Powell of Gilwell. Neste contexto, serão de destacar notórias perdas, que se têm vindo a propagar paulatinamente, desde há décadas, no domínio da naturalidade, da espontaneidade e de inúmeras liberdades elementares, mormente através de discursos encomiásticos que, a par de propagandear a comercialização e a banalização da “aventura” (e não só), promovem uma obcecação pela segurança!
A evolução (ou involução?) que se verificou na prática scout, em particular, surge como um exemplo expressivo – pela autenticidade e pioneirismo deste movimento (que, por isso, constitui um autêntico landmark em matéria de vivência do “ar livre”) – daquilo que viria a afectar, em geral, toda a fenomenologia das praxis “fora de portas”. Aquele que na edição original se designou Scouting for Boys e cujo subtítulo deixava bem claro o seu objectivo – A Handbook for Instruction in Good Citizenship Through Woodcraft – transverteu-se, na versão portuguesa, numa tradução que ignorou a componente nuclear de woodcraft, deixando adivinhar um tendente sumiço da educação mediante actividades de plein air ou, melhor seria dizer, arejadas. Arejadas, desde logo, por se praticarem em espaços de ar livre (ao invés de ambientes de sala ou salão) e, além disso, sob formas o mais libertas de condicionalismos e condicionantes que possível seja.
É sob essas tendências – que alguns apenas poderão intuir dans l’air du temps (ou nem isso!) e que outros, sem dúvida mais sensíveis, sofrem inequivocamente na pele – que se chegou a uma moldura contextual pródiga em contraditórias aparências e mal-entendidos. E não estamos a pensar, de todo, apenas na propensão pelo facilitismo, artificialismo e domesticação de preceitos que se traduzem, por exemplo, na predilecção por acantonamentos – palavra utilizada na gíria esco(u)tista para designar o acto de passar a noite entre quatro paredes (numa casa) – em vez de dormir sob as estrelas. Antes fosse!...
Os tempos actuais são prolíferos no tocante a incongruências e inconvenientes que se expressam sob diversificados moldes. Desde logo, uma “paranóia regulamentar” de tudo legislar, burocratizar e normalizar, com decorrentes proibições e restrições, de acesso, de andar, de acampar, de foguear, etc.. E, pasme-se, os condicionalismos estendem-se ao como (não) estar, ser, fazer!... Num contexto de democracia inquestionável (?) é curioso constatar que nunca se verificou um tão grande cerceamento de liberdades elementares, no tocante à prática de actividades de ar livre, como agora! Tal como uma apetência e predisposição por espaços intervencionados, ao jeito de “parques de recreio” normalizados e que funcionem como uma espécie de sucedâneo daquilo que, como concepção alternativa, passará (a muito custo) por “natureza”: parques de campismo, “parques aventura”, percursos pedestres balizados, vias de escalada equipadas, arborismo, etc.. Outro fenómeno diverso, mas semelhante no que concerne às motivações/crenças de base e aos erros conceptuais destas resultantes, traduz-se na necessidade de implementar mecanismos de gestão que supostamente não só garantam como catalisem a eficiência e a eficácia, confundindo matrizes de desempenho com o próprio desempenho ou gráficos com a realidade.
Ambos os sintomas, a “paranóia regulamentar” e os “tiques tecnocráticos”, estão generalizados aos diversos sectores da sociedade e, portanto, não se restringem exclusivamente às práticas outdoor e, muito menos, ao movimento esco(u)tista ou similares. [Poderemos considerar, sem estar longe da verdade, que ambos se tratam de fenómenos globais e globalizantes, ao estilo “huxleyano”, de um Admirável Mundo Novo (Brave New World)!] No entanto, é sobretudo no âmbito do dito “desporto aventura”, e também do escotismo (ou escutismo, como se queira), que estas fenomenologias revelam roupagens, a nosso ver, bastante interessantes enquanto caso(s) de estudo, tendo em conta o desiderato original de se constituírem como “escolas de vida” baseadas na livre vivência dos vastos espaços naturais. Acresce ao aludido que ambos os sintomas ocorrem frequentemente acompanhados por uma terceira variável: uma manifesta necessidade de afirmação/poder/autoridade pessoal, muitas vezes extravasada sob a forma de “masculinidade sobredimensionada” e/ou atitudes militaristas desfasadas dos contextos em que se inserem. Aliás, foi por estas e por outras razões que surgiram, desde cedo, movimentos divergentes do Scouting como o Kindred of the Kibbo Kift.




É neste enquadramento histórico que se assiste, nos últimos anos, a uma metodologia educativa (extra)ordinária: os “educadores” ao invés de se centrarem nas crianças/jovens, estimulando o desenvolvimento concreto das suas capacidades e competências, alicerçadas num autodidactismo simultaneamente livre e responsável (em que estes decidam, façam e aprendam por si), dispersam-se em infindáveis reuniões em torno de abstracções escudadas por supostos critérios de evidência que se traduzam invariavelmente naquilo que eles entendem (ou que alguém entende por eles) ser o “sucesso”! Afinal basta que as matrizes e os gráficos estejam bonitos, devidamente preenchidos com valores que tornem patente uma expectável “excelência”.
Outro fenómeno curiosíssimo, digno do Entroncamento, consiste na aparente convivência dos opostos “aventura” e “segurança”. Na verdade tal não passa de uma risível aldrabice tendo em conta que se trata tão somente de pseudo-aventura, dentro de limites de segurança considerados perfeitamente aceitáveis! É nesse contexto, aliás, que se passou a impedir as crianças de usar facas de mato (e até canivetes!) ou machados, de subir às árvores ou simplesmente extravasarem alguma réstia de espontaneidade ou de experimentalismo digno de se chamar “aventura”. Fenómeno, aliás, que também se encontra vastamente difundido no âmbito dos designados “desportos aventura”, mormente no ramo da animação turística! É também neste contexto que será oportuno relembrar, neste Dia do Fundador, valores antigos, de que tanto carecem os tempos actuais, na linha daqueles que foram defendidos por Baden-Powell. Só assim, com força e nobreza, se poderão derrotar a fraqueza e o vício… A dureza e a vitalidade do corpo foram tão necessárias como o são hoje. A híper-natural utopia espartana, ao contrário da utopia moderna anti-natural, é tão actual quanto foi outrora e para a aplicar basta:
1. responder com simplicidade e honestidade – ser lacónico;
2. ter vontade de excelência – ser virtuoso;
3. limpar a vida de todos os detalhes supérfluos – ser simples;
4. endurecer a mente e o corpo contra o medo, a adversidade e a dor, sobrando clareza e confiança para conquistar qualquer situação – ser corajoso.
Afinal, pontos de vista altaneiros permitem amplas panorâmicas e contribuem para a largueza de vistas, enquanto que espaços confinados ou limitados são o seu contrário. Para bom entendedor meia palavra deveria bastar e contudo…




«Temos que levar gente, não a uma vida cómoda, a uma vida fácil, mas temos que ter a coragem de levá-la a uma vida difícil, a uma vida perigosa, pois só com uma vida difícil, rigorosa e perigosa, dá o homem o melhor de si próprio. É necessário obrigá-lo a saltar obstáculos. A primeira tarefa de educar é procurar varas bem altas e obrigá-lo a saltar.
Baden-Powell, o que fez nessa conferência célebre foi exactamente isso, o exigir que se ponha diante das pessoas um objecto que vá muito além daquele que lhe possibilitam as suas forças. Ele queria, para todos os rapazes e para todas as moças, quando chegassem a essa idade, uma educação que lhes temperasse a vontade, não mais gente na rua vendo gente a passar, não mais gente encostada pelas portas dos cafés, não mais gente de 20 anos vergonhosamente desocupada, passando todo o dia sem fazer coisa nenhuma, fraquíssima de carácter, fraquíssima de corpo, esperando que chegue o tempo de jantar para que chegue o tempo de dormir para que chegue o tempo de se levantar.»

Agostinho da Silva – Baden-Powell, Pedagogia e Personalidade (1961) in Textos e Ensaios Pedagógicos II, pp. 26-27