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sábado, 25 de julho de 2026

Thoreau e a Ética Ambiental

 


O Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal/Escola Nacional de Montanhismo (CF-FCMP/ENM) vai realizar, no dia 6 de Agosto, mais uma Palestra da Ética, desta feita sobre “Thoreau e a Ética Ambiental: Walden ou A Vida nos Bosques”. A pertinência desta ação de formação resulta da importância que a ética e a deontologia assumem enquanto competências comportamentais (soft skills) no âmbito das Atividades de Montanha. Competências e matérias teóricas, passíveis de implementar na prática, com crescente e notório interesse no contexto dos Desportos de Montanha, designadamente no âmbito do enquadramento e do treino de praticantes com elevados níveis de qualidade e exigência, na linha do Programa Nacional de Ética no Desporto (PNED). A formação contínua na área da ética e da deontologia revela-se de fundamental importância como garante de eficiência e de eficácia no desempenho das funções dos Treinadores Profissionais em Desportos de Montanha. É neste contexto que surge a abordagem da vida e obra de Henry David Thoreau, com o aprofundamento e leitura crítica do livro Walden ou A Vida nos Bosques, um marco incontornável da Ética Ambiental, com vista à sua utilização prática no âmbito das funções dos Treinadores de Desportos de Montanha s.l.. Esta trata-se de uma obra fundacional da Ética Ambiental, que assume importância singular na Ética do Desporto em Atividades de Ar Livre, em geral, e em Atividades de Montanha, em particular. A ignorância da componente ambiental da ética em Atividades de Ar Livre/Montanha trata-se de uma lacuna grosseira na formação de Treinadores, na linha do Plano Nacional de Formação de Treinadores (PNFT), que se deseja e pretende interdisciplinar ou transdisciplinar. É, portanto, esta lacuna que a palestra pretende colmatar ao enquadrar e destacar o pensamento de Henry David Thoreau no contexto da Ética Ambiental e sua aplicação prática no contexto da liderança e condução de praticantes em Atividades/Desportos de Montanha, mormente aquelas que são enquadradas por detentores de Título Profissional de Treinador de Desporto (TPTD).


 CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS:

· ENQUADRAMENTO

                    - Ler os Clássicos da Ética Ambiental e sua aplicação no treino de praticantes em Atividades de Montanha: o exemplo de Thoreau

· INTRODUÇÃO

                    - Os antecedentes: sturm und drang, românticos, transcendentalistas de Concord, John Muir e outros pioneiros da Ética Ambiental

                    - A vida e obra de Henry David Thoreau e a Ética Ambiental

· WALDEN OU A VIDA NOS BOSQUES

                    - Ética Ambiental nas Atividades de Montanha: a importância de Thoreau

                    - Estética Ambiental nas Atividades de Montanha: a importância de Thoreau

- Utilização de estratégias de ensino outdoor e indoor da Ética Ambiental no âmbito de atividades conduzidas por detentores de TPTD – Título Profissional de Treinador de Desporto

- Estratégias de sensibilização e educação ambiental nas diferentes Estações do Ano

                    - “Walden ou A Vida nos Bosques”: conceitos e conceptualização do biocentrismo e do ecocentrismo em Atividades de Montanha

                    - Ética e Estética da Preservação e da Conservação da Natureza: as especificidades na obra de Thoreau

· CONCLUSÕES


Para mais informações, consulte o site da FCMP.


quinta-feira, 18 de julho de 2024

Lançamento de livro

 


O lançamento online do livro Saúde, Espiritualidade e Arte: a força de criar, dançar, cantar, rezar e fazer cura é já amanhã às 19:00 (hora de Portugal). O evento irá contar com a presença da Profª Dra. Silvia Regina Paes (coordenadora editorial) e dos outros autores do livro, provenientes de três países distintos: Brasil, Portugal e Argentina. A obra é editada pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e será disponibilizada no repositório dessa universidade.

Para mais informações consulte o site da UFVJM, onde também poderá conectar-se ao evento.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Saúde, Espiritualidade e Arte

 



O lançamento online do livro “Saúde, Espiritualidade e Arte: a força de criar, dançar, cantar, rezar e fazer cura” está agendado para dia 19 de julho, no Brasil, às 15:00, na Argentina, às 13:00, e em Portugal, às 19:00. A obra, coordenada pela Profª Dra. Silvia Regina Paes e editada pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), reúne um conjunto diversificado de temáticas e autores de três países: Brasil, Argentina e Portugal.

Segundo a Profª Silvia Paes: «Os temas do livro “Saúde, Espiritualidade e Arte” representam a importância das ciências ligadas à saúde se abrirem para temáticas que, geralmente, não fazem parte do seu rol de interesse no campo da pesquisa e mesmo da extensão». É neste contexto de grande abrangência temática, assumidas visões holísticas e mais além, que os artigos deste livro evidenciam «diferentes possibilidades para a reflexão sobre a saúde, a espiritualidade e a arte em diversas perspectivas de análise». Os artigos, que constituem esta obra, são os seguintes:

1.     Saúde e espiritualidade na perspectiva dos povos Tupi – Sassa Tupinambá

2.     Natureza Templo – Larissa Malty

3.   Se não sente, sint(r)a: caminhadas liminares na natureza (mais do que) humana – Pedro Cuiça

4.    A água enquanto fonte de cura: reflexões sobre os trabalhos corporais aquáticos e o uso artístico, terapêutico e espiritual da água – Bárbara Carolina Medeiros de Tompa

5. Conexões invisíveis: espiritualidade, saúde e arte em unidade nas culturas tradicionais – Silvia Regina Paes

6.  Vale do Jequitinhonha: interculturalidade, intersubjetivação e encantaria – Déa Trancoso

7.    Educação, Saúde e Espiritualidade: Mulheres e Homens caminhando em tempos de transição – Conceição Clarete Xavier Travalha 

8.     Amar e Vadiar – Marcos Vinícius Bortolus

9.    El Arte y el Juego: habitar otro tiempo – Diana Diez

10. Existe algo além – Luiz Eduardo Tibães

O lançamento de Saúde, Espiritualidade e Arte” constituirá uma oportunidade ímpar de conhecer a obra e conversar com os autores. Para participar basta usar o link: https://meet.google.com/mvq-ggjt-ayt. A edição em formato eBook será disponibilizada online gratuitamente, prevendo-se uma futura edição em papel.


sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Un silenci especial

 



É com grata satisfação que voltamos a publicar, no Pedestris, um trecho de um texto em catalão, surgido no último número da revista Vértex, na rúbrica “El racó del clàssic”, da autoria de Judit Baseiria. Desta feita, sobre o livro Marcher, une philosophie (2009), de Frédéric Gros. A Vértex é editada pela Federació d'Entitats Excursionistes de Catalunya (FEEC).

 

«Caminar, trescar, pelegrinar, vagarejar, fugir, passejar… Hi ha tantes maneres de fer una marxa com les que explora el filòsof francês Frédéric Gros al llibre Caminar, una filosofia (2009). Cadascuna d’aquestes intencions revela alguna cosa de nosaltres, de la nostra manera d’estar al món. De fet, per a molts escriptors i filòsofs caminar va representar un motor de creació i pensament. Aquest assaig filosòfic de bom llegir ens convida a conèixer la correlació entre pensadors-caminadors i de com caminar pot ser un arte d’alliberament i transformació.

Dedicar temps a caminar vol dir, en primer lloc, obrir un espai de llibertat personal en què la quotidianitat i les preocupacions queden en suspens. Caminar pot anar més enllá d’una desconnexió pontual per convertir-se en una crida a la rebel.lia, la follia i el despertar de la nostra part salvatge. Al contrari del que se sol dir –que caminem per trobar-nos a nosaltres mateixos–, Gros escriu que caminar «ens escapem de la idea d’identitat, de la temptació de ser algú, de tenir un nom i una història». Per tant, caminar extreu l’habitant de la seva rutina d’interiors. Normalmente ens desplacem d’un lloc a un altre, de casa a la feina. Caminar, en cavi, és estar a l’aire lliure, habitar un paisatge. «No és tant que ens acostem al paisatge, sinó que les coses de fora incideixen cada vegada més en el nostre cos. El paisatge és un paquet de sabors, de colors, d’olors en què el cos s’impregna», explica Gros. La ment s’omple d’una altra consistència; no de les idees, doctrines o teories, sinó de la presencia del món. Es camina en silenci. Però és un silenci especial. Submergits a la natura, escoltem i veiem que no estem sols. «Tot un parla, us saluda, us crida l’atenció. Els arbres, les flors, els colors dels camins. La solitud i el silenci ens porten a retrobar el món. (…)»

Judit Baseiria (revista Vértex, Jul./Agos. 2023, nº 307, p. 96)

 


Caminar, una filosofia

AUTOR: Frédéric Gros

EDITA

Cossetània

2021

183 pàgines

Edició original: Marcher, une philosophie (Carnets Nord, 2009)


quinta-feira, 10 de agosto de 2023

D'a linguagem do silêncio

 

Pedro Cuiça © Palace Hotel do Buçaco (14/07/2023)



«Além de todos os que, com menor ou maior competência, dela se ocupam, existe um guardião esquecido: a sua inacessibilidade primordial, assente no amor ao precipício. Afinal, é a forma como a mata foi plantada o que melhor a defende. Isto significa, paradoxalmente, que quanto mais acessibilidades se criam, mais o seu sentido profundo se torna inalcançável. Não é de todo possível percorrer os 105 hectares da mata num dia e decifrar rapidamente o seu enigma, porquanto, estendida como uma forma de escrita na paisagem, a mata dos carmelitas descalços constitui uma manifestação de eloquência (numa harmoniosa conjugação de graça divina, natureza e arte) que nada tem a ver com a modéstia radical das vestes dos religiosos.

Conforme se infere da leitura da obra Genio de la Historia, escrita pelo carmelita descalço aragonês Jerónimo de San José, e publicada em 1651, o princípio monástico «ama o precipício», fundamento da eloquência da linguagem que nos pode levar ao sublime, traduz-se numa procura de elevação extrema. Em termos linguísticos (e também arquitectónicos) significa criar um estilo de linguagem sublime que não vulgarize o acesso ao sagrado, assumindo frontalmente todos os riscos que lhe estejam associados, entre eles a criação de um enigma indecifrável e a dissolução do orador. (…)


Pedro Cuiça © Hotel Palace e Mata do Buçaco (15/07/2023)

Por fim, em termos ontológicos, o amor ao precipício supõe não ter medo do sagrado, ou seja da sua profundidade, inexplicável racionalmente, e da vida que também se manifesta com subtil intensidade. Significa não ter medo de correr todos os riscos, excepto o risco maior de não viver já neste mundo na presença insondável e deleitosa da clara luz do Divino, mesmo quando esta se revela sob a forma de uma sombra.»

[Neves, 2022: 94-95]

 

Pedro Cuiça © Convento de Santa Cruz do Buçaco (15/07/2023)

Pedro Cuiça © Mata do Buçaco (15/07/2023)

Pedro Cuiça © Mata do Buçaco (15/07/2023)


Pedro Cuiça © Mata do Buçaco (15/07/2023)

Pedro Cuiça © Mata do Buçaco (15/07/2023)

Pedro Cuiça © Mata do Buçaco (15/07/2023)



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Título: Ama o Precipício – Viagem à Mata Nacional do Buçaco

Autora: Susana Neves

Edição: Fundação Francisco Manuel dos Santos (Maio 2022)

ISBN: 978-989-9064-59-1 




sexta-feira, 9 de junho de 2023

Ecologia Humana

 


Na década de 1920 surgiu, pela primeira vez, um estudo, no âmbito da ecologia humana, sobre os esquimós do noroeste da Gronelândia, publicado na revista Ecology (1921), da autoria de Elmer Ekblaw, no qual esse geólogo, botânico e ornitólogo analisou as relações entre a antropocenose e os ambientes biótico e abiótico. A abordagem inovadora de Ekblaw passou quase despercebida, o que também aconteceu com outros artigos científicos, na época, como foi o caso d’A humanização da ecologia – Todas as formas de vida em relação com o ambiente, também editado na Ecology (1922), da autoria de Stephen Alfred Forbes.

A ecologia humana constitui, hoje, um diversificado corpo de conhecimento, com investigação em inúmeras áreas do saber. Foi neste âmbito que pude aprofundar os conhecimentos que trazia das licenciaturas em Geologia e em Ciências do Ambiente, e empreender investigação no mestrado em Ecologia Humana e Problemas Sociais Contemporâneos, sobre perceções de conexão à natureza em caminhadas pedestres. Uma experiência muitíssimo gratificante que ainda está em curso e que recomendo vivamente.

As inscrições no mestrado em Ecologia Humana e Problemas Sociais Contemporâneos estão a decorrer, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Esta será certamente uma interessante oportunidade de aprofundar questões ecológicas sob uma perspectiva transdisciplinar, com base na sociologia.




sexta-feira, 21 de abril de 2023

Percursos

 ...percursos por um Futuro Sustentável.




A Sociedade de Ética Ambiental (SEA) vai realizar um Ciclo de Tertúlias, «À/Há conversa na Estufa Fria de Lisboa», sob o mote «percursos por um Futuro Sustentável». A primeira tertúlia, já no próximo dia 30 de Abril, às 11:00, é sobre «Caminhar na Natureza: Um livro “Caminhada” de Henry David Thoreau e uma forma de ser no mundo», e será conduzida por Lavínia Pereira e Sandra Escobar. Uma interessante iniciativa sobre um livro incontornável na bibliografia sobre caminhada(s) e na própria obra literária de Thoreau. A não perder.

Seguir-se-ão mais três tertúlias de Maio a Setembro. Para mais informações, consulte a Estufa Fria de Lisboa através do telefone 218 170 996 ou através do e-mail estufafria@cm-lisboa.pt.




sexta-feira, 14 de abril de 2023

Pelos bosques

 



Quando as crianças da aldeia o visitavam na sua cabana no lago Walden, [Henry DavidThoreau levava-as em longos passeios pelos bosques. Quando assobiava estranhos sons, os animais apareciam um a um – a marmota espreitava de baixo do mato, os esquilos corriam para ele e os pássaros pousavam-lhe no ombro.

A natureza, dizia Hawthorne, «parece adotá-lo como seu filho especial», pois os animais e as plantas comunicavam com ele. Havia uma ligação que ninguém conseguia explicar. Os ratos corriam pelos braços de Thoreau, os corvos empoleiravam-se nele, as cobras enroscavam-se-lhe nas pernas e ele encontrava sempre as primeiras flores da primavera mais escondidas. A natureza falava-lhe e Thoreau falava com ela. Quando plantou uma horta de feijões, perguntou: «Que aprenderei com os feijões e os feijões comigo?» A alegria da sua vida diária era «apanhar um pouco do pó das estrelas», dizia, ou uma «semente de um arco-íris que agarrei».

Durante essa época no lago Walden, Thoreau olhava a natureza de perto. Tomava banho de manhã e depois ficava sentado ao sol. Passeava pelos bosques, ou ficava silenciosamente agachado numa clareira, à espera de que os animais se exibissem para ele. Observava o tempo que fazia e chamava a si próprio um «inspetot autonomeado das tempestades de neve e de chuva».

(WULF, 2015: 339-349)

 



LIVRO:

WULF, Andrea. 2015. A Invenção da Natureza – As aventuras de Alexander von Humboldt, o herói esquecido da ciência. Lisboa: Temas & Debates/Círculo de Leitores.




segunda-feira, 10 de abril de 2023

Com-paixão

 

© Pedro Cuiça (8/04/2023)


Os seguidores de [Isaac] Luria [cabalista do século XVI] inventaram ritos que lhes possibilitaram participar no divino desconforto que penetrava todo o mundo. Ficavam acordados à noite clamando por Deus como amantes, lamentando a dor da separação que jaz no coração de tanta angústia humana. Eles faziam grandes caminhadas no campo, vagueando como a Sakhinah* no exílio. Porém, Luria era inflexível: não devia um abandono à autocomplacência. Os ritos da meia-noite terminavam sempre de madrugada com uma meditação sobre a reunião de Sekhinah com a Divindade. E, insistia Luria, os judeus que tinham sofrido o ostracismo deviam comportar-se compassivamente: havia penitências por prejudicar ou humilhar os outros.

 

O Caminho a Seguir

(…) Talvez devêssemos sentir-nos mais perturbados, passando algum tempo a refletir todos os dias sobre a dor que está a ser infligida tanto aos nossos companheiros humanos como ao meio ambiente, considerando as vidas desfeitas no Iémen ou na Somália devastadas pela guerra, a pobreza generalizada em África e a situação desesperada dos islâmicos Rohingya e do povo da Ucrânia. Quase todos os dias, emigrantes arriscam a morte cruzando o canal da Mancha em embarcações inadequadas, esperando encontrar refúgio no Reino Unido, e alguns afogam-se ao tentar. Porque não nos afligimos mais pela vergonhosa desigualdade em algumas das nossas cidades ricas? Londres, onde vivo, é uma das mais abastadas do mundo, contudo estima-se que um quarto da população viva na pobreza. Nos Estados Unidos, há uma disparidade mais ampla entre ricos e pobres do que em qualquer outra nação desenvolvida, e ao longo das últimas décadas esse fosso de riqueza mais do que duplicou.

(…) A religião convoca-nos para sermos dela [a dor] sempre conscientes de um modo que não nos deprima ou esmague, mas que suscite compaixão, a capacidade de sentir com o outro – mesmo, como Jesus nos recordou, com os nossos inimigos. Porque a compaixão nos liberta da prisão do nosso ego, permite-nos experienciar a alteridade – a santidade – do que chamamos Deus.

Mas, é claro, o sofrimento que testemunhamos devia afligir-nos a todos, sejam quais forem as nossas crenças ou a sua ausência. Precisamos de cismar nestas imagens de dor e permitir que nos perturbem. Somente assim poderemos suscitar a compaixão – a capacidade de «sentir com» outros – que inspira ação construtiva.

(pp. 93-96)

 

LIVRO:

ARMSTRONG, Karen. 2023. Natureza Sagrada - Recuperar o nosso vínculo com o mundo natural. Lisboa: Temas & Debates.



*Sekhinah trata-se da Presença, a que mais próximo poderemos chegar da perceção/apreensão do Divino na Terra.

NOTA do autor do Blogue: 

E porque se passou mais um período de comemorações pascais, mas poderia ter sido a época natalícia ou qualquer outro dia, não devemos olvidar o Espírito… O Espírito do Tempo, do Temp(l)o que é chegado, aqui e agora. A Shekhinah, para muitos cristãos, ter-se-á manifestado em diversas passagens do Novo Testamento, com especial destaque para o dia de Pentecostes, no qual se verificou a descida do Espírito Santo: o Tempo dos Lírios...


VER:

Espírito Santo: O Tempo dos Lírios

É (d)o tempo...

D'o Tempo

D'o Espírito


quarta-feira, 5 de abril de 2023

Verdadeiramente Livre

 


«La marche est la forme première des déplacements humains. Praticable partout, elle est le mode de voyager donnant réelement un sentiment d’indépendance. N’oublions pas que c’est le moyen de locomotion le plus économique.

(…)

Un grand avantage du voyage à pied est la possibilité de passer partout, par le plus petits et les plus mauvais chemins et même là où il n’y eut jamais de chemin fait de main d’homme. Le pédestrian est vraiment libre. Il n’est pas dèpendant, comme le cycloturiste par exemple, de l’état des routes, d’une côte d’altitude, d’un sens de circulation, de la qualité d’une machine, etc. Il va à la recherche du pittoresque où le pousse sa fantaisie, « par les monts et par les plaines ». Par contre, contraint de porter sur son dos sa maison, son équipment et sa nourriture, il est obligé de réduire son matériel au strict minimum. Nous avons vu comment il procede et nous avons dit l’avantage que represente pour lui le bivouac simple ou chez l’habitant.»

(p. 78)



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

HUREAU, Jean. 1946 (?). Plein Air et Camping. Paris: Les Éditions J. Susse.


sábado, 25 de março de 2023

Floresta(l)

 

© PC 



Como a escritora Jay Griffiths afirmou: «Às crianças (…) é negado o remédio da alma que sempre tratou o seu ânimo: a floresta».

(p. 68)


[U]ma mulher de idade avançada estava deprimida com o envelhecimento e a recuperação do tratamento do cancro. A caminhada levou-a até um conjunto de árvores. «Ela ficou fascinada com a ideia de que quando olhamos para as árvores, damos muito mais valor às árvores velhas do que às jovens. Para ela, foi um olhar espantoso sobre a sua vida; ninguém se preocupa com cortar uma árvore jovem, mas não vamos arrancar um abeto com seiscentos anos. Para ela – e para mim, já agora – foi muito importante para dar um valor diferente à idade.»

(p. 124)


Menos conhecidos são os seus escritos sobre a relação humana com o resto da natureza e as suas próprias origens. [O psiquiatra e psicanalista Carl GustavJung defendia que passar tempo na natureza é fundamental para uma psique saudável. Numa carta de 1947 dirigida a um colega, afirmava: «Tens de continuar à procura de ti mesmo, e irás encontrar-te outra vez nas coisas simples e esquecidas. Porque não te embrenhas na floresta durante algum tempo, literalmente? Por vezes, uma árvore diz-nos mais do que podemos ler nos livros. Ele também disse que as pessoas de meia-idade precisam mais de uma «experiência do numinoso» do que os jovens, como ajuda para atravessarem a segunda fase da vida. A palavra «numinoso» deriva do latim numen. Que significa a vontade divina, influência divina ou poder dos deuses, ou uma divindade. Jung referia-se a uma experiência com uma qualidade espiritual ou sobrenatural. 

(pp. 182-183)


LIVRO

JONES, Lucy. 2023. Perder o paraíso - As nossas mentes precisam da natureza. Lisboa: Temas & Debates/Círculo de Leitores



sexta-feira, 24 de março de 2023

Re-ligação...

 


Pedro Cuiça © Saldanha (Lisboa, 20/ Jul. 2016)


A minha paciente Sophie, uma estudante universitária da Coreia do Sul, veio ter comigo à procura de ajuda para a depressão e ansiedade. Entre muitos temas que abordámos, disse-me que passava grande parte do seu dia ligada a um dispositivo eletrónico qualquer: no Instagram, You Tube, a ouvir podcasts ou listas de reprodução de músicas.

Na consulta que tive com ela, sugeri que experimentasse fazer o caminho a pé até às aulas sem ouvir nada, permitindo que os seus pensamentos viessem à superfície.

Fitou-me incrédula e receosa.

- Por que é que havia de fazer isso? – perguntou, boquiaberta.

- Bem – arrisquei dizer –, é uma forma de se familiarizar consigo mesma, de permitir que a sua vivência decorra sem que tente controlar ou fugir dela. Toda essa distração com dispositivos eletrónicos pode estar a contribuir para a sua depressão e ansiedade. É muito desgastante estar sempre a evitar estar consigo mesma. Pergunto-me se experienciar-se a si mesma de um modo diferente poderá dar acesso a novos pensamentos  e sentimentos, bem como ajudá-la a sentir-se mais ligada a si mesma, aos outros e ao mundo.

A Sophie pensou nisso durante um instante.

- Mas é tão aborrecido – declarou.

- Sim, é verdade – retorqui. – O tédio não é só aborrecido, pode ser assustador. Força-nos a enfrentar questões mais importantes relativas ao significado e propósito da vida. Mas o tédio também é uma oportunidade para a descoberta e a invenção. Cria o espaço necessário para que se forme um novo pensamento, sem o qual estamos constantemente a reagir a estímulos à nossa volta, em vez de nos permitirmos fazer parte da nossa experiência de vida.

Na semana seguinte, a Sophie experimentou caminhar até às aulas sem estar ligada a nada.

- De início foi difícil – comentou.  – Mas depois habituei-me e em certa medida até gostei. Comecei a reparar nas árvores.

(pp. 53-54)

 




LIVRO

LEMBKE, Anna. 2022. Dopaminados. Lisboa: Penguin Random House Grupo Editorial Portugal



quinta-feira, 23 de março de 2023

Tornar presente

 

© PC



Holz [madeira, lenha] é um nome antigo para Wald [floresta]. Na floresta [Holz] há caminhos que, o mais das vezes sinuosos, terminam perdendo-se, subitamente, no não-trilhado.

Chamam-se caminhos de floresta [Holzwege].

Cada um segue separado, mas na mesma floresta [Wald]. Parece muitas vezes, que um é igual ao outro.

Porém, apenas parece ser assim.

Lenhadores e guardas-florestais conhecem os caminhos. Sabem o que significa estar metido num caminho de floresta.

(p. 3)

 

“Ciência da Experiência da Consciência” reza o título que Hegel coloca no frontispício da obra aquando da publicação da Fenomenologia do Espírito no ano de 1807. A palavra experiência encontra-se no meio, em letras gordas, entre duas outras palavras. “A experiência” designa o que “a fenomenologia” é. O que pensa Hegel, ao utilizar a palavra “experiência”, realçando-a deste modo?

(p. 141)

 

O sujeito essência-se na referência de representação do objecto. Mas, enquanto esta referência, o sujeito é já a referência a si representativa. O representar [das Vorstellen] presentifica [präsentiert] o objecto, na medida em que o representifica [repräsentiert] ao sujeito, em cuja representificação [Repräsentation] o próprio sujeito se presentifica enquanto tal. A presentificação [Präsentation] é a principal característica do saber, no sentido da autoconsciência do sujeito. A presentificação é um modo essencial de presença [Präsenz] (παρονσία). Enquanto esta, quer dizer, enquanto o-estar-presente, é o ser do ente do género do sujeito. A certeza de si, enquanto o condicionado em si, é a entidade (ούσία) do sujeito. O ser subjectivo do sujeito, quer dizer, da referência sujeito-objecto, é a subjectividade [Subjektität] do sujeito. A subjectividade consiste no saber incondicionado de si. A essência do sujeito é constituída no modo do saber de si, de tal forma que o sujeito, para ser enquanto sujeito, se torna constituído apenas com essa constituição, apenas com este saber. A subjectividade do sujeito, enquanto certeza absoluta de si, é “a ciência”. O ente (τό δν) é enquanto ente (ή δν), na medida em que o é no modo de saber incondicionado de si do saber. Por isso, a apresentação que representa este ente enquanto ente, a filosofia, é ela mesma a ciência.

(pp. 159-160)

 

© PC


VER:
- Presente(AR)


LIVRO

HEIDEGGER, Martin. 2012. Caminhos de Floresta. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2ª ed..



Como uma Montanha

As inscriçõ es na p róxima edição da Palestra da Ética , a decorrer no dia 17 de setembro, abriram hoje. O tema, desta feita, é sobre "...