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sábado, 18 de julho de 2026

LIBERT'AÇÃO

 

Na passada quinta-feira (16 de julho) estive, no papel de moderador, em mais uma edição das Palestras da Montanha, uma "rubrica' de formação contínua organizada pelo Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal/Escola Nacional de Montanhismo (CF-FCMP/ENM). Dessa feita, a palestra, a cargo do doutorando e treinador Eduardo Mata, versou o tema das "Atividades de Montanha e de Pedestrianismo no âmbito do Turismo Desconectado". Uma temática que desperta um interesse crescente, tendo em conta a generalização de situações de dependência das redes sociais e de interações constantes com o telemóvel. Nessa interessante palestra verificou-se também a alusão à importância que a IA já tem e que, sobretudo, irá ter; situação que também terá de ser alvo de estratégias de desconexão. Neste contexto, deixo aqui uma reflexão do escritor Ted Chiang. Quer a palestra de Mata, quer a entrevista a Chiang, levam-me a pensar como será o futuro, a curto, médio e longo prazo, da prática de atividades de ar livre, em geral, e de atividades de montanha, em particular... Uma espécie de terapia para (ajudar a) viver ou sobreviver?



quinta-feira, 1 de agosto de 2024

Dá ECO ao (teu) futuro

 



A última fase de inscrição, em 2024, no Mestrado em Ecologia Humana e Problemas Sociais Contemporâneos começa hoje e estende-se até dia 26 de Agosto, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL). Uma oportunidade única de frequentar um mestrado muitíssimo interessante para aqueles que pretendam estudar as (inter)relações entre os humanos e os contextos bióticos e abióticos do meio em que vivem. A complexidade inerente à componente cultural dos humanos, sem esquecer as suas ligações (inatas) à natureza, assume um papel de primordial importância num mundo cujas alterações climáticas, as ameaças à biodiversidade e a poluição, entre outras variáveis, levantam desafios a que é fundamental dar resposta.

 

Segundo Eugene Odum, o ensaio Man’s Place in Nature, de Thomas Huxley, tipifica a atitude dos biólogos do século XIX perante o “homem” e o seu ambiente. E acrescenta (1988: 816):

 

«Reflectindo a influência do Darwinismo, estes biólogos do passado abordavam o papel do homem na natureza do ponto de vista da sua linhagem ou parentesco natural com os outros organismos. Depois de mais de 50 anos, a ideia do parentesco evolutivo com a natureza começou a ser aceite por uma maioria de pessoas, e a atenção voltou-se, então, para a ideia de ligação natural do homem, ou interdependência ecológica, com o biota, um conceito que hoje se encontra longe de ser universalmente aceite.»

 

Afortunadamente, a ecologia humana foi capaz de adotar uma «perspectiva evolutiva, com a qual se procura explicar como os seres vivos se modificaram e diversificaram ao longo do tempo e os mecanismos que levaram a essa modificação, passando a incluir-se o “homem” no processo evolutivo [das espécies] e, portanto, a considerá-lo parte integrante da biosfera» (Avelar e Pité 1996 in Carvalho 2007: 128). A integração do “homem” na natureza, o reconhecimento de que é natureza, trata-se de um (re)posicionamento concetual de enorme importância e abrangência, designadamente ao abrir caminho para o assumir de uma renovada aliança holística com Gaia: o conceito de Lynn Margulis e James Lovelock (1972), de uma Terra viva, como um sistema fisiológico único e auto-regulado (Lovelock 1996).

Uma das singularidades da ecologia humana, que resulta em parte da sua transdisciplinaridade, consiste na sua abrangência holística que, aliás, partilha com a ecologia geral. Partilha que se estende à abordagem sistémica e ao estudo de assuntos de enorme complexidade, «no que tal significa de variedade, complementaridade, concorrência, incerteza, antinomia» (Carvalho 2007: 133). A importância da transdisciplinaridade, que caracteriza a atual ecologia humana, traduz-se na abrangência de diversas áreas do conhecimento científico, desde a sociologia à psicologia, antropologia, etnografia e filosofia, entre outras. Transdisciplinaridade que não deverá, todavia, ignorar as bases científicas resultantes de ciências naturais como a geologia, a biologia ou a ecologia, entre outras. Eugene Odum, num artigo publicado na revista Science (1975), reforça precisamente a importância de estabelecer a ponte entre as ciências naturais e as ciências sociais (ibid.). E a Ecologia Humana pode e deve ser essa importante ponte.

 



Referências bibliográficas

Carvalho, Francisco. 2007. “Da Ecologia Geral à Ecologia Humana”. Sociológico 17(2): 127-135.

Lovelock, James. 1996. GAIA – A Prática Científica da Medicina Planetar. Lisboa: Instituto Piaget.

Odum, Eugene P.. 1988. Fundamentos de Ecologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 4ª ed..

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Lançamento de livro

 


O lançamento online do livro Saúde, Espiritualidade e Arte: a força de criar, dançar, cantar, rezar e fazer cura é já amanhã às 19:00 (hora de Portugal). O evento irá contar com a presença da Profª Dra. Silvia Regina Paes (coordenadora editorial) e dos outros autores do livro, provenientes de três países distintos: Brasil, Portugal e Argentina. A obra é editada pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e será disponibilizada no repositório dessa universidade.

Para mais informações consulte o site da UFVJM, onde também poderá conectar-se ao evento.

ENORME AGRADECIMENTO


No dia 17 de Julho de 2023 expressei o meu enorme agradecimento a todos aqueles que contribuíram para a resposta ao inquérito no âmbito da minha dissertação de mestrado, sobre “Percepções de conexão à natureza e de bem-estar em caminhadas pedestres –estudo exploratório no âmbito da Ecologia Humana”. O seu apoio no preenchimento e na divulgação do inquérito foi imprescindível para a concretização e a ultrapassagem dos objectivos propostos. Nesse dia foi atingido o "número redondo" de 450 inquéritos preenchidos, com o qual considerámos terminada a fase relativa à recolha de dados da componente quantitativa da investigação em curso. Salientei também, na ocasião, as palavras amigas e o estímulo que recebi de muitos “colaboradores”, aos quais expressei a minha maior GRATIDÃO.

Ontem, dia 17 de Julho de 2024, passado exactamente um ano, concluí oficialmente o mestrado em Ecologia Humana, ao ter sido publicada a avaliação final no site da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH). Este é, portanto, um momento muito especial, no qual tenho o grato prazer de expressar novamente a minha reiterada gratidão a todos aqueles que participaram e apoiaram os trabalhos realizados; com uma particular menção à minha orientadora de mestrado, a Profª Dra. Ana Paula Gil. Há um ano e ontem, tal como hoje, estamos e continuaremos juntos.



NOTA: a dissertação estará disponível em breve no Repositório da Universidade Nova de Lisboa (UNL).

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Saúde, Espiritualidade e Arte

 



O lançamento online do livro “Saúde, Espiritualidade e Arte: a força de criar, dançar, cantar, rezar e fazer cura” está agendado para dia 19 de julho, no Brasil, às 15:00, na Argentina, às 13:00, e em Portugal, às 19:00. A obra, coordenada pela Profª Dra. Silvia Regina Paes e editada pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), reúne um conjunto diversificado de temáticas e autores de três países: Brasil, Argentina e Portugal.

Segundo a Profª Silvia Paes: «Os temas do livro “Saúde, Espiritualidade e Arte” representam a importância das ciências ligadas à saúde se abrirem para temáticas que, geralmente, não fazem parte do seu rol de interesse no campo da pesquisa e mesmo da extensão». É neste contexto de grande abrangência temática, assumidas visões holísticas e mais além, que os artigos deste livro evidenciam «diferentes possibilidades para a reflexão sobre a saúde, a espiritualidade e a arte em diversas perspectivas de análise». Os artigos, que constituem esta obra, são os seguintes:

1.     Saúde e espiritualidade na perspectiva dos povos Tupi – Sassa Tupinambá

2.     Natureza Templo – Larissa Malty

3.   Se não sente, sint(r)a: caminhadas liminares na natureza (mais do que) humana – Pedro Cuiça

4.    A água enquanto fonte de cura: reflexões sobre os trabalhos corporais aquáticos e o uso artístico, terapêutico e espiritual da água – Bárbara Carolina Medeiros de Tompa

5. Conexões invisíveis: espiritualidade, saúde e arte em unidade nas culturas tradicionais – Silvia Regina Paes

6.  Vale do Jequitinhonha: interculturalidade, intersubjetivação e encantaria – Déa Trancoso

7.    Educação, Saúde e Espiritualidade: Mulheres e Homens caminhando em tempos de transição – Conceição Clarete Xavier Travalha 

8.     Amar e Vadiar – Marcos Vinícius Bortolus

9.    El Arte y el Juego: habitar otro tiempo – Diana Diez

10. Existe algo além – Luiz Eduardo Tibães

O lançamento de “Saúde, Espiritualidade e Arte” constituirá uma oportunidade ímpar de conhecer a obra e conversar com os autores. Para participar basta usar o link: https://meet.google.com/mvq-ggjt-ayt. A edição em formato eBook será disponibilizada online gratuitamente, prevendo-se uma futura edição em papel.


sábado, 3 de fevereiro de 2024

Caminhar na Natureza

 

A formação contínua de treinadores em desportos de montanha revela-se de fundamental importância como garante de eficiência e eficácia no desempenho das suas funções, designadamente no âmbito das soft skills. E, nesse contexto, a conexão à natureza e o bem-estar surgem como componentes de importância e interesse crescentes no contexto da gestão de grupos em actividades de montanha. É com base nestes pressupostos que o Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal/Escola Nacional de Montanhismo (CF-FCMP/ENM) vai realizar, no dia 27 de Fevereiro, com início às 20:00, a próxima edição das Palestras da Montanha, sobre a temática: Caminhada, Conexão à Natureza e Bem-estar.

Nessa palestra será destacada a importância da conexão à natureza e do bem-estar na gestão de grupos em actividades de montanha, mormente no âmbito do pedestrianismo, mas também da marcha off-road em montanhismo. A abordagem que será desenvolvida começara por apresentar um conjunto de conceitos e de práticas, designadamente friluftsliv, experiências flow, peak experiences e plateau experiences, deep experiences, relational total-field e rewilding. E, numa segunda fase, será dada uma particular atenção à sua aplicabilidade no terreno, durante a realização de actividades de montanha, por parte de detentores de Título Profissional de Treinador de Desporto (TPTD) em pedestrianismo e/ou em montanhismo, com base na utilidade da pirâmide de necessidades de Maslow como ferramenta de gestão de atividades de ar livre. Por outro lado, será aprofundado o conceito de bem-estar subjetivo na sua componente eudaimonica, tendo em conta as dificuldades, contratempos e problemas inerentes à prática de actividades de ar livre, em geral, e de actividades de montanha, em particular.

Para mais informações e/ou para efectuar a respectiva inscrição, nesta ação de formação, consulte o site da FCMP. A participação é gratuita. 



segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

NATUREZA VIVA

 



A Borealis On Trekking, a Associação Portuguesa de Saúde Ambiental e a Hapiness Business School vão realizar, no próximo dia 31 de Janeiro, das 10:00 às 12:00, um conjunto de palestras sob o tema "Natureza Viva: Trilhos para o Bem-Estar e Saúde". Segundo os organizadores, será «uma ocasião única para ouvir descobertas incríveis sobre como caminhar na natureza pode ser extraordinariamente benéfico para a sua saúde».

Os palestrantes que vão partilhar as suas ideias sobre como a natureza afecta o nosso bem-estar são:

· Pedro Cuiça – Director Técnico da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal e «escritor apaixonado» por pedestrianismo e percursos pedestres, vai partilhar as suas experiências sobre o impacto transformador das caminhadas na natureza;

· Joana Barros – médica de medicina geral e familiar, oferecerá perspectivas valiosas sobre o impacto da natureza na saúde física e mental;

· Karine Silva – bióloga e psicóloga, discutirá as suas investigações sobre como os ambientes naturais potenciam a saúde;

· Diogo Sousa Gomes – especialista em Saúde Ambiental;

· Hugo Palma – aventureiro organizador de expedições pela natureza e engenheiro aeronáutico.

A participação é gratuita, mas as vagas são limitadas, sendo necessário efectuar a inscrição através do e-mail pedro@boreal.com, colocando apenas no assunto:
"Natureza Viva".

Juntem-se a nós e venha descobrir como a natureza proporciona um significativo incremento da nossa saúde e bem-estar.

domingo, 19 de fevereiro de 2023

OxigenAR


Pedro Cuiça © Queijas-Valejas (Oeiras - 2022)


Após sete dias de clausura devido à Covid-19, fui "OXIGENAR O BICHO"... 

[19/02/2022]




segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Saúde em Movimento

PC © Estónia (2007)

Na próxima sexta-feira (dia 7 de Outubro) terei o grato prazer de apresentar a palestra Caminhada, Bem-estar e Conexão à Natureza, na Câmara Municipal de Lagos, no âmbito do lançamento da iniciativa Saúde em Movimento. O evento, de entrada livre, começa às 10:00 a.m. e realiza-se no Auditório do edifício Paços do Concelho Século XXI. 

A conexão dos seres humanos com a natureza tornou-se uma matéria de crescente interesse no âmbito da investigação científica, designadamente no que concerne a saúde e o bem-estar. De acordo com a Hipótese da Biofilia, os seres humanos foram moldados cognitiva e emocionalmente, no decurso da sua evolução, para uma predisposição inata à conexão com a natureza. O processo evolutivo dos hominídeos transformou-os em caminhantes, adaptados a percorrer extensas distâncias a pé.

O benefícios para a saúde, decorrentes da prática de caminhada, estão amplamente descritos, revelando que os praticantes desse exercício físico apresentam um menor risco de contraírem doenças crónicas, como a diabetes (tipo 2), hipertensão, doenças coronárias, dores lombares, miopia, défice de atenção, ansiedade, depressão, etc.. Salienta-se igualmente a importância da caminhada desde as crianças e jovens aos idosos, mormente no que concerne a mitigação de situações de sarcopenia, de fragilidade e quedas associadas. 

A caminhada em meio florestal ou, na expressão de Wohlleben (2019), onde se «crie a ilusão de floresta», merece um particular destaque no que concerne a conexão à natureza e os inúmeros benefícios para a saúde e o bem-estar dos praticantes. O contacto com a natureza pode não ser, todavia, suficiente per se, exigindo o envolvimento psicológico, intencional, com vista a uma mais efetiva conexão ao mundo natural. Conexão que não pode estar alheada do corpo, mais precisamente do corpo-mente enquanto entidade inseparável e indivisível. Estas e outras temáticas serão abordadas na palestra Caminhada, Bem-estar e Conexão à Natureza e constituirão o ponto de partida para a troca de pontos de vista e de experiências entre o palestrante e os participantes.

PC © Pirenéus (2004)

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Foi extremamente gratificante ter uma sala cheia de idosos, altamente motivados pelos benefícios que a prática regular de caminhada proporciona, não só em termos de saúde, mas também de bem-estar, designadamente resultante da socialização e do convívio…


© DR




© DR


quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Caminhada e Saúde

 


No próximo domingo (25 de Setembro) irei apresentar na Fnac de Faro (Fórum Algarve), das 16 às 17 horas, uma palestra sob o tema Caminhada, Bem-estar e Conexão à Natureza. A palestra, moderada por José Paulo Sousa, do Clube Desportivo Faro XXI, é de acesso livre e está inserida no programa Faro Ativo.

A conexão dos seres humanos com a natureza tornou-se uma matéria de crescente interesse no âmbito da investigação científica, designadamente no que concerne a saúde e o bem-estar. De acordo com a Hipótese da Biofilia, os seres humanos foram moldados cognitiva e emocionalmente, no decurso da sua evolução, para uma predisposição inata à conexão com a natureza. O processo evolutivo dos hominídeos transformou-os em caminhantes, adaptados a percorrer extensas distâncias a pé.

O benefícios para a saúde, decorrentes da prática de caminhada, estão amplamente descritos, revelando que os praticantes desse exercício físico apresentam um menor risco de contraírem doenças crónicas, como a diabetes (tipo 2), hipertensão, doenças coronárias, dores lombares, miopia, défice de atenção, ansiedade, depressão, etc.. Salienta-se igualmente a importância da caminhada desde as crianças e jovens aos idosos, mormente no que concerne a mitigação de situações de sarcopenia, de fragilidade e quedas associadas. 

A caminhada em meio florestal ou, na expressão de Wohlleben (2019), onde se «crie a ilusão de floresta», merece um particular destaque no que concerne a conexão à natureza e os inúmeros benefícios para a saúde e o bem-estar dos praticantes. O contacto com a natureza pode não ser, todavia, suficiente per se, exigindo o envolvimento psicológico, intencional, com vista a uma mais efetiva conexão ao mundo natural. Conexão que não pode estar alheada do corpo, mais precisamente do corpo-mente enquanto entidade inseparável e indivisível. Estas e outras temáticas serão abordadas na palestra Caminhada, Bem-estar e Conexão à Natureza e constituirão o ponto de partida para a troca de pontos de vista e de experiências entre o palestrante e os participantes.

O Faro Ativo 2022 está a decorrer, de 3 de Setembro a 15 de Outubro, traduzindo-se em mais de um mês de promoção da prática desportiva e do exercício físico para todos. Este evento é organizado pela Câmara Municipal de Faro, envolve a colaboração de mais de meia centena de entidades e de intervenientes individuais, e irá certamente contar, à semelhança das edições anteriores, com a presença de milhares de participantes. 

Esta oportunidade de apresentar uma palestra sobre a promoção da prática de exercício físico para todos é triplamente gratificante tendo em conta que (1) ocorre em Faro - a minha terra natal -, (2) no âmbito do Faro Ativo e (3) coincidente com a Semana Europeia do Desporto 2022 (23 a 30 setembro): #BeActive.


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Na sequência da palestra Caminhada, Bem-estar e Conexão à Natureza que se realizou, no dia 25 de Setembro, no Fórum Algarve (Faro), gostaria de agradecer, publicamente:
1) o convite para apresentar esta temática e a moderação por parte do José Paulo Sousa Gordinho do Clube Faro XXI;
2) a aceitação da realização de uma palestra, pela primeira vez no Faro Ativo, por parte de Vitor Filipe (Chefe de Divisão) e de Jorge Candeias (Chefe de Unidade) da Divisão de Desporto e Juventude da Câmara Municipal de Faro;
3) o apoio, a atenção e a simpatia inexcedíveis por parte de Ana Narciso (Directora de Comunicação da Fnac Algarve) e de Ana Margarida (Estagiária da Fnac do Fórum Algarve), que proporcionaram todas as condições para a realização da palestra e tiveram a amabilidade de disponibilizarem diversos exemplares do Passo a Passo - Manual de Caminhada e Trekking para o evento. Bem-hajam.

27 de Setembro de 2022



sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Caminhadas Higiénicas (II)

 

7:00

Mal sabia eu que estaria numa espécie de “semi-clausura”, desde março, e agora confinado em casa num estrito isolamento profiláctico de 14 dias!... Na próxima terça-feira, quando finalizar a “quarentena”, já poderei ir "APANHAR AR", dizem as autoridades: num passeio pedonal e higiénico de curta duração e perto de casa. Também poderia ir passear o cão, se o tivesse, mas já me basta eu! E eu, com a vontade que ando de andar, andaria até ao fim do mundo em BUSCA DE VASTOS ESPAÇOS DE AR LIVRE. É nestas circunstâncias que damos MAIS VALOR À LIBERDADE?

 

Pedro Cuiça (4 de Março de 2020) © Lisboa

11:00

Para minha surpresa, deram-me hoje alta e poderei finalmente sair do lazareto em que se transformou a minha casa… Há exactamente cinco anos escrevi o seguinte post no Facebook: «Há quem leve o cão a passear mas, no meu caso, fui eu que me levei hoje a passear pela multifacetada e cosmopolita Lisboa. Deve ter sido porque me estava a sentir algo engaiolado [no trabalho], como um animal doméstico (mais precisamente aquilo que os anglo-saxónicos chamam “pet”)! Agora, depois de uns bons quilómetros de caminhada, estou pleno de mundo e de fantástica luz invernal… apesar do jardim que me surpreendeu em Al-fama se encontrar à sombra.»


 Pedro Cuiça (27 de Novembro de 2015) © Jardim das Pichas Murchas (Lisboa) 

19:00

Faz hoje também exactamente cinco anos que publiquei no Face um poético hino de Miguel Torga ao poder da… liberdade?

 

«MENIR

Salve, falo sagrado,

Erecto na planura

Ajoelhada!

Quente e alada

Tesura

De granito,

Que, da terra emprenhada,

Emprenhas o infinito!»

Miguel Torga in Diário XIV, Coimbra, 1995, p. 1461 (Outeiro – Monsaraz, 31 de Maio de 1986)


OBOD © Menir do Outeiro (Monsaraz - Alentejo) 


Caminhadas Higiénicas

 



Quando publiquei o post Cuidem-se e cuidem, a 16 de Março, no começo da pandemia de Covid-19, destaquei a importância de «implementar uma alimentação adequada, exercício físico moderado e as necessárias horas de sono, usufruir de ar livre e radiação solar» para fortalecer o sistema imunitário e enfrentar os tempos que aí vinham. Nesse contexto, destaquei o artigo Coronavirus and the Sun: A lesson from the 1918 Influenza Pandemic, de Richard Hobbay, no qual é dada uma especial relevância ao ar livre e à radiação solar no combate a pandemias virais: «A combination of fresh air and sunlight seems to have prevented deaths among patients; and infections among medical staff. There is scientific support for this. Research shows that outdoor air is a natural disinfectant. Fresh air can kill the flu vírus and other harmful germs. Equally, sunlight is germicidal and there is now evidence it can kill the flu vírus.»

Foi, pois, com particular alegria que constatei, no site do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a alusão a um artigo científico, da autoria de portugueses, que demonstra o potencial da radiação UV na inactivação do SARS-CoV-2: Potential of Solar UV Radiation for Inactivation of Coronavirus Family Estimated from Satellite. Neste contexto, tomamos a liberdade de transcrever, na íntegra, a notícia publicada, no dia 23 de Novembro, no site do IPMA:

 

«O IPMA informa que foi recentemente publicado na revista internacional “Photochemistry and Photobiology”, um artigo científico que demonstra o potencial da radiação UV na inativação do SARS-CoV-2 (Covid-19): Potential of Solar UV Radiation for Inactivation of Coronaviridae Family Estimated from Satellite.

Trata-se do primeiro trabalho publicado numa revista científica internacional sobre a relação do SARS-CoV-2 (Covid-19) e um elemento meteorológico, neste caso a radiação solar. A investigação que arrancou durante o confinamento, de Março e Abril, resultou da cooperação entre o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, o Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde da Universidade do Porto (CINTESIS), Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo (APCC) e a Universidade de Medicina Veterinária de Viena (Áustria). Pretende contribuir para orientação de políticas públicas no combate à propagação do vírus.

Estes resultados mostram que a radiação solar UV tem um elevado potencial para inativar esses vírus, dependendo fortemente da localização geográfica e da estação do ano. Nas regiões tropicais e subtropicais (ex.: São Paulo, 23,5°S), a fração diária de sobrevivência do vírus é inferior a 0,01 % durante todo o ano, enquanto que em latitudes mais elevadas (ex.: Reiquiavique, 64°N) essa fração apenas pode ser encontrada em junho e julho.

Por exemplo, em Lisboa e no período de março, seriam necessárias entre 3 a 10 horas para o vírus ser eliminado pela radiação UV; por outro lado, no Inverno temos tempos para esterilização superiores a 20 horas, ou seja, um dia não chega para esterilizar superfícies no exterior.

Com este estudo - e todos os trabalhos feitos sobre a influência dos fatores meteorológicos sobre o novo coronavírus – prova-se ser a radiação UV efetiva na inativação do vírus.

Estes dados têm importantes implicações potenciais práticas, em termos de recomendações de Saúde Pública, de forma a minimizar o potencial de contágio através de diferentes superfícies e mesmo no potencial de contagiosidade do SARS-CoV-2.
É ainda argumento para potencial recomendação à população para poder usufruir de exposição solar nesta época de Outono, Inverno e até início da Primavera, altura em que os níveis do Índice UV raramente são maiores que 5, pelo que não são nocivos para a pele ou de risco significativo para aumento de números de Cancros da Pele, nomeadamente para exposições em tempo moderado. Adicionalmente poderia haver recomendação para colocar o maior número de objetos, utensílios, roupas, entre outros, à exposição solar que possa ocorrer nestes meses. O estímulo de caminhadas ao ar livre, em particular em dias de Sol, é de incentivar pelos benefícios psicológicos e físicos, em particular neste tempo de Covid 19.

Adicionalmente a este artigo é de referir que, neste ano de 2020 os níveis do Índice UV foram muito elevados  durante todo o mês de Maio (8 a 10, numa escala de 0 a 11, na maioria das localidade de Portugal (Continente e Ilhas) altura em que se assistiu a forte redução do número de casos Covid 19 e redução da letalidade ao mesmo, mantendo-se estes níveis baixos ate meados de Setembro, altura em que os níveis de UV reduziram significativamente. Desde essa altura até esta data, os níveis de UV tiveram naturalmente uma redução significativa em cerca de 60%, período em que se assistiu ao recrudescimento do número de casos e taxa de mortalidade. Naturalmente que esta incidência tem a ver com múltiplos fatores, nomeadamente encerramento ou abertura de atividade económica, abertura de escolas, etc.

Os autores do estudo foram: Fernanda Carvalho (IPMA), Diamantino Henriques (IPMA), Osvaldo Correia (Dermatologista, Presidente da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo, Professor Afiliado da Faculdade de Medicina do Porto; Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde da Universidade do Porto – CINTESIS) e Alois Schmalwieser (Universidade de Medicina Veterinária de Viena, Áustria).»



NOTA: o destaque a negrito de algumas palavras é da nossa "autoria".

sábado, 24 de outubro de 2020

Strong legs

 «Strong legs, good health.» Cansam-se as pernas e descansa-se a mente. Continuamos a pôr quilometragem (e desnível) nas pernas, através de treino desportivo de marcha com bastões…


Pedro Cuiça (24/10/2020) © Algures entre os concelhos de Oeiras, Amadora e Lisboa

Saúde Ambiental

Usar máscara/etiqueta respiratória, distância sanitária, higienização das mãos: uma questão de ética e cidadania ambiental. Ir para a "natureza": uma questão de estética e saúde mental.




sexta-feira, 23 de outubro de 2020

D'A ESTRANHEZA (II)

Por vezes lanço uma espécie de balões atmosféricos (virtuais, entenda-se) como que para estudar não as massas de ar mas O QUE ANDA dans l'aire du temps e os resultados conseguem ser, algumas vezes, bastante decepcionantes. Nada de surpreendente face ao que se constata NUMA MERA VOLTA no Face-bocas, mas invariavelmente perturbador...

[Publicado no Facebook a 23/10/2020]



segunda-feira, 24 de agosto de 2020

D'A ESTRANHEZA

 D'O ESTRANHO MUNDO EM QUE VIVEMOS


Gripe Espanhola © N.A. (1918)

Quando em Março publiquei o post Cuidem-se e cuidem, sobre a importância de fortalecer o sistema imunitário no contexto da covid-19, referi que não era ocasião para críticas ou prognósticos mas que teríamos oportunamente, num futuro mais ou menos próximo (ou afastado), a possibilidade de reflectir (e consequentemente de opinar) sobre a pandemia. Na altura remeti essa possibilidade para uma origem divina – “se Deus quisesse” – mas hoje talvez seja mais sensato dizer “se a censura o permitir”!!!

Passou a Primavera e o Verão vai avançado: continuamos a “achar” que não é o momento de tecer considerandos sobre os “fenómenos pandémicos” (na verdade, não nos apetece)… Apenas damos nota de dois “episódios pontuais” que consideramos, neste âmbito, significativos e dignos de menção: (1) as inusitadas e injustificadas “censuras”, que ocorreram no Facebook, do post referido acima (posteriormente corrigidas!) e (2) a concretização da previsão, também publicada no Facebook, da proibição daí a dias da prática de caminhadas no Parque Florestal de Monsanto. Felizmente, ao contrário do que se passou na França, foi possível efectuar caminhadas diárias, “à porta de casa”, desde que de curta duração e extensão: as designadas "caminhadas higiénicas! Nesta matéria, recomendamos vivamente a leitura d’Este Vírus Que Nos Enlouquece, publicado recentemente pela Guerra e Paz (Julho de 2020), da autoria de Bernard-Henry Lévy, de que destacamos uma pequena citação e dois trechos, do encerramento do livro, para abrir o apetite ou aguçar a curiosidade, como queiram.

 

Ou o (im)perfeito anormal?

O passeio do animal de companhia e, a partir de 11 de Abril, a sua adopção foram integradas na lista de deslocações autorizadas enquanto continuavam interditos os passeios solitários ou a dois, em percursos pedestres ou em praias. 

[LÉVY, 2020: 73]


O mundo, no Gaffiot, esse dicionário de latim no qual os jovens outrora aprendiam a pensar em francês, era mundus – e usava-se em dois sentidos.

O verdadeiro mundo. Aquele onde os homens penam, choram, morrem e desejam. Aquele que, no século XX, por duas vezes desmoronou, na verdade três com a longa ruína do comunismo – mas que os seus habitantes estão todas as vezes, prontos para reconstruir. Aquele onde nos sabemos herdeiros de um passado criminoso que engoliu, como uma jibóia, e que ainda engolirá, todas as antigas filosofias, mas onde nunca resolvemos, apesar disso, deixar de pensar e sobretudo de agir. Aquele, em suma, de uma geração, a minha, que foi educada com a convicção de que já não se trata de ver os comboios passar nem de repetir, como um disco riscado, «isto nunca mais» – mas que é preciso fazer tudo, tudo, politicamente, praticamente, activamente, quase manualmente, para conter um pouco esse «isto»…

(…)

Mas mundus também quer dizer aquilo que é nítido e limpo. Sem nódoas e imaculado. Asséptico. Higienizado. Em grego, quer dizer cosmos. Em francês, cosmética. E é o nome de um outro mundo, indiferente ao seu lado maldito, esquecido de que o imundo existe e de que faz parte do nosso ofício humano afronta-lo – é o nome de um mundo demasiado belo, onde é suposto escondermos essa miséria, esse mal, essa Medusa, cuja visão não suportaríamos… Nesse mundo, velhos como o mundo a quem o coronavírus renova a fama, os homens que apanham um avião para reportar o que se passa no golfo de Bengala são [considerados] assassinos do planeta.  Os internacionalistas que partem para as regiões onde brilham, em vez dos nomes e dos lugares, os ceifeiros da morte, que se metem onde não devem para depois serem chamados à atenção. E, quando regressam, que encontram? Um mundo onde reinam os técnicos da ventilação, os vigilantes gerais do estado de emergência, os delegados da agonia. Um mundo onde, em vez do mundo que faz demasiado mal, temos o álcool-gel, as varandas onde nos auto-elogiamos, cães para passear duas vezes ao dia munidos de atestados covid e cidades expurgadas da multidão humana, como uma sala de operações, das infecções mesocomiais. Um mundo de donos de cães, quer dizer , de donos que são cães e se comportam como cães, uma humanidade que só tem direito a ladrar quando lhe lembram que é feita de homens, a gemer quando apanha um vírus e a latir quando o senhor Corona, nosso rei, lhe vier dar uma lição como se dá a ração ou uma tareia. O mundo foi feito para se encolher, diz o rei Corona. Foi feito para que nos deitássemos. E se o sono tarda a vir, é preciso contar carneiros e dinheiros, se os tivermos, e, portanto, também de vírus.

Não é bela a vida?

Não temos tudo aquilo de que precisamos (os bens de primeira necessidade, mas também, no final de contas, o sexo, a imaginação, a morte) à distância de cliques e Netflixes? Olha! Cá está essa «net», que é o outro sentido de mundus…

Esta é a lição do vírus.

Esta é a razão da minha fúria.

E é ainda a razão pela qual era preciso resistir, custasse o que custasse, a esse vento de loucura que sopra sobre o mundo.

[LÉVY, 2020: 99-102]

 



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

LÉVY, Bernard-Henri. Este vírus que nos enlouquece. Lisboa: Guerra e Paz, Editores, 2020, pp. 104. ISBN 978-989-702-563-1