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quinta-feira, 18 de julho de 2024

Lançamento de livro

 


O lançamento online do livro Saúde, Espiritualidade e Arte: a força de criar, dançar, cantar, rezar e fazer cura é já amanhã às 19:00 (hora de Portugal). O evento irá contar com a presença da Profª Dra. Silvia Regina Paes (coordenadora editorial) e dos outros autores do livro, provenientes de três países distintos: Brasil, Portugal e Argentina. A obra é editada pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e será disponibilizada no repositório dessa universidade.

Para mais informações consulte o site da UFVJM, onde também poderá conectar-se ao evento.

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Saúde, Espiritualidade e Arte

 



O lançamento online do livro “Saúde, Espiritualidade e Arte: a força de criar, dançar, cantar, rezar e fazer cura” está agendado para dia 19 de julho, no Brasil, às 15:00, na Argentina, às 13:00, e em Portugal, às 19:00. A obra, coordenada pela Profª Dra. Silvia Regina Paes e editada pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), reúne um conjunto diversificado de temáticas e autores de três países: Brasil, Argentina e Portugal.

Segundo a Profª Silvia Paes: «Os temas do livro “Saúde, Espiritualidade e Arte” representam a importância das ciências ligadas à saúde se abrirem para temáticas que, geralmente, não fazem parte do seu rol de interesse no campo da pesquisa e mesmo da extensão». É neste contexto de grande abrangência temática, assumidas visões holísticas e mais além, que os artigos deste livro evidenciam «diferentes possibilidades para a reflexão sobre a saúde, a espiritualidade e a arte em diversas perspectivas de análise». Os artigos, que constituem esta obra, são os seguintes:

1.     Saúde e espiritualidade na perspectiva dos povos Tupi – Sassa Tupinambá

2.     Natureza Templo – Larissa Malty

3.   Se não sente, sint(r)a: caminhadas liminares na natureza (mais do que) humana – Pedro Cuiça

4.    A água enquanto fonte de cura: reflexões sobre os trabalhos corporais aquáticos e o uso artístico, terapêutico e espiritual da água – Bárbara Carolina Medeiros de Tompa

5. Conexões invisíveis: espiritualidade, saúde e arte em unidade nas culturas tradicionais – Silvia Regina Paes

6.  Vale do Jequitinhonha: interculturalidade, intersubjetivação e encantaria – Déa Trancoso

7.    Educação, Saúde e Espiritualidade: Mulheres e Homens caminhando em tempos de transição – Conceição Clarete Xavier Travalha 

8.     Amar e Vadiar – Marcos Vinícius Bortolus

9.    El Arte y el Juego: habitar otro tiempo – Diana Diez

10. Existe algo além – Luiz Eduardo Tibães

O lançamento de Saúde, Espiritualidade e Arte” constituirá uma oportunidade ímpar de conhecer a obra e conversar com os autores. Para participar basta usar o link: https://meet.google.com/mvq-ggjt-ayt. A edição em formato eBook será disponibilizada online gratuitamente, prevendo-se uma futura edição em papel.


quinta-feira, 23 de março de 2023

Tornar presente

 

© PC



Holz [madeira, lenha] é um nome antigo para Wald [floresta]. Na floresta [Holz] há caminhos que, o mais das vezes sinuosos, terminam perdendo-se, subitamente, no não-trilhado.

Chamam-se caminhos de floresta [Holzwege].

Cada um segue separado, mas na mesma floresta [Wald]. Parece muitas vezes, que um é igual ao outro.

Porém, apenas parece ser assim.

Lenhadores e guardas-florestais conhecem os caminhos. Sabem o que significa estar metido num caminho de floresta.

(p. 3)

 

“Ciência da Experiência da Consciência” reza o título que Hegel coloca no frontispício da obra aquando da publicação da Fenomenologia do Espírito no ano de 1807. A palavra experiência encontra-se no meio, em letras gordas, entre duas outras palavras. “A experiência” designa o que “a fenomenologia” é. O que pensa Hegel, ao utilizar a palavra “experiência”, realçando-a deste modo?

(p. 141)

 

O sujeito essência-se na referência de representação do objecto. Mas, enquanto esta referência, o sujeito é já a referência a si representativa. O representar [das Vorstellen] presentifica [präsentiert] o objecto, na medida em que o representifica [repräsentiert] ao sujeito, em cuja representificação [Repräsentation] o próprio sujeito se presentifica enquanto tal. A presentificação [Präsentation] é a principal característica do saber, no sentido da autoconsciência do sujeito. A presentificação é um modo essencial de presença [Präsenz] (παρονσία). Enquanto esta, quer dizer, enquanto o-estar-presente, é o ser do ente do género do sujeito. A certeza de si, enquanto o condicionado em si, é a entidade (ούσία) do sujeito. O ser subjectivo do sujeito, quer dizer, da referência sujeito-objecto, é a subjectividade [Subjektität] do sujeito. A subjectividade consiste no saber incondicionado de si. A essência do sujeito é constituída no modo do saber de si, de tal forma que o sujeito, para ser enquanto sujeito, se torna constituído apenas com essa constituição, apenas com este saber. A subjectividade do sujeito, enquanto certeza absoluta de si, é “a ciência”. O ente (τό δν) é enquanto ente (ή δν), na medida em que o é no modo de saber incondicionado de si do saber. Por isso, a apresentação que representa este ente enquanto ente, a filosofia, é ela mesma a ciência.

(pp. 159-160)

 

© PC


VER:
- Presente(AR)


LIVRO

HEIDEGGER, Martin. 2012. Caminhos de Floresta. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2ª ed..



terça-feira, 27 de setembro de 2022

A Oriente do Paraíso...

  

Pen(h)a: a Montanha do Graal.

Há poucos dias, tive o grato prazer de conduzir um grupo de americanos num percurso pedestre na mítica Montanha da Lua! Uma caminhada panorâmica, na área oriental da Serra de Sintra, com vistas esplendorosas sobre o Palácio da Pena e o Castelo dos Mouros, e que culminou numa visita de interpretação aos “jardins iniciáticos”, à capela e ao palácio da Quinta da Regaleira.

A Regaleira constitui um dos mais enigmáticos “locais” da paisagem romântica sintrense, pela sua riquíssima e diversificada simbologia, segundo alguns autores (e.g. Manuel Anes), maçónico-templária, alquímica e rosicruciana e, segundo outros (e.g. Manuel J. Gandra), com base na Ilha dos Amores, d’Os Lusíadas (1572), e na Divina Comédia (ca. 1304-1321), de Dante Alighieri. Sem dúvida, uma real-ização magnífica resultante da visão conjunta de António Augusto Carvalho Monteiro (1848-1920), o proprietário do espaço, e de Luigi Manini (1848-1936), o arquitecto e cenógrafo responsável pelas obras.

Depois de mais de duas décadas de visitas frequentes à Regaleira e do estudo de diversa bibliografia sobre essa misteriosa e intrigante “quinta”, esta tratou-se da primeira vez que efectuei uma visita-guiada, enquanto profissional, conduzindo um grupo… 

Em torno do Poço Imperfeito.


segunda-feira, 20 de julho de 2020

A(l)titude...



É a "REVOLUÇÃO" (de 'revolare’: voltar a voar) que dá asas para os voos de ver reiteradamente mais além... ainda que seja com base (ou um substancial contributo) no an-dar a pé e/ou a escalar. Porque atitude é altitude.



P.S.: Por um animismo de grande ângulo ou largo espectro (como queiram), verdadeiramente inclusivo, porque integrador, longe de parolos antropocentrismos, piores animalismos e castrantes unanimismos pretensa ou supostamente "politicamente correctos", salientamos uma singela mas profunda quadra "além-tejana" para oportuna e atempada reflexão:

«Eu ei-de amar uma pedra,
Deixar o teu coração,
Uma pedra sempre é mais firme,
Tu és falsa e sem razão.»


quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Andamos ao invés


Pedro Cuiça © Pessoa(s) no Cais do Sodré (Lisboa, 19/09/2019)

Os passeios pedestres em/por Lis-boa são, regra geral, artísticas walkscapes: escapadelas espácio-temporais nas quais damos (ou são-nos dadas) asas à/para (a) descoberta do imprevisível – descobrirmos ou sermos descobertos – na e pela arte que surge entre-ser(es)… E foi nesta interligação, com base no denominador comum da/desta (ou nesta?) Luz-boa, que fomos hoje, na partida para mais um percurso matinal, interpelados no Cais do Sodré por um artista que nos “revelou” um conjunto de ilustrações de Fernando Pessoa(s)… O resto, por-menor (maior) que não será evidentemente de somenos, fica entre nós: eu e ele (?). D’a ilustração que me foi ofertada fica acima a imagem.
Os passeios pedestres surgem pois, para nós, quasi que invariavelmente, como uma  possibilidade de fractura ou quebra do tecido cósmico, da inconsciente  rotina do dia-a-dia e/ou da consciente superficialidade alienante desse mesmo dia-a-dia. É precisamente essa fresta que permite a passagem da Luz – o fazer-se Luz – nos dias que correm; nos quais, melhor seria dizer, andamos ao invés de sermos andados.


Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

For a Walk


«A line is a dot that went for a walk.»
Paul Klee


Glen Sinclair © Walk the Line

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

LISBON WALKS

Good Light Walks, again...

Pedro Cuiça © Lisboa (7/08/2019)

Pedro Cuiça © Lisboa (7/08/2019)

Pedro Cuiça © Lisboa (7/08/2019)

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Walk Art

A paisagem surge como o tecido cósmico onde decorrem as nossas demandas, não só a pé(s) como de corpo inteiro e alma, enquanto natural expressão da nossa arte.  

© Algures da Net

O antropólogo e arqueólogo francês André Leroi-Gourhan (1911-1986) defendeu que o desenvolvimento e o progresso da humanidade surgiram não tanto do cérebro mas dos pés. Em suma, identificou o início da humanidade com o momento a partir do qual esta adquiriu uma posição bípede persistente. Do acto de estar em pé ao andar parece “de-correr” um pequeno passo mas tal não é assim tão simples. Por outro lado, do acto de andar, erguido sobre dois pés, à arte parietal paleolítica, expressa de forma sublime em diversas grutas, vai uma passada de gigante.
Uma característica notória do género Homo é, indubitavelmente, a sua capacidade técnica e, mais ainda, artística. A produção de utensílios, não sendo seu exclusivo, toma proporções invulgares e remete para as mãos, de polegar oponível, e para numerosas questões sobre o natural e o artificial, que continuam a suscitar polémica e que estão longe de consensos.

 © Algures da Net

Ainda na sequência do post anterior, sobre o intervencionismo excessivo e desadequado no terreno/paisagem, reiteramos a importância da criatividade humana, designadamente em acções de land art, entre outras formas de expressão. Com um especial enfoque, desta feita, no “singelo” acto de andar a pé enquanto forma de arte per se e que, por isso, exige uma atenção e um reconhecimento mais amplo do que aquele que lhe é vulgarmente dado. Nesse contexto, será de realçar tanto a importância dos pés quanto a do piso e a do pisoteio. Mais, os pés não progridem sozinhos nem o trajecto se cinge ao caminho de pé-posto. A marcha processa-se de corpo (inteiro) e alma, num território que não é apenas envolvente porque o artista caminheiro é parte integrante do todo. O caminheiro faz parte da paisagem e, neste contexto, não se trata tão somente de uma expressão de walk art mas também de land art. Arte efémera, é certo, mas não menos poderosa por isso: é eterna enquanto dura!…

 © DR

Não será, pois, de estranhar que a actuação do “pedestrianismo”, no domínio da criatividade e da intervenção cívicas, se tenha tornado, particularmente desde a década de 1960, uma importante ferramenta de expressão artística contemporânea. A caminhada, nesse âmbito, surge como uma actividade multifacetada que ultrapassa, em muito, a simples motricidade, da marcha bípede, para se tornar uma liberdade de expressão, não só física como mental, mormente com uma marcada componente crítica e interventiva em domínios como a ética e a estética ambientais, a ecologia profunda e a ecosofia ou até a metafísica e o sagrado. O andar surge como acto criativo e experimental, sob múltiplas roupagens e possibilidades, em solitário ou em grupo, de forma concreta e/ou metafórica.

© Algures da Net

© DR

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

É Paisagem


Albert Bierstadt - Mont Blanc (séc. XIX)

«(…) estávamos a usar as nossas pernas para atravessar a paisagem.»
Bill BRAISON (in Cuiça, 2015: 55)

«A paisagem serve para designar a espécie de pano de fundo que acompanha as nossas deambulações sobre a superfície da terra
François BÉGUIN (1995: 8)

A história da noção de paisagem revela que a palavra surgiu de início para qualificar maneiras de ver em detrimento de maneiras de fazer (BÉGUIN, 1995: 8). Até ao século XVII predominou uma ‘visão’ subjectiva da paisagem, vinculada à acepção pictórica. Foram os pintores, depois os romancistas e os geógrafos, que criaram essa noção ‘visual’ de paisagem… O termo “paisagem”, a partir do século XIX, começa a ser utilizado pelos geógrafos, de um ponto de vista essencialmente geomorfológico e, posteriormente, também tendo em conta a componente antrópica na sua modelação. Nada de surpreendente tendo em conta que a maior parte das paisagens europeias foram construídas, são o resultado de uma longa história de intervenção humana, para além de uma muitíssimo mais longa história geológica. No século XX destaca-se o surgimento da abordagem holística da paisagem, iniciada por J. C. Smuts – autor de Holismo e Evolução (1926) –, tal como o surgimento da perspectiva ecológica e ecosófica. Neste contexto extremamente simplificado, já que ignora as concepções que sobre a matéria terão tido os humanos na Idade Média – a também designada “Idade das Trevas” (!) – e em épocas ainda mais recuadas, que se perdem na noite dos tempos (!!), facilmente se constata diferentes formas de entender/vivenciar a paisagem.

Nicholas Roerich - Mount of Five Treasures (1933)


MONTANHAS DA MENTE
No que concerne a mudanças radicais de entender/vivenciar paisagens destacamos a profunda mudança de paradigma na forma de “ver” a alta-montanha. Na segunda metade do século XVII começou a generalizar-se o sentimento do esplendor e beleza das paisagens montanhosas. Antes desse século, as montanhas eram consideradas esteticamente repelentes: excrescências, verrugas da terra, “desertos” e até mesmo – com as suas cristas labiais e vales vaginais – ‘partes pudendas da natureza’, habitats do sobrenatural, do hostil e de um bestiário a condizer (MAcFARLANE, 2004: 18). A maior parte das pessoas no final do século XVIII não gostava da natureza selvagem (wilderness) e, nesse contexto, também da alta-montanha. Somente no século XIX é que se generalizou a forma de ver “a beleza da(s) montanha(s)”, a par do interesse científico pela alta-montanha. Num período de três séculos ocorreu, portanto, uma tremenda revolução da percepção em relação às montanhas. Fenómeno que leva a questionar se quando olhamos uma paisagem vemos o que realmente lá está ou aquilo que sentimos/pensamos lá estar? O que chamamos “montanha” será uma conjunção do mundo físico com a imaginação dos humanos: na verdade, uma “montanha da mente” na feliz expressão de Robert MacFarlane (2004: 19).
Por último, não poderemos deixar de mencionar, no que concerne a esta mudança de paradigma, a genialidade pioneira de Leonardo da Vinci (1452-1519). Desde logo, o interesse científico que o levou a ascender diversas montanhas, designadamente, em 1511 ou 1516, o monte Bô (2556 m), para ver em primeira mão e “ao vivo” como era, de facto, esse meio. Interesse que, inevitavelmente, também era de cariz artístico: «se sabe que aquel genio admiró y sintió en su más profundo ser la belleza clásica de las montañas» (FAUS, 2003: 48). Leonardo ficou certamente impressionado pela forte luminosidade da montanha, pelo «potente azul del cielo, comparándolo con el de las gencianas» (ibidem: 47). Nesse contexto, «en sus pinturas dejará de vez en cuando que los Alpes figuraran como fondo» (ibidem), como no famoso quadro da Mona Lisa ou Gioconda, algo perfeitamente inovador não só em termos pictóricos como também conceptuais. Da Vinci, que abriu os olhos da humanidade para inúmeras inovações, contribuiu também para a descoberta da beleza da montanha.

Leonardo da Vinci - Mona Lisa, La Gioconda (1503-1506?)


Leonardo da Vinci - Santa Ana, a Virgem e o Menino (1510-1513)


GESTÃO COM BASE NA PAISAGEM
Para aqueles que praticam actividades de ar livre, ademais numa postura de ir ao encontro da Natureza, as três concepções da paisagem apresentadas acima, numa abordagem histórica, podem ser vivenciadas simultaneamente, aqui e agora, sob três perspectivas distintas mas, contudo, complementares: (1) estética, (2) científica e (3) ecosófica.
A primeira perspectiva centra-se nas emoções e nos sentimentos resultantes da paisagem: beleza, imensidão, pitoresco, etc.. Salienta-se, neste contexto, a apreensão das formas, cores e sons, da própria luminosidade e sombras, os estados transitórios dos dias e das estações, tal como as aspirações e inspirações individuais, como elementos indutores susceptíveis de contribuir para a revelação das paisagens (BÉGUIN, 1995: 24).
A segunda explora as realidades abióticas, bióticas e antrópicas de que a paisagem é a expressão conjunta, diremos nós que de modo predominantemente geográfico (melhor seria dizer “científico”). As “paisagens científicas” surgem, desta forma, como fisionomias que agrupam os traços e elementos mais característicos de uma região: o seu relevo, as litologias presentes, as linhas de água, o coberto vegetal, a fauna característica, a arquitectura popular, as estradas e caminhos, etc..
A terceira centra-se na leitura e interpretação das condições do meio e nas suas implicações a nível da tomada de decisões no que concerne à gestão de actividades no terreno. Cada área apresenta condições do terreno (paisagem exterior), variáveis ao longo dos dias e das estações do ano, que devem ser convenientemente interpretadas e geridas, com implicações a nível da tomada de decisões, no decurso de actividades, por parte dos envolvidos. Esta terceira abordagem – ecosófica (e que, por isso, se pretende holística) – baseia-se, como as anteriores, no “ver” (na visualização e/ou na leitura/interpretação da paisagem), mas privilegia o fazer (que decisões tomar a partir dessa “visualização” e/ou leitura/interpretação). A título de exemplo destacamos a leitura e a interpretação das “paisagens celestes” (no que concerne à meteorologia) e as suas implicações a nível da gestão de actividades no terreno.
A utilização prática destas três perspectivas de sentir/conhecer/analisar as paisagens, no âmbito da gestão de actividades de ar livre no terreno, deve decorrer em simultâneo, sem prejuízo de dar, em determinadas ocasiões, um especial relevo ou enfoque a uma ou duas delas. Por outro lado, a sequência de abordagem dessas perspectivas não tem necessariamente de decorrer na sequência histórica apresentada, ademais quando é sugerido que se processem em simultâneo ou seja conveniente invertê-la.
Na verdade, para quem esteja a iniciar-se na gestão concreta de actividades de ar livre e/ou tenha problemas de integrar as três perspectivas em simultâneo, no terreno, é preferível inverter a sequência histórica apresentada e começar precisamente pela abordagem ecosófica. Tendo em conta a pirâmide de necessidades de Maslow, é fundamental dar atenção às necessidades basilares – fisiológicas e de segurança – e, só depois, avançar rumo ao topo. Neste contexto, começa-se por estar atento à designada “paisagem ecosófica”, indissociável de uma abordagem prática (mormente técnica) de como fazer, focada numa percepção holística, tendo por base a satisfação das necessidades fisiológicas e a segurança dos envolvidos. Só depois se dará eventualmente importância à denominada “paisagem dos geógrafos”, assente numa abordagem científica, com vista a proporcionar aos envolvidos uma satisfação intelectual mediante a transmissão de um conjunto atractivo de conhecimentos sobre o meio envolvente. Por último, deverá ser dada uma particular atenção à chamada “paisagem dos artistas”, ancorada numa abordagem estética, com vista a atingir um amplo bem-estar e realização dos envolvidos, podendo mesmo ser atingidos estados elevados de satisfação e de maravilhamento. O factor humano, designadamente nos seus aspectos emocionais e intimistas (que poderemos designar por “paisagens interiores”), surge, portanto, como uma variável central e centralizadora que deve ser trabalhada desde o início até ao final de todas as actividades, e desde a base até ao topo da pirâmide de Maslow. Só nesse contexto é que será possível atingir uma percepção e gestão paisagística integral e integradora indissociável dos sentidos: não só a visão como também a audição, o olfacto, o tacto e o paladar.

PIRÂMIDE DE MASLOW


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
· AA.VV.. Manual de Monitores de Pedestrianismo. Lisboa: Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, 2001, pp. 136. ISBN 978-989-20-0564-5
· BÉGUIN, François. Le Paysage. Paris: Flammarion, 1995, pp. 128. ISBN 2-08-035401-9
· CUIÇA, Pedro. Passo a Passo – Manual de Caminhada e Trekking. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2015, pp. 312. ISBN 978-989-626-721-6
· CUIÇA, Pedro. Guia de Montanha – Manual Técnico de Montanha I. Lisboa: Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal/Campo Base, 2010, pp. 224, ISBN 978-989-96647-1-5
· FAUS, Agustín. Historia del Alpinismo – Montañas y Hombres: Hasta los albores del siglo XX. Cuarte: Barrabés Editorial, vol. I, 2003, pp. 304.
· FERREIRA, Conceição Coelho & SIMÕES, Natércia Neves. A Evolução do pensamento Geográfico. Lisboa: Gradiva, 1986, pp. 142.
· LEOPOLD, Aldo. Pensar Como Uma Montanha. Águas Santas: Edições Sempre-em-Pé, 2008, pp. 220. ISBN 978-972-8870-10-2
· MAcFARLANE, Robert. Mountains of the Mind – A History of a Fascination. London: Granta Books, 2004, pp. 308
· NICOD, Jean. Pays et Paysages du Calcaire. Paris: Presses Universitaires de France, 1972, pp. 244.
· SERRÃO, Adriana Veríssimo et al.. Filosofia e Arquitectura da Paisagem – Um Manual. Lisboa: Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, 2012, pp. 382. ISBN 978-989-8553-12-6
· SILVANO, Filomena. Antropologia do Espaço. Lisboa: Assírio & Alvim, 2010, pp. 112. ISBN 978-972-37-1534-7

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Praktognosia


The body, in general, can be seen as a dispositif, such as, in particular, the pendulum movement of the legs!…

© algures na Net

«“Dispositif” derives from the Latin “disponere”, “dispositum”, “dispositio”, and all of these terms refer to a sence of placement and ordaining. A dispositif implies a series of orders, of things that can or cannot be done. Regardless of rigourous comprehensiveness, we may say that a dispositif defines what a bio-political body can do.
A dispositif thus ties knowledge and power. Gilles Deleuze (1988), in reference to his friend Foucault´s work, has put the emphasis on how the Subject is the output of this tie (…), that is, on how the dispositif is tantamount to a process  of subjectivation. This way, a peculiar definition of Subject comes out: it results from a dispositif defined by that which can or cannot be done. Foucault, on speaking about-biopolitcs, underscored how dispositifs are able to be aplied on bodies, actually speaking about neoliberal orthopedics (…). This way, we are in front of a conception of the Subject and knowledge that is opposite to the classical model, according to which the Subject is mere conciousness while knowledge amounts to determining what a body objectively is.Though the dispositif, new light can be shed on the mind-body, Subject-object relation.
This Foucauldian perspective – akin to a post-structuralist take on the matter – mind and body, Subject and object do not constitute an antithesis. Conciousness thus is not the expression of a transcendental Subject, concious of itself and the world around it; instead, consciousness amounts to all that a body has learned – one could say, experience protocols (…). In this view, the body is not the noematic correlative of consciousness, a mere object, but instead it is everything that can be done with respect to these protocols. A body therefore is not a thing but a potency.
[DE FAZIO & LÉVANO, 2019: 23-24]

«Praktognosia is a portmanteau built by “praxis” (action) and “gnosis” (knowledge), and it stands for the strong tie between knowing and doing. This tie is double: it indicates knowledge of ways of doing, through it’s not just a preliminar kind of knowledge placed immediately before action; this would lead to suppose that there is a knowing Subject that can know independently from his own doing, thus returning to the Subject-object distintion. In order to avoid this difficulty, which would lead to subjectivism, there is another aspect of praktognosia: to do is to know already, from the very outset. Doing and knowing are the same thing, for both of them determine the structure of the world understood as an environment, at the same time known and done: the sense of this is that the relation between the body and the environment runs back and forth.»
[DE FAZIO & LÉVANO, 2019: 26]

«Plus, praktognosia also has to do with negativity, which allegedly constitutes its most interesting aspect: a body learns only if it is manages to create anomalies. This notion stands out in Merleau-Ponty’s lectures on nature, delivered at the Collège de France by the end of the 1950’s; like Canguilhem, he defines the body as a fluctuation with respect to given norms (…) in order to highlight its plasticity and its resistance to any kind of pre-established principle. This fluctuation takes place as the stochastic (dynamic) unity of experience protocols that define the feature of having a body.
It could be argued that Foucault dealt with the dynamic feature of these protocols in terms of governamentally, that is, in terms of the management of anomalies and abnormal individuals (…). But since there is no such thing as correct bodies, power (as in controlling the system’s anomalies) is obliged to enforce the orthopedics of bodies by instituting models of usage that go hand in hand with bio-political aspects of knowledge (…). However, this resistance may become a line of flight, through the proper understanding of bodies as holders of praktognosia
[DE FAZIO & LÉVANO, 2019: 27]

© algures na Net

BIBLIOGRAPHIC REFERENCE
DE FAZIO, Gianluca & LÉVANO, Paulo F.. Praktognosia: ecosophical remarques on Having a body

Como uma Montanha

As inscriçõ es na p róxima edição da Palestra da Ética , a decorrer no dia 17 de setembro, abriram hoje. O tema, desta feita, é sobre "...