Como
já é tradição, hoje de manhã fui passear à Feira do Livro de Lisboa. Gosto de deambular
no Parque Eduardo Sétimo e como ainda sofro de uma certa “bibliofagia”,
confesso que aprecio caminhar entre livros, se assim me poderei expressar, juntei o útil ao agradável. No entanto, ando mais seletivo e o objetivo de hoje era
mesmo andar a pé e comprar o livro “O Passeio”, de Robert Walser, acabadinho de
ser publicado, com a chancela da Antígona (Junho de 2026).
Quando cheguei ao “stand” da Antígona pedi o “Passeio”, tendo sido informado que não havia nenhum exemplar: um senhor terá comprado, ontem, uns 10 livros e novos exemplares só chegariam hoje à tarde ou amanhã. Fui assolado por uma espécie de “enorme vazio”, afinal tinha ido à feira do livro fundamentalmente para comprar o livro de Robert Walser e… nada! O rapaz da Antígona, não sei se terá tido pena de mim e/ou se teve uma lembrança de última hora, que, após escassos minutos de eu estar a olhar para os livros expostos, me disse ter ainda um último exemplar. Fiquei, sem dúvida, radiante… Recomendo vivamente a sua leitura e deixo aqui um primeiro passo, para abrir o apetite.
«Passear»,
disse eu, em resposta, «é algo que tenho imperativamente de fazer, para me
revigorar e para preservar a ligação com o mundo vivo, sem a sensação do qual
não seria capaz de escrever metade de uma letra que fosse, nem compor o mais
ínfimo poema em verso ou em prosa.
Walser,
Robert. 2026. O Passeio. Lisboa: Antígona, p. 72.

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