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quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Revisitação Montserratina

 

Carta topográfica 1/10000 da Serra de Montserrat.


O regresso a Montserrat (Catalunha) traduz-se, invariavelmente, numa grata satisfação e, desta feita, não foi excepção. A Assembleia-Geral da ERA – European Hiking Federation realizou-se este ano, de 3 a 6 de outubro, nas instalações anexas ao Mosteiro de Montserrat, com excursões pedestres na serra e nas imediações desta, numa organização da FEEC – Federació d’Entitats Excursionistes de Catalunya. Foi neste contexto que decidi chegar três dias antes deste evento europeu, para aproveitar a oportunidade de "juntar o útil ao agradável" e fazer algumas actividades nessas montanhas ímpares. Tinha combinado, há já bastante tempo, a escalada da via normal do Cavall Bernat (V+, 60m), com um companheiro catalão, mas devido a compromissos da sua parte, esta actividade tão desejada não se concretizou. Não foi desta que subi o Cavall Bernat, mas voltarei certamente à carga…







Essa imprevista adversidade não impediu, todavia, que aproveitasse da melhor forma os três dias que tive disponíveis e que se traduziram na realização de percursos pedestres de grande qualidade, desde logo paisagística. Tal como na minha primeira experiência nessas paragens, nos idos anos 90 do século passado, voltei aos percursos em solitário, tendo palmilhado velhos trilhos já conhecidos e descoberto novos revigorantes itinerários. Esta serra é, sem dúvida, verdadeiramente inspiradora e mágica. Ou mística? Como se queira ou possa… Uma possibilidade inquestionável de (re)conexão intimista com a natureza e consigo próprio. Nesses dias tive o privilégio de ficar alojado no sóbrio albergue Abat Oliba e de ter por companhia o livro Regreso a la Naturaleza – Cómo amar la vida y preservarla, de Chris Packham e Megan McCubbin.



Montserrat será sempre uma geografia a revisitar...


sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Vem subir o Pico



Pedro Cuiça © Montanha do Pico (08/06/2019)

Pedro Cuiça © Montanha do Pico (08/062019)


«O Pico é a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ela pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção. É mais do que uma ilha – é uma estátua erguida até ao céu e moldada pelo fogo (…).»
Raúl Brandão in As Ilhas Desconhecidas (1926)

No próximo mês de Maio vamos regressar à Ilha Montanha para mais uma intensa, e certamente enriquecedora, aventura. Percorrer, pé-ante-pé, alguns dos mais belos caminhos pedestres dos Açores, através das contrastantes paisagens de lavas negras e bagacinas sépias, das diversas tonalidades da floresta sempre verde e do forte azul profundo do oceano circundante. Conhecer a história, a arquitectura tradicional e a gastronomia picarotas. Atingir o topo do Piquinho, que culmina a mais alta montanha de Portugal (2351 m), num dia invariavelmente marcante e pleno de vivências. Numa organização com a excelência e a qualidade Naturthoughts, com guias de montanha devidamente titulados. 
Vem subir o Pico connosco. Não percas esta aventura, inscreve-te já.





quarta-feira, 12 de junho de 2019

Pico Natur...


Pedro Cuiça © Montanha do Pico (8/06/2019)

O lançamento do programa Pico Naturthoughts, que decorreu de 7 a 10 de Junho, foi um sucesso em toda a linha. No primeiro dia os participantes desfrutaram os intensos contrastes cromáticos da aparatosa Paisagem Protegida da Cultura da Vinha, classificada como Património da Humanidade pela UNESCO, num agradável passeio de final de tarde.  A forte negritude das rochas, os cambiantes de verde dos vinhedos, e sobretudo das endémicas urzes (Erica azorica), e as diferentes tonalidades do azul do mar e do céu não deixaram ninguém indiferente. O trajecto empreendido trata-se de uma variante original, com a chancela Naturthoughts, do PR5PIC – Vinhas da Criação Velha que foi distinguido, em 2010, pela BootsnAll como sendo um dos trilhos mais singulares do mundo. O extenso reticulado de muros de pedra solta, os maroiços geralmente atribuídos à despedrega dos solos e que alguns remontam a ancestral povoamento da ilha (anterior à chegada dos portugueses), o Moinho do Frade, as azenhas ou os poços de maré contribuem indubitavelmente para a excelência desta opção pedestre.
No segundo dia decorreu a magnífica e exigente subida à montanha do Pico, premiada por um tempo de feição que presenteou os participantes com amplas panorâmicas sobre o oceano circundante. A espetacularidade dos vastos horizontes, a 360 graus, que o cume do Piquinho proporciona àqueles que atingem a maior altitude de Portugal (2351 m), em dias de boa visibilidade (como foi o caso), traduz-se no avistamento de todas as ilhas do Grupo Central: Pico, Faial, Graciosa, São Jorge e Terceira. Mas a excepcionalidade da experiência também se encontra na beleza intrínseca da montanha, desde logo nas diferentes perspectivas das vertentes, da cratera e do Piquinho, na dinâmica das nuvens e dos ventos, nas peculiaridades das escoadas lávicas e das rochas piroclásticas, tal como no coberto vegetal –  de que destacamos o pontilhado vermelho do endémico Queiró (Daboecia azorica) ou a verde subtileza do Tomilho Selvagem (Thymus caespititius) –, sem olvidar o canto reiterado dos melros de altitude (Turdus merula azorensis). E, claro está, também não será possível ignorar a marcante componente humana inerente à subida e à descida da montanha, designadamente os laços de companheirismo e de amizade moldados por essa experiência “para a vida”.
O percurso pedestre do terceiro dia retorna à contrastada paleta de cores do litoral picaroto e da cultura da vinha mas, desta feita, no lado setentrional da ilha. O trajecto, que faz parte do PR1PIC – Caminhos de Santa Luzia, trata-se também de uma proposta Naturthoughts que começa por seguir ao longo da costa, entre as povoações de Cachorro e Lajido, para depois rumar ao interior da Ilha Montanha por ancestrais caminhos de grande beleza. No trajecto até Santa Luzia destaca-se o velho carreteiro sulcado pelas designadas “relheiras”: rastos na rocha lávica dos rodados das carroças que faziam o transporte de produtos da videira. O percurso, depois de ultrapassada a povoação, adentra-se num exemplo daquilo que era o coberto vegetal original da ilha: a Laurissilva ou Floresta Sempre Verde. Esta floresta húmida subtropical, típica das ilhas da Macaronésia, surge representada, neste troço circular do percurso, predominantemente por Urze (Erica azorica), Pitósporo (Pittosporum undulatum) e Pau-branco (Picconia azorica), entre outras árvores e espécies de porte arbóreo. Rumo ao interior – a sul – o elemento que se destaca na paisagem é invariavelmente a montanha do Pico, no regresso à costa – a norte – salienta-se o oceano e a ilha de São Jorge.
Este que é essencialmente um programa de Desporto de Natureza, assente na prática de pedestrianismo e de montanhismo, envolve igualmente uma importante componente de interpretação e vivência do diversificado património picaroto: geologia, flora e fauna, história, tradições e costumes, entre outras interessantes facetas da Ilha Montanha; sem esquecer retemperadores momentos de lazer, com particular destaque para a gastronomia. E isto tudo enquadrado por guias com formação académica na área das Ciências do Ambiente, da Terra e da Vida, e detentores de Título Profissional de Treinador de Desporto (TPTD) em Montanhismo e em Pedestrianismo. A segunda edição do programa Pico Naturthoughts já está na calha e as datas serão anunciadas em breve.


Pedro Cuiça © Percurso da Criação Velha (7/06/2019)


Pedro Cuiça © Montanha do Pico (8/06/2019)


Pedro Cuiça © Montanha do Pico (8/06/2019)


Pedro Cuiça © Montanha do Pico (8/06/2019)


Pedro Cuiça © Percurso de Santa Luzia (9/06/2019)


Pedro Cuiça © Percurso de Santa Luzia (9/06/2019)

Pedro Cuiça © Percurso de Santa Luzia (9/06/2019)

Pedro Cuiça © Percurso de Santa Luzia (9/06/2019)



Os derradeiros Passo a Passo

  O livro Passo a Passo – Manual de Caminhada e Trekking (A Esfera dos Livros, 2015) vai ser descontinuado e descatalogado e, por isso, dei...