quarta-feira, 16 de outubro de 2019

MEDI(es)TAR


MEDI(es)TAR... E ANDAR EM SILÊNCIO

Pedro Cuiça © Plenilúnio Matinal  (Península de Lisboa, 16 de Outubro de 2019)

Há dias e dias. E por muito que possa parecer, sendo que na verdade não parece (e muito menos é), nem sempre são iguais. Tenho por hábito andar todas as manhãs no processo de mobilidade, digamos ecológico (?), que me conduz até ao local de trabalho, quando “estou de escritório”, e que consiste num sistema misto: comboio e locomoção bípede. Poderia utilizar o Metro ou outro meio de transporte, mas prefiro, regra geral, andar a pé.
Tal como no comboio aproveito geralmente para ler, sendo que há dias que não o faço (espraiando a vista sobre o Tejo ou entretendo-me na observação do entorno), também tenho por hábito empreender criativas e variadas caminhadas em Lisboa (a que carinhosamente apelido de Lisbon Walks, vá-se lá saber porquê!) que, para além de me conduzirem ao local de trabalho, constituem invariavelmente uma forma excepcional de descoberta e de ligação à cidade (e, curiosa e simultaneamente, a mim próprio). Ora hoje, para variar, quando saí do comboio continuei a leitura de um pequeno livro, que iniciei no começo da viagem, de olhos postos no mesmo (alheio à cidade), numa espécie de peripatético diálogo silencioso entre o autor e os pensamentos que a leitura me foi suscitando, passo-a-passo, num ritmo de marcha mais lento do que é costume. Sobre esta (ou nesta) espécie de “meditação silenciosa”, de hoje, destaco (melhor seria dizer, destaquei), para além do plenilúnio matinal que precedeu a leitura e as cogitações resultantes, o seguinte trecho:

«Se imaginarmos que a civilização sempre tentou que o ser humano fosse aliviado dos seus esforços físicos, é irónico que depois se sinta obrigado a fazê-los. Escrevi certa vez: «Passamos o tempo a criar coisas para não nos mexermos, carros para não termos de andar, controlos remotos para não nos levantarmos do sofá, e depois pagamos um ginásio. Pagamos porque criamos utensílios que nos permitem evitar actividades físicas. Usamos o elevador, vamos de carro para o trabalho, lugar onde, durante oito horas, suamos para não ter de fazer qualquer actividade física. E é exactamente por isso, devido a essa extrema sedentarização, que nos vemos obrigados a mexer-nos. Para isso, basta pagar por uma coisa que evitamos a todo o custo e pela qual trabalhamos tantas horas diárias durante tantos anos: esforço físico. Passar essas oito horas diárias num escritório acinzentado, sentados, e ainda pagar para fazer exercício físico é uma excelente parábola da vida moderna.»
O esforço físico é levado por vezes ao extremo e chega ao ponto de dar sentido à vida. Mostrar os abdómens definidos passou a ser uma maneira de vencer os defeitos da sedentarização. Mas nem tudo é mau na sedentarização, e o pensamento que, sem temperança, nos faz baloiçar entre um extremo e outro acaba por ser risível.
Imaginemos:
Para quem não gosta de correr e de um estilo de vida saudável, arranjei um espaço em que as pessoas não podem correr, não se podem deslocar senão devagar e não mais do que uns metros quadrados, só podem comer fast food e beber cerveja. Chama-se bar. Curiosamente é um lugar onde podem conversar, rir, namorar, enquanto outros suam, bebem água e usam roupas de licra.
Há lugares tão pouco saudáveis que podem fazer-nos sentar. Eu sei que muitos de nós passam parte da vida sentados. Mas isto é um sentar diferente, com qualidade. Essa qualidade vê-se simplesmente pelo facto de muitas vezes ser acompanhada por cerveja, amendoins, tremoços e uma boa conversa. Podia estar a correr? Podia. Mas sentado é mais fácil falar com a Maria João e apaixonar-me por ela e mais tarde viver com ela. Sei que poderemos um dia correr juntos, comer saladas de países exóticos, superfrutas, chia, trigo-sarraceno, bagas milagrosas, mas é sempre bom lembrar que essa vida saudável nasceu de uma vida muito pouco saudável: sentarmo-nos a conversar. Porque agora o que fazemos é, depois, de uma corrida, sentarmo-nos juntos a meditar em silêncio.» [CRUZ, 2019: 37-38]

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CRUZ, Afonso. O macaco bêbedo foi à ópera. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2019, pp. 80. ISBN978-989-8943-58-3

sábado, 12 de outubro de 2019

Jornadas Nacionais




As XIV Jornadas Técnicas de Pedestrianismo estão a decorrer, hoje e amanhã, em Murça. Os trabalhos do dia de hoje consistem na apresentação de um importante conjunto de prelecções distribuídas por três painéis temáticos: (1) Pedestrianismo e Segurança, (2) Percursos Pedestres como factor de desenvolvimento de territórios e (3) Portal FCMP/Turismo de Portugal e Portal FEDME. No dia de amanhã será percorrido parte do PR3 de Murça, como exemplo prático de uma nova forma de implementação de percursos pedestres com especial enfoque na segurança.

PROGRAMA

12 de Outubro
9.00-9.30: Recepção dos participantes
9.30-10.00: Abertura das Jornadas Nacionais de Pedestrianismo
· Mário Artur Lopes – Presidente do Município de Murça
· Artur Cascarejo – Director do Parque Natural Regional do Vale do Tua
· João Gonçalves – Presidente da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua
· Paulo Sousa – Vice-Presidente da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal
10.00-10.30: Pausa para café
10.30-12.00: Painel I – Pedestrianismo e Segurança
· Moderador: Pedro Cuiça – Director Técnico de Montanha da FCMP
· Domingos Pires (Naturthoughts): Procedimentos de segurança no planeamento e implementação de Percursos Pedestres Homologados
· Carlos Alves (CDOS do Porto): A coordenação nas operações de socorro
· Nilton Teixeira (Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro da GNR): Operações de Busca e Resgate
· Jorge Eiras (Professor Universitário Especialista em Avaliação de Riscos Associados a Actividades de Montanha): Riscos Associados ao Pedestrianismo
12.30-14.00: Almoço livre
14.00-15.30: Painel II – Percursos Pedestres como factor de desenvolvimento de territórios
· Moderador: Helena Fidalgo – Jornalista da Lusa, Agência de Notícias de Portugal, SA
· Artur cascarejo (Director do PNRVT): Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT) – Rede de Percursos Pedestres do PNRVT e o Tua Walking Festival
· António Luís Marques (Presidente do Município de Murça): Município de Murça – Percursos pedestres e a valorização e promoção do território
· João Carlos Farinha (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas): Natural.PT, distinguir e promover o que nos diferencia – uma rede de percursos nas áreas protegidas do Alentejo
· Ricardo Correia (Escola Superior de Comunicação, Administração e Turismo de Mirandela): Marketing Territorial
15.30-16.00: Pausa para café
16.00-17.30: Painel III – Portal da FCMP/Turismo de Portugal e Portal da FEDME
· Moderador: Ana Fragoso – Conteúdo Chave
· José Mendes (CEO IdTour) – O Portal da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal
· Antonio Turmo (Director de Pedestrianismo da Federação Espanhola de Desportos de Montanha e Escalada): O Portal da Federação Espanhola de Desportos de Montanha e Escalada


Pedro Cuiça © Jornadas Nacionais de Pedestrianismo  (Murça, 12 de Outubro de 2019)

Pedro Cuiça © Jornadas Nacionais de Pedestrianismo  (Murça, 12 de Outubro de 2019)

Pedro Cuiça © Jornadas Nacionais de Pedestrianismo  (Murça, 12 de Outubro de 2019)

13 de Outubro
9.00-9.15: Recepção dos participantes
9.15-12.30: Passeio pedestre
12.30-14.30: Almoço de encerramento

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Gestão Ambiental



Na sequência da palestra que apresentei, no dia 17 de Maio, em Lisboa, sobre Gestão Ambiental (d)e Percursos Pedestres, no âmbito da iniciativa mensal Palestras da Montanha, organizada pelo Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal/Escola Nacional de Montanhismo (CF-FCMP/ENM), irei voltar à temática em causa nas Jornadas Técnicas de Desportos de Montanha que se realizarão, nos dias 9 e 10 de Novembro, em Montalegre. Desta feita, trata-se de uma comunicação sob o título Gestão Ambiental (d)e Percursos Pedestres – Enquadramento Conceptual, Teorias e Práticas, inserida no Painel I – Desporto, Turismo e Ambiente, que está agendado, para sábado de manhã, no Auditório do Ecomuseu de Barroso. No domingo de manhã, será aprofundada essa temática através de um workshop sobre Gestão Ambiental (d)e Percursos Pedestres: Paisagens e Territórios – Prática de Campo, onde iremos experimentar diversas abordagens no terreno, com um especial foco na leitura e interpretação da paisagem, na envolvente da aldeia de Paredes do Rio, e suas implicações no que concerne à prática de pedestrianismo e/ou implementação de percursos pedestres.
A prática de pedestrianismo – tal como, por maioria de razões, o desenho, a implementação e a imprescindível manutenção de percursos pedestres, designadamente de Pequenas Rotas e de Grandes Rotas – não deve estar alheada de questões essenciais no âmbito da gestão ambiental. O desempenho adequado das funções de Treinador de Pedestrianismo, tal como as inerentes aos Técnicos de Percursos Pedestres e outros especialistas na área, aporta responsabilidades acrescidas em relação aos simples praticantes, devendo necessariamente integrar estratégias e metodologias de gestão ambiental conformes ao estado da arte.
A gestão ambiental é algo que está em permanente evolução e, nesse particular, a realidade quando apresentámos Pedestrianismo e Percursos Pedestres em Portugal – A aventura da sustentabilidade, no Seminario Internacional sobre Senderismo, que decorreu em Málaga, de 5 a 7 de Junho de 2008, organizado sob os auspícios da federação europeia, era significativamente diferente da actual. Um exemplo bem expressivo dessa evolução será, sem dúvida, o fenómeno dos Passadiços do Paiva que, inaugurados em 2015, era algo perfeitamente desconhecido em Portugal (nesses moldes, entenda-se) e, portanto, sem significado em 2008. É precisamente neste contexto evolutivo que iremos abordar a gestão ambiental do pedestrianismo e dos percursos pedestres, sem esquecer a história mas com um particular enfoque no futuro, sem ignorar as componentes turística e desportiva mas com uma especial atenção à componente ambiental.
Os passadiços do Paiva avaliam, internamente, a sua qualidade de funcionamento através do número anual de pessoas que os visitam, e que aderem às actividades oferecidas (Marques et al., 2018: 193). Numa perspectiva meramente económica surgem como uma espécie de “galinha dos ovos d’ouro”, replicada em outras áreas curiosamente sem os resultados desejados! Numa perspectiva “ecológica” são vistos ou “vendidos” como um equipamento de educação ambiental mas que não recolhe, de todo, o consenso a esse nível, sendo inclusivamente criticados por associações ambientalistas como o FAPAS. A nossa abordagem irá passar por “pesadas” infra-estruturas como os passadiços mas também irá percorrer certamente trajectos “desmaterializados” no terreno e cujos impactes ambientais negativos se pretendem e perspectivem (ultra)leves.

Pedro Cuiça © Passadiço de protecção do coberto vegetal face ao pisoteio  (Bélgica, 2007)


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Marques et al., Margarida Correia. Equipamentos para a Educação Ambiental – Um Caminho de Sustentabilidade no Interior Norte e Centro de Portugal Continental. Vila Real: Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, 2018, pp. 228. ISBN 978-989-704-358-1

Fez-se Luz


FEZ-SE LUZ(es) EM MONTSERRAT

Jm Balanayà Fort © Montserrat (1 de Outubro de 2019)

DR © Montserrat (1 de Outubro de 2019)

O alpinista Jordi Pons Sanjines, de que tenho o grato privilégio de ser amigo, foi, com os seus 86 anos de idade, o mais veterano dos mais de 500 escaladores que, na madrugada de 1 de Outubro, iluminaram 131 agulhas de Montserrat, numa fantástica iniciativa denominada LLUM I LLIBERTAT. Não iremos pronunciar-nos sobre os fins assumidamente independentistas desta iniciativa, mas não poderemos ficar indiferentes ou deixar passar em branco este evento extraordinariamente impactante, cujo clarão se estende até hoje… Não há memória dessa imponente serrania surgir iluminada em todo o seu perfil, como se uma centena de estrelas d’alva tivessem pousado nas cumeadas da Catalunya.





segunda-feira, 7 de outubro de 2019

L'ultimo


ULURU: l’ULTIMO ASSALTO


Dal 26 ottobre sarà proibito scalare Uluru, il famoso monolito australiano conosciuto in passato come Ayers Rock. La data comemora il 34º anniversario della restituzione della diritti sulla terra al popolo Anangu, che considera la montagna sacra e interpreta le sue curiose forme come tracce lasciate da esseri ancestral durante l’epoca di creazione detta tjukurpa, liberamente traducibile in “era del sogno”. Da anni un cartello all’inizio dell’ascesa prega di evitare la salita, ilustrando le credenze locali e i rischi dovuti al terreno ripido e roccioso – com una vecchia catena come única protezione –, ai colpi di calore e ai malori di vario tipo; l’invito a rinunciare alla scalata era largamente accolto, tanto che nel 2010 soltanto un visitatore su cinque l’affrontava. Ma l’avvicinarsi dell’entrata in vigore del divieto, annunciata un paio di anni fa, ha indotto una frenética corsa all’”ultima salita”, con il numero di scalatori più che raddoppiato (fino a più di 500 al giorno) e il conseguente aumento dei problemi di sicurezza e anche ambientali, perche sull’intera montagna non esistono servizi igienici né cestini per i rifiuti e ai suoi piedi è diffuso, benché vietato, il campeggio libero. A indignare gli Anagu è anche il comportamento di alcuni turisti che, sospinti dall’attimo di vanagloria esibizionista regalato dai social network, ritengono spiritoso condividere immaginari e filmati di ogni genere, da quello del campione sportivo che gioca a golf sulla gobba di Uluru alla porno star che ha improvvisato uno spogliarello extemporâneo, seguita da numerosi imitatori. Tutto questo a breve cesserà, la catena e i suoi ancoraggi saranno rimossi e ogni segno di presenza umana sarà cancellato dal possente monólito, restituito ai suoi abitatori animali e alla sua ancestrale sacralità.

Mario Vianelli
in Montagne360 – La revista del Club alpino italiano (nº 85, outubro de 2019, p. 9)



Pintura: Ray Partridge  © "Uluru - Ceremonial Treks"
Foto: Pedro Cuiça © Messner Mountain Museum Firmian (Tirol do Sul, 14/ Out. 2016)

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Mountain Wilderness


30 Anys en Defensa de l’Alta Muntanya
Mountain Wilderness Catalunya


L’associació Mountain Wilderness Catalunya va néixer fa trenta anys en el si de la FEEC com a secció de Mountain Wilderness Internacional. Els seus membres afirmen que és tret distintiu d’una societat la manera com aquesta cuida les seves muntaanyes. Amb aquesta divisa, durant tres dècades MWC há desenvolupat actuacions espectaculars i meritòries en defesa de l’alta muntanya.

ELS ORÍGENS
Era el juny de 1989 quan un grup de muntanyecs de casa nostra, liderats per Jordi Pons, es van reunir a la FEEC per anunciar la fundació de Mountain Wilderness Catalunya com a secció de Mountain Wilderness Internacional. MWI havia nascut l’any 1987 a Biella (Itàlia) sota l’auspici dels prncipals alpinistes del moment. La llarga tradició de l’excursionisme catalã i la seva implicació en la preservació de les muntanyes entroncava així ambu n corrent de pensament transnacional covat en el món alpinístic.
(…)

Nous impactes
Entrat el segle XXI, va arribar la bombolla imobiliária i l’embriagament urbanístic es va expandir fins a l’alta muntanya. Les accions es van focalitzar llavors en la denúncia de projectes desmesurats de gran impacte. Conjuntamente n la reeixida campanya «Salvem la vall d’Àrreu» (2003) i en l’intent d’aturar les obres a la vall de Filià.
(…)

Pintura: Thomas Suske © "Edmund" (Hillary) (2009)
Fotografia: Pedro Cuiça © Messner Mountain Museum Firmian (Tirol do Sul, 14/ Out. 2016)

CANVIS: REPTES, PERILLS I CONTRADICCIONS
Els canvis en la societat han repercutit inevitablement en la pràctica d’activitats a muntanya i també en el nombre de visitants. La facilitat dels accessos, les possibilitats tecnològiques, la disponibilitat de material tècnic i la comercialització de múltiples activitats han llimat el marc físic i conceptual del que signifixava endinsar-se a l’alta muntanya. D’un temps ençà és innegable la multiplicació de visitants als espais de muntanya i el fenomen puntual de la massificació há deixat de ser anecdòtic. Compaginar la llibertat d’accés amb la conservació dels espais més emblemàtics suposa avui un gran repte. La llibertat d’accés no s’hauria de confondre amb la facilitat d’accés. De totes les mesures, la inaccessibilitat – definida com la manca d’accés motorizat i la llunyania dels recorreguts – es demonstra com l’eina més eficaç de preservació dels espais naturals. Contràriament, la facilitat d’accessos i la urbanització de l’alta muntanya , que possibilita la ruptura de l’aïllament ancestral d’aquests indrets. L’ aïllament és la raó última que els há permès arribar als nostres die sen tan bom estat de conservació. Per altra banda, la irrupció de milers de nous visitants provinents de fora de l’àmbit tradicional de l’excursionisme requereix un esforç  adicional de pedagogia per explicar què implica anar a la muntanya amb responsabilitati respect.
(…)

VIGÈNCIA DELS PLANTEJAMENTS
Els ideals wilderness es podrienresumir en la preservació dels spais intrínsecs (silenci, llunyania, vida salvatge, paisatge, recursos naturals) i la possibilitat de desenvolupsr un excursionisme pels mitjans propis; una pràctica del muntanyisme creativa, en llibertat, tot acceptant les lleis de la natura i els riscos que se’n deriven, i amb el principi fonamental de no deixar cap rastre que pertorbi l’experiència a la muntanya dels visitants posteriors. És tret distintiu d’una societat la manera com aquesta cuida les seves muntanyes. Adquirir un compromís per mantenir el bom estat dels espais de muntanya i la qualitat de les vivencies de descoberta personal sembla del tot raonable e ncontrapartida a tot el que rebem d’ells.


Texto: Santi Pocino i Serra
Revista Vèrtex nº 286, Set./Out. 2019, pp. 70-74; editada pela FEEC – Federació d’Entitats Excursionistes de Catalunya/Federació Catalana d’Alpinisme i Escalada


terça-feira, 24 de setembro de 2019

O brilhozinho nos olhos


DR © PNSAC (2003)

DR © PNSAC (2003)

Há 16 anos consecutivos que regressamos anualmente, por vezes mais de uma vez ao ano, ao Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) para realizar acções de formação na área do Pedestrianismo/Percursos Pedestres, designadamente cursos de “Monitores” e, posteriormente, de “Treinadores”, tal como Jornadas Técnicas, entre outras iniciativas. A primeira vez, em 2003, estive no papel de formando, no primeiro Curso de Monitores de Pedestrianismo, ministrado numa parceria entre a Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP), a Federação Espanhola de Desportos de Montanha e Escalada (FEDME) e a Federação Francesa de Randonnée Pedestre (FFRP). Uma oportunidade única de assimilar conhecimentos e adquirir competências através de entidades e de pessoas com décadas de experiência(s) na área, mormente os formadores Juan Mari Feliu e Yves Lesperat.

DR © Juan Mari Feliu e Yves Lesperat (Lisboa, 2004)

Depois, já como formador, tive a grata oportunidade de participar em mais de duas dezenas de iniciativas pedagógicas, compartilhadas com diversos companheiros (Monitores/Treinadores) e mais de uma centena de formandos que se tornaram, por sua vez, Quadros Técnicos na área do Pedestrianismo.
Os cursos realizados, em regra no último trimestre do ano para apanhar condições meteorológicas com chuva e/ou com nevoeiro, saldaram-se numa troca de experiências invariavelmente profícuas. O lema era/é: se os “Monitores” são testados na gestão/condução de grupos sob condições meteorológicas adversas e/ou nocturnas terão certamente bons desempenhos, por maioria de razões, em circunstâncias favoráveis. Esses “Monitores” eram e são preparados para mais do que passeios ou simples caminhadas… Os formandos eram/são sujeitos a diversos desafios e outra das “ideias-chave” era/é: os “Monitores” devem resolver problemas e não gerar problemas sobre problemas. A exigência imprimida nos cursos ministrados, nomeadamente no âmbito da orientação (posicionamento e navegação terrestre), foi sempre uma constante, tal como o desenvolvimento de profundos laços de amizade/companheirismo que surgiram naturalmente no decurso dos mesmos. Não será, portanto, de estranhar que comecemos a desenvolver uma certa atitude saudosista cada vez que retornamos a estas velhas paragens, lembrando-nos dos inúmeros companheiros com quem literalmente “com-partilhamos o pão”, para além de palmilharmos montes e vales. Seria injusto nomear uma série deles e esquecer algum; no entanto, não poderemos deixar de destacar o Dr. Mário Santos, um Instrutor de Pedestrianismo, insigne médico portuense e amigo, que por diversos anos foi presença constante nestas actividades formativas…
No passado fim-de-semana (20 a 22 de Setembro) estivemos novamente na Serra de Candeeiros e arredores, em mais uma acção de formação. Tal como noutras ocasiões, fomos brindados com chuva/nevoeiro e também tivemos actividade nocturna. Tal como noutras ocasiões houve desafios para superar. Sentimos a falta de “velhos companheiros” e amigos, mas também vimos surgir novas promessas, altamente motivadas e motivadoras, que irão dar certamente excelentes Treinadores. O seu brilhozinho nos olhos anima-nos e será o garante do futuro.
A permanência de uma linha condutora na formação, em progressiva inovação, num dinâmico processo de ensino-aprendizagem, é fundamental para que se processe um desenvolvimento sustentável e sustentado da modalidade de Pedestrianismo e da profissão de Treinador de Pedestrianismo. É fundamental passar o testemunho e dar continuidade ao processo; tal como a Roda do Ano que, ano após ano, trás re-novadas (velhas) estações. É sobre-tudo por isso que também temos saudades do futuro.


Pedro Cuiça © Serra de Candeeiros (PNSAC, 21 de Setembro de 2019)

Pedro Cuiça © Chãos (PNSAC, 21 de Setembro de 2019)

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

D'o retorno


Pedro Cuiça © Baixa (Lisboa, 20/09/2019)

O céu baixo e acinzentado cobre Lisboa; o ar molhado, que intensifica os odores, e a aragem fresca surgem como prenúncios outonais na caminhada matinal de hoje… O peso da mochila confunde-se com a carga atmosférica!
Neste dia em que regressaremos, numa espécie de eterno retorno, à Serra de Candeeiros repetir-se-á a costumeira pluviosidade e muito provavelmente seremos também envolvidos, mais uma vez, por densos nevoeiros. É a Roda do Ano, no seu perpétuo movimento, a provar, no dizer poético, que «o mundo é composto de mudança». E, contudo, não podemos ignorar uma certa e reconfortante constância num regresso circular (ou espiralado?) a novos tempos simultaneamente plenos de conhecidas e similares circunstâncias.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Jornadas Nacionais Pedestrianismo



As XIV Jornadas Nacionais de Pedestrianismo vão decorrer, nos dias 12 e 13 de Outubro em Murça, numa coorganização da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP), Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT), Câmara Municipal de Murça (CMM) e Naturthoughts (NTN).
As Jornadas Nacionais de Pedestrianismo são um evento de troca de conhecimentos e de experiências entre Treinadores de Pedestrianismo, Técnicos de Percursos Pedestres, especialistas e praticantes.
Esta iniciativa é validada pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) como acção de formação contínua para renovação do Título Profissional de Treinador de Desporto em Pedestrianismo – Graus I, II e III. O IPDJ atribui 0.3 Unidades de Crédito (UC) à frequência de cada um dos três painéis temáticos abordados nas Jornadas, num total de 0.9 UC: Painel I - Pedestrianismo e Segurança (código 54121105), Painel II - Percursos Pedestres como Factor de Desenvolvimento de Territórios (código 54121106) e Painel III - Portal FCMP e Turismo de Portugal (código 54121107). 
As INSCRIÇÕES são efectuadas on-line e estão abertas até às 23.59 do dia 8 de Outubro.


A moda dos passadiços


Foto: Passadiço de Serralves (O Jornal Económico)

Até que enfim somos agradavelmente surpreendidos com uma "opinião esclarecida" – mais precisamente um comunicado de imprensa, por parte do FAPAS – fora do pretenso unanimismo em torno dos passadiços do Paiva (e outros fenómenos congéneres), ainda para mais devidamente fundamentada... Já vai sendo tempo de denunciar utilizações, no âmbito do recreio turístico e/ou "desportivo", que pouco ou nada têm de sustentabilidade ambiental. Porque um trilho não é um passadiço e um canyon não é um escorrega de água, entre outros quejandos. Pelo mesmo motivo que uma obra prima não é a prima do mestre de obras ou um bife à milanesa não é o mesmo que um bife sobre a mesa!

Pedro Cuiça © Passadiço de protecção do coberto vegetal face ao pisoteio  (Bélgica, 2007)

Andamos ao invés


Pedro Cuiça © Pessoa(s) no Cais do Sodré (Lisboa, 19/09/2019)

Os passeios pedestres em/por Lis-boa são, regra geral, artísticas walkscapes: escapadelas espácio-temporais nas quais damos (ou são-nos dadas) asas à/para (a) descoberta do imprevisível – descobrirmos ou sermos descobertos – na e pela arte que surge entre-ser(es)… E foi nesta interligação, com base no denominador comum da/desta (ou nesta?) Luz-boa, que fomos hoje, na partida para mais um percurso matinal, interpelados no Cais do Sodré por um artista que nos “revelou” um conjunto de ilustrações de Fernando Pessoa(s)… O resto, por-menor (maior) que não será evidentemente de somenos, fica entre nós: eu e ele (?). D’a ilustração que me foi ofertada fica acima a imagem.
Os passeios pedestres surgem pois, para nós, quasi que invariavelmente, como uma  possibilidade de fractura ou quebra do tecido cósmico, da inconsciente  rotina do dia-a-dia e/ou da consciente superficialidade alienante desse mesmo dia-a-dia. É precisamente essa fresta que permite a passagem da Luz – o fazer-se Luz – nos dias que correm; nos quais, melhor seria dizer, andamos ao invés de sermos andados.


Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

LISBON WALKS

Pedro Cuiça © Da Graça (Lisboa, 18/09/2019)


Pedro Cuiça © Apeado no Beco dos Cavaleiros (Lisboa, 18/09/2019)


Um passeio pedestre matinal: "só faz bem e não faz mal"! E este já ninguém me tira. Mais logo há mais...


Pedro Cuiça © Calçada de Santo André (Lisboa, 18/09/2019)


Pedro Cuiça © Calçada de Santo André (Lisboa, 18/09/2019)

Pedro Cuiça © Calçada de Santo André (Lisboa, 18/09/2019)

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O Périplo


Este ano rumámos, em meados de Agosto, ao norte da Península Ibérica e mais além, para um périplo na Catalunha e Occitânia, em torno de uma temática digamos… “religiosa”! Umas férias também ou essencialmente pedestres nas quais palmilhámos caminhos de grande beleza e significado, numa experiência profundamente enriquecedora em família. O Templo Expiatório da Sagrada Família – do genial Antonio Gaudí –, Montserrat, Montségur, Rennes-le-Château  e Pech Bugarach foram alguns dos spots a salientar… Na última quinzena estivemos a-gosto no extremo sul da península, no tradicional regresso às origens, no meu Al-Gharb.


Pedro Cuiça © Templo Expiatório da Sagrada Família (Barcelona, 12/08/2019)

Pedro Cuiça © Montserrat (Catalunya, 13/08/2019)

Pedro Cuiça © Montségur (Occitânia, 14/08/2019)

Pedro Cuiça © Domaine Abbé Saunière (Rennes-le-Château - Langue d'Oc, 15/08/2019)

Pedro Cuiça © Pech Bugarach (Langue d'Oc, 16/08/2019)

Pedro Cuiça © Algures (Pirenéus, 17/08/2019)