terça-feira, 8 de outubro de 2019

Fez-se Luz


FEZ-SE LUZ(es) EM MONTSERRAT

Jm Balanayà Fort © Montserrat (1 de Outubro de 2019)

DR © Montserrat (1 de Outubro de 2019)

O alpinista Jordi Pons Sanjines, de que tenho o grato privilégio de ser amigo, foi, com os seus 86 anos de idade, o mais veterano dos mais de 500 escaladores que, na madrugada de 1 de Outubro, iluminaram 131 agulhas de Montserrat, numa fantástica iniciativa denominada LLUM I LLIBERTAT. Não iremos pronunciar-nos sobre os fins assumidamente independentistas desta iniciativa, mas não poderemos ficar indiferentes ou deixar passar em branco este evento extraordinariamente impactante, cujo clarão se estende até hoje… Não há memória dessa imponente serrania surgir iluminada em todo o seu perfil, como se uma centena de estrelas d’alva tivessem pousado nas cumeadas da Catalunya.





segunda-feira, 7 de outubro de 2019

L'ultimo


ULURU: l’ULTIMO ASSALTO


Dal 26 ottobre sarà proibito scalare Uluru, il famoso monolito australiano conosciuto in passato come Ayers Rock. La data comemora il 34º anniversario della restituzione della diritti sulla terra al popolo Anangu, che considera la montagna sacra e interpreta le sue curiose forme come tracce lasciate da esseri ancestral durante l’epoca di creazione detta tjukurpa, liberamente traducibile in “era del sogno”. Da anni un cartello all’inizio dell’ascesa prega di evitare la salita, ilustrando le credenze locali e i rischi dovuti al terreno ripido e roccioso – com una vecchia catena come única protezione –, ai colpi di calore e ai malori di vario tipo; l’invito a rinunciare alla scalata era largamente accolto, tanto che nel 2010 soltanto un visitatore su cinque l’affrontava. Ma l’avvicinarsi dell’entrata in vigore del divieto, annunciata un paio di anni fa, ha indotto una frenética corsa all’”ultima salita”, con il numero di scalatori più che raddoppiato (fino a più di 500 al giorno) e il conseguente aumento dei problemi di sicurezza e anche ambientali, perche sull’intera montagna non esistono servizi igienici né cestini per i rifiuti e ai suoi piedi è diffuso, benché vietato, il campeggio libero. A indignare gli Anagu è anche il comportamento di alcuni turisti che, sospinti dall’attimo di vanagloria esibizionista regalato dai social network, ritengono spiritoso condividere immaginari e filmati di ogni genere, da quello del campione sportivo che gioca a golf sulla gobba di Uluru alla porno star che ha improvvisato uno spogliarello extemporâneo, seguita da numerosi imitatori. Tutto questo a breve cesserà, la catena e i suoi ancoraggi saranno rimossi e ogni segno di presenza umana sarà cancellato dal possente monólito, restituito ai suoi abitatori animali e alla sua ancestrale sacralità.

Mario Vianelli
in Montagne360 – La revista del Club alpino italiano (nº 85, outubro de 2019, p. 9)



Pintura: Ray Partridge  © "Uluru - Ceremonial Treks"
Foto: Pedro Cuiça © Messner Mountain Museum Firmian (Tirol do Sul, 14/ Out. 2016)

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Mountain Wilderness


30 Anys en Defensa de l’Alta Muntanya
Mountain Wilderness Catalunya


L’associació Mountain Wilderness Catalunya va néixer fa trenta anys en el si de la FEEC com a secció de Mountain Wilderness Internacional. Els seus membres afirmen que és tret distintiu d’una societat la manera com aquesta cuida les seves muntaanyes. Amb aquesta divisa, durant tres dècades MWC há desenvolupat actuacions espectaculars i meritòries en defesa de l’alta muntanya.

ELS ORÍGENS
Era el juny de 1989 quan un grup de muntanyecs de casa nostra, liderats per Jordi Pons, es van reunir a la FEEC per anunciar la fundació de Mountain Wilderness Catalunya com a secció de Mountain Wilderness Internacional. MWI havia nascut l’any 1987 a Biella (Itàlia) sota l’auspici dels prncipals alpinistes del moment. La llarga tradició de l’excursionisme catalã i la seva implicació en la preservació de les muntanyes entroncava així ambu n corrent de pensament transnacional covat en el món alpinístic.
(…)

Nous impactes
Entrat el segle XXI, va arribar la bombolla imobiliária i l’embriagament urbanístic es va expandir fins a l’alta muntanya. Les accions es van focalitzar llavors en la denúncia de projectes desmesurats de gran impacte. Conjuntamente n la reeixida campanya «Salvem la vall d’Àrreu» (2003) i en l’intent d’aturar les obres a la vall de Filià.
(…)

Pintura: Thomas Suske © "Edmund" (Hillary) (2009)
Fotografia: Pedro Cuiça © Messner Mountain Museum Firmian (Tirol do Sul, 14/ Out. 2016)

CANVIS: REPTES, PERILLS I CONTRADICCIONS
Els canvis en la societat han repercutit inevitablement en la pràctica d’activitats a muntanya i també en el nombre de visitants. La facilitat dels accessos, les possibilitats tecnològiques, la disponibilitat de material tècnic i la comercialització de múltiples activitats han llimat el marc físic i conceptual del que signifixava endinsar-se a l’alta muntanya. D’un temps ençà és innegable la multiplicació de visitants als espais de muntanya i el fenomen puntual de la massificació há deixat de ser anecdòtic. Compaginar la llibertat d’accés amb la conservació dels espais més emblemàtics suposa avui un gran repte. La llibertat d’accés no s’hauria de confondre amb la facilitat d’accés. De totes les mesures, la inaccessibilitat – definida com la manca d’accés motorizat i la llunyania dels recorreguts – es demonstra com l’eina més eficaç de preservació dels espais naturals. Contràriament, la facilitat d’accessos i la urbanització de l’alta muntanya , que possibilita la ruptura de l’aïllament ancestral d’aquests indrets. L’ aïllament és la raó última que els há permès arribar als nostres die sen tan bom estat de conservació. Per altra banda, la irrupció de milers de nous visitants provinents de fora de l’àmbit tradicional de l’excursionisme requereix un esforç  adicional de pedagogia per explicar què implica anar a la muntanya amb responsabilitati respect.
(…)

VIGÈNCIA DELS PLANTEJAMENTS
Els ideals wilderness es podrienresumir en la preservació dels spais intrínsecs (silenci, llunyania, vida salvatge, paisatge, recursos naturals) i la possibilitat de desenvolupsr un excursionisme pels mitjans propis; una pràctica del muntanyisme creativa, en llibertat, tot acceptant les lleis de la natura i els riscos que se’n deriven, i amb el principi fonamental de no deixar cap rastre que pertorbi l’experiència a la muntanya dels visitants posteriors. És tret distintiu d’una societat la manera com aquesta cuida les seves muntanyes. Adquirir un compromís per mantenir el bom estat dels espais de muntanya i la qualitat de les vivencies de descoberta personal sembla del tot raonable e ncontrapartida a tot el que rebem d’ells.


Texto: Santi Pocino i Serra
Revista Vèrtex nº 286, Set./Out. 2019, pp. 70-74; editada pela FEEC – Federació d’Entitats Excursionistes de Catalunya/Federació Catalana d’Alpinisme i Escalada


terça-feira, 24 de setembro de 2019

O brilhozinho nos olhos


DR © PNSAC (2003)

DR © PNSAC (2003)

Há 16 anos consecutivos que regressamos anualmente, por vezes mais de uma vez ao ano, ao Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC) para realizar acções de formação na área do Pedestrianismo/Percursos Pedestres, designadamente cursos de “Monitores” e, posteriormente, de “Treinadores”, tal como Jornadas Técnicas, entre outras iniciativas. A primeira vez, em 2003, estive no papel de formando, no primeiro Curso de Monitores de Pedestrianismo, ministrado numa parceria entre a Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP), a Federação Espanhola de Desportos de Montanha e Escalada (FEDME) e a Federação Francesa de Randonnée Pedestre (FFRP). Uma oportunidade única de assimilar conhecimentos e adquirir competências através de entidades e de pessoas com décadas de experiência(s) na área, mormente os formadores Juan Mari Feliu e Yves Lesperat.

DR © Juan Mari Feliu e Yves Lesperat (Lisboa, 2004)

Depois, já como formador, tive a grata oportunidade de participar em mais de duas dezenas de iniciativas pedagógicas, compartilhadas com diversos companheiros (Monitores/Treinadores) e mais de uma centena de formandos que se tornaram, por sua vez, Quadros Técnicos na área do Pedestrianismo.
Os cursos realizados, em regra no último trimestre do ano para apanhar condições meteorológicas com chuva e/ou com nevoeiro, saldaram-se numa troca de experiências invariavelmente profícuas. O lema era/é: se os “Monitores” são testados na gestão/condução de grupos sob condições meteorológicas adversas e/ou nocturnas terão certamente bons desempenhos, por maioria de razões, em circunstâncias favoráveis. Esses “Monitores” eram e são preparados para mais do que passeios ou simples caminhadas… Os formandos eram/são sujeitos a diversos desafios e outra das “ideias-chave” era/é: os “Monitores” devem resolver problemas e não gerar problemas sobre problemas. A exigência imprimida nos cursos ministrados, nomeadamente no âmbito da orientação (posicionamento e navegação terrestre), foi sempre uma constante, tal como o desenvolvimento de profundos laços de amizade/companheirismo que surgiram naturalmente no decurso dos mesmos. Não será, portanto, de estranhar que comecemos a desenvolver uma certa atitude saudosista cada vez que retornamos a estas velhas paragens, lembrando-nos dos inúmeros companheiros com quem literalmente “com-partilhamos o pão”, para além de palmilharmos montes e vales. Seria injusto nomear uma série deles e esquecer algum; no entanto, não poderemos deixar de destacar o Dr. Mário Santos, um Instrutor de Pedestrianismo, insigne médico portuense e amigo, que por diversos anos foi presença constante nestas actividades formativas…
No passado fim-de-semana (20 a 22 de Setembro) estivemos novamente na Serra de Candeeiros e arredores, em mais uma acção de formação. Tal como noutras ocasiões, fomos brindados com chuva/nevoeiro e também tivemos actividade nocturna. Tal como noutras ocasiões houve desafios para superar. Sentimos a falta de “velhos companheiros” e amigos, mas também vimos surgir novas promessas, altamente motivadas e motivadoras, que irão dar certamente excelentes Treinadores. O seu brilhozinho nos olhos anima-nos e será o garante do futuro.
A permanência de uma linha condutora na formação, em progressiva inovação, num dinâmico processo de ensino-aprendizagem, é fundamental para que se processe um desenvolvimento sustentável e sustentado da modalidade de Pedestrianismo e da profissão de Treinador de Pedestrianismo. É fundamental passar o testemunho e dar continuidade ao processo; tal como a Roda do Ano que, ano após ano, trás re-novadas (velhas) estações. É sobre-tudo por isso que também temos saudades do futuro.


Pedro Cuiça © Serra de Candeeiros (PNSAC, 21 de Setembro de 2019)

Pedro Cuiça © Chãos (PNSAC, 21 de Setembro de 2019)

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

D'o retorno


Pedro Cuiça © Baixa (Lisboa, 20/09/2019)

O céu baixo e acinzentado cobre Lisboa; o ar molhado, que intensifica os odores, e a aragem fresca surgem como prenúncios outonais na caminhada matinal de hoje… O peso da mochila confunde-se com a carga atmosférica!
Neste dia em que regressaremos, numa espécie de eterno retorno, à Serra de Candeeiros repetir-se-á a costumeira pluviosidade e muito provavelmente seremos também envolvidos, mais uma vez, por densos nevoeiros. É a Roda do Ano, no seu perpétuo movimento, a provar, no dizer poético, que «o mundo é composto de mudança». E, contudo, não podemos ignorar uma certa e reconfortante constância num regresso circular (ou espiralado?) a novos tempos simultaneamente plenos de conhecidas e similares circunstâncias.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Jornadas Nacionais Pedestrianismo



As XIV Jornadas Nacionais de Pedestrianismo vão decorrer, nos dias 12 e 13 de Outubro em Murça, numa coorganização da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP), Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT), Câmara Municipal de Murça (CMM) e Naturthoughts (NTN).
As Jornadas Nacionais de Pedestrianismo são um evento de troca de conhecimentos e de experiências entre Treinadores de Pedestrianismo, Técnicos de Percursos Pedestres, especialistas e praticantes.
Esta iniciativa é validada pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) como acção de formação contínua para renovação do Título Profissional de Treinador de Desporto em Pedestrianismo – Graus I, II e III. O IPDJ atribui 0.3 Unidades de Crédito (UC) à frequência de cada um dos três painéis temáticos abordados nas Jornadas, num total de 0.9 UC: Painel I - Pedestrianismo e Segurança (código 54121105), Painel II - Percursos Pedestres como Factor de Desenvolvimento de Territórios (código 54121106) e Painel III - Portal FCMP e Turismo de Portugal (código 54121107). 
As INSCRIÇÕES são efectuadas on-line e estão abertas até às 23.59 do dia 8 de Outubro.


A moda dos passadiços


Foto: Passadiço de Serralves (O Jornal Económico)

Até que enfim somos agradavelmente surpreendidos com uma "opinião esclarecida" – mais precisamente um comunicado de imprensa, por parte do FAPAS – fora do pretenso unanimismo em torno dos passadiços do Paiva (e outros fenómenos congéneres), ainda para mais devidamente fundamentada... Já vai sendo tempo de denunciar utilizações, no âmbito do recreio turístico e/ou "desportivo", que pouco ou nada têm de sustentabilidade ambiental. Porque um trilho não é um passadiço e um canyon não é um escorrega de água, entre outros quejandos. Pelo mesmo motivo que uma obra prima não é a prima do mestre de obras ou um bife à milanesa não é o mesmo que um bife sobre a mesa!

Pedro Cuiça © Passadiço de protecção do coberto vegetal face ao pisoteio  (Bélgica, 2007)

Andamos ao invés


Pedro Cuiça © Pessoa(s) no Cais do Sodré (Lisboa, 19/09/2019)

Os passeios pedestres em/por Lis-boa são, regra geral, artísticas walkscapes: escapadelas espácio-temporais nas quais damos (ou são-nos dadas) asas à/para (a) descoberta do imprevisível – descobrirmos ou sermos descobertos – na e pela arte que surge entre-ser(es)… E foi nesta interligação, com base no denominador comum da/desta (ou nesta?) Luz-boa, que fomos hoje, na partida para mais um percurso matinal, interpelados no Cais do Sodré por um artista que nos “revelou” um conjunto de ilustrações de Fernando Pessoa(s)… O resto, por-menor (maior) que não será evidentemente de somenos, fica entre nós: eu e ele (?). D’a ilustração que me foi ofertada fica acima a imagem.
Os passeios pedestres surgem pois, para nós, quasi que invariavelmente, como uma  possibilidade de fractura ou quebra do tecido cósmico, da inconsciente  rotina do dia-a-dia e/ou da consciente superficialidade alienante desse mesmo dia-a-dia. É precisamente essa fresta que permite a passagem da Luz – o fazer-se Luz – nos dias que correm; nos quais, melhor seria dizer, andamos ao invés de sermos andados.


Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 19/09/2019)

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

LISBON WALKS

Pedro Cuiça © Da Graça (Lisboa, 18/09/2019)


Pedro Cuiça © Apeado no Beco dos Cavaleiros (Lisboa, 18/09/2019)


Um passeio pedestre matinal: "só faz bem e não faz mal"! E este já ninguém me tira. Mais logo há mais...


Pedro Cuiça © Calçada de Santo André (Lisboa, 18/09/2019)


Pedro Cuiça © Calçada de Santo André (Lisboa, 18/09/2019)

Pedro Cuiça © Calçada de Santo André (Lisboa, 18/09/2019)

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O Périplo


Este ano rumámos, em meados de Agosto, ao norte da Península Ibérica e mais além, para um périplo na Catalunha e Occitânia, em torno de uma temática digamos… “religiosa”! Umas férias também ou essencialmente pedestres nas quais palmilhámos caminhos de grande beleza e significado, numa experiência profundamente enriquecedora em família. O Templo Expiatório da Sagrada Família – do genial Antonio Gaudí –, Montserrat, Montségur, Rennes-le-Château  e Pech Bugarach foram alguns dos spots a salientar… Na última quinzena estivemos a-gosto no extremo sul da península, no tradicional regresso às origens, no meu Al-Gharb.


Pedro Cuiça © Templo Expiatório da Sagrada Família (Barcelona, 12/08/2019)

Pedro Cuiça © Montserrat (Catalunya, 13/08/2019)

Pedro Cuiça © Montségur (Occitânia, 14/08/2019)

Pedro Cuiça © Domaine Abbé Saunière (Rennes-le-Château - Langue d'Oc, 15/08/2019)

Pedro Cuiça © Pech Bugarach (Langue d'Oc, 16/08/2019)

Pedro Cuiça © Algures (Pirenéus, 17/08/2019)

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

For a Walk


«A line is a dot that went for a walk.»
Paul Klee


Glen Sinclair © Walk the Line

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

LISBON WALKS

Good Light Walks, again...

Pedro Cuiça © Lisboa (7/08/2019)

Pedro Cuiça © Lisboa (7/08/2019)

Pedro Cuiça © Lisboa (7/08/2019)

terça-feira, 30 de julho de 2019

ReaVIVAR Montserrat


Montserrat – Santos caminhos

Montserrat eleva-se aos céus constituindo a “montanha” mais emblemática da Catalunha. Essa “montanha santuário”, surpreendente combinação de agulhas altivas e profundos vales encaixados, foi em tempos um local de culto e admiração. Aí, cansam-se as pernas e descansa-se a alma.


Bruno Carreras © Mosteiro de Montserrat

O Parc Natural de la Muntanya de Montserrat situa-se a cerca de 45 quilómetros a NW de Barcelona, na confluência das comarcas de Baix Llobregat, Bages e Anoia. A proximidade de Barcelona e as diversas vias de comunicação permitem o fácil acesso a esse maciço onde o relevo peculiar, preenchido pelo verde da vegetação, convida o visitante a percorrer os seus recantos mais esconsos. A Estació FFCC Aeri de Montserrat, situada junto do rio Llobregat, é um excelente ponto de partida para o excursionista que pretenda percorrer essa serrania catalã.

PONTO DE PARTIDA
Face ao Aeri de Montserrat (135 m), a vertente setentrional da serra estende-se altiva, segundo WNW-ESSE, sobre o Llobregat que corre encaixado a mais de mil metros abaixo do cimo da serra. Essa espectacular vertente de paredes de grande verticalidade (com mais de 300 m de desnível) e que atinge a sua maior altitude no Pic de San Jeróni (1236 m) será vencida através do teleférico que conduz ao Monestir de Montserrat (700 m).
Aqueles que apreciam o património arquitectónico ou a arte sacra não poderão deixar de visitar esse mosteiro beneditino, centro de peregrinação erigido, a partir do século XI, sobre a Ermida de Santa Maria (século VIII). A ermida de San Acisclo também do século oitavo, que se encontra nos jardins do mosteiro, é um marco do início da cristandade em Montserrat. A localização privilegiada, as formas abruptas e a tranquilidade atraíram inúmeros cristãos para a vida de reclusão, oração e penitência.
Deixando para trás o mais prestigiado santuário da Catalunha passa-se pela Fuente del Portal, aproveitando para encher os cantis, e toma-se a escadaria do Pas des Francesos. Os sinos do mosteiro ressoam, pontuando a sacralidade do local e confundindo-se no seu ritmar com a cadência da marcha. Ao atingir a Placeta de Sta. Anna (900 m), já no topo do estreito vale que se subiu, deve seguir-se pelo trilho, voltado a norte, que conduz à Ermida de la Santa Creu (900 m). Por entre densa vegetação, o trilho terroso serpenteia ao longo de vertente suave até essa pequenina ermida. O peregrino não deixará de descer até à Ermida de Sant Dimes, no entanto, será conveniente prosseguir para oeste até Pla de la Trinidad, pois o percurso que nos espera ainda é longo. A vista que se estende para norte, sobre o Llobregat e Monistrol de Montserrat, acompanha o caminhante até à Ermida de la Trinidad (965 m) que se encontra bastante degradada. Daí, até à Ermida de Sant Benet (situada mais a sul), a vereda passa nas faldas de grandes monólitos conglomeráticos: Quarta de Trinidad (1033 m), Carota (1040 m), Pebrot (1040 m), Momieta (1060 m), Molina (1121 m).

Bruno Carreras © Basílica de Montserrat

ESCOLA DE ESCALADORES
A Ermida de Sant Benet (970 m) é muito frequentada por escaladores constituindo um local bastante aprazível para pernoitar e “campo base” para quem pretenda trepar as paredes que aí se encontram. Montserrat foi a grande escola de alpinismo catalão: em 1922, Lluís Estasén e os seus companheiros iniciaram essa prática nos monólitos montserratinos.
O trilho continua, por vezes imperceptível, até atingir o Camí Antic de Sant Jeroni (a cerca de 935 m de altitude). Esse caminho segue o vale densamente arborizado paralelamente ao Camí Nou de Sant Jeroni ligando-se a este junto da base do Serrat del Patriarca (1050 m). Este último é bastante frequentado pelos visitantes, pelo que, percorrer o Camí Antic será mais gratificante. Continuando a marcha, chega-se à Capella de Sant Jeroni (1145 m) onde será conveniente descansar um pouco para retemperar forças. Daí, poder-se-á ir até ao ponto culminante da serra, o Cim de Sant Jeroni (1236 m), para apreciar as amplas vistas que se estendem em seu redor. No entanto, o percurso segue, para sul, pelo Camí dels Francesos, assinalado a cor-de-laranja, devendo abandonar-se o Camí de Sant Jeroni na curva onde o piso se encontra cimentado (1165 m). Chegados ao Coll de l’Ajaguda (820 m) vira-se à direita, para norte, seguindo pelo Camí del Torrent del Migdia, assinalado a branco, que sobe o empinado Canal del Migdia. Esse profundo sulco divide o maciço em duas áreas distintas: Montserrat Ocidental ou de Ecos e Montserrat Oriental ou de Sant Jeroni. Nesse troço do percurso irão surgir diversos trilhos mas o caminhante deverá seguir sempre em frente até ao Coll de Migdia (1035 m), lá em cima entre os Ecos e as Talaies, sob pena de ir dar a paragens assaz difíceis. O caminho de pé-posto até ao colo é de fácil progressão, no entanto, pode dar-se o caso de se perder devido à exuberância da vegetação. Caso se perca, será recomendável retroceder pelo caminho percorrido. Perder-se poderá proporcionar o conhecimento do “Montserrat profundo”, ficar rodeado por inóspita vegetação e/ou ter de ‘rapelar’ por algum canal, se conhecer as técnicas de escalada e ter o material apropriado.

Bruno Carreras © Ermida de Santa Magdalena

PALÁCIOS E ALBERGUES
Do Coll de Migdia desce-se, para a vertente setentrional da serra, pelo Camí de la Font del Llum até ao Monestir de Santa Cecília (680 m). Junto desse mosteiro encontra-se o Refugi Bartolomeu Puiggròs onde se poderá pernoitar. Este, com capacidade para 45 pessoas, encontra-se aberto aos fins-de-semana, feriados e durante todo o Verão.
Do Mosteiro de Santa Cecília segue-se pela estrada de alcatrão (FP-1103) e, após ultrapassar o túnel rodoviário, continua-se pela Baixada dels Matxos. Passado o Monestir de Sant Benet (525 m) percorre-se a Drecera de l’Angel até à estrada alcatroada (BP-1121) e, daí, até Monistrol de Montserrat (180 m). Esta pequena e típica vila, situada nas faldas da serra, é o local ideal para o caminhante repousar antes do termino do percurso. Será de destacar, como pontos de interesse, a ponte gótica sobre o Llobregat, o Palau dels Priors de Montserrat, o aqueduto de Cal Pla, a Plaça del Bo e as diversas casas senhoriais da povoação.
De Monistrol de Montserrat até à Estació FFCC Aeri de Montserrat o percurso processa-se ao longo da Carretera 14411 de Manresa a Bellver de Cerdanya. A escarpada vertente setentrional irá acompanhar o excursionista ficando gravada na lembrança de quem palmilhou os solitários espaços serranos.

Pedro Cuiça · revista Forum Ambiente – Maio de 1997, pp. 64-66



Bloco de notas
Acessos: de Barcelona, segue-se pela Autopista A-7, toma-se a Autovia II até Terrasa e, daí, a Carretera 14411 que liga a Manresa passando pela Estació FFCC Aeri de Montserrat e Monistrol de Montserrat (note-se que existem várias opções).
Extensão: 16 km
Desníveis acumulados: + 715 m; - 1280 m
Duração média: cerca de 5 horas (o horário indicado depende do grau de treino e do ritmo de marcha de cada um)
Dificuldade: exige-se um certo treino e alguma experiência montanheira
Época aconselhada: Primavera-Outono. Durante o Verão será recomendável começar o percurso pela frescura da manhã. Em pleno Inverno o frio acentua-se a partir das 14 horas, não sendo raro ocorrer algum nevão que cubra o terreno e oculte o caminho.
Pernoita:
- Refugi Bartolomeu Puiggròs (680 m): (00 346) 412 07 77
- Hostal de Montserrat (Monistrol de Montserrat): (00346) 835 02 33 – 835 00 70
- Parque de Campismo do Mosteiro de Montserrat (aberto de Maio a Setembro, situado no caminho de Sant Miquel): (00 346) 835 02 51
- Existem também inúmeros abrigos naturais onde se poderá bivacar
Telefones úteis:
- Guàrdia Civil: (00346) 825 01 60
- Creu Roja (Castellbell): (00346) 828 20 20
- Centre Hospitalari: (00346) 873 23 50


ATENÇÃO: já passaram mais de duas décadas sobre a publicação deste percurso, na revista Forum Ambiente, e portanto alguns dados, designadamente no Bloco de Notas, encontram-se manifestamente desactualizados.

domingo, 28 de julho de 2019

Montserrat del nord


VOLTA AL MITE – CANIGÓ

(…) L’etimologia de la paraula Canigó suposadament és preromana. El mot actual seria l’evolució de l’antic Kanikono: el gegant blanc. El nom de la muntanya a diversos indrets del massís.

El perquè del mite
El gran escriptor Josep Pla parlava del Canigó com «la muntanya diamantina: coberta de neu, lleugerament rosada, semblava un enorm diamante; sobre les seves espatlles paquidèrmiques, la geometria de les seves arestes guspirejava en lluïssors roses i blaves. La muntanya tenia una fascinadora indiferència, una força d’una bellesa enlluernadora, que imantava la mirada». El Canigó s’aixeca imponente entre les comarques nord-catalanes del Conflent, el Vallespir i el Rosselló, i es divisa proper des de l’Empordà i la resta de comarques de Girona. En tota la serralhada pirenaica no trobem uns desnivells tan destacats (2700 m) com els que presenta aquest massís des de les planes que el voregen, situades al nível del mar. No és estrany que fins ben entrat el segle XVIII es mantigués la crença imemorial que el Canigó era la muntanya més alta dels Pirineus. La seva proximitat al mar, a menos de 50 km en línia recta, el convertia en una senya inequívoca per a tots els navegants.
El mite creix, però, quan aquest massís esdevé l’emblema geogràfic per excel.lència del território catalã. Aixó succeí durant la Renaixença, el moment d’arrencada del ressorgiment nacional de Catalunya. Jacint Verdaguer, artífex de la Renaixença literária, va escriure l’any 1886 l’obra èpica Cainigó. Convertia així el massís en protagonista d’una epopeia que tenia com a escenari el conjunt de la serralhada pirinenca. En paraules de l’historiador Jean-Pierre Bobo, «el Canigó és un lligam potente que torna a reunir, a finals del segle XIX, les dues Catalunyes després de tres segles de separació pel Tractat dels Pirineus. El renaixement catalã que es desenvolupa a ambdós costats de la frontera, la presa de consciència  de catalanitat, passa pel Canigó. A través d’aquest moviment polític i social Catalunya afirma la seva identitat i el massís pren el rol de muntanya-símbol a partir de la publicació del gran poema Canigó de Jacint Verdaguer». Per la seva part, Jordi Vila-Abadal, exmonjo del monestir de Sant Miquel de Cuixà, afirma que «el Canigó és un símbol de la nostra identitat; i, com ella, sotmès malauradament al domini d’altri. Més enllà del Canigó-muntanya hi ha un Canigó-símbol que per a cada u té un significat particular i intransferible, però que, col.lectivament mirat, representa allò de comú que tenim els ciutadans de països de llengua catalana i ens confereix identitat».

Una sèrie de tradicions comunes acosten encara avui aquests territoris, la mès emblemática de les quals és l’encesa de la Flama del Canigó. Durant tot l’any, la Casa Pairal de Perpinyà acull un foc que es manté encès des 1955. Cada 22 de juny a les 22.30 h, el cim del massís llueix de mil focs després que un grup d’excursionistes del Cercle de Joves de Perpinnyà hagin pujat la Flama fins als 2’784 m d’altitud. A trenc d’alba del dia de la revetlla el foce s traslada, flama a flama, fins a tots els racons dels Països Catalans. De Prats de Molló a Alacant i de Tamarit de Llitera a Ciutadella, la Flama del Canigó és la guspira que aviva els centenars de fogueres que il-luminen la nit de Sant Joan, una festa ancestral de benvinguda a l’estiu heretada dels primers pobladors de la Mediterrània. Eduard Voltas, exdirector de les revistes Descobrir Catalunya i Sàpiens, ressalta el simbolisme de la muntanya: «Per causes històriques, el Canigó há esdevingut una meca de Montserrat del nord des el punt de vista de la mitologia nacional i en una Meca de l’excursionisme català».
(…) Quant a l’arquitectura religiosa, el massís ha estat utilitzat des la prehistòria com a espai sagrat (dòlmens, etc.). A l’Alta Edat Mitjana es confirma aquesta tendência amb la construcció de nombrosos edificis religiosos a l’entorn de la muntanya. Amb petits ermites o grans monestirs, la muntanya es cristianitza i neix un art romànic catalã amb influencies hispàniques i llombardes que trombem, amb la seva màxima esplendor, als monestirs de Sant Miquel de Cuixà i Sant Martí del Canigó. El professor i illustrador rossellonès Josep Ribas s’hi refereix: «El Canigó tenia una triple vocació: a més de ser una terra de llibertat i un espai pastoral i miner, era un centre d’alta espiritualitat, amb abadies romàniques i esglésies barroques».
A finals del segle XX, el Canigó canviarà radicalmente la cara amb l’obertura massiva del turisme. El presidente del Club Alpí Francès de París, Charles Durier, conquerit per la bellesa del paratge, decideix que «caldria obrir un pas per facilitar l’accés al cim». Així, té el dubtós honor d’emprendre una fase de destrucció del medi natural per satisfer les «necessitats» d’oci de la classe burgesa de les ciutats. Eren altres temps, i el 18 d’agost de 1886 es van utilizar tres càrregues de dinamita per crear la bretxa Durier. Aquesta és l’era del turisme burgès, nascuda a principis de segle arran del termalisme a Vernet o Prats de Molló. El xalet de Cortalets marca l’inici de la domesticació del massís. Inaugurat el 4 de setembre de 1889 pel Club Alpí Francès, fou un dels primers refugis dels Pirineus i un dels punts estratègics del pirineisme catalã. (…)
[GRIVÉ, 2019: 41-45]



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
GRIVÉ, Xavier. Volta al Mite. Barcelona: Federació d’Entitats Excursionistes de Catalunya, revista Vèrtex – especial estiu, nº 285, Jul.-Ago. 2019, pp. 38-50.