segunda-feira, 3 de junho de 2019

Congresso dos Treinadores


Dra. Edite Estrela a discursar na abertura do 7º Congresso dos Treinadores de Língua Portuguesa
Pedro Cuiça © Portimão Arena (1/Jun. 2019)

O 7º Congresso dos Treinadores de Língua Portuguesa decorreu, nos dias 1 e 2 de Junho, na Cidade Europeia do Desporto 2019: Portimão. O evento, que envolveu a realização de diversas e importantes iniciativas – designadamente a reunião da Confederação Lusófona de Treinadores e de seis conferências – teve a novidade de contar com a presença do Pedestrianismo e do Montanhismo, no leque das modalidades representadas nos workshops de sábado à tarde: Andebol, Futebol, Futsal, Golfe, Hóquei em Patins, Karaté, Natação, Remo, Taekwondo e Vólei*. Esta tratou-se da primeira vez que Desportos de Montanha estiveram representados num evento desta natureza, traduzindo o reconhecimento, que muito nos apraz e honra, da qualidade do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, desde 2011, no âmbito da formação inicial e da formação contínua de Treinadores, mormente de Pedestrianismo e de Montanha (Alpinismo, Montanhismo e Escalada). 
O workshop de Pedestrianismo e Montanhismo, sob o título genérico de “Percursos Pedestres e Prática de Pedestrianismo”, decorreu das 14.30 às 19.30 e consistiu numa primeira parte subordinada ao tema “Andar a pé, em Portugal e na Europa”, ministrada por Rúben Jordão, e numa segunda sobre “Percursos Pedestres de Longo Curso – estratégias de progressão rápida e (ultra)leve”, por Pedro Cuiça.
No domingo destacamos a realização de um debate sobre o programa Nacional de Formação de Treinadores (PNFT) e a nova “Lei dos Treinadores”, moderado por Pedro Sequeira (Presidente da Confederação Portuguesa das Associações de Treinadores) e que contou com a presença de Mário Moreira (Director do Departamento de Formação e Qualificação do IPDJ – Instituto Português do Desporto e Juventude), Paulo Cunha (da Universidade Lusófona), António Vasconcelos Raposo (Treinador), Isabel Mesquita (da FaDUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto) e Abel Figueiredo (da REDESP – Rede de Escolas com Formação em Desporto do Ensino Superior Politécnico Público).

Workshop de andar a de-correr no Congresso de Treinadores
Rúben Jordão  © Portimão Arena - Sala Praia de Alvor (1/Jun. 2019)

NOTA
*Para além dos workshops versando as modalidades referidas, também foram ministrados um de Formação Contínua de Professores (CCPFC), sobre a temática do “Treino de Força Integrado na Educação Física Curricular: A Sobrecarga em Termos Coordenativos”, e um de Técnico de Exercício Físico (TEF), sobre “Treino de Força e Performance Desportiva e Diminuição do Risco de Lesões”.



sexta-feira, 31 de maio de 2019

a-LUZ-cin-ação


Não, este não se trata, de todo, de um livro sobre caminhadas e, muito menos, sobre pedestrianismo, apesar de nele surgirem alguns inveterados andarilhos e de abordar diversas andanças… Nem sequer se trata de um livro campestre, pese embora muito do que aí é dito se passar em cenários de retorno ao campo, ademais quando a urbanidade surge de forma explicita ou mais ou menos (re)velada. Segundo os Editores Refractários desta obra, o personagem principal – Estêvão Vao –, se assim é lícito nos pronunciarmos, «exprime uma oposição liminar à demência do astronauta, ao paradigma que corporiza a indigente ambição de viver na Terra fora da terra». Aí – nesse preciso paradigma – reside a idiossincrasia societária dos humanos que, em diversos tempos e espaços coetâneos, surgem travestidos e/ou alienados sob roupagens (pós)modernas ou, bem mais importante que isso – porque para além (ou aquém?) do dito paradigma –, são a expressão de uma cultura milenar…





EMPREENDEDORISMO AGRÁRIO

Estêvão Vao1 ia a descer a mui inclinada Rua do Comércio, por onde não passam veículos automóveis, quando a meio da bruma espectral inserida no mês em curso julgou perceber que à sua frente caminhavam duas senhoras. Ao descortina-las, as duas figuras remeteram-no para o Bucha e Estica, porque uma era assaz volumosa e a outra bastante magra, parecendo esta ter-se esquecido de desligar o programa de emagrecimento. Notou que caminhavam como patos coxos, ou meio coxos. Porém, ao notá-lo, viu desprender-se delas uma nuvem de perfume chique e agoniante que logo o abocanhou, fazendo-o cair numa das ratoeiras em que se revela pródigo o mundo urbano.
Empreendendo um apreciável esforço cerebral para identificar a estranheza da andadura das senhoras, apercebeu-se de que iam montadas sobre umas botas de salto alto e fino, primor de elegância que as obrigava a apalpar terreno, para não se estatelarem na calçada. (…)
(HENRIQUES, 2017: 9-10)


ALDEIAS SEM ESTRUME, S.A.

(…) Nesse dia, na Câmara Municipal de Xispeteó já tinha começado de manhã uma importantíssima reunião regional aonde aportara um bom número de autarcas, conclave destinado a ultimar um «projecto estratégico», como rezava o documento jazente na vasta mesa, que no intervalo para o almoço (opíparo e prolongado, como é de lei em tão sacras circunstâncias) a nossa amiga F. teve oportunidade de ler, por mero acaso, ao extraviar-se pelos meandros da Câmara em busca do gabinete de obras.
Esse documento punha em letra de forma uma excelsa ideia que há tempos começara a tossir alto por aquelas bandas, em entrevistas de autarcas a jornais e rádios de todo o território e até já chegara ao altar televisivo: a criação de uma rede de aldeias sem estrume. O «sem estrume» sintetizava várias outras medidas do mesmo jaez, sendo os habitantes das aldeias incitados a denunciar «às autoridades competentes», não só a presença desse material orgânico, mas também, por exemplo, casas que ainda tivessem janelas, portas ou corrimões em alumínio. Tratava-se, lambiam-se já os beiços criativos, de uma magnífica operação de limpeza étnica destinada a embelezar as aldeias, de modo a estas poderem figurar, em várias línguas, nos folhetos turísticos de promoção, cartazes, brochuras, vídeos e demais propaganda publicitária a que o Turismo recorre, gulosamente, com a sua costumeira histeria fotográfica, videográfica e escritográfica.
Para anunciar sem tardança ao apetecido público-alvo («turistas de qualidade»)2 as impecáveis características das aldeias a integrar na Grande Panaceia das economias locais3, fora decidido dar à organização um nome de marcante sabor: Rede de Aldeias Sem Estrume, S.A.. (…)
(HENRIQUES, 2017: 36-37)


CAMINHO PARA UM NOVO SOL

(…) Convém dizer que Estêvão considerava com brando cepticismo os entusiastas do «regresso ao campo» que alardeiam grandes coisas sem as aplicarem no terreno, desprovidos da indispensável coerência entre o que é dito e o que é feito; intuía neles ambíguas ambições, cujo móbil parecia consistir, sob simpáticos ademanes, e pôr a trabalhar na roça quem caísse na rede, amiúde embrulhada em esoterismos fumosos, pozinhos de perlimpimpim, gurus e outros santos milagreiros; ou que se enfatuavam com transições destinadas tão-somente a envernizar o mundo e a fazer currículos. Adriano, quanto a ele, andava a trabalhar em prol de uma autonomia que começava pela alimentar; não se espraiava em devaneantes optimismos segundo os quais podia desde já viver-se «fora do capitalismo» bastando para tal a vontade de um «espírito superior»; e também não idealizava beatamente o mundo camponês, ou o que por aqui restava dele, sabendo todavia – questão prévia – que se trata de uma cultura milenar e que uma cultura destas, como diz John Berger, não se pode deitar fora como quem risca contas saldadas. Estêvão sentia-o confiante, mas em algo que era preciso construir a partir de baixo, com a cabeça, sim, mas igualmente com as mãos; e que implicava um esforço incitativo em trabalho braçal e competências afins, aberto a uma diversidade de experiências com provas dadas e a outras que cometiam erros por estarem a ser feitas no terreno, correndo riscos. A sociedade vigente estava a rebentar pelas costuras e não eram bem-vindas as gentis propostas conducentes a remendar com panos quentes tais costuras. Era diversa e mais funda a perspectiva por ele perfilhada: sair desta civilização, contribuir para a parição de uma outra – sem que isso, contudo, significasse uma inteira tábua rasa: anteriores culturas perseguidas continuavam, agora mesmo, a sua luta pela existência de um mundo plural. Fosse como fosse, em muitos lugares da Terra essa perspectiva estava a caminhar em busca de um novo sol. (…)
(HENRIQUES, 2017: 96-97)



NOTAS DO AUTOR
1 · De seu nome completo Francisco Hermes Estêvão Vao (do antigo ramo dos Vaos, ou Vaus, de Entre Douro e Minho) de Alencastre Reboredo e Souza. Inspirado na obra do grande geógrafo anarquista Élisée Reclus, aplicou a parca fortuna que lhe coube em herança em infindáveis caminhadas de naturalista, que o levaram do Norte da Galiza ao Levante, e daí, depois, a todo o litoral mediterrânico, o que lhe deu uma invejável estrutura muscular de caminheiro, deslocando-se a pé por todo o lado. Isso mesmo se verá, se Deus quiser (se Não Quiser está o caldo entornado), em próximos capítulos das suas ígneas aventuras.
2 · A expressão «turismo de qualidade» significa, traduzida em miúdos, o turismo destinado a gente com contas bancárias chorudas, de preferência estrangeiros oriundos de «países bons». Para as restantes multidões, o turismo não tem de ser «de qualidade», basta ser uma merda qualquer.
3 · Grande Panaceia é um sinónimo pós-moderno de Turismo, já devidamente dicionarizado.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
HENRIQUES, Júlio. Alucinar o Estrume. Lisboa: Antígona – Editores Refractários, 2017, pp. 176. ISBN 978-972-608-287-3

(An)dar na bibliofagia


© Antígona 

A 89ª Feira do Livro de Lisboa começou no dia 29 de Maio e irá decorrer até ao dia 16 de Junho, no Parque Eduardo VII. Para inveterados bibliófagos, como nós, não no sentido de Um Caso de Bibliofagia, à António Victorino d’Almeida, ou de animalejos literalmente comedores de livros, mas num senso metafórico de quem tem pela leitura um reiterado prazer, este é um evento a não perder. Trata-se de uma oportunidade única para usufruir de um tão grande número de editores e livreiros reunidos num mesmo espaço, de deparar com edições difíceis de encontrar e, claro, comprar livros a preços inferiores aos habituais. A juntar a isso, e certamente não menos importante, acresce a necessidade (diríamos antes “a oportunidade”) de, para visitar a totalidade dos expositores, ter de percorrer a pé uma distância e desnível que, sem ser nada de extraordinário, merece enaltecer.
Foi aliás dentro do espírito andarilho das frequentes andanças, praticamente diárias, que empreendemos na cidade (da) luz – Lisboa – e que apelidamos, “em amaricano”, de “Lisbon Walks” (vá-se lá a saber porquê!), que fizemos um raid cirúrgico a essa feira livreira, no dia da sua inauguração, aos pavilhões D40 a D42 e A15: mais precisamente à Antígona e à Letra Livre. Na primeira destacamos o livro do (desse) dia Walden ou a Vida nos Bosques e da promoção d’A Desobediência Civil/Defesa de John Brown, ambos de Henry David Thoreau; mas não foi por essas obras, nem sequer pelo interessantíssimo livro Caminhada, do mesmo autor, trilogia a que regressamos amiúde e que fortemente recomendamos, que visitámos esses Editores Refractários. Nessa feita adquirimos, todavia, Alucinar o Estrume, de Júlio Henriques, A prática da natureza selvagem, de Gary Snyder, e O Tempo dos Assassinos, de Henry Miller. E dessas aquisições daremos, em breve, o devido e respectivo fidebéque (?) neste espaço de andanças encantas que dá pelo nome “Pedestris”. No segundo pavilhão encomendámos Reflexões sobre a Morte de Mishima, de Henry Miller (edições &etc), que iremos recolher, hoje, num segundo raid ainda mais cirúrgico do que o primeiro. Na verdade, apreciamos feiras de livros e andanças, mas mais ainda a busca de livreiros recônditos e amplos espaços de ar livre dificilmente compagináveis com multidões. Vou ali (a pé), já venho!


Pedro Cuiça © Lisbon Walks (29/Mai. 2019) 

Pedro Cuiça © Lisbon Walks (31/Mai. 2019) 

Pedro Cuiça © Lisbon Walks (31/Mai. 2019) 

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Geo-grafias visionárias


Em A Arte de Andar (Pedestris, 24 de Junho de 2014) fiz alusão à referência sagaz de Kenneth White: «Se Thoreau utiliza os pés fá-lo, afinal de contas, em benefício da cabeça ou, digamos, do seu ser, do seu corpo-espírito inteiro. Não é um desportista que sai de casa para fazer quilómetros, não faz footing como costuma dizer-se. Pratica a caminhada inteligente.» E é precisamente de uma caminhada inteligente (e seus rumos inerentes), nos seus mais diversos sentidos concretos e metafóricos, que os humanos (e os não-humanos?) necessitam nestes tempos de inegável e inevitável transição. Tempos que carecem de abordagens integradas e integrantes, sistémicas e inclusivas. A coexistência e a convivência de diferentes escal(ad)as de tempo(s) e de espaço(s), de diversas ortodoxias e heterodoxias – sob vivências assumidamente paradoxais –, designadamente no que concerne às nossas necessidades, urgem face a uma catástrofe anunciada pela denominação “Antropocénico”1
Um reajustamento (verdadeiramente) “verde” da pirâmide das necessidades de Maslow encaminhado para a superação (melhor será dizer “transcendência”) dos seres humanos e daí de todos os (entre)seres? Será certamente um interessante caminho a experimentar e (quem sabe?) a cumprir-se. 
As leituras e as interpretações de geo-grafias visionárias, porque de início essencialmente visionadas, enriquece(ra)m-se com a simultaneidade das paisagens sonoras, odoríferas e de outros apelos sensoriais, constituindo o ancora-d’ouro ou o porto de partida (e de chegada) que permite, para além de vastíssimas deambulações, a coincidência de aparentes extremos: ser original (indo às origens) e ao mesmo tempo navegar em novas caravelas do espírito rumo ao por-vir, aqui e agora.

© Flauta de Luz nº 6

O colóquio internacional Linhas da Terra – Percursos geofilosóficos e geopoéticos no Antropoceno, realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, nos dias 21 e 22 de Maio, em homenagem a Kenneth White e que contou com a sua participação, revelou uma interessantíssima polifonia de linguagens que confluíram, contudo, em numerosas pontes: marcas, sem dúvida, «de uma vida comum e passante» nesta partilha coetânea da condição seminal de ser terráqueo. Durante o evento foi apresentado o último número (6) da revista Flauta de Luz, por parte do escritor (e seu editor) Júlio Henriques, de que se destaca um dossier precisamente sobre Kenneth White.

O «nómada intelectual» que eu sou, e que desenvolveu, com comprovados exemplos, a teoria-prática do nomadismo intelectual no livro L’Esprit nomade, atravessa territórios e culturas em busca de elementos susceptíveis de ser incluídos numa possível cultura mundial. Situado no extremo limite crítico da sua «própria» civilização, este nómada abre um caminho explorando margens de pensamento e de experiências esquecidas. Lucidamente. Sem se converter seja ao que for. Sem esperança. E por não viver de esperanças, nunca posso sentir-me desesperado. Quando certos jornalistas me perguntam, em entrevistas, se sou optimista ou pessimista, respondo: nem uma coisa nem outra – possibilista.2



NOTAS
· [1] O termo “Antropocénico” foi cunhado pelo biólogo Eugene Stoermer, em 1980, e foi popularizado pelo químico e prémio Nobel Paul Crutzen, em 2000, para enfatizar o impacte antrópico sobre o planeta Terra. O começo do Antropocénico corresponde à Revolução Industrial (finais do século XVIII) e ao fim do Holocénico – a época geológica que teve início há cerca de 12 mil anos com o final da última glaciação (Würm) e que, juntamente com o Plistocénico, faz parte do sistema/período mais recente da tabela cronoestratigráfica (o Quaternário ou Antropozóico), tabela onde estão definidos os “tempos geológicos” e os seus respectivos nomes e durações. 
· [2] In Em diálogo com Kenneth White – Entrevista de Jorge Leandro Rosa e Júlio Henriques (revista Flauta de Luz – Boletim de Topografia nº 6, 2019, 110-11)

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Pelo bem comum


Não por um mal menor mas, sim, por um bem maior...

«ci siamo dentro. Siamo immersi mani e piedi in una battaglia culturale che non ha colori né partiti. Non combattiamo solo contro qualcosa o qualcuno, ma combattiamo per. Dalla negazione stiamo passando alle proposte. Non solo ci schieriamo contro i cambiamenti climatici, contro gli sprechi, contro l’incuria. Ma ci impegniamo per trasmettere un nuovo concetto di sostenibilità, per il bene comune, per la tutela ambientale e paesaggistica. L’insegnamento più forte ed efficace, negli ultimi tempi, ci arriva da una ragazzina svedese di sedici anni. Da Greta Thunberg, che ha dato origine agli scioperi scolastici per il clima, abbiamo imparato molto. E molto abbiamo ancora da imparare. Ha tenuto in mano il cartello com su scritto Skolstrejk för klimatet e da lì ha avuto inizio il movimento #FridayforFuture. In migliaia sono scesi in piazza, in Italia come altrove. Senza colori né partiti. Greta è un esempio per tutti. Non solo perche ci ha ricordato cosa eravamo. C’è stato un tempo in cui, lontani dall’esistenza di movimenti ecologisti o ambientalisti, ovvero quando questi due concetti dovevano ancora essere elaborati e compresi, c’era chi si prendeva cura del paesaggio attorno a sé. (…) Ma qualcosa è cambiato, qualcosa sta cambiando. A cominciare dalle nostre montagne, polmoni natural di un mondo in asfissia. E così, passo dopo passo, ci riappropriamo di quella innata consapevolezza che ci portava a sceglire la strata migliore senza sapere che migliore lo era davvero. Per questo dobbiamo ringraziare Greta e tutti quei giovani che come lei hanno deciso di combattere. Giovani che sembrano sempre più scettici di fronte a chi indica loro una via, siano essi partiti, enti o associazioni. Ma in questa battaglia invisibile, dove ognuno può contribuire com piccoli gesti, riscopriamo il significato dell’essenza stessa della comunità. Quella che si prende cura di sé. Nessuno escluso. Neppue il nostro amato e abusato pianeta.»

Luca CALZOLARI (2019: 17)


© algures na Net


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CALZOLARI, Luca. Invisible agli occhi. Bologna: Club alpino italiano; Montagne360 – La revista del Club alpino italiano, nº 80, Mai. 2019, pp. 80.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Motricidade transcendente


A Ciência da Motricidade Humana (CMH), por mim teorizada, foi apresentada, publicamente, nas minhas provas de doutoramento, em 1986. Porque estuda o movimento intencional da transcendência, é uma ciência social e humana. Aliás, a transcendência é uma dimensão específica humana, inédita nas demais criaturas, já que se afirma como ruptura e como projecto como criação de um mundo novo. [SÉRGIO, 2016: 158]

A reforma permanente (na escola, no lazer, no treino, nas competições, nas federações, nas associações e no clubismo em geral) que deverá ser levada a cabo por agentes de prática diligente e rigorosa, mormente os licenciados pelos cursos universitários de motricidade humana e desporto. Reforma permanente ainda porque há-de ser a Escola, através de uma séria educação lúdica e desportiva, o primeiro espaço do lazer desportivo e até de uma certa competição, onde pela transcendência o «agente do desporto» tome consciência de que não é objecto da história, mas sujeito criador da própria história. Na escola não há lugar à «especialização precoce», mas ao cultivo daquelas virtudes que preparem a criança, não para o conformismo mas para «incoformar-se», à alta competição, sem escrúpulos, da vida hodierna. Não vivemos em pleno hipercapitalismo, onde o individualismo, e exclusão, o progresso linear e quantitativo imperam? Desporto que, no Lazer, na Saúde, na Educação, no Trabalho, na Alta Competição (ou Alto Rendimento) apareça como o corpo em ato, movimentando-se intencionalmente, de acordo com uma ética e uma estética da existência. O movimento é sinal e fator de vida. Praticá-lo, nomeadamente como ginástica, ou jogo, ou desporto, é contribuir para a saúde e o bem-estar da pessoa e da sociedade. A preservação natural, os espaços verdes e um urbanismo arquitetado em critérios ecológicos deverão ter-se também em conta, no desenvolvimento desportivo. A cidade civilizou o cidadão, mas as megalópolis afastam-no da natureza e do seu semelhante. As percentagens assustadoras das doenças mentais, nervosas e cárdio-circulatórias traduzem um custo real. [SÉRGIO, 2017: 33-34]
(…) Do que venho de escrever se infere que os licenciados em Motricidade Humana, ou em Desporto, podem fazer sua, tanto no treino, na competição, ou na escola, a paráfrase, que eu proponho, das palavras de Kant e Hans Jonas: «Pratica desporto de tal maneira que o resultado da tua prática promova e fomente a permanência de uma vida autenticamente humana sobre a Terra». [SÉRGIO, 2017: 44]
(…) O modelo, no desporto hodierno, ainda intimamente ligado à cultura do ter e não à cultura do ser. Ora, é o homem que se é que triunfa no treinador (ou no jogador, ou no dirigente) que se pode ser. No desporto entendido como movimento intencional, ele é mais escola do que circo – nele, vive-se num «fieri» (tornar-se) permanente. [SÉRGIO, 2017: 53]

Urge ainda clarificar a noção de movimento humano. Segundo esta filosofia da encarnação, fica reforçada a convicção que o corpo tem uma intencionalidade dinâmica, que se dirige para as coisas e para os homens, com os quais compartilha o Mundo. O movimento humano oferece uma certa significação perceptiva, forma com os fenómenos exteriores um sistema tão intimamente relacionado que a percepção se compreende no deslocamento dos órgãos perceptivos, encontrando neles, não uma explicação expressa, mas pelo menos o motivo das transformações que acontecem na vida. Existe um movimento intencional do corpo, diferente do simples movimento no espaço, e que tange ao caminho e abertura para as coisas, para os outros. [SÉRGIO, 2018: 103]

© Pedro Cuiça:  o Prof. Dr. Manuel Sérgio (à esquerda) e o treinador Fonseca e Costa (à direita). Foi um grato privilégio receber os ensinamentos do Prof. Manuel Sérgio (e, claro, do Prof. Fonseca e Costa) de viva-voz, no seminário “Debater a Motricidade Humana” que decorreu no Dia da Actividade Física (6 de Abril de 2019), na Biblioteca Municipal de Odivelas. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SÉRGIO, Manuel. Desporto em Palavras. Porto: Edições Afrontamento/Plano Nacional de Ética no Desporto, 2016, pp. 176. ISBN978-972-36-1453-4
SÉRGIO, Manuel. Para um Desporto do Futuro. Lisboa: Instituto Português do Desporto e Juventude, 2017, pp. 64. ISBN978-972-36-1587-6
SÉRGIO, Manuel. Para uma Epistemologia da Motricidade Humana. Lisboa: Nova Veja, 2018, pp. 208. ISBN 978-989-750-076-3

As linhas da Terra


As linhas da Terra
Percursos geofilosóficos e geopoéticos no Antropoceno

Colóquio Internacional 
Homenagem a Kenneth White com a sua presença

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - Anfiteatro III 
21 e 22 de Maio de 2019


A língua que passa pelo mundo, traçando nela linhas, é uma língua aberta à polifonia que aí ecoa. É atravessada pela polifonia dos elementos que se movem incessantemente. A polifonia das expressões de milhares de culturas humanas. E a polifonia dos inúmeros seres que vivem connosco. Todas essas vozes – que chegaram a participar da língua aqui evocada – entraram hoje em tumulto enquanto outras foram silenciadas definitivamente. É aquilo a que os humanos chamam o Antropoceno, a Era em que o homem põe fim à diversidade das expressões do mundo teorizando ao mesmo tempo a sua própria supremacia. 
Cada linha traçada na terra é a marca de uma vida comum e passante. Todos estamos na Terra, mas a consciência dessa situação pode aí ser escutada pelo nomadismo assumido por um corpo ou pela palavra que prolonga esse movimento. A todos os participantes é pedido um certo percurso, partindo de alguma posição na Terra e, daí, traçando linhas que atravessarão as demarcações estabelecidas por esquemas de pensamento.
Este encontro é também uma homenagem ao poeta, escritor e pensador Kenneth White, criador da Geopoética, propondo um exercício de escuta e expressão em comum com uma variante possível desta língua, a Geofilosofia. Nem o filósofo está liberto do que de poético lhe trazem as vozes intratáveis da Terra, nem o poeta se encontra dispensado dos saberes inteligíveis ou da reflexão epistémica que o seu ofício contém.
«Espaço», «energia» e «luz» são, segundo o próprio, três palavras-chave deste autor. Sabendo de que modo a civilização recorreu a elas, a pergunta pertinente não será tanto a de saber o que fizemos delas e das forças que lhes estão associadas, uma história dos equívocos que nos dispensaram do planeta, mas antes aquela que se questiona sobre o que nelas permanece ignorado, votado à inutilidade e, ainda assim, indispensável a uma vida que se redescobre inteira nesta Terra.
Texto: Comissão Organizadora




PROGRAMA

21 de Maio

14:30 – Abertura 

15:00-16:30 
Paulo Borges – O Tempo do Sonho. Poesia Cósmica e Metamorfose nas Culturas Indígenas
Paula Morais – Yoga e os mitos da presença: a dança, a escuta, a transformação
 Pedro Cuiça – Do (a)vistar ao ser (a) Montanha: uma forma de (geo)poética

16:30-16:45 – Pausa

16.45-17:00 – Apresentação do nº 6 da revista Flauta de Luz, que inclui um dossier «Kenneth White», pelo editor, Júlio Henriques


17:00-17:30 – Jorge Leandro Rosa – «Não com a língua, mas com a vida». Acontecimento e grito

17:30-19:00 – Kenneth White (conferência) – The Rediscovery of the World / A Redescoberta do Mundo

19:00-19:30 - Eternal Forest (filme) – apresentação e leitura de poemas pela cineasta e artista Evgenia Emets 


22 de Maio

15:00-16:30 
 Maria José Varandas – A Tragédia dos Comuns e o Último Homem
 Felipe Milanez – Título a indicar
 Ilda Castro - Animalia Vegetalia Mineralia: conexões e movimentos: uma reflexão sobre os sistemas humanos e os sistemas mais-que-humanos, macro e micro, na Natureza e no Antropoceno-Capitaloceno.

16:30-16:45 – Pausa

16:45-17:45 
 Alexandra Pinto – Um olhar cinematográfico sobre o Antropoceno
 Isabel Alves – My First Summer in the Sierra e The living Mountain: as  linhas e as vozes da montanha – A demanda de uma geopoética da esperança

18:00-19:30 – Sur les chemins du Nord profond (52 mn) – Filme realizado por François Reichenbach e apresentado por Kenneth White, argumentista e protagonista. De Tokyo a Hokkaïdo, Kenneth White no percurso traçado por Matsuo Basho. Debate

19:30 – Conclusão



Comissão Científica: Viriato Soromenho-Marques, Paulo Borges, Jorge Leandro Rosa
Comissão Organizadora: Paulo Borges, Paula Morais, Eduardo Jordão, Marco Martins
Organização: Seminário Permanente Vita Contemplativa. Práticas Contemplativas e Cultura Contemporânea – Grupo Praxis do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa / Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa


terça-feira, 9 de abril de 2019

Cursos de Treinadores



O Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal/Escola Nacional de Montanhismo (FCMP/ENM) vai realizar, em 2019, mais uma edição (a quarta) do Curso de Treinador de Pedestrianismo – Grau I e do Curso de Treinador de Montanha – Grau I. Estas acções de formação possuem uma componente geral (comum e idêntica a ambos os cursos), uma componente específica (diferente para cada um dos cursos) e um processo de estágio (desenhado por cada estagiário em conjugação com o tutor e o coordenador de estágio).
A componente geral, que decorre na totalidade em regime e-learning, exceptuando o teste teórico final presencial, corresponde a uma carga horária de 41 horas. A componente específica realiza-se em regime b-learning, ocorrendo as aulas teóricas on-line e as aulas/avaliações teórico-práticas presencialmente. A componente específica do Curso de Treinadores de Pedestrianismo tem uma carga horária de 45 horas, no total, e envolve um fim-de-semana de aulas e avaliações teórico-práticas na Serra de Candeeiros e sua envolvente. A componente específica do Curso de Treinadores de Montanha possui 80 horas, no total, e dois módulos de aulas/avaliações teórico-práticos: um fim-de-semana na Serra da Estrela e quatro dias em Estrutura Artificial de Escalada (EAE), no Fojo (Serra da Arrábida) e no Penedo da Amizade (Serra de Sintra). Os estágios têm duração mínima de 10 meses e decorrem numa entidade de acolhimento (associação ou empresa), sob a orientação de um tutor detentor do Título Profissional de Treinador de Desporto (TPTD), de Grau II ou de Grau III, nas modalidades de Alpinismo, Montanhismo e/ou Escalada (no caso do Curso de Montanha de Grau I) ou na modalidade de Pedestrianismo (no curso homónimo de Grau I).
Ambos os cursos estão inseridos no Plano Nacional de Formação de Treinadores (PNFT) e atribuem, após frequência e avaliação positiva nas três fases, o Título Profissional de Treinador de Desporto (TPTD), em conformidade com a Lei nº 40/2012, de 28 de Agosto. O TPTD de Montanha – Grau I atesta a competência dos respectivos detentores para enquadrarem e treinarem praticantes, num nível de iniciação, em actividades de montanhismo (em média montanha) e de escalada (em vias de um só largo, com acesso pedonal ao topo e à base). O TPTD de Pedestrianismo – Grau I atesta a competência dos respectivos detentores para enquadrarem e treinarem praticantes, num nível de iniciação, em percursos pedestres com a duração de um ou mais dias, mas que não envolvam pernoita ao ar livre.


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Gestão Ambiental


Pedro Cuiça © Passadiços do Paiva (Arouca, 2018)

O Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal/Escola Nacional de Montanhismo (FCMP/ENM) vai realizar, no dia 16 de Maio, mais uma edição das Palestras da Montanha, desta feita sob o tema Gestão Ambiental (d)e Percursos Pedestres. Esta acção de formação contínua é validada pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), atribuindo por isso Unidades de Crédito para a revalidação de Títulos Profissionais de Treinador de Desporto em Pedestrianismo, nos seus vários graus: I, II e III.
A prática de Pedestrianismo – tal como o desenho, a implementação e a utilização de Percursos Pedestres, mormente Pequenas Rotasâ (PRâ) e Grandes Rotasâ (GRâ) – não deve estar alheada de questões essenciais no âmbito da gestão ambiental. O desempenho adequado das funções de Treinador de Pedestrianismo deve necessariamente integrar estratégias e metodologias de gestão ambiental, sob diversas formas e abordagens, sendo esse o enfoque desta edição das Palestras da Montanha.
De entre os objectivos específicos desta palestra destacam-se o conhecimento (1) de conceitos basilares no âmbito da gestão ambiental, (2) das características e especificidades de diversas tipologias de Percursos Pedestres, (3) das estratégias de sensibilização e educação ambiental, (4) do enquadramento legal basilar sobre Ordenamento do Território com implicações no âmbito dos Percursos Pedestres, (5) das diferentes tipologias de intervenções nos Percursos Pedestres, no domínio das infraestruturas, e suas implicações no âmbito da conservação da natureza e, por último, (6) das especificidades da pegada ecológica e matrizes de impactes ambientais da prática de Pedestrianismo.

Pedro Cuiça © Grande Rota e Caminho de Santiago (Barcelinhos, 2016)

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A palestra foi acolhida com muitíssimo interesse por parte dos participantes, tendo sido levantadas diversas questões e estabelecidos pequenos "debates". A dinâmica que se verificou fez com que os trabalhos se prolongassem bastante para além da hora prevista, mas tal revelou-se muitíssimo gratificante tendo em conta a profundidade e a qualidade das abordagens, designadamente por parte de Técnicos de Percursos Pedestres e de técnicos do ICNF que estiveram presentes no evento.

Rúben jordão © Sala de Formação na sede da FCMP (16/Mai. 2019) 

quinta-feira, 4 de abril de 2019

A-CORDA

Pedro Cuiça © a primeira corda (04/Abr. 2019)

Se la corda è (anche) poesia
«Dedichiamo quindi queste pagine alla corda. Oggi come in passato, il nostro immaginario è conquistato dall’idea dello scalatore ritratto all’attacco, in parete o in vetta, accompagnato da una presenza imprescindibile: la corda, appunto, che rappresenta quell’indispensable ausilio per la sicurezza in ogni nostro passo verso la meta. La corda non è solo garanzia di una Maggiore sicurezza, ma è spesso una protesi del corpo dell’alpinista, una compagna fedele. O, assecondando la definizione dello scrittore Andrea Gobetti, un “amante”. In questo rapporto di simbiose e fidúcia, la corda è qualcosa in più di un semplice elemento della nostra attrezzatura. A volte si crea un rapporto emotivo o affettivo com quell’oggestto che può cambiare colore, dimensione, lunghezza. Ma al quale, di fatto, in grande parte affidiamo la nostra vida. La corda va saputa usare e i corsi organizzati dal Cai servono anche a questo. Ma a noi piace indagare non solo la sua dimensione materiale – narrando le innovazioni tecnologiche e i test che ne certificano la resistenza da cui depende la nostra sicurezza – ma anche la sua dimensione più poetica e sentimentale. (…) Noi però aggiungiamo che la corda è anche un elemento d’unione, è costruttice di relazioni. Infatti ci leghiamo in cordata. Insomma, la corda è anche poesia. “Il sogno canta su una corda sola” scriveva Alda Merini. Una corda che può avere colori e dimensioni diverse.»
Luca Calzolari (in Montagne360 nº 79/2019, p. 16)

Pedro Cuiça © cordas há muitas (04/Abr. 2019)

Un amore di corda
«La prima corda è come il primo amore: non si scorda mai. La mia era una 9 millimetri, color rosso scuro, com una miríade di pelucchi tanto pungenti che la facevano sembrare uno di quei bruchi ispidi e pelosi in cui ci imbattiamo di tanto in tanto. Quando era bagnata e gelava diventava un vero filo di ferro ma, in fin dei conti, era quello che volevamo, imbevuti come eravamo delle gesta di Bonatti o Diemberger. Usai la povera rossa per guidare alcuni amici su una insignificante cimetta alla base della Cresta est/nord-est del Pizzo Ventina e, rimbambito dall’orgoglio per quel compito ben eseguito, la dimenticai lassù. Fortunatamente me ne accorsi quasi subito.

NOSTALGIA DI QUELLA PRIMA CORDA
Chissà che fine há fatto la mia prima corda. Adesso che ci penso quasi mi commuovo perche mi accorgo che a quell’intreccio di fili sono misteriosamente legato come a una persona che mi pare dia ver trascurato e che ora vorrei rivedeere. Come facciamo tutti, l’avrò lasviata da parte perche invecchiata, perche per sicurezza se no doveva prendere una nuova e lei, silente, se n’è stata raggomitolata per mesi, magari per anni, in qualche cassetto o appesa in soffitta finché, senza il minimo rimorso, l’avrò regalata a qualche muratore o a un contadino, oppure a qualche neófita che muoveva i primi passi fra le cime. Cerco di ripercorrere la storia della mia 9 millimetri rossa ma il ricordo sfuma.* (…)»
Popi Miotti (in Montagne360 nº 79/2019, p. 18)


Pedro Cuiça © há corda(da)s especiais  - Ben Nevis (Escócia, 2007)**


Pedro Cuiça © há corda(da)s especiais (04/Abr. 2019)**

NOTAS
*A minha primeira corda também foi de 9 milímetros e vermelha, da marca espanhola Roca, e não só me recordo dela como ainda a guardo “religiosamente”, apesar de já terem passado mais de três décadas sobre as nossas primeiras experiências de escalada. Uma corda é um elo de ligação e essa primeira corda desempenhou esse papel, de conexão, de forma tão exemplar quanto marcante. Uma oportunidade única de recordar velhos companheiros de cordada, amigos para (toda) a vida, como o António Varela e o Alexandre Rodrigues (que também se tornou meu compadre). 
**A primeira corda será marcante mas existem outras cordas tão ou mais importantes. Para mim, uma corda que merece uma especial menção é a dupla da Black Diamond, roxa e verde, de 8.1 milímetros, que me acompanhou em algumas actividades memoráveis. Depois de ultrapassada a sua vida útil, no âmbito da escalada, foi cortada em diversos troços e ainda hoje as utilizo para ensinar técnicas de corda curta em formações de progressão em marcha de montanha. 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Montagne360 – La revista del Club alpino italiano, nº 79, Abril 2019.