quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Dos doutos


«Outrora havia muitos analfabetos, que não sabiam ler nem escrever línguas humanas, mas ainda podiam ler e comunicar os sinais das coisas vivas: o pulsar da terra, os avisos do vento, as metamorfoses das nuvens, os ritmos das águas, o brilho dos astros, as expressões das pedras, as emoções das plantas, os sentimentos dos animais, as solicitações dos espíritos, os fluxos do invisível. Hoje há cada vez menos desses analfabetos, mas superabundam os analfabetos letrados e diplomados que só sabem ler, escrever e comunicar palavras (e mesmo assim dificilmente), mas ignoram de todo as múltiplas línguas e linguagens em que os seres e as coisas do mundo constantemente nos falam e comunicam. Ser “culto” é muitas vezes o fim da Cultura.»
Paulo Borges
(in Facebook, 13 de Novembro de 2014)


Van Gogh © Campo de Papolas (1889)

«Estando eu adormecido, pôs-se uma ovelha a tasquinhar a coroa de hera da minha cabeça, e enquanto tasquinhava dizia: Zaratustra já não é sábio».
Tendo assim falado retirou-se altiva e desdenhosa.
Assim me contou um rapazito.
Gosto muito de me deitar aqui onde as crianças brincam, encostado à parede rachada, no meio dos cardos e das papoilas vermelhas.
Para as crianças e também para os cardos e as papoilas vermelhas, ainda sou um sábio. São completamente inocentes, até na sua maldade.
Mas para os carneiros, deixei de ser um sábio; é o meu destino e bendigo-o.
Porque a verdade é que fui eu próprio que deixei a casa dos sábios, atirando com a porta.
Demasiado tempo esteve a minha alma faminta sentada à sua mesa; eu não sou feito como eles para petiscar o Conhecimento como se partem nozes.
Amo a liberdade e o vento que corre sobre a gleba fresca; gosto ainda mais de dormir em cima de peles de bois do que em cima das suas honrarias e das suas dignidades.
Sou demasiado ardente, demasiado consumido pelos próprios pensamentos, falta-me amiúde a respiração. Então preciso de sair para o ar livre, longe de todos os compartimentos empoeirados.
Mas eles estão sentados à fresca sob a sombra fresca; em parte alguma querem passar de espectadores e defendem-se de ir sentar-se nos degraus caldeados pelo sol.
À semelhança dos que param na rua, a olhar de boca aberta para quem passa, assim eles esperam e aguardam, de boca aberta, os pensamentos que outros inventaram.
Logo que se lhes toca, deixam escapar, involuntariamente, uma nuvem de pó, como sacos de farinha; mas como reconhecer nesta poeira o grão e a glória dos campos estivais?
Logo que se julgam sábios, fico horrorizado com as suas sentenças mesquinhas, as suas pequenas verdades; a sua sabedoria cheira muitas vezes a pântano; e na verdade, aí discerni mais de uma vez o coaxar das rãs.
São hábeis e têm dedos dextros; que pode a minha simplicidade contra a sua complexidade? Os seus dedos entendem à maravilha tudo quanto seja fiar, ajuntar e tecer; tanto assim que fazem as meias do espírito.
São bons relógios, desde que haja o cuidado de lhes dar corda. Indicam então a hora sem se enganar, ao mesmo tempo que deixam ouvir um modesto ronronar.
(…) Também sabem jogar com dados falseados; e vi-os jogar com tal entusiasmo que estavam banhados em suor.
Não tenho nada de comum com eles; as suas virtudes repugnam-me ainda mais do que as suas falsidades e os seus dados falseados.
(…)
Assim falava Zaratustra.
[NIETZSCHE, 1985: 139-140]

© algures na Web

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falava Zaratustra. Lisboa-. Guimarães Editores, 1985, pp. 376.

Iludências


Seis associações ambientalistas lançaram ontem um comunicado em defesa da proibição da caça à Rola-brava (Streptopelia turtur): a GEOTA, a Liga para a Protecção da Natureza (LPN), a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), a Quercus, o Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens (FAPAS) e a Associação Natureza Portugal/World Wild Fund (ANP/WWF). Segundo salientam, a população de Rola-brava «tem diminuído acentuadamente por toda a Europa nas últimas dezenas de anos», sobretudo devido à intensificação agrícola (corte de sebes, destruição de mosaicos agrícolas e uso indiscriminado de fitofármacos) e à caça excessiva em países como Itália, França, Espanha e Portugal. Ao que parece o problema foca-se na árvore – a caça que deve ser limitada a um «limite sustentável de abate» (?) – e desfoca-se da floresta – toda a complexidade de uma realidade global, com gritantes implicações locais –, numa aparente cegueira, surdez e/ou outros quaisquer condicionalismos, mormente (quem diria?) económicos... Até parece que a generalidade dos sistemas naturais e semi-naturais, tal como a maior parte das espécies selvagens, não se encontram ameaçados e que não é preciso ir mais fundo no(s) problema(s)/análise(s) e soluções!
O presidente do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) esteve hoje de manhã em directo na TSF para, de forma titubeante, dar a entender que a caça à Rola-brava até estará a ser bem gerida em Portugal. Ao que parece, nem poderia ser de outra forma!... Até parece que a caça é fundamental para manter os tão necessários equilíbrios ecológicos, num país rico em vastos e diversificados ecossistemas naturais e semi-naturais, como se os sistemas naturais não fossem auto-reguláveis! Aquecimento global, alterações climáticas, incêndios florestais, destruição da floresta autóctone e diversas espécies de fauna selvagem em vias de extinção, entre outros (demasiados) quejandos: que é isso, pá?
Ao que parece a conservação da natureza não passa de um mero paliativo – uma espécie de banho (ou banhada?) verde (greenwashing, em “amaricano”) –, com vista a perpetuar o insustentável sistema de crescimento económico exponencial e simultaneamente aquietar consciências… Até parece que não é necessário implementar uma efectiva protecção da natureza!
O que parece muitas vezes não é e o que é outras tantas não (trans)parece! Motivo pelo qual há imensa margem de manobra para superficiais abordagens “verdes” ou o seu oposto, frequentemente umas e outras apresentadas “a preto e branco”… e à brava. Por estas e por outras é que se torna difícil compreender que existam “superfícies comerciais” na Torre e, simultaneamente, seja "condicionado" o acto de andar a pé no planalto central da Serra da Estrela! Por estas e por outras é que as aparências continuam a iludir. Até parece!...


segunda-feira, 12 de novembro de 2018

HOUVE UM DIA


© DR 

«HOUVE UM DIA em que a minha avó deixou de andar.
Nesse dia morreu. O seu corpo ainda viveu mais algum tempo, mas os novos joelhos, que por meio de uma cirurgia tinham substituído os antigos, estavam muito gastos e tornaram-se incapazes de transportar o corpo. O resto das forças que ainda tinha nos músculos foi desaparecendo devido aos dias passados na cama. O seu aparelho digestivo começou a falhar. A pulsação tornou-se mais baixa e irregular. Os pulmões absorveram cada vez menos oxigénio. Já perto do fim, arfava com falta de ar.
Por essa altura eu tinha as minhas duas filhas em casa. A mais nova, Solveig, tinha treze meses. Enquanto a sua bisavó se encolhia lentamente em posição fetal, Solveig decidiu que já era tempo de aprender a andar. De braços levantados por cima da cabeça e mãos agarradas aos meus dedos, conseguiu titubear pelo chão da sala de estar. De cada vez que soltava as mãos e tentava dar uns passos sozinha, descobria as diferenças entre o que está em cima e o que está em baixo. Quando tropeçava e batia com a testa no rebordo da mesa da sala, aprendia que certas coisas são duras e outras moles. Aprender a andar talvez seja um dos empreendimentos mais arriscados da vida.
De braços estendidos, para manter o equilíbrio, Solveig em breve aprendeu a arte de caminhar pelo chão da sala. Estimulada pelo medo de cair, dava uns passinhos, num ritmo staccato. Ao observar as suas primeiras tentativas, surpreendeu-me a forma como afastava os pés. Como se quisesse agarrar-se ao chão. «O pé de uma criança ainda não sabe o que é um pé / e quer ser uma borboleta ou uma maçã», escreveu o poeta chileno Pablo Neruda no início do seu poema «Al pie desde su niño1».
(…) Quando a minha avó – eu chamava-lhe «mormor» – nasceu em Lillehammer, noventa e três anos antes de Solveig, a sua família dependia dos próprios pés como principal meio de transporte de um lugar para o outro. A mormor podia ir de comboio se quisesse viajar para muito longe, mas não tinha muitas razões para sair de Lillehammer. Em vez disso, o mundo é que chegava até ela. Durante a sua juventude pôde testemunhar a chegada de carros, bicicletas e aviões, produzidos em série, à sua província de Oppland. A mormor contou-me que o meu bisavô uma vez lhe pediu para o acompanhar até Mjösa, o maior lago da Noruega, para ambos poderem ver um avião. Ela contava essa história com tanto êxtase que parecia que acontecera na véspera. Os céus – de repente – tinham deixado de ser o reino exclusivo dos pássaros e dos anjos. [KAGGE, 2018: 15-18]» É desta forma que Erling Kagge inicia o seu novo livro, acabado de editar pela Quetzal, em Outubro de 2018, sobre A Arte de Caminhar.

© DR

HOUVE UM DIA em que a minha tia-avó Gertrudes também morreu quando, por ter partido uma perna, deixou de andar.  Apesar de ser uma anciã com uma idade muitíssimo respeitável, aparentava ser bem mais nova do que realmente era… Era uma rija e escorreita andarilha, e eu, invariavelmente, quando a ouvia subir a escadaria do prédio de vários andares, onde morava, diversas vezes todas as manhãs, não podia deixar de pensar que era uma atleta inveterada, tendo em conta o elevado ritmo da passada e a respiração acelerada! Era o que a mantinha viva: ir todos os dias a pé às compras ou efectuar outras tarefas para si e para as suas amigas idosas que, por dificuldades de mobilidade, não o podiam fazer com a regularidade desejada ou desejável. Por vezes, semanalmente ou mensalmente, também distribuía propaganda partidária ou o boletim do partido, numa área considerável, nos arredores de onde morava, sempre a pé. E, claro, além disso também se encarregava de toda a lida da casa…
O seu marido há muito que se sedentarizara, após a sua reforma, num dia-a-dia cercano e que invariavelmente passava por beber uns copos com os amigos. Quem notava agora a sua barriga proeminente não poderia adivinhar a sua anterior figura – alta, magra e espadaúda –, quando palmilhava o trajecto de onde morava até ao seu trabalho e respectivo regresso, numa distância diária superior a uma dezena de quilómetros. Também terá morrido quando deixou de andar a pé?... Será discutível tendo em conta que acompanhou a minha tia-avó durante bastantes anos na sua admirável e recorrente “alta pedalada”. Certo é que, após esta ter partido a perna, regressaram ambos à sua “terra natal” para, pouco depois, deixarem este mundo.


 © DR

HOUVE UM DIA em que eu andando, num percurso pedestre, na ilha de S. Jorge fui confrontado com o facto surpreendente de ter sido usual existirem pessoas que não tendo razões para saírem da fajã, onde sempre viveram e morreram, de lá nunca saíram. Se quisessem viajar para muito longe melhor seria fazê-lo de barco, numa ilha cujas dimensões, sendo certamente ignoradas, eram necessariamente ínfimas. Mas seria todavia expectável que tivessem a curiosidade de subirem fajã acima, a pé, para, que mais não fosse, alargarem os (vastos) horizontes sobre o mar circundante? Assim não era e não foi!…
Os meus tios-avós vieram para Lisboa, para ganhar a vida e muito andaram a pé nos seus trajectos urbanos do dia-a-dia, para um dia retornarem ao seu Além-Tejo a fim de morrer… A sua fajã terá sido em Serpa ou em Lisboa? A vida e a morte fazem parte de um mesmo ciclo perpétuo, uns param de andar para que outros o comecem a fazer e o que está em cima é como o que está em baixo. «Aprender a andar talvez seja um dos empreendimentos mais arriscados da vida», mas deixar de andar é fatal!

© DR

HOUVE UM DIA em que senti saudades do passado e HOUVE UM DIA em que senti saudades do futuro. TEM DIAS! «O caminhar considerado como uma combinação de movimento, humildade, equilíbrio, curiosidade, cheiros, sons e luz e – se andarmos suficiente – um sentimento de desejo. Um sentimento de querermos alcançar uma coisa que procuramos, sem a encontrarmos. Na língua portuguesa existe uma palavra intraduzível para este desejo: saudade. Trata-se de uma palavra que engloba amor, dor e felicidade. Pode ser o pensamento de algo alegre que nos perturba ou de algo perturbador que nos traz plenitude. [KAGGE, 2018: 43]»




NOTA DO TRADUTOR
Poema de Pablo Neruda: «El pie del niño aún no sabe que es pie, / y quiere ser mariposa o manzana. / Pero luego los vidrios y las piedras, / las calles, las escaleras, / y los caminos de la tierra dura / van enseñando al pie que no puede volar, / que no puede ser fruto redondo en una rama. / El pie del niño entonces / fue derrotado, cayó / en la batalla []» [in KAGGE, 2018: 16]

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
KAGGE, Erling. A Arte de Caminhar – Um passo de cada vez. Lisboa: Quetzal, 2018, pp. 210. ISBN 978-989-722-519-2

Montanhismo Europeu


Pedro Cuiça © European Olympic Committees EU Office (Bruxelas, 10/11/2018)

A primeira Assembleia-Geral da Federação Europeia de Montanhismo (EUMA – European Mountaineering Association) decorreu, no passado sábado (10 de Novembro), em Bruxelas, nas instalações do European Olympic Committees EU Office. De entre os pontos que integraram a visão estratégica da EUMA, para os próximos anos, destaca-se a aposta inequívoca na promoção dos caminhos de montanha (mountain trails).

Pedro Cuiça © nas imediações do Parlamento Europeu (Bruxelas, 10/11/2018)

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Put on your boots


DR © Pedestris (2018)

«Put on your boots and get going. [] I’m already on my way, ready for anything–even for retreat, if I meet the impossible. I’m not going to be killing any dragons, but if anyone wants to come with me, we’ll go to the top together on the routes we can do without branding ourselves murderers.»

Reinhold Messner 
(in DHAR, 2013)


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
DHAR, Amrita. The Unaccommodated: The Himalaya and the Makers of Their Literature. Disponível em http://humanitiesunderground.org/the-unaccommodated-the-himalaya-and-the-makers-of-their-literature/

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Excelsior


Gravura de Edward Whymper © Alpes (séc. XIX)

The shades of night were falling fast,
As through an Alpine village passed
A youth, who bore, ‘mid snow and ice’,
A banner with the strange device
Excelsior!

His brow was sad; his eye beneath,
Flashed like a falchion from its sheath,
And like a silver clarion rung
The accents of that unknow tongue,
Excelsior!

In happy homes he saw the light
Of household fires gleam warm and bright;
Above, the spectral glaciers shone,
And from his lips escaped a groan,
Excelsior!

“Try not the Pass!” the old man said;
“Dark lowers the tempest overhead,
The roaring torrent is deep and wide!”
And loud that clarion voice replied,
Excelsior!

“Oh stay”, the maiden said, “and rest
Thy weary head upon this breast!”
A tear stood in his bright blue eye,
But still he answered, with a sigh,
Excelsior!

“Beware the pine-tree’s withered branch!
Beware the awful avalanche!”
This was the peasant’s last Good-night,
A voice replied, far up the height,
Excelsior!

At break of day, as heavenward
The pious monks of Saint Bernard
Uttered the oft-repeated prayer,
A voice cried through the startled air,
Excelsior!

A traveller, by the faithful hound,
Half-buried in the snow was found,
Still grasping in his hand of ice
That banner with the strange device,
Excelsior!

There in the twilight cold and gray,
Lifeless, but beautiful, he lay,
And from the sky, serene and far,
A voice fell like a falling star,
Excelsior!

Henry Wadsworth Longfellow (1842)



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Ritratti


Ritratti di alpinisti

Oberto, Orsini e Bisaccia: tre uomini com la montagna nel cuore e nelle azioni

© Giuseppe Oberto

© Mario Bisaccia

Ogni alpinista ha la sua storia. Anzi, ogni alpinista è la sua storia. Cambiando un verbo, ecco che la stessa frase assume un significato tutto nuovo.
Perché un conto è poter reccontare ciò che si è realmente vissuto, altra cosa è assumere quelle esperienze come un concentrato d’immagini, emozioni e stati d’animo che i nostri sensi hanno percepito e tradotto. Elementi che sono stati capitalizzati e transformati in energia. Una carica capace di incidere sulla vita, sul carattere e perfino sulla Storia. Quella com la S maiuscola che non appartiene più solo alla persona ma che, al contrario, diventa un patrimonio pubblico. E quel patrimonio, oggi, noi lo mettiamo nero su bianco in queste pagine. Me mettiamo in edidenza i contrasti, le spigolature e le tante luci che l’hannoi illuminato consentendogli di continuare a risplendere nel tempo. Contrasti che comiciano a farsi evidenti già in certe foto epiche scattate prima che l’immagine a colori fosse alla portata di chiunque. Abbiamo raccontato le imprese sull’Himalaya di Giuseppe Oberto, che Teresio Valsesia definisce «modesto e riservato». Eppure questo grand’uomo, pur essendo refrattario alle luci della notorietà, ha impresso sulle luci dei ghiacciai imprese straordinarie. È morto solo tre mesi fa, ma il suo nome continueremo a citarlo a lungo insieme ai più grandi alpinisti del Novecento. Passando da una narrazione all’altra, abbiamo deciso di raccontare anche la storia del geologo Antonio Orsini, che oltre a essere uno dei fondatori della Società italiana di Scienze Naturali há participipato alla prima ascensione del Corno Piccolo del Gran Sasso. Era il 1840. Una triade di storie diverse tra loro, ma accomunate dall’amore per la montagna, che non potevano che chiudersi com il ritratto di un altro grande alpinista che non ci há lasciato solo il ricordo delle sue scalate. No, Mario Bisaccia há fatto qualcosa di più. Qualcosa di ugualmente grande. Era un caposcuola indiscusso, era un innovatore. Caratteristiche, queste, che hanno lasciato il segno. Il più evidente? Il nodo Mezzo Barcaiolo, utilizzato per assicurare. E lui, Bisaccia, ce l’há lasciato in eredità.
[CALZOLARI, 2018: 15]

© Nó dinâmico


NOTAS
· O destaque de certas palavras a negrito é de nossa autoria.
· As fotografias dos alpinistas e a figura do nó dinâmico foram retiradas da Web.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
CALZOLARI, Luca. Ritratti di alpinisti in Montagne360 – La rivista del Club alpino italiano, nº 74, Novembro de 2018, pp. 80



O Guia


O Guia de Montanha na paisagem sintriana…

António Joaquim Ramos (Tóquim) © Penedo da Amizade (Serra de Sintra, 04/Nov. 2018)

Treinos de Montanha


Pedro Cuiça © Cântaro Magro (Serra da Estrela, Out. 2018)

Pedro Cuiça © Fojo (Cordilheira da Arrábida, Nov. 2018)

Pedro Cuiça © Fojo (Cordilheira da Arrábida, Nov. 2018)

Os módulos de aulas e de avaliações presenciais da componente específica da terceira edição do Curso de Treinadores de Montanha – Grau I decorreram, nos dias 26 a 28 de Outubro, na Serra da Estrela e, nos dias 1 a 4 de Novembro, nas Penínsulas de Setúbal e de Lisboa. O primeiro módulo centrou-se no posicionamento e na navegação em terreno montanhoso, na marcha de montanha e na gestão de grupos em actividades de montanha. O segundo abordou o ensino-aprendizagem da escalada num nível de iniciação, a escalada desportiva em rocha e em Estruturas Artificiais de Escalada (EAE), a escalada clássica e técnicas e manobras de rapel em vias de um largo.
Um programa exigente e intensivo de sete dias de actividades em diversos meios e tipos de rocha, finalizado com a realização de testes escritos nas componentes geral e específica. Apesar de o módulo inicial ter sido marcado por um frio intenso e pelo primeiro nevão da época e ter ocorrido um denso nevoeiro no dia da prova de orientação, que constituíram acrescidos e aliciantes desafios, o segundo módulo decorreu com um tempo atmosférico de feição, tendo em conta que fintou a pluviosidade que se fez sentir nesses dias, noutras horas e paragens.
Agora segue-se a componente de estágio, com a duração mínima de 10 meses, na qual os formandos deverão apurar e aperfeiçoar o seu desempenho a diversos níveis, mormente no que concerne ao treino de iniciados nas disciplinas de montanhismo e escalada.


Pedro Cuiça © Fojo (Cordilheira da Arrábida, Nov. 2018)

Pedro Cuiça © Fojo (Cordilheira da Arrábida, Nov. 2018)

Pedro Cuiça © Penedo da Amizade (Serra de Sintra, Nov. 2018)

terça-feira, 23 de outubro de 2018

D'a virtude

DR © Nikolai Konstantinovich Roerich

O nosso espírito lança-se para as alturas; serve assim de símbolo ao nosso corpo, e é imagem de uma ascensão. Os nomes das virtudes são outros tantos símbolos desta ascensão.
[NIETZSCHE, 1985: 84]

O momento em que desprezais o conforto e a cama fofa, em que nunca vos julgais bastante longe da moleza para repousar, é o momento em que nasce a vossa virtude.
[NIETZSCHE, 1985: 85]

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falava Zaratustra. Lisboa-. Guimarães Editores, 1985, pp. 376.


O Cervo


DR © 

O Servo do Senhor
(…)
6 Eu o Senhor te chamei em justiça, e te tomarei pela mão, e te guardarei, e te darei por concerto do povo, e para luz dos gentios.
7 Para abrir os olhos dos cegos, para tirar da prisão os presos, e do cárcere os que jazem em trevas.
(…)
9 Eis que as primeiras coisas passaram, e antes que venham à luz, vo-las faço ouvir.
(…)
16 E guiarei os cegos por um caminho que nunca conheceram, fá-los-ei caminhar por veredas que não conheceram: tornarei as trevas em luz perante eles, e as coisas tortas em direitas. Estas coisas lhes farei, e nunca os desampararei.
Isaías 42

DR © 

Post Scriptum: na sequência de eventos de 15 de Outubro de 2018...

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Luogo spirituale

LA MONTAGNA IMMAGINARIA


Per il ventiquattresimo anno consecutivo i monti Lessini, a nord di Verona, hanno ospitato uno dei più interessanti festival europei dedicati a vita, storia e tradizioni in montagna. Dal 24 agosto al 2 settembre il Film Festival della Lessinia (www.ffdl.it) ha portato nel bosgo di Bosco Chiesanuova lungometraggi, documentari, corti e animazioni da tutto il mondo coi loro registi, ma anche scrittori, esploratori, studiosi e abitanti della montagna nelle sue mille sfumature.
[RUSSO, 2018: 54]



(…) Al tema di quest’anno, la montagna immaginaria, era dedicata la retrospettiva, che ha proposto grandi classici del cinema come La montagna sacra di Jodorowsky (1975), Orizzonte perduto di Frank Capra (1937), La bella maledetta di Leni Riefenstahl (1932) e Twin peaks di David Lynch (1990). Un’ottima occasione per rivedere film belli e talvolta discussi.
Ricca anche la serie di incontri intitolata ‘Parole alte’. Andrea Moro ha portato il suo romanzo Il segreto di Pietramala (La nave di Teseo, 2018), mentre la scrittrice Elena Loewenthal ha dialogato com Adriana Cavarero sulla montagna come luogo spirituale. Partendo da La nascita del Purgatorio di Jacques Le Goff, Mario Allegri ha narrato la genealogia della ‘montagna inventata’ accompagnato dai canti della Divina Commedia, letti da Alessandro Anderloni. Michele Lobaccaro, Domenico Monaco e Margherita Sciarretta si sono addentrati com parole e musica nel romanzo Il Monte Analogo, di René Daumal. Guido Roghi, Francesco Sauro e Natalino Russo hanno proposto un viaggio tra geologia e speleologia, strumenti capaci di far immaginare montagne nascote come quelle esplorate dall’associazione La Venta e raccontate nel libro Nel cuore della Terra (Skira, 2017). Tiziano Fratus, autore di molti libri tra cui Il bosco è un mondo (Einaudi, 2018), ha accompagnato il pubblico in un percorso fatto di boschi e alberi millenari. (…)
[RUSSO, 2018: 56-57]


NOTA
As palavras assinaladas a negrito são de nossa iniciativa.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
RUSSO, Natalino. L’anno della Lituania. Montagne 360 – La rivista del Club alpino italiano, Outubro de 2018, pp. 54-57.