Nos dias 28 a 30 de Abril realiza-se o Walking Weekend’17, “o melhor festival de caminhadas da região
centro”, no qual irei realizar o workshopPedestrianismo
enquanto Actividade Multifacetada: treino e enquadramento de praticantes.
Apareçam!...
Depois de
praticamente três meses de “paragem” no que concerne ao treino e à prática de
caminhada, na sequência de tratamento de uma fasceíte plantar, regressámos às
nossas Lisbon Walks, desta feita da Gare do Oriente até Cascais. Uma caminhada
de cerca de 40 quilómetros de extensão e nove horas de duração, ao jeito de “tira-teimas”,
para ver… como vão as coisas! Parece que vamos recomeçar as andanças pedestres,
mas devagarinho e com “conta, peso e medida” :)
O Círculo do Entre-Ser inicia em Abril um ciclo de tertúlias quinzenais, onde se debaterão informalmente questões contemporâneas, na perspectiva de uma cultura do despertar da consciência para a natureza profunda da realidade, a da interdependência de todos os seres e fenómenos. O mês de Abril será dedicado ao tema ecologia profunda e eco-espiritualidade. As sessões decorrerão das 18:30 às 20:30.
4 de Abril
Paulo Borges - Apaixonar-se pela Terra. A ecologia integral no Papa Francisco e em Thich Nhat Hanh
Sara Inácio - Formas de Silêncio: Esculturas com a Terra
18 de Abril
Isabel Correia - Ecobudismo
Pedro Cuiça - Caminhar: ecosofia e eco-espiritualidade
E como o dia da Mulher é como o Natal – devia ser
todos os dias –, aqui fica uma pequena nota, aparentemente desfasada, acerca de
um SER HUMANO com letra grande e de uma grande MULHER: Emma Rowena Gatewood
(1887-1973).
Emma foi uma dona de casa e mãe de 11 filhos, vítima
reiterada daquilo que é hoje amiúde designado por «violência doméstica»: sofreu
graves e continuadas agressões, a partir das primeiras semanas do casamento, tendo
sido espancada pelo marido, em várias ocasiões, quase até à morte, de que
resultaram costelas e dentes partidos, entre outras lesões físicas, tal como
tão ou mais graves danos a nível psicológico. Ademais, não bastasse essa
aterradora realidade, o marido ameaçou-a de efectivar o seu internamento, e
tentou repetidamente confiná-la, em instituições de saúde mental. No entanto,
as autoridades sabiam que se havia algum problema do foro psíquico não seria
certamente da parte dela!
O que nos move, todavia, neste sumário texto,
não é certamente o devassar da vida privada deste desavindo casal nem, muito
menos, produzir um, tão em moda, reconfortante relambório acerca da infortunada
condição do «coitadinho» ou do «desgraçadinho» – neste caso no feminino – versus o papel do «malvado» ou do «abjecto»
(vulgo «javardolas»). E, tão evidente quanto decorrente, estando nós do lado do
bem e indignadíssimos com o mal!... Menos ainda nos move expor os infortunados
episódios da vida de Emma Gatewood, bem pelo contrário*. Nesta singela
homenagem a essa grande MULHER pretendemos, precisamente, enaltecer as suas ímpares
e altaneiras vivências.
Quando o seu marido se tornava violento, Emma de
vez em quando fugia para o bosque para encontrar paz e… solidão. Depois de várias
vezes recorrer às caminhadas na floresta, nas imediações da sua casa no Ohio
(EUA), como fuga ao seu marido, ganhou finalmente, em 1940, a coragem necessária para se
divorciar.
Depois de criar os seus filhos, comunicou, em
1955, que partia para uma grande caminhada e… tornou-se a primeira mulher a
percorrer integralmente o Appalachian Trail. Na altura tinha 67 anos e um
equipamento precário: o calçado era umas simples sapatilhas Keds e como abrigo
dispunha de uma cortina plástica de duche; carregava um cobertor do exército, um casaco impermeável, um
saco caseiro para transportar o equipamento ao ombro e pouco mais! Foi alvo da
atenção dos media, ficou
famosa e ganhou o epíteto de «Grandma Gatewood».
Apesar de ser algo crítica acerca do itinerário
que, segundo ela, por alguma «tola razão» conduz sistematicamente ao topo das maiores
montanhas, viria a repetir o percurso por mais duas vezes (em 1960 e 1963), a
última das quais com 75 anos de idade. Deste modo, tornou-se a primeira pessoa
a fazer o Appalachian Trail três vezes e a mulher com mais idade a perfazer
esse itinerário. Além disso,
caminhou 3200 quilómetros ao longo do Oregon Trail, de Independence (Missouri)
até Portland (Oregon), andando uma média de 35 quilómetros por dia. Grandma
Gatewood foi, por mérito próprio (independentemente
de questões de género), uma «extreme hiker»
e pioneira do pedestrianismo ultra-leve de longo curso. Tendo-se tornado
uma celebridade, foi alvo de frequentes momentos de «trail magic» (assistência de estranhos), designadamente através da
dádivas de alimentos e oferta de lugares para pernoitar, e fez inúmeros amigos.
Grandma Gatewood desfrutou imensamente do andar e foi certamente muito feliz
nas suas andanças.
*A propósito de infortunados
episódios da vida, ocorre-nos o
exemplo de Christopher McCandless sobre o qual foram revelados episódios de
violência paterna durante a sua infância, juntamente com «teorias pouco abonatórias» e perfeitamente dispensáveis, no livro The Wild Truth (2014), da
autoria da sua irmã Carine McCandless!
«Um dos
fenómenos mais significativos daatualidade é a redescoberta das práticas
contemplativas tradicionais pela civilização ocidental, não só nos seus
originais contextos espirituais e religiosos, mas também pela cultura laica,
verificando-se a sua crescente difusão não só na sociedade em geral, mas também
em vários contextos mais específicos como a educação e o ensino, o mundo
empresarial, os cuidados de saúde, as prisões e osprojetos de
transformação social.
O
Colóquio pretenderefletir sobre este fenómeno da redescoberta
das práticas contemplativas pela cultura contemporânea, aprofundando as suas
origens, natureza e consequências em termos do devir desta cultura e da própria
civilização ocidental globalizada, num momento de evidente crise do seu
paradigma dominante.»
«No próximo sábado irá decorrer, no Parque de Saúde
de Lisboa, a apresentação pública do projecto “Seis Aparições, Seis Peregrinações”. O evento pretende revelar alguns pormenores desta iniciativa que, em ano de
Centenário das Aparições de Fátima, visa concretizar seis
peregrinações pelos Caminhos de Fátima. As seis peregrinações, em
autonomia (sem carro de apoio), realizar-se-ão entre Maio e Outubro, ao longo
dos diferentes Caminhos de Fátima – Caminho
do Norte, Caminho Poente, Caminho Nascente e Caminho do Tejo) –, num total de 27 dias em peregrinação e 604
quilómetros de extensão.
O projecto “Seis Aparições, Seis Peregrinações” é parte integrante do estágio de Treinador de
Desporto, referente ao curso de Treinadores de Grau I na modalidade de
Pedestrianismo, organizado pela primeira vez, em 2016, pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP). Pedro Cuiça, o tutor do estágio, é detentor
do Título Profissional de Treinador de Desporto em Pedestrianismo – Grau III, é Director Técnico de Montanha da FCMP e autor de diversos livros e manuais de
caminhada e trekking, incluindo o
recente manual Passo a Passo. Mário
Amorim é Treinador Estagiário e autor do projecto. Este peregrino e guia de peregrinos, entendeu fundir num só
projecto diferentes vertentes da sua vida, destacando-se uma marcante componente
solidária e social sob diversos moldes:
1)divulgar o extraordinário trabalho da Associação Humanidades,
em especial a sua missão orientada para o apoio à Mulher, jovem e Mãe, promovendo a angariação de fundos
que esta IPSS tanto necessita;
2) divulgar o altamente meritório esforço da Associação de Amigos dos Caminhos de Fátima, na recuperação, conservação, sinalização e
divulgação dos caminhos do Tejo, Poente, Nascente e Norte;
3) contribuir para promover as peregrinações por caminhos alternativos
às estradas, privilegiando a segurança e bem-estar de milhares de peregrinos;
4) divulgar a prática de pedestrianismo como actividade de ar livre promotora do bem-estar e saúde dos praticantes, estimulando um contacto consciente
e responsável com a Natureza.»
M.A.
Sessão de apresentação
pública do Projeto “Seis Aparições, Seis Peregrinações”
ENTRADA LIVRE
Data: 4 de março de 2017
Local: Parque de Saúde de
Lisboa – auditório do edifício
Tomé Pires – Avenida do Brasil nº 53, 1749-004 Lisboa
Abertura da sessão: 10.00 a.m.
Programa:
10.00 – Rodrigo Cerqueira: Os caminhos e a Associação de Amigos dos
Caminhos de Fátima;
10.30 – Pedro Cuiça: Pedestrianismo
enquanto actividade multifacetada: treino e enquadramento de praticantes;
11.00 –Isabel Lopes: A missão
e os desafios da Associação Humanidades;
11.30 – Mário Amorim: Projeto de
estágio “Seis Aparições, Seis Peregrinações”;
«O Pico é a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma
beleza que só a ela pertence, duma cor
admirável e com um estranho poder de atracção. É mais do que uma ilha – é uma
estátua erguida até ao céu e moldada pelo fogo (…).»
Raúl Brandão inAs
Ilhas Desconhecidas (1926)
«Nigredo alquímico; cor-beau
(corvo) da “langue verte” dos
argóticos (os da arte “gótica”) que belamente exprime o corpo tisnado pelo fogo, reduzido a uma espécie de puraantracite cujas escórias estão já consumidas e é tudo o que resta (…)
após a primeira morte ou consumação pelo
fogo alquímico, resíduo negro volátil,
matéria prima ou caroço da quadratura ou corpo belo de que poderá partir-se
para a ulterior sucessão de sublimações, precipitações e operações conducentes
à obra branca e à rubificação.»
Diário de Lima de Freitas (14 Nov. 83) inPorto
Graal (Ésquilo, 2006: 175)
«All
those moments will be lost in time… Like tears in rain… time to die.»
O Pedestrianismo trata-se de um desporto para todos – uma actividade informal, inclusiva, recreativa, intergeracional e não competitiva – cuja
prática regular comporta inúmeros benefícios para a saúde dos praticantes,
designadamente por decorrer preferencialmente na “Natureza”. Mais, a prática
informal de caminhada, integrada nos afazeres do dia-a-dia, mesmo (e sobretudo)
em ambiente urbano, revela-se, para além de promotora da saúde dos
“praticantes”, uma actividade slow,
sustentável e green que pode (e deve)
contribuir para mitigar a pegada ecológica diária de cada um dos cidadãos
envolvidos.
Numa época de apologias, mais ou menos sub-reptícias ou
ostensivas, sobre ambientes tão virtuais quanto alienantes, na qual vigoram
superficialismos estereotipados e obsessões “politicamente correctas”, em torno
de equívocos (pretensos) unanimismos, virá à colação uma reflexão sumária sobre
o woodcraft, ademais no dia em que se
comemora o nascimento do fundador do Boy Scout
Movement: Lord Baden-Powell of Gilwell. Neste contexto, serão de destacar
notórias perdas, que se têm vindo a propagar paulatinamente, desde há décadas,
no domínio da naturalidade, da espontaneidade e de inúmeras liberdades
elementares, mormente através de discursos encomiásticos que, a par de
propagandear a comercialização e a banalização da “aventura” (e não só), promovem
uma obcecação pela segurança!
A evolução (ou involução?) que se verificou na prática scout, em particular, surge como um
exemplo expressivo – pela autenticidade e pioneirismo deste movimento (que, por
isso, constitui um autêntico landmark
em matéria de vivência do “ar livre”) – daquilo que viria a afectar, em geral,
toda a fenomenologia das praxis “fora
de portas”. Aquele que na edição original se designou Scouting for Boys e cujo
subtítulo deixava bem claro o seu objectivo – A Handbook for Instruction in Good Citizenship Through Woodcraft – transverteu-se, na versão
portuguesa, numa tradução que ignorou a componente nuclear de woodcraft, deixando adivinhar um
tendente sumiço da educação mediante actividades de plein air ou, melhor seria dizer, arejadas. Arejadas, desde logo,
por se praticarem em espaços de ar livre (ao invés de ambientes de sala ou
salão) e, além disso, sob formas o mais libertas de condicionalismos e
condicionantes que possível seja.
É sob essas tendências – que alguns apenas poderão intuir dansl’air
du temps (ou nem isso!) e que outros, sem dúvida mais sensíveis, sofrem
inequivocamente na pele – que se chegou a uma moldura contextual pródiga em contraditórias
aparências e mal-entendidos. E não estamos a pensar, de todo, apenas na propensão
pelo facilitismo, artificialismo e domesticação de preceitos que se traduzem,
por exemplo, na predilecção por acantonamentos – palavra utilizada na gíria esco(u)tista
para designar o acto de passar a noite entre quatro paredes (numa casa) – em
vez de dormir sob as estrelas. Antes fosse!...
Os tempos actuais são prolíferos no tocante a incongruências
e inconvenientes que se expressam sob diversificados moldes. Desde logo, uma
“paranóia regulamentar” de tudo legislar, burocratizar e normalizar, com
decorrentes proibições e restrições, de acesso, de andar, de acampar, de
foguear, etc.. E, pasme-se, os
condicionalismos estendem-se ao como (não) estar, ser, fazer!... Num contexto
de democracia inquestionável (?) é curioso constatar que nunca se verificou um
tão grande cerceamento de liberdades elementares, no tocante à prática de
actividades de ar livre, como agora! Tal como uma apetência e predisposição por
espaços intervencionados, ao jeito de “parques de recreio” normalizados e que
funcionem como uma espécie de sucedâneo daquilo que, como concepção alternativa,
passará (a muito custo) por “natureza”: parques de campismo, “parques aventura”,
percursos pedestres balizados, vias de escalada equipadas, arborismo, etc.. Outro fenómeno diverso, mas
semelhante no que concerne às motivações/crenças de base e aos erros
conceptuais destas resultantes, traduz-se na necessidade de implementar
mecanismos de gestão que supostamente não só garantam como catalisem a
eficiência e a eficácia, confundindo matrizes de desempenho com o próprio
desempenho ou gráficos com a realidade.
Ambos os sintomas, a “paranóia regulamentar” e os “tiques
tecnocráticos”, estão generalizados aos diversos sectores da sociedade e, portanto,
não se restringem exclusivamente às práticas outdoor e, muito menos, ao movimento esco(u)tista ou similares. [Poderemos considerar,
sem estar longe da verdade, que ambos se tratam de fenómenos globais e
globalizantes, ao estilo “huxleyano”, de um Admirável Mundo Novo(Brave New World)!] No entanto, é sobretudo
no âmbito do dito “desporto aventura”, e também do escotismo (ou escutismo,
como se queira), que estas fenomenologias revelam roupagens, a nosso ver, bastante
interessantes enquanto caso(s) de estudo, tendo em conta o desiderato original de
se constituírem como “escolas de vida” baseadas na livre vivência dos vastos
espaços naturais. Acresce ao aludido que ambos os sintomas ocorrem
frequentemente acompanhados por uma terceira variável: uma manifesta necessidade
de afirmação/poder/autoridade pessoal, muitas vezes extravasada sob a forma de “masculinidade
sobredimensionada” e/ou atitudes militaristas desfasadas dos contextos em que se
inserem. Aliás, foi por estas e por outras razões que surgiram, desde cedo,
movimentos divergentes do Scouting como o Kindred of the Kibbo Kift.
É neste enquadramento histórico que se assiste, nos últimos
anos, a uma metodologia educativa (extra)ordinária: os “educadores” ao invés de
se centrarem nas crianças/jovens, estimulando o desenvolvimento concreto das
suas capacidades e competências, alicerçadas num autodidactismo simultaneamente
livre e responsável (em que estes decidam, façam e aprendam por si), dispersam-se
em infindáveis reuniões em torno de abstracções escudadas por supostos critérios
de evidência que se traduzam invariavelmente naquilo que eles entendem (ou que
alguém entende por eles) ser o “sucesso”! Afinal basta que as matrizes e os gráficos
estejam bonitos, devidamente preenchidos com valores que tornem patente uma
expectável “excelência”.
Outro fenómeno curiosíssimo, digno do Entroncamento,
consiste na aparente convivência dos opostos “aventura” e “segurança”. Na verdade
tal não passa de uma risível aldrabice tendo em conta que se trata tão somente
de pseudo-aventura, dentro de limites de segurança considerados perfeitamente
aceitáveis! É nesse contexto, aliás, que se passou a impedir as crianças de
usar facas de mato (e até canivetes!) ou machados, de subir às árvores ou simplesmente
extravasarem alguma réstia de espontaneidade ou de experimentalismo digno de se chamar “aventura”. Fenómeno, aliás, que também se encontra vastamente difundido
no âmbito dos designados “desportos aventura”, mormente no ramo da animação
turística! É também neste contexto que será oportuno relembrar, neste Dia do Fundador,
valores antigos, de que tanto carecem os tempos actuais, na linha daqueles que foram defendidos por Baden-Powell. Só assim, com força e nobreza, se poderão derrotar a
fraqueza e o vício… A dureza e a vitalidade do corpo foram tão necessárias como
o são hoje. A híper-natural utopia espartana, ao contrário da utopia moderna
anti-natural, é tão actual quanto foi outrora e para a aplicar basta:
1. responder com simplicidade e honestidade – ser lacónico;
2. ter vontade de excelência – ser virtuoso;
3. limpar a vida de todos os detalhes supérfluos – ser simples;
4. endurecer a mente e o corpo contra o medo, a adversidade e a dor,
sobrando clareza e confiança para conquistar qualquer situação – ser corajoso.
Afinal, pontos de vista altaneiros permitem amplas
panorâmicas e contribuem para a largueza de vistas, enquanto que espaços
confinados ou limitados são o seu contrário. Para bom entendedor meia palavra
deveria bastar e contudo…
«Temos que levar gente, não a uma vida cómoda, a uma vida
fácil, mas temos que ter a coragem de levá-la a uma vida difícil, a uma vida
perigosa, pois só com uma vida difícil, rigorosa e perigosa, dá o homem o
melhor de si próprio. É necessário obrigá-lo a saltar obstáculos. A primeira
tarefa de educar é procurar varas bem altas e obrigá-lo a saltar.
Baden-Powell, o que fez nessa conferência célebre foi
exactamente isso, o exigir que se ponha diante das pessoas um objecto que vá
muito além daquele que lhe possibilitam as suas forças. Ele queria, para todos
os rapazes e para todas as moças, quando chegassem a essa idade, uma educação que
lhes temperasse a vontade, não mais gente na rua vendo gente a passar, não mais
gente encostada pelas portas dos cafés, não mais gente de 20 anos
vergonhosamente desocupada, passando todo o dia sem fazer coisa nenhuma,
fraquíssima de carácter, fraquíssima de corpo, esperando que chegue o tempo de
jantar para que chegue o tempo de dormir para que chegue o tempo de se levantar.»
Agostinho da Silva – Baden-Powell, Pedagogia e Personalidade
(1961) inTextos e Ensaios Pedagógicos II,
pp. 26-27
O Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP) vai
realizar uma palestra, no dia 15 de Março, sobre a temática Ética e Deontologia em Desportos de Montanha. Esta Acção de Formação Contínua é reconhecida
pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) com vista à atribuição
de Unidades de Crédito para a revalidação de Títulos Profissionais de Treinador
de Desporto (TPTD) nos diversos graus (I, II e III) das modalidades de
Alpinismo, Montanhismo, Escalada, Pedestrianismo e Canyoning.
A acção de formação em causa visa abordar a importância da ética
na condução de actividades e no treino em Desportos de Montanha, designadamente
nas suas múltiplas vertentes: desportiva, ambiental e turística, entre outras.
Nesse contexto, será efectuada uma explanação sobre o enquadramento, história e
diversos conceitos no âmbito da ética normativa, ética ambiental e ética do
desporto, tal como a aplicação da ética em situações concretas de tomada de
decisões e dilemas éticos. Esta palestra vem na sequência, e é em tudo
semelhante, a aula ministrada por nós, de 2014 a 2016, no âmbito da Unidade Curricular
de Ética e Deontologia Profissional, do sexto semestre da licenciatura de
Treino Desportivo, da Escola Superior de Desporto de Rio Maior (ESDRM).
«Nascem de mim árvores,
flores; e os mortos irrompem, vivos, do meu ser. Desapareço numa turba de
fantasmas. Já não sou eu; sou os outros. Eis o grito de Deus ao criar o mundo.
Sou os outros, e é outra esta paisagem que me cerca de aparições. Transfiguro-me
e tudo se transfigura.»