Pedro Cuiça © Rua do Alecrim (Lisboa, 3/12/2016)
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sábado, 3 de dezembro de 2016
Lisbon Walk
Não deve ser aqui! Hoje andámos pouco por estas bandas, porque fomos caminhar na Serra da Lua...
domingo, 27 de novembro de 2016
Faz hoje
Faz hoje um ano no "Facebocas"!...
PASSEAR
Há quem leve o cão a
passear mas, no meu caso, fui eu que me levei hoje a passear pela multifacetada
e cosmopolita Lisboa. Deve ter sido porque me estava a sentir algo engaiolado,
como um animal doméstico (mais precisamente aquilo a que os anglo-saxónicos
chamam "pet")! Agora, depois de uns bons quilómetros de caminhada,
estou pleno de mundo e de fantástica luz invernal... apesar do jardim que me
surpreendeu em Al-fama se encontrar à sombra.
PC
(Lisboa, 27 de Novembro de
2015)
Pedro Cuiça © Alfama (Lisboa, 27/ Nov. 2015)
MENIR
Salve, falo sagrado,
Erecto na planura
Ajoelhada!
Quente e alada
Quente e alada
Tesura
De granito,
De granito,
Que, da terra
emprenhada,
Emprenhas o infinito!
Miguel Torga
(Outeiro,
Monsaraz, 31 de Maio de 1986
in "Diário XIV", Coimbra, 1995, p.
1461)
OBOD © Menir do Outeiro (Monsaraz - Alentejo)
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quarta-feira, 23 de novembro de 2016
Lisbon Walks
Anda... mexe-te!
Pedro Cuiça © Escadinhas de São Cristovão (20/ Jul. 2016)
Pedro Cuiça © R. Dona Estefânia (2015)
Pedro Cuiça © Terreiro do Paço (7/ Nov. 2016)
Pedro Cuiça © Alcântara Mar (19/ Jun. 2016)
Pedro Cuiça © Ermida de S. Jerónimo - Restelo (5/ Out. 2016)
Pedro Cuiça © S. Vicente (19/ Jul. 2016)
Pedro Cuiça © Graça (18/ Jul. 2016)
Pedro Cuiça © Saldanha (20/ Jul. 2016)
Pedro Cuiça © Alfama (8/ Set. 2016)
Pedro Cuiça © Escadinhas do Duque (30/ Ago. 2016)
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sexta-feira, 18 de novembro de 2016
Go for a Walk
«I lived next to
the last block of flats, and then it was moss and tundra. I used to walk a lot
on my own and sing at the top of my lungs. I think a lot of Icelandic people do
this. You don’t go to church or a psychotherapist – you go for a walk and feel better.»
Björk
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Luz-boa
A luminosidade outonal tem qualquer coisa de divinal...
Pedro Cuiça © Dragon Square (Martim Moniz - Lisboa, 16/ Nov. 2016)
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Galo
g'ANDA galo...
P.S.: De galar, galadela e etc.. Este post poderia ser sobre fertilidade... Poder podia, mas não é a mesma coisa.
Pedro Cuiça © Ribeira das Naus (Lisboa, Nov. 2016)
P.S.: De galar, galadela e etc.. Este post poderia ser sobre fertilidade... Poder podia, mas não é a mesma coisa.
sábado, 22 de outubro de 2016
Vivência outonal
Agora que estamos a entrar na estação
introspectiva do Outono boreal será uma boa altura da roda do ano para apreciar
os cambiantes das cores e a intensidade dos odores campestres, num renovado
contacto com a natureza. Esta será igualmente uma excelente ocasião para nos
dedicarmos à leitura e, nesse pressuposto, deixo aqui uma sugestão… diremos
outonal: Coming Home to the Pliocene,
uma obra incontornável de Paul Shepard (Shearwater Book, 1998). As
especificidades da época não devem, contudo, constituir uma escusa para um
estar preponderantemente sedentário, bem pelo contrário. No campo e/ou na
cidade, a caminhada continua.
Pedro Cuiça © Sapadores (Lisboa - 21/10/2016)
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quinta-feira, 15 de setembro de 2016
We could
We could walk together...
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Walk...
Lisbon Walk, versão caliente... Porque sob trinta e tal graus!
PC © Largo do Duque de Cadaval
PC © Convento do Carmo
PC © Azulejos do "Ferreira das Tabuletas" (Trindade)
PC © Fernando Pessoa (Brasileira - Chiado)
PC © Rua do Alecrim
Se uma imagem vale mais do que mil palavras, cinco valerão certamente mais do que cinco mil!
PC © Largo do Duque de Cadaval
PC © Convento do Carmo
PC © Azulejos do "Ferreira das Tabuletas" (Trindade)
PC © Fernando Pessoa (Brasileira - Chiado)
PC © Rua do Alecrim
Se uma imagem vale mais do que mil palavras, cinco valerão certamente mais do que cinco mil!
terça-feira, 30 de agosto de 2016
I´m back...
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quinta-feira, 14 de julho de 2016
Back to Walk...
O Wanderer!
Como o Wanderer (o caminhante)
do romantismo germânico, que caminha não por desejo de alcançar determinado
lugar mas sim por gosto de andar, experimentando novos e múltiplos caminhos
possíveis, também Agostinho da Silva amava a reflexão autónoma, a meditação
desprendida, o pensamento que se edifica ao sabor das ondas internas, com o
mínimo de constrangimentos externos, de preconceitos, de supostos, de
planificação. É um deixar-se ir na livre aventura da lide intelectual avançando
de acordo com a própria dinâmica endógena
do pensamento.
João Maria de Freitas Branco in
Agostinho da Silva Um Perfil Filosófico – Do Sergismo ao pensamento à solta
(Zéfiro, 2006: 69-70)
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Le flâneur des villes...
Ó Pedro Cuiça (Paris, 2015)
Le flâneur des villes... ou o fado vadio?
Andar em Paris – a Cidade Luz – conta com uma tradição (con)firmada e é alvo de elogio em diversa bibliografia. Andar em Lisboa – a Cidade da Luz Boa – é algo que tem vindo a despertar um notório interesse: um mundo para vadiar, para andar por aqui e por ali, ao deus-dará...
Andar em Paris – a Cidade Luz – conta com uma tradição (con)firmada e é alvo de elogio em diversa bibliografia. Andar em Lisboa – a Cidade da Luz Boa – é algo que tem vindo a despertar um notório interesse: um mundo para vadiar, para andar por aqui e por ali, ao deus-dará...
«La flânerie suppose ces concentrations
urbaines qui se développent au XXe siècle, des concentrations telles
qu’on peut marcher des heures durant sans voir un morceau de campagne. En
marchant ainsi dans ces nouvelles mégapoles (Berlin, Londres, Paris), on
traverse plusiers quartiers, qui constituent des mondes différents, à part,
séparés. Tout peut changer d’un arrondissement à l’autre: la taille des
maisons, l’architecture générale, l’ambiance, l’air qu’on respire, la manière
de vivre, la lumière, les types sociaux. Le flâneur suppose ce moment où la
ville pris des proportions telles qu’elle devient paysage. On peut la parcourir
comme on ferait d’une montagne, avec ses passages de col, ses renversements de
perspectives, ses dangers aussi et ses surprises. Elle est devenue une forêt,
une jungle.»
Frédéric
Gros (2009): Marcher, une philosophie
Ó Pedro Cuiça (Lisboa, 7/07/2016)
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quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Mas não é a mesma coisa?!
O que me calhou na rifa: Disneylândia (Paris)!!! Ó Pedro Cuiça (Agosto de 2015)
«As viagens mais incríveis fazem-se às vezes
sem sair do mesmo lugar.»
Henry Miller
– O
Mundo do Sexo e Outros Textos; Lisboa: Dom Quixote, 1987, p. 45
Não, este não se trata de mais um texto apologético sobre as maravilhas
de Viajar no Sofá. De facto, como creio que terá ficado relativamente bem
demonstrado, podemos efectivamente viajar sem sair do mesmo lugar. Poder,
podemos… mas não é (certamente) a mesma coisa! Este é um texto sobre aquilo que
(real-mente) é e o que parece... O que sub-entende uma essência “da coisa”,
abordagem para a qual não estamos habilitados (ou motivados?), por isso cingir-nos-emos,
então, a meras aparências ou ilusões. Faceta, aliás, que não é de somenos
importância tendo em conta a preponderância da mesma na superficialidade dos
dias (e, já agora, das noites). Deixaremos o mergulho nas profundezas da
realidade (ou par’além desta!) para uma outra altura, mais auspiciosa, na qual
nos sintamos mais versados (ou motivados?) nas artes respiratórias, mormente no
tocante a apneias.
Enfim, nos últimos tempos, tenho pensado bastante acerca das aparências e
das ilusões por estas provocadas (ou vice-versa?), fenómeno pródigo em
mal-entendidos, confusões e outras tropelias. Aquilo que o povo, na sua
sabedoria secular, expressa, de forma muitíssimo acurada, por “as aparências
iludem” ou de modo mais singelo por “as iludências aparudem”! Depois de seis
dias em grandes andanças por Paris, outras tantas jornadas de caminhada e/ou
corrida à beira-mar, no “meu al-Gharb”,
e meia dúzia de passeatas diárias em Lisboa, poderei dizer que regressei a casa.
Mas, trocadilhos à parte, as cogitações não só continuam como ter-se-ão mesmo
agravado…
Paris (esquerda) e Lisboa (direita) Ó Pedro Cuiça (Agosto de 2015)
Após as intensas deambulações na dita “cidade luz” des-cubro a luz-boa
às portas de casa, tal como o notório (ou aparente?) contraste entre a cidade e
o campo (e/ou a praia?). Relembro velhas espiritualidades desta finisterra
a-Ocidente e dou por mim em divagações sobre a vivência dos amplos espaços e a
síndrome de Lemúria ou o regresso a formulações filosóficas acerca de conceitos
como “natureza”, “natural”, “sobrenatural” e “artificial”. Talvez seja do tempo
– não sei se derivado das temperaturas amenas para a época, se dos nevoeiros
matinais – ou quiçá seja algum sinal dos tempos – não sei se algo oculto dans l’air du temps. Talvez tenha sido “por
estas e por outras” que decidi publicar, um dia destes, aqui no Pedestris, um
“trabalho” sobre Conceitos(s) de Natureza. Por isso, na verdade, estas parcas palavras
constituirão (ou não?) um simples intróito circunstancial!
A arte viva: Rimbaud (Montmartre - Paris) Ó Pedro Cuiça (Agosto de 2015)
A síndrome de Lemúria: Mona lisa (Louvre - Paris) Ó V.R. (Agosto de 2015)
Os vastos espaços de ar livre: "praia de Faro" (Algarve) Ó Pedro Cuiça (Agosto de 2015)
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quarta-feira, 26 de agosto de 2015
Paranóia deambulatória
Librairie J. N. Santon, Passage Verdeau (Paris) Ó Pedro Cuiça (Agosto de 2015)
Caminhar com o estômago vazio, caminhar com o
estômago cheio, caminhar para fazer a digestão, caminhar à procura de comida,
caminhar porque é a única distracção que a bolsa permite, como teve de concluir
Balzac quando veio para Paris. Caminhar para abandonar o espectro. Caminhar em
vez de chorar. Caminhar na esperança vã de encontrar um rosto amigo. Caminhar,
caminhar, caminhar… Mas para quê continuar? Vamos arrumar o caso com um rótulo
– «paranóia deambulatória».
Henry MILLER – Um Diabo no Paraíso; Lisboa: Livros
do Brasil, p. 14
Um caso de bibliofagia - Librairie Farfouille, Passage Verdeau (Paris) Ó Pedro Cuiça (Agosto de 2015)
Um simples passeio à volta de Paris-Mountrouge,
Gentilly, Kremlim-Bicêtre, Ivry – era o suficiente para me desequilibrar para
todo o resto do dia. Eu gostava de sentir-me desequilibrado, de perder a
consciência, de me desorientar assim de manhã cedo.
(As caminhadas a que me refiro eram «passeios
higiénicos» e dava-as antes do almoço. O meu espírito ficava livre e vazio, e
eu preparava-me física e intelectualmente para longos trabalhos, agarrado à
máquina de escrever). Seguindo pela Rue de la Tombe-Issoire, alcançava os boulevards limítrofes e depois
dirigia-me para os arrabaldes e deixava os meus pés levarem-me para onde
quisessem. Instintivamente, ao regressar, encaminhava-me sempre para a Place de
Rungis, que misteriosamente se ligara a certas fases do filme L’Âge d’Or, e particularmente com o
próprio Luis Buñuel. Aqueles nomes de rias extravagantes, aquela atmosfera
irreal, a variedade de gamins, de
miúdos e de monstros que pareciam vir de outro mundo, eram para mim uma
vizinhança extraordinária e sedutora. Sentava-me muitas vezes num banco
público, fechava os olhos durante um certo tempo, para desaparecer da
superfície. Depois, abria-os de repente para observar o que se passava à minha
volta com o olhar distante dos sonâmbolos. Ante os meus olhos espantados
deslizavam cabras da banlieue,
pranchas de navio, cintos de segurança, vigas de aço, passerelles e sautrelles,
juntamente com aves degoladas, armações de veado, velhas máquinas de costura,
ícones a chorar e toda uma sucessão de fenómenos inacreditáveis. Não se tratava
de um bairro, mas sim de um vector, um vector muito especial, criado
inteiramente para meu benefício artístico, criado expressamente para envolver
num enredo emocional. Enquanto subia pela Rue de la Fontaine à Mulard, lutava
freneticamente para deter o meu delírio, lutava para dominar e fixar no meu
espírito (pelo menos até ao pequeno almoço) três imagens absolutamente
dispares, que, se conseguisse ligar convenientemente, me permitiriam descobrir
uma brecha através de uma passagem difícil (do meu livro) em que não pudera
penetrar no dia anterior. A Rue Brillat-Saverin, que atravessa como uma cobra a
Place de Rungis, sugere os trabalhos de Eliphas Levi, a Rue Butte aux Cailles
(mais adiante) evoca os Passos da Cruz; na Rue Félicien Ropes (num outro
ângulo) ouvia os sinos tocar e o bater de asas de pombos. Quando atravessava um
momento de depressão, o que era frequente, todas estas associações, deformações
e interpretações se tornavam ainda mais violentamente quixotescas. Nesses dias,
achava natural receber, no correio da manhã, um segundo ou terceiro exemplar de
I Ching, um álbum de Seriabine, um
pequeno livro sobre a vida de James Ensor ou um tratado de Pico della
Mirandola. Ao lado da secretária, como uma recordação de festas recentes, havia
sempre garrafas de vinho cuidadosamente arrumadas: Nuits Saint-Georges, Gevrey-Chambertin,
Clos-Veugeot, Vosne Romanée, Messault, Traminer, Château Haut-Brion, Chambolle-Muigny,
Montrachet, Beaune, Baeujolais, Anjou e Vouvray, esse vin de prédilection
de Balzac. Velhas amigas, exploradas até à última gota. Algumas ainda conservam
um ligeiro aroma.
Pequeno almoço chez
moi. Café forte e leite quente, dois ou três deliciosos croissants quentes com manteiga e um
pouco de compota. E, com o pequeno almoço, um golo de Segóvia. Um imperador não
arranjaria melhor.
Dei um pequeno arroto, palitei os dentes, tamburilei
com os dedos, olhei à minha volta (como para ver se tudo estava em ordem!),
fechei a porta e agarrei-me à máquina de escrever. Pronto a partir. O cérebro
preparado para trabalhar.
Henry MILLER – Um Diabo no Paraíso; Lisboa: Livros
do Brasil, pp. 26-28
Café Wepler, Praça Clichy (Paris) Ó Pedro Cuiça (Agosto de 2015)
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