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terça-feira, 5 de junho de 2018

Shinrin-yoku


Pedro Cuiça © Centro Desportivo Nacional do Jamor (1 de Junho de 2018)

Os japoneses não acreditam que as pessoas ocupam um lugar especial acima da Natureza; as pessoas e o mundo natural são semelhantes. (…) Há um sentimento semelhante descrito num livro do escritor japonês Isamu Kurita, chamado A Flower Journey. Nele, o autor observa que “no Ocidente, as pessoas olham para as flores. Na Ásia, vivem com elas”. Esta ideia de vínculo estreito entre japoneses e Natureza não é nada de novo. Em vários poemas antigos, como os de Ki no Tsurayuki e Ono no Komachi, escritos há aproximadamente 1000 anos, as vidas e aparências dos poetas são comparadas às das flores.
Masao Watanabe, professor emérito da Universidade de Tóquio, expressou, numa edição de 1974 da revista Science, a sua opinião sobre a forma como os japoneses veem a Natureza. “De acordo com a religião cristã, que é seguida na sociedade ocidental, tudo no céu e na terra foi criado por Deus. Dentro dessa conceção, o homem é uma criação especial e existe uma separação clara entre o homem e o resto da criação”, observou. “Podemos dizer que o lugar do ser humano, e só do ser humano, enquanto criação especial acima de tudo o resto que foi criado, está na origem da visão que o mundo ocidental tem da Natureza. Além disso, o homem ocidental opõe-se à Natureza, e no Japão o homem faz parte da Natureza.”
No mesmo artigo, Haruhiko Morinaga analisa a questão do absolutismo ocidental versus a relatividade oriental e utiliza o exemplo seguinte para ilustrar essas profundas diferenças culturais. Se alguém perguntar: “Uma baleia não é um peixe, ou é?”, um japonês responderia: “Sim, claro. Uma baleia não é um peixe”, para concordar com quem fez a pergunta. Mas um ocidental simplesmente responderia: “Não, não é um peixe.” A resposta do ocidental é a simples constatação de um facto, enquanto a da pessoa japonesa é relativa à pergunta. Este absolutismo ocidental e a relatividade oriental também se podem aplicar ao relacionamento que os japoneses têm com a Natureza.
[MIYAZAKI, 2018: 46]

Pedro Cuiça © Centro Desportivo Nacional do Jamor (3 de Junho de 2018)

No Japão, existe uma forma de medicina preventiva notável que está a ser praticada por um número crescente de pessoas. Apesar de inicialmente ter sido sustentada pela intuição, esta medicina é agora suportada por uma investigação científica consistente que confirma os seus vários benefícios.
A expressão shinrin-yoku foi cunhada em 1982 por Tomohide Akiyama, diretor da Agência Florestal Japonesa. Traduzido à letra, significa “banhos de floresta”, e utiliza-se de uma forma similar às expressões “banhos de sol” ou “banhos de mar”. Não estamos literalmente a tomar um banho, mas a banhar-nos no ambiente da floresta, utilizando todos os nossos sentidos para experienciarmos a Natureza de perto.
[MIYAZAKI, 2018: 9]

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
MIYAZAKI, Yoshifumi. Shinrin Yoku – A terapia japonesa dos banhos de floresta que melhora a sua saúde e bem-estar. Porto: Albatroz, 2018, pp. 192. ISBN 978-989-739-040-1



segunda-feira, 4 de junho de 2018

Terapia da Floresta

Pedro Cuiça © Mont'santo (Lisboa, 4/12/2016)

Se há um homem que pode mostrar como é que a terapia das árvores funciona, esse homem é Yoshifumi Miyazaki. Este antropólogo biológico, vice-diretor do Centro do Ambiente, da Saúde e das Ciências de Campo da Universidade de Chiba, na periferia de Tóquio, acredita que, em virtude de os seres humanos terem evoluído na natureza, é nela que nos sentimos mais confortáveis, mesmo que nem sempre tenhamos consciência disso.
Neste ponto, Miyazaki é um proponente da teoria popularizada por E. O. Wilson, o entomologista de Harvard amplamente reverenciado: a hipótese da biofilia. Esta teoria foi, em parte, apropriada pelos psicólogos ambientais naquilo que, por vezes, se designa de Teoria da Redução do Stresse ou Teoria da Restauração Psicoevolucionista. Não foi Wilson quem, na realidade, cunhou o termo «biofilia»; essa honra deve ser atribuída ao psicólogo social Erich Fromm, que o descreveu em 1973 como «o amor apaixonado pela vida e por tudo o que está vivo; é o desejo de crescer ainda mais, podendo ser encontrado numa pessoa, numa planta, numa ideia ou num grupo social».
Wilson desenvolve a ideia com maior precisão, situando-a no mundo natural e identificando «a natural ligação emocional dos seres humanos aos outros organismos vivos» como a adaptação evolutiva que nos ajudou não só a sobreviver, mas também a alargar os limites da realização humana.
[WILLIAMS, 2018: 31-32]

Para provar que a nossa fisiologia reage a contextos ambientais diferentes, Miyazaki tem levado centenas de sujeitos de investigação para os bosques desde 2004. Ele e o seu colega Juyoung Lee, também então da Universidade de Chiba, descobriram que as caminhadas de lazer pelos bosques, comparadas com as caminhadas urbanas, provocavam uma descida de 12 por cento nos níveis de cortisol. Mas não foi tudo. Registaram uma descida de 7 por cento na atividade do sistema nervoso simpático, de 1,4 por cento na pressão arterial e de seis por cento no ritmo cardíaco. Nos questionários psicológicos, registaram também melhores disposições e menores níveis de ansiedade.
Num ensaio de 2011, Miyazaki concluiu o seguinte: «Estes dados revelam que os estados de tensão podem ser aliviados pela terapia shinrin.» E os japoneses seguiram as suas indicações, com quase um quarto da população a participar em algum tipo de atividade shinrin. Todos os anos, centenas de milhares de visitantes caminham pelos trilhos da terapia da floresta.
[WILLIAMS, 2018:  33-34]

Trilho de Floresta © Renoir (1875)


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
WILLIAMS, Florence. A Natureza Cura. Lisboa: Bertrand Editora, 2018, pp. 304. ISBN 978-972-25-3475-8


sexta-feira, 1 de junho de 2018

Andar Saudável




O Centro Desportivo Nacional do Jamor (CDNJ) vai acolher, no próximo domingo de manhã, uma actividade no âmbito do Ande pela Sua Saúde e pela Saúde do Planeta, um programa – que tem vindo a ser implementado, desde 2008, pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal (FCMP) – promotor de boas práticas ambientais, de saúde e bem-estar, com base no andar a pé, dirigido aos cidadãos em geral e aos pedestrianistas em particular.
Esta trata-se de uma iniciativa que tive o grato prazer de lançar e na qual estou profunda e entusiasticamente empenhado, desde o seu início, tendo em conta os diversificados benefícios para a saúde dos praticantes e inclusivamente para o ambiente, através de mudanças comportamentais com implicações não só nos hábitos de mobilidade mas também do próprio estilo de vida dos envolvidos. Andar a pé trata-se de um poderoso “gesto” que, passo a passo, pode não só mudar a (qualidade de) vida dos praticantes como também o próprio mundo. Uma temática que tem merecido um crescente interesse não só a nível nacional como internacional.
A actividade do próximo domingo (dia 3 de Junho), desenvolvida em parceria com o Instituto do Desporto e Juventude de Portugal (IPDJ), será replicada, em diversos moldes, aos domingos de manhã, das 9.30 às 11.30-12.00, e contará com o enquadramento técnico por parte de detentores do Título Profissional de Treinador de Desporto em Pedestrianismo – Graus I, II e/ou III. O ponto de encontro dos participantes será junto da Estrutura Artificial de Escalada (EAE) da FCMP, situada no Parque Urbano do Jamor. As actividades Ande pela Sua Saúde… são abertas ao público em geral e gratuitas. Para participar basta trazer calçado adequado e motivação para andar a pé. Para mais informações, consulte a FCMP (218 126 890) ou o CDNJ (214 144 030).

Pedro Cuiça © Centro Desportivo Nacional do Jamor (1 de Junho de 2018)

sábado, 27 de janeiro de 2018

Andar poluído

Na sequência daquilo que já intuímos em continuadas reflexões, sentimos na prática e confirmámos em diversas leituras, divulgamos um artigo publicado, no último número da revista The Lancet, sobre o impacte da prática de caminhada sob condições de exposição a ar poluído. Facilmente se poderão extrapolar os possíveis efeitos perniciosos naqueles que efectuam treinos regulares de marcha rápida ou, por razões acrescidas, de corrida e/ou de bicicleta em ambientes urbanos, mormente em ruas com intenso tráfego motorizado!...
Para ter acesso ao artigo completo e às respectivas notas, consulte a edição de hoje da The Lancet.

©  na Net (?)

«There is a well documented association between human exposure to fine particulate matter air pollution (PM2.5) and an increased risk of cardiovascular disease and death.1, 2 Indeed, the Global Burden of Disease (GBD) study3 recently estimated that exposure to PM2·5 contributed to 4·2 million deaths in 2015, representing the fifth-ranked risk factor for global deaths; of these, mortality from cardiovascular disease (CVD; ie, ischaemic heart disease and cerebrovascular disease) accounted for most deaths attributed to ambient PM2·5 air pollution. However, despite these strong epidemiological associations and the documented widespread adverse health effects, the exact biological mechanisms and the types of particles that are most responsible for the PM2.5–CVD associations are not well defined.
In The Lancet, Rudy Sinharay and colleagues4 use a simple but elegant randomised crossover design to gain insight into the type of pollution that can lead to the air pollution–CVD associations that have been reported in population-based epidemiological studies, as well as to identify specific cardiovascular changes consistent with the causality of those associations. The researchers studied the effects of traffic pollution exposure in adult participants aged 60 years and older during a 2 h walk along a busy commercial street in London, England (Oxford Street) compared with a similar walk in a nearby London park (Hyde Park), which has much lower air pollution. 40 healthy volunteers, 40 participants with chronic obstructive pulmonary disease, and 39 participants with ischaemic heart disease took part. In all 119 participants, irrespective of disease status, walking in Hyde Park led to an increase in lung function and a decrease in arterial stiffness, measured as pulse wave velocity and augmentation index, following the walk. By contrast, these beneficial responses were significantly diminished after walking along the more polluted Oxford Street. Specifically, among healthy volunteers the investigators reported a roughly 5% (95% CI −10·40 to −0·27) decrease in pulse wave velocity from 2 to 26 h after the Hyde Park walk, an exercise benefit that was not only negated but even reversed 26 h after the Oxford Street walk (7% increase in pulse wave velocity, 95% CI 2·16 to 12·20). Thus, the multifactorial benefits of low-to-moderate intensity physical activity, such as walking, for the primary and secondary prevention of CVD5 were offset by the presence of air pollution. Reductions in measures of arterial stiffness have been recorded with the use of guideline-directed medical therapy;6 however, until this study, evidence has been scarce on the adverse effects of air pollution exposure on vascular function during physical activity.7
Important to the interpretation of this study is the finding that air pollution causes phospholipid oxidation8 and oxidative stress (eg, by transition metals in fossil fuel combustion particles).9 These pathways accelerate atherogenesis and increase arterial stiffness, itself a strong predictor of cardiovascular events and all-cause mortality.10 However, one limitation of such panel studies is their size; as such, generalisability can be an issue. In view of this limitation, more and larger practical real-world exposure studies like the one done by Sinharay and colleagues4 that also assess novel in-vivo biomarkers of oxidative stress and phospholipid oxidation might further clarify the mechanistic pathways and clinical implications of air pollution exposure, and broaden their known applicability. Furthermore, additional evidence on the temporal relationships and longer-term cumulative effects of chronic air pollution on arterial stiffness is also needed. Overall, however, data from Sinharay and colleagues provide significant new evidence of an important biological pathway between subclinical CVD and the systemic effects of air pollution exposure. (…)»

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
THURSTON, George D. & NEWMAN, Jonathan D.. Walking to a pathway for cardiovascular effects of air pollution. The Lancet, vol. 391, nº 10118, 27/Jan. 2018, p. 291-292

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Banhos de Bosque

Pedro Cuiça © Mont'santo (Lisboa, 4/12/2016)

«Las tradiciones paganas anteriores a la civilización romana hacían ya referencia al papel regenerador y curativo que poseía el bosque en su “Otium ruris”. Éste Ocio rural fue alabado por personas como Cicerón, Virgilio o Séneca, quienes destacaron su influencia en la mejora de nuestra actitud ante la vida. Desde entonces, muchos han sido los motivos que nos han llevado a acercarnos al bosque de una forma espontánea. (…) Autores como Bruce Chatwin alaban en sus libros de viajes la gran importancia y necesidad para los seres humanos de caminar, de movernos en los entornos naturales. David Le Breton se lamentaba de cómo, en nuestro abrazo a la modernidad, “El cuerpo se convierte en un resto sobrante que se nos hace todavía más difícil de asumir a medida que se restringe el conjunto de sus actividades en el entorno”, limitando nuestra visión de la realidad y el verdadero conocimiento de las cosas. Mucho antes, Voltaire definiría a la medicina como el arte de entretener al paciente, mientras la naturaleza curaba la enfermedad. Hace algo más de un siglo, el naturalista John Muir, llegó a afirmar cómo “miles de personas cansadas, com los niervos destrozados e hipercivilizadas estaban empezando a descubrir que ir a la montaña era como ir a casa; que el contacto com la naturaleza era una necesidad y que, los parques y las reservas naturales eran útiles no sólo como fuentes de leña y de agua, sino también como fuentes de vida”. Sin embargo, es durante el siglo veinte, a partir de la década de los años ochenta, cuando comiezan a aparecer las primeras experiencias de acercamiento a los bosques saliéndose de los fines más románticos, aventureros o deportivos. En estas iniciativas, se empienza a estudiar de un modo científico los efectos que los bosques ejercen sobre la salud humana en general, cuantificando parámetros médicos particulares. Japón se coloca pronto en la vanguardia de estas investigaciones ya que, tras la explosión de la burbuja económica en esse país, se produce una especie de boom de la vuelta a las zonas rurales, a la naturaleza y a su lado más espiritual. Es una época, no muy diferente de la actual, donde atributos como la paciencia se desvanecen dejando paso a la competitividad. Una sociedad en la que las depreciones, las dolencias de tipo obsesivo-compulsivo o la alta tasa de suicidios van en aumento hace reaccionar a los científicos japoneses, los cuales comienzan a cuantificar los efectos beneficiosos que los espacios verdes tienen sobre el organismo humano, sobre nuestra mente, sobre nuestro rendimiento cognitivo y sobre nuestra empatía. De esta manera, se obtienen los primeros datos cuantificables, que avalaban a las percepciones ya existentes, y que demostraban a los más escépticos cómo la naturaleza nos ayuda de una forma real y efectiva potenciando nuestra capacidad para disfrutrar del ahora, mejorando nuestra percepción de la vida. Com todo ello, en 1982, el gobierno Japonés promueve de forma oficial los paseos forestales para afrontar los elevados niveles de estrés en una de las poblaciones más urbanizadas del mundo. Universidades como la de Chiba y Escuelas de Medicina como la de Nippon, en Tokio, siguen investigando y validando de forma científica estos hechos. Sin embargo, la experiencia no se quedó ahí. Los bosques cubren el 67% del Japón y, desde 2004, se creó un programa que pretendía unir el beneficio para la salud com la conservación de los bosques, financiando la investigación de sus efectos curativos sobre las personas y creando una extensa red, que cuenta ya com más de 48 senderos terapéuticos de carácter oficial, facultados para ser recetados por parte de los médicos, los cuales dirigen a sus pacientes hacia ellos para que, durante un par de horas a la semana y supervisionados por monitores especializados, pueden realizar diversos ejercicios orientados al tratamiento de multitud de dolencias. A partir de ahí, el germen se há ido extendiendo por Corea del Sur, Estados Unidos y Canadá. También, a partir de entonces, la mecha iniciada en Japón se extiende a Europa y un ambicioso proyecto de cooperación entre ciencia y tecnología, el COST, reúne a más de ciento sesenta investigadores de veintitrés países diferentes, durante cuatro años, para aumentar el conocimiento existente acerca de cómo los bosques mejoran la salud y el bienestar de las personas. En los años noventa, se comienza a hablar en Estados Unidos y en Europa del término Ecoterapia, o terapia verde, definida según Howard Clinebell, pionero en la combinación de psicoterapia y religión, como “el trabajo com el cuerpo, la interrelación entre la psicología humana y el resto de la naturaleza, la curación y el crecimiento alimentado por la interacción saludable com la tierra, uniendo los conocimientos científicos y la sabiduría indígena”. En Estados Unidos surgen asociaciones defendiendo este enfoque de mejora de la salud mediante una nueva conexión com la naturaleza y muchos médicos de San Francisco, New Jersey y Washington comienzan a incluir entre sus recetas los paseos por el bosque para tratar enfermedades de carácter crónico, problemas de ansiedad y diabetes. En Europa, varias entidades de carácter oficial y diversos programas comunitarios comienzan, tímidamente, a apostar por sensibilizar al sector médico al respecto. En España también aparecen iniciativas que ponen en práctica estas investigaciones y surgen propuestas de utilización de los bosques menos intervenidos, que ocupan una extensión inferior a 1% de nuestra superficie forestal, para estos fines. Los nombres que llevan las iniciativas en cada lugar son diferentes. En Japón, Shinrin Yoku. En Estados Unidos y en España, Baños de bosque. En Finlandia y en Canadá, paisajes e itinerarios de salud en bosques y espacios naturales. Los objectivos, independientemente de su nombre, son los mismos.» [LAMAS, 2016: 104-107]



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
LAMAS, Jabier Herreros. Conéctate com la Naturaleza – Terapia Hortícola y Baños de Bosque. Donostia: Txertoa Argiletxea, 2016. ISBN 978-84-7148-567-0


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Toca a andar



O Pedestrianismo trata-se de um desporto para todos – uma actividade informal, inclusiva, recreativa, intergeracional e não competitiva – cuja prática regular comporta inúmeros benefícios para a saúde dos praticantes, designadamente por decorrer preferencialmente na “Natureza”. Mais, a prática informal de caminhada, integrada nos afazeres do dia-a-dia, mesmo (e sobretudo) em ambiente urbano, revela-se, para além de promotora da saúde dos “praticantes”, uma actividade slow, sustentável e green que pode (e deve) contribuir para mitigar a pegada ecológica diária de cada um dos cidadãos envolvidos.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Good Walking


…then it's supposed to perfect the technique and go further ;-)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O(b)rar

«Strong legs, good health.»



Divirtam-se... Bom fim-de-semana ;-)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Lisbon Walks

Anda... mexe-te!

Pedro Cuiça © Escadinhas de São Cristovão (20/ Jul. 2016)

Pedro Cuiça © R. Dona Estefânia (2015)

Pedro Cuiça © Terreiro do Paço (7/ Nov. 2016)

Pedro Cuiça © Alcântara Mar (19/ Jun. 2016)

Pedro Cuiça © Ermida de S. Jerónimo - Restelo (5/ Out. 2016)

Pedro Cuiça © S. Vicente (19/ Jul. 2016)

Pedro Cuiça © Graça (18/ Jul. 2016)

Pedro Cuiça © Saldanha (20/ Jul. 2016)

Pedro Cuiça © Alfama (8/ Set. 2016)

Pedro Cuiça © Escadinhas do Duque (30/ Ago. 2016)

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Acção Directa

FUMAR* combustíveis fósseis MATA,
ande (a pé e/ou de bicicleta), 
pela sua saúde e pela saúde do planeta.

Pedro Cuiça © Lisbon Walks (8/11/2016)

*Inspirar ou expirar fumo; exalar fumo; lançar fumo; expor ao fumo; fumegar; etc.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A Flor...

A Flor do Caminho (VIII)



«Strong Legs, Good Health»

«Ao entendermos “religião” na sua acepção etimológica de ligação (do latim religāre: ligar a, unir a, atar) o que nos ocorre é o acto de andar como actividade privilegiada de (re)ligação à sacralidade da natureza ou à própria divindade. É nessa acepção, aliás, que o caminhar visto como uma espécie de “ioga ambulatório” dá sentido a essa curiosa expressão, tendo em conta também a etimologia da palavra “ioga” (do sânscrito योग: unir ou juntar, entre outros significados).»* Mas uma abordagem profana surge com igual validade como forma de atingir uma (re)ligação simultaneamente ao meio envolvente e ao si, afinal ao (macro e micro) cosmos, se esta constituir uma manifestação plena da «ciência do concreto»** que tão somente exige elevados níveis de atenção e a plena vivência dos sentidos. É neste contexto, sagrado e/ou profano, que a caminhada Chi Kung (Chi Kung Walking) surge como um modo privilegiado de (re)ligação ao todo, com notórios e notáveis benefícios para a saúde e fortalecimento dos praticantes.
«Many people read, talk, or watch TV while exercising to make the time go by faster. However, to get the most healing benefits from walking, Traditional Chinese Medicine teaches us that the mind should be focused, thus walking becomes a Qi Gong exercise known as walking meditation. Walking meditation is a simple yet profound healing experience; no distractions, just awareness. It’s not about talking or socializing or thinking while you’re walking; your mind is peacefully presente and relaxed.»***

*Pedro Cuiça: Passo a Passo – Manual de Caminhada e Trekking; Lisboa: A Esfera dos Livros, 2015, p.31.
**Cf. A feliz expressão utilizada por Mircea Eliade na sua obra La Pensée Sauvage(Paris: Plon, 1962)
*** Lisa B. O’Shea – New Health Digest, June 2004; disponível em:


quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Free Car


Hoje comemora-se, mais uma vez, o Dia Mundial Sem Carros. Um evento que se realiza todos os anos, a 22 de Setembro, e que tem por objectivo alertar a população em geral e os decisores políticos em particular para a necessidade premente de reduzir o tráfego motorizado nas cidades, designadamente através do recurso a meios de mobilidade alternativos. Esta comemoração consiste essencialmente na realização de acções de sensibilização, eminentemente simbólicas, nas cidades que aderem à iniciativa. Geralmente algumas ruas são encerradas ao trânsito automóvel, em jeito de convite para andar de bicicleta, a pé ou de outras formas consideradas sustentáveis. Algumas cidades europeias vão mais longe e organizam passeios de bicicleta e/ou pedestres, entre outras actividades, em colaboração com as respectivas federações, associações ou empresas que se dedicam à prática dessas modalidades. Esta iniciativa, que coincide com o último dia da Semana Europeia da Mobilidade, envolve um número crescente de promotores, mormente no âmbito do renovado interesse pelas actividades pedestres, e é nesse contexto que a ERA – European Ramblers Association (a federação europeia de pedestrianismo) e diversas federações nacionais surgem empenhadamente associadas a esta data.

A Semana Europeia da Mobilidade (SEM) decorreu este ano de 16 a 22 de Setembro, sob o slogan “mobilidade inteligente, economia forte”. Esta 15ª edição da SEM pretendeu chamar a atenção para os benefícios de um correcto planeamento e utilização racional dos transportes para a economia local. Uma ocasião para os cidadãos usufruírem de actividades dedicadas à mobilidade sustentável, designadamente através de debates e acções de divulgação com vista à implementação de mudanças comportamentais no que concerne aos meios de transporte. Não questionando a importância das actividades de educação e de sensibilização no âmbito do Dia Mundial Sem Carros e da Semana Europeia da Mobilidade, torna-se evidente que a matéria em causa – a mobilidade sustentável (e alternativa!?) – não se confina, de todo, a uma semana, muito menos a um dia, ou a iniciativas avulsas e individuais de cidadãos mais interventivos. É fundamental que as opções de mobilidade sejam integradas, fáceis, baratas e, por isso, adoptadas natural e massivamente. A mobilidade sustentável tem de ser uma realidade de todos os dias e passará inevitavelmente, a par de uma convidativa rede de transportes públicos, pelo andar a pé. Uma activa e empenhada locomoção pedestre, pela saúde das pessoas e pela saúde do planeta.


sábado, 3 de setembro de 2016

Atão e os patins?

Isto até lembra aquelas anedotas parvas de alentejanos, do género: um tipo vê outro a fazer flexões e pergunta-lhe  «atão, a magana fugiu-lhe?»
Tenho por hábito aproveitar a hora do almoço, quando não estou em "trabalho de campo" fora de Lisboa, para andar um pouco. Hoje, para além da costumeira mochila, experimentei levar bastões de marcha nórdica e foi uma experiência surpreendente... Se tivesse ido vestido de drag queen teria certamente dado menos nas vistas! Às tantas até me ocorreu que a "malta" estivesse a pensar que tinha perdido os esquis, não fosse o facto de não haver neve e... E não é que até houve um gajo que perguntou sem qualquer pudor: «atão e os patins?»!!!
Lisboa, 3 de Setembro de 2010


terça-feira, 30 de agosto de 2016

sábado, 23 de julho de 2016

Mobilidade sustentável


A caminhada, a mais antiga forma de exercício, deve regressar ao dia-a-dia da vivência pós-moderna. Nos tempos pré-industriais, as pessoas viajavam sobretudo a pé e isso mantinha-as em forma. Depois veio a vulgarização do motor e as pessoas tornaram-se preguiçosas e, muitas delas, com excesso de peso ou obesas. Andar a pé tornou-se no transporte de último recurso; segundo a Organização Mundial de Saúde, uma «arte esquecida» nos dias de hoje (HONORÉ, 2006: 125). Muitas das deslocações que são efectuadas de carro (ou outros veículos motorizados e poluentes) poderiam facilmente ser feitas a pé mas não o são! E, contudo, há imensas razões para caminhar…
A primeira, desde logo, é que se trata de algo inteiramente natural e, por isso, saudável: a locomoção bípede é uma forma de rewilding (MONBIOT, 2014), que nos faz regressar às nossas origens enquanto espécie, e um movimento slow (HONORÉ, 2006), que nos permite retomar ritmos retemperadores do nosso bem-estar. Caminhar aumenta a forma física, o bem-estar psicológico, reforça as defesas contra diversas doenças e cura outras tantas1. A segunda é que se trata de uma actividade não poluente e que, ao preterir o uso de veículos motorizados, pode e deve constar entre as «medidas urgentes contra o aquecimento global» (Agenda 2030). A terceira é que se trata de uma actividade gratuita: não é preciso pagar a um personal trainer ou possuir qualquer bem material para andar na cidade ou no campo sendo, portanto, uma prática que põe em pé de igualdade ricos e pobres. Pelos motivos elencados, entre muitos outros que ficam por referir, torna-se evidente a importância de andar…
Nos tempos que correm é fundamental adoptar novas atitudes e formas de promover meios de mobilidade sustentáveis, como o andar a pé mas também o andar de bicicleta. E, nesse contexto, os percursos urbanos têm vindo a suscitar um notório interesse, não só os percursos pedonais como os percursos cicláveis2. A lógica de funcionamento e de funcionalidades das cidades deve ser alterada para uma eco-lógica que integre transportes públicos, ecopistas e outras medidas que contribuam para uma eficaz “acessibilidade sustentável”… Portugal, principalmente nas grandes e médias cidades, confronta-se com importantes problemas de tráfego rodoviário provocado pela utilização excessiva do transporte individual. A utilização do automóvel está associada a poluição, ruído, acidentes rodoviários, perda de tempo em viagem (devido a congestionamentos), entre outros problemas. Na Europa, o sector dos transportes, tem vindo a aumentar a emissão de gases com efeito de estufa, desde 1990, sendo o sector com pior desempenho relativamente aos objetivos do Protocolo de Quioto. Por estas e por outras razões, torna-se premente travar e inverter a preponderância da utilização de automóveis como forma hegemónica de deslocação/transporte.
A prática quotidiana de caminhada e/ou a utilização de bicicleta deve(m) ser enquadrada(s), nos dias de hoje, numa consciência ecológica que extravase o antropocentrismo (microcosmo da esfera meramente humana) e adopte uma visão ecocêntrica ou, melhor, ecosófica (que tenha em conta o macrocosmo a nível planetário). “Pensar global e agir local”, andar a pé e/ou de bicicleta para estar conectado com o todo: mover-se pela sua saúde e pela saúde do planeta.
adapt. CUIÇA, Pedro & PASCOAL, Filipa (Jul. 2016): Projecto de Educação para o Desenvolvimento Sustentável com base numa Mobilidade Sustentável



Notas
1- A prática de caminhada tem vindo a ser incrementada por via da promoção de estilos de vida saudáveis e activos, designadamente através dos médicos de família, particularmente em segmentos populacionais com um acentuado risco de inactividade (e.g. idosos). E, nesse pressuposto, será importante salientar a mensagem veiculada por muitos médicos de família no que concerne à saúde dos seus pacientes: “Ande pelo menos 30 minutos por dia” (CUIÇA, 2015: 41).
Andar a pé comporta notórias implicações nos domínios da saúde e do bem-estar dos praticantes, tal como no meio ambiente; constitui um exercício físico de excelência (sem dúvida, dos melhores), ao alcance de qualquer um. Mais, caminhar é um exercício suave, ideal para todas as faixas etárias e com múltiplos e reconhecidos benefícios para a saúde. Andar a pé contribui para melhorar o tónus muscular, aumentando o desempenho cardiovascular e melhorando ou resolvendo eventuais dificuldades respiratórias; favorece a coordenação de movimentos e, inclusivamente, a prontidão de reflexos, corrige posturas erradas e pode evitar que surjam “dores nas costas” (ibidem).
A marcha, se possível acelerada – e nesse particular destaca-se a marcha nórdica (nordic walking) pelos benefícios acrescidos –, constitui um bom auxiliar para a perda de peso, para mais se acompanhada de uma dieta adequada (ibidem). A prática de pedestrianismo é uma actividade física aeróbica excelente para combater o excesso de peso ou a obesidade e, simultaneamente, para a prevenção da diabetes, a prevenção e o tratamento da hipertensão arterial e a redução dos níveis de colesterol. A marcha ajuda a prevenir e a tratar a osteoporose, constitui um precioso auxiliar no tratamento da artrite reumatóide e ajuda inclusivamente a prevenir o aparecimento de determinados tipos de cancro como, por exemplo, o cancro da mama, do cólon, do útero, dos ovários e da próstata (ibidem). Mas os benefícios referidos não se restringem apenas aos aspectos físicos, andar a pé surge como uma praxis privilegiada de contacto com o meio envolvente e de partilha de experiências com consequências inegáveis no âmbito do bem-estar psicológico. Neste contexto, a caminhada também favorece a prevenção da depressão (melhorando a disposição) e promove a redução do stress e simultaneamente da glicemia, visto as hormonas do stress serem hiperglicemiantes.
2- Os indivíduos sedentários tendem a estar dependentes da existência de infraestruturas específicas para a prática desportiva e, nesse contexto, os percursos pedestres balizados surgem como promotores da prática de exercício físico, mormente quando se localizam na proximidade das suas áreas residenciais e em ambientes seguros. No entanto, será de destacar que a promoção da caminhada, no âmbito da saúde, tem gerado grupos informais de caminhantes que diariamente se encontram para andar nas imediações da sua área residencial e na via pública, sem quaisquer infraestruturas específicas para o efeito (CUIÇA, 2015: 42). Na verdade, a prática de marcha não exige qualquer tipo de “pista” instalada para o efeito ou deslocar-se através de veículo até um determinado local, mais ou menos distante. Basta sair de casa e andar, tão simples quanto isso!
No entanto, a rede viária urbana foca-se predominantemente nos automóveis, deixando os ciclistas para segundo plano. Tanto os passeios para caminhar, como as pistas para bicicletas são deixadas para segundo plano no momento do planeamento dos transportes e acessibilidades, de forma a não causarem incómodos na circulação de automóveis. Esta tendência tem de ser alterada e as ciclovias e percursos pedestres devem ser reavaliados a nível local. Também deverá ser dada uma particular atenção à manutenção dos percursos em mau estado. Além disso, deve ser feita uma adaptação das zonas de circulação onde não existam


Recursos Bibliográficos
· Década das Nações Unidas para o desenvolvimento Sustentável 2005-2014 – Documento Final Plano Internacional de Implementação. Disponível em http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001399/139937por.pdf, 2005. [Consult. 9 Mai. 2016]
· Our Common Future – Report of the World Commission on Environment and DevelopmentDisponível em http://conspect.nl/pdf/Our_Common_Future-Brundtland_Report_1987.pdf, 1987. [Consult. 9 Mai. 2016]
· Transforming our World: The 2030 Agenda for Sustainable DevelopmentDisponível em https://docs.google.com/gview?url=http://sustainabledevelopment.un.org/content/documents/21252030%20Agenda%20for%20Sustainable%20Development%20web.pdf&embedded=true. [Consult. 6 Mai. 2016]
· CUIÇA, Pedro (2015): Passo a Passo – Manual de Caminhada e Trekking. Lisboa: A Esfera dos Livros, pp. 312. ISBN978-989-626-721-6
· HONORÉ, Carl (2006). O Movimento Slow. Cruz Quebrada: Estrela Polar, pp. 264. ISBN 972-8929-30-7
· MONBIOT, George (2014). Feral – Rewilding the Land, Sea and Human LifeLondon: Penguin Books, pp. 324. ISBN 978-0-141-97558-0