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sábado, 5 de setembro de 2015

Caminhos Encantados

Forum Ambiente nº 74 de Outubro de 2001 - Percurso: Pedro Cuiça - Ilustrações: Nuno Farinha e Fernando Correia

domingo, 30 de agosto de 2015

Ria Formosa

Forum Ambiente nº 74 de Outubro de 2001 - Percurso: Pedro Cuiça - Ilustrações: Nuno Farinha e Fernando Correia

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O Jardim do Algarve

Monchique
O Jardim do Algarve

A Serra de Monchique ergue a sua silhueta bruscamente, com fortes pendores mas formas suaves, acima do mar de colinas xistentas que a rodeiam. Esse paradisíaco jardim, que se desenvolve entre termas e belos recantos de montanha, desafia o caminhante a conhecer os seus pormenores ocultos.

A vila de Monchique, a cerca de 450 metros de altitude, é o ponto de partida para o percurso que irá por este miradouro verdejante sobre o litoral algarvio. Partindo da Travessa da Portela, junto da Câmara Municipal, sobe-se por estreitos e íngremes ruelas até ao Desterro, onde se acha o convento dos franciscanos (530 m). Em ruínas desde o terremoto de 1755, deste edifício pouco mais resta que a frontaria e uma nave, sendo no entanto, de destacar os enormes plátanos e nogueiras da sua antiga quinta.
Seguindo pelo caminho de pé-posto que avança em direcção a Relvinhas, vira-se à esquerda, para oeste, ao longo da estrada de terra batida que avança cimeira ao Barranco da Garganta, um verdejante vale densamente cultivado em grandes socalcos que aqui se designam por “canteiros”. Chegados ao lugar da Garganta, toma-se o rumo sul, passando para a vertente direita do vale.
A estrada de terra batida por onde se segue, abaixo da Relva Branca da Fóia, apresenta várias bifurcações, mas se se optar sempre pelo caminho da direita chegar-se-á ao sítio dos Montes da Fóia (780 m). Aí, toma-se o caminho que vira à direita, para este, e que aos poucos vai curvando rumo ao poente para passar, um pouco acima da Fontinha da Fóia, já na vertente setentrional da montanha.
Continuando a subir por essa velha estrada, pode-se apreciar a panorâmica que se abarca desde a Relva do Carrapateiro aos montes alentejanos da serra xistenta que se perdem no horizonte.
Pequenas casas construídas em pedra sienítica encontram-se, aqui e ali, dispersas no vale – tugúrios de pastores que, na maior parte dos casos, se encontram em ruínas. O cume e grande parte da encosta da Fóia surgem repletos de blocos e penhascos.
Quando D. João II deu a Fóia aos habitantes da povoação de Monchique, ainda essa elevação apresentava a sua cumeada coberta por árvores, nomeadamente sobreiros e azinheiras, de que não restam vestígios devido aos incêndios. Actualmente, a cumeada desse grande dorso sienítico encontra-se revestida por matos de Esteva, Urze, Alecrim, Tomilho, Trovisco e outras pequenas plantas.
A estrada que se tem seguido até aqui leva ao topo da montanha, virando à esquerda para Pegões (892 m) e depois à direita em direcção ao Monge, vértice geodésico de primeira ordem que assinala o ponto mais elevado da serra – a Fóia (902 m). Daí, em dias de boa visibilidade, podem vislumbrar-se vastos horizontes, desde a costa meridional algarvia, a sul, até à Serra da Arrábida, a norte.
Após um descanso merecido, deverá o viajante “fazer-se ao caminho”, pois ainda há muito para andar. Desce-se o vale que parte da Fonte da Égua por uma estrada empedrada e, na bifurcação desta, volta-se à esquerda, indo dar a uma casa tradicional: mais uma que infelizmente se encontra degradada. O caminho que começa junto desta construção de pedra atravessa a ribeira do Barranco Porto do Cano leva até à estrada que, após passar em habitações de arquitecturas mais recentes, desemboca, ao km 4, na EN 266-3.
Entre o km 3 e o km 2, sai-se da estrada alcatroada virando à direita para o sítio de Bouça. No meio de denso arvoredo, em que os eucaliptos se destacam por entre caminhos de pé-posto, desce-se por esse grande vale a que o povo chama “Barrocal”, em direcção a Nave da Papoila.
O vale da Ribeira de Boina (vulgo Barrocal), que se estende desde Monchique às Caldas de Monchique, é bastante povoado. De facto, essa grande depressão entre a Fóia e a Picota está preenchida por um intenso pontilhado de pequenas propriedades que aproveitam a copiosa fertilidade desses solos, cobertos de húmus, para cultivar grande diversidade de frutas e legumes. Nesse vale de erosão abundam, entre outras árvores, as oliveiras e os sobreiros, assim como os mais recentes e comuns eucaliptos.
Chegados à estrada de terra batida que liga a Nave a Monchique, segue-se na direcção desta vila. No cruzamento da EN 266, à estrada de Monchique, vira-se à direita, seguindo pela Calçada do Pé da Cruz em direcção ao diminuto povoado de Serra. Daí até à Picota (774 m) já falta pouco mas o declive acentuado vai abrandar o ritmo da marcha. Essa notável elevação penhascosa e pontiaguda proporciona, tal como o topo da Fóia, um miradouro natural de onde se poderão vislumbrar amplas panorâmicas. A subida pela vertente setentrional, íngreme e rochosa, aconselha aliás um breve repouso no cimo dessa elevação.
A partir daí, o percurso desce a vertente sul por trilho aberto em densa floresta que nos conduzirá ao Montinho do Craço, onde uma casa e a sua fresca horta aguardam os caminheiros. No entanto, nada de paragens, pois ainda há que andar até Vale das Perdizes e, daí, até ao Covão da Águia. Só então o tanque de rega que aí se encontra junto a um casarão (diríamos quase senhorial) não permite a continuação sem uma paragem refrescante.
Deste local, via Pedras Novas, o caminho, quase sempre a descer, conduz ao belíssimo povoado de Caldas de Monchique, rodeado por exótica e densa vegetação. Esta estância termal, frequentada pelo menos desde a presença dos árabes na península, será o termo desde longo mas gratificante percurso.

(Pedro Cuiça in Guia de Percursos Naturais. Lisboa: Forum Ambiente, 1995; pp. 181-186)



Ficha Técnica
Extensão: 20541 m
Duração média: 6 h 30 mn
Dificuldade: nível III
Desnível acumulado: +866 m, -1076 m
Altitude média: 585 m
Paisagem: bosques de Quercíneas e castanheiros, campos de cultivo e matos arbustivos
Áreas abrangidas: Biótopo CORINE da Serra de Monchique
Época aconselhada: todo o ano
Acessos: via Portimão - Caldas de Monchique (EN 266) ou Aljezur - Marmelete - Casais (EN 267)
Pernoita:
- Parque de Campismo (Orbitur) de Portimão
- diversos parques de campismo em Lagos
Concelhos abrangidas: Monchique

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Cabeços Alentejanos


Forum Ambiente nº 75 de Novembro de 2001 - Percurso: Pedro Cuiça - Ilustrações: Nuno Farinha e Fernando Correia

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Percurso Megalítico


Forum Ambiente nº 75 de Novembro de 2001 - Percurso: Pedro Cuiça - Ilustrações: Nuno Farinha e Fernando Correia

domingo, 24 de novembro de 2013

Um Santuário de Montanha

Serra da Estrela
Um santuário de montanha

Com uma altitude de 1993 metros, a Serra da Estrela, “uma paisagem de tipo alpino encravada no coração de Portugal”, apresenta-se bastante isolada no contexto nacional. As terras de altitude superior a 1200 metros ocupam somente 0.5% da superfície do País, dos quais cerca de metade pertencem a essa serra.

O Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) situa-se na Beira Baixa, a pouco mais de 200 km do Porto e a 300 km de Lisboa. Propomos uma forma diferente de visitar esse “santuário de montanha” percorrendo a pé uma das suas zonas mais pitorescas.
O Covão d’Ametade está equipado para se fazer aí “campismo de passagem” e será a nossa base de partida para diversos percursos possíveis. A época ideal para os percursos pedestres é de Maio a Outubro, pois nos restantes meses o maciço central da será está frequentemente coberto de neve, dificultando, ou mesmo tornando perigosas as caminhadas.
O Covão d’Ametade é um enorme anfiteatro, antigo circo glaciário que alimentava o glaciar do Zêzere, rodeado por relevos imponentes: Cântaro Raso (1916 m), Cântaro Magro (1928 m), Cântaro Gordo (1877 m) e Múmias (1604 m). Os fenómenos de erosão glaciária do Würm foram particularmente intensos na região dos Cântaros, devido à instalação dos glaciares do Zêzere e do Alforfa.
Volte as costas ao vale do Zêzere e siga em direcção ao mais alto desses relevos, o Cântaro Magro, torre granítica com mais de 300 m de desnível. Suba até ao Covão Cimeiro (a cerca de 1750 m), situado entre os Cântaros Magro e Gordo. Recupere o fôlego, abrandando a marcha ou parando, para apreciar a beleza dessa grande depressão sulcada de diversos cursos de água e pequenas lagoas. Daí, seguindo para oeste, apanhe o Corredor do Inferno que desemboca no planalto da Torre, atravesse a EN339 e siga em direcção ao vértice geodésico (v.g.) Estrela (1993 m), ponto mais alto de Portugal continental. Desse local, conhecido por Torre, em dias de boa visibilidade poder-se-ão distinguir, a grande distância, os pontos culminantes da Serra da Boa Viagem (em Buarcos), Serra de Gredos (em Espanha), Serra do Marão (em Trás-os-Montes) ou Serra de Portalegre (no Alentejo).
A partir da Torre poderá optar por diversos percursos: dirigindo-se para norte até ao v.g. Cume (1858 m) e daí, em direcção à Lagoa Escura, atingir a Lagoa Comprida, com regresso pela EN339 (via Torre-Nave de Santo António), ou seguir até ao Cume e daí para o v.g. Piornal (1755 m) atingir, através de descida algo difícil, o Vale da Candeeira, Vale do Zêzere e Covão d’Ametade. O Cume foi o local onde acampou a expedição da Sociedade Geográfica de Lisboa, em 1881. As lagoas referidas são de origem glaciar, bem como o vale da Candeeira, onde repousa a Lagoa da Paixão, antigo circo glaciário suspenso sobre o vale do Zêzere. Outro percurso alternativo poderá ser em direcção ao Corredor dos Mercadores, sulco profundamente encaixado entre os Cântaros Magro e Raso resultante da erosão de filão. A descida da “Rua dos Mercadores”, sem ser difícil, exige uma progressão cuidadosa devido aos inúmeros blocos soltos que aí se encontram; no entanto, é a via mais curta e rápida para atingir o Covão d’Ametade.
Tenha-se em atenção que, no Inverno, o início do corredor, devido aos ventos de oeste, costuma estar coberto de gelo, desaconselhando-se a sua descida. Se o desnível e inclinação do corredor o impressionarem a ponto de achar a descida complicada, regresse até à EN339 e siga, com segurança, pela estrada até à Nave de Santo António, superfície coberta por sedimentos finos e marginada pelas moreias dos glaciares do Zêzere e Alforfa.
Por último, alertamos para o facto de as condições de segurança na Serra da Estrela serem deficientes (nomeadamente no que concerne a evacuação em caso de acidente), portanto todo o cuidado é pouco; devendo-se respeitar, no Inverno, as indicações do Centro de Limpeza de Neve. Boas caminhadas!

(Pedro Cuiça – Fim-de-Semana – jornal Forum Ambiente . nº 7 . 14/Jan. 1995)


Fotos: Serra da Estrela © PC (2009)

ATENÇÃO: Os itinerários sugeridos são tecnicamente exigentes e é necessário ter em consideração o enquadramento legal actualmente em vigor (24/11/2013).

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Nas praias alentejanas


Forum Ambiente nº 73 de Setembro de 2001 - Percurso: Pedro Cuiça - Ilustrações: Nuno Farinha e Fernando Correia

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Um Alentejo diferente


Forum Ambiente nº 73 de Setembro de 2001 - Percurso: Pedro Cuiça - Ilustrações: Nuno Farinha e Fernando Correia

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Caminhos romanos


Forum Ambiente nº 72 de Agosto de 2001 - Percurso: Pedro Cuiça - Ilustrações: Nuno Farinha e Fernando Correia

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

O trilho dos dinossáurios


Forum Ambiente nº 72 de Agosto de 2001 - Percurso: Pedro Cuiça - Ilustrações: Nuno Farinha e Fernando Correia

domingo, 17 de novembro de 2013

A Montanha Sagrada


Forum Ambiente nº 71 de Julho de 2001 - Percurso: Pedro Cuiça - Ilustrações: Nuno Farinha e Fernando Correia

sábado, 16 de novembro de 2013

O Monte da Lua


Forum Ambiente nº 71 de Julho de 2001 - Percurso: Pedro Cuiça - Ilustrações: Nuno Farinha e Fernando Correia