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domingo, 16 de junho de 2019

Fome de Andar

...ou andar com fome?

Hoje que é o último dia da 89ª Feira do Livro de Lisboa (16 de Junho) e na sequência da publicação de um post no dia da sua inauguração (29 de Maio) – (An)dar na Bibliofagia – e de dois posts referentes a livros comprados nas incursões cirúrgicas a que fizemos alusão – a-LUZ-cin-ação e D’a natural prática –, encerramos este ciclo de publicações com alguns apontamentos referentes a um conjunto de obras de Henry Miller. Desta feita, O Tempo dos Assassinos, da editora Antígona (2016) – a que retornámos, passados mais de 30 anos, após a primeira leitura sob a chancela da Hiena Editora (1985) –, Reflexões sobre a morte de Mishima (&etc, 1983) e Viragem aos Oitenta (Capra Press e VS – Vasco Santos Editor, 2019).

© Arthur Rimbaud (1854-1891)


Por três vezes, durante a adolescência, Rimbaud chega a Paris e a Bruxelas; por duas vezes a Londres. De Estugarda, depois de ter aprendido alemão, parte a pé, através de Vurtemberga e da Suíça, em direcção à Itália. De Milão avança para as Cíclades, via Brindisi, afinal para apanhar uma insolação e ser remetido para Marselha, via Livorno. Percorre a Escandinávia e a Dinamarca, integrado numa feira ambulante. Passa por Hamburgo, Amsterdão e Roterdão, parte para Java, alistado no exército holandês, do qual deserta rapidamente. Ao passar por Santa Helena, a bordo de um navio inglês que se recusa a atracar, salta borda fora, tendo no entanto sido apanhado e trazido para bordo antes de ter conseguido chegar à ilha. De Viena sai escoltado pela polícia até à fronteira bávara, por vagabundagem; daí, acompanhado por outra escolta, é trazido para a fronteira da Lorena. Nestas viagens e surtidas anda sempre sem dinheiro, sempre a pé, e quase sempre de estomâgo vazio. Em Civitavecchia é posto em terra, com uma febre gástrica provocada pelas paredes do estomâgo devido à fricção das costelas contra o abdómen. Causa última: ter andado em excesso. Na Abissínia cavalgou em excesso. Tudo em excesso. Esforça-se desumanamente. O objectivo está sempre mais além.
Entendo tão bem esta obsessão! Se me ponho a rever a minha vida na América, parece-me que, de facto, percorri milhares e milhares de quilómetros de estomâgo vazio. Sempre à procura de umas moedas, de uma côdea de pão, de um trabalho, de sítio para onde pudesse atirar com o corpo. E sempre à procura de um rosto amável!
Às vezes, por muita fome que tivesse, era capaz de ir para a estrada, fazer sinal a um carro e pedir ao condutor que me deixasse onde lhe apetecesse, só para poder mudar de cenário. Conheço milhares de restaurantes em Nova Iorque, não como cliente, mas por ter passado horas em pé, à porta, a olhar esfomeado para clientes sentados à mesa. Ainda consigo recordar-me do cheiro de certos carros de venda de cachorros em determinadas esquinas. Consigo ver ainda os cozinheiros vestidos de branco, por detrás das vitrinas, a fritar waffles e farturas nas frigideiras. Por vezes acredito que nasci com fome. E à fome estão associados o andar a pé, o vagabundear, o andar à procura, de um lado para o outro, febrilmente e sem saber o quê. (…) Caminhei vezes sem conta desde o centro de Brooklyn até ao coração de Manhattan, debaixo das mais variadas condições atmosféricas e com os mais variados graus de fome. Chegou a acontecer que, perfeitamente exausto, incapaz de dar mais um passo, fui obrigado a dar meia volta e voltar para trás. Não me custa nada compreender como é possível treinar homens para fazerem marchas forçadas de extensão fenomenal de barriga vazia.
Mas uma coisa é caminhar pelas ruas da nossa cidade natal por entre rostos hostis, e outra, muito diferente, é vaguear pelas estradas dos estados vizinhos. Na nossa terra a hostilidade resume-se à indiferença; mas numa cidade que nos é estranha, ou nos espaços abertos entre duas povoações, é sempre qualquer coisa claramente hostil que nos vem receber. À nossa espera estão cães selvagens, caçadeiras, sheriffs e vigilantes de todas as espécies. Se somos estranhos numa dada região, nem nos atrevemos a deitar no chão frio. Caminhamos, caminhamos, caminhamos sempre. Sente-se nas costas o cano gelado de um revólver que nos manda andar mais depressa, mais depressa, mais depressa. E não é no estrangeiro, é no nosso próprio país que isto acontece. Os japoneses serão cruéis e os hunos serão bárbaros; mas que demónios são estes que são idênticos a nós, que falam como nós, que vestem a mesma roupa, comem a mesma comida e que nos perseguem como cães? Não serão estes os piores inimigos que um homem pode ter?
[MILLER, 2016: 34-36]

© Henry Miller (1891-1980)

SE AOS OITENTA você não é aleijado ou inválido, se se mantém saudável, se ainda aprecia um bom passeio [a pé], uma boa refeição (com todos os requintes), se consegue dormir sem antes tomar um comprimido, se pássaros e flores, as montanhas e o mar ainda o inspiram, você é um indivíduo muito afortunado e devia ajoelhar-se de manhã e à noite e agradecer ao bom Senhor o seu poder conservador.
Se é jovem em anos mas já cansado em espírito, já a caminho de se transformar num autómato, pode fazer-lhe bem dizer ao seu chefe – entredentes, claro – «Vai-te foder, Jack! Tu não és o meu dono».
[MILLER, 2019: 9-10]


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
MILLER, Henry. Viragem aos Oitenta. Lisboa: Capra Press e VS – Vasco Santos Editor, 2019, pp. 48. ISBN 978-989-99811-6-4
MILLER, Henry. O Tempo dos Assassinos – Um estudo sobre Rimbaud. Lisboa: Antígona, 2016, pp. 160. ISBN 978-972-608-283-5
MILLER, Henry. O Tempo dos Assassinos. Lisboa: Hiena Editora, 1985, pp. 128.
MILLER, Henry. Reflexões sobre a morte de Mishima. Lisboa; &etc, 1983, pp. 60.






quarta-feira, 12 de junho de 2019

D'a natural prática

© Algures na Net

Na sequência do post que publicámos acerca da 89ª Feira do Livro de Lisboa e do comentário sobre um dos livros adquiridos no nosso primeiro raid cirúrgico a esse evento – Alucinar o Estrume, de Júlio Henriques –, é chegada a altura de levantarmos um pouco do véu de outra extraordinária obra da mesma profícua colheita: A Prática da Natureza Selvagem (Antígona, 2018), de Gary Snyder. 
Figura grada da geração beat, Snyder ficou imortalizado, tal como Allen Ginsberg e Jack Kerouac, em Os Vagabundos do Dharma (escrito por este último). Gary Snyder é um activista da ecologia profunda, escritor e tradutor, poeta e montanhista, doutorado em antropologia e geólogo amador, estudou línguas orientais e budismo zen (no Japão e na Índia, onde residiu), entre outros inúmeros e inusitados predicados. A Prática da Natureza Selvagem trata-se de um “hinário”, deste ímpar mestre da natureza primal, da qual destacamos algumas alusões à prática.





«As montanhas azuis estão sempre a caminhar.»
Gary Snyder (2018: 131)

«Se duvidas de que as montanhas caminham, desconheces o teu próprio caminhar.»
Gary Snyder (2018: 138)

«(…) uma montanha pratica sempre em qualquer lugar.»
Gary Snyder (2018: 141)


(…)
Um outro aspecto era o da espiritualidade. A minha via pessoal é uma espécie de budismo antigo, que permanece ligado às raízes animistas e xamânicas. O respeito por todos os seres vivos é um elemento basilar dessa tradição. Tentei ensinar outras pessoas a meditar e a penetrar nas áreas selvagens da mente. Como sugiro num destes ensaios, a própria linguagem pode ser encarada como um sistema selvagem.
Um termo-chave é «prática», que significa um esforço intencional para nos sintonizarmos melhor com nós próprios e com o modo como o mundo é realmente. «O mundo», com a excepção de uma minúscula intervenção humana, é fundamentalmente um lugar selvagem. É aquele lado do nosso ser que dirige a respiração e a digestão, e que quando observado e apreciado constitui uma fonte de profunda inteligência. Os ensinamentos do budismo incidem sobretudo sobre a prática, e muito pouco sobre a teoria – embora esta seja tão cativante que, ao longo da história, levou a que muita gente se desencaminhasse um pouco, deliciosamente.
A Prática da Natureza Selvagem sugere que nos empenhemos em algo mais do que a virtude ambientalista, a perspicácia política ou um activismo útil e necessário. Temos de nos enraizar na escuridão do nosso eu mais profundo. Uma recolha de ensaios posterior, A Place in Space, propõe que boa parte desse enraizamento ocorre em comunidades que existem, quer o saibamos quer não, dentro das «nações naturais» formadas por cadeias de montanhas, cursos de água, planícies e pântanos.
(…) Algo que não víamos talvez com tanta clareza era que a realização pessoal, inclusive a iluminação, é outro aspecto do nosso lado selvagem – uma ligação do selvagem dentro de nós com os processos (selvagens) do universo.
[SNYDER, 2018: 8-9]

A prática no terreno, em «campo aberto», é o mais importante. Caminhar representa a grande aventura, a primeira meditação, um exercício de robustez e de alma essenciais para a humanidade. Caminhar é o exacto equilíbrio de espírito e humildade. Caminhando ao ar livre, percebemos onde existe alimento. E há tantos relatos directos e verídicos que provam que «o teu rabo é a refeição de alguém» – o que é uma forma brusca de dizer interdependência, interconexão, «ecologia», ao nível onde conta, e também algo que nos ensina a estarmos atentos e preparados. Há uma instrução extraordinária acerca das plantas e animais e seus costumes, uma instrução empírica e irrepreensível, que nunca os reduz a objectos ou mercadorias.
[SNYDER, 2018: 30]

Há inúmeras maneiras de caminhar – desde atravessar em linha recta o deserto a serpentear através de um matagal. Descer cristas rochosas e escarpas abruptas é em si mesmo uma especialidade. É uma dança irregular, de passos cambiantes, sobre lajes e cascalho. A respiração e os olhos seguem continuamente esse ritmo desigual, que nunca é regular nem compassado, mas flectido – com pequenos saltos, desvios, escolhendo sempre o lugar à vista para firmar o pé na rocha, continuar, avançando em ziguezague e de forma inteiramente intencional. O olho alerta fixado em frente, escolhendo o próximo apoio de pé, sem nunca esquecer o presente passo. O corpo-mente está de tal modo unido a este mundo difícil que executa estes movimentos sem esforço, desde que tenha alguma prática. A montanha acompanha a montanha.
[SNYDER, 2018: 151]

Experimentei pela primeira vez um desses picos distantes aos quinze anos, quando subi o monte Santa Helena. Acordando no limite florestal às três da manhã, e levantando o acampamento para poder estar no gelo do glaciar às seis; assistindo ao róseo amanhecer a dois mil e setecentos metros de altitude, de pé numa ladeira gelada, com o gelo a estalar sobre os pitões* das botas de neve – eis alguns dos prazeres esotéricos do montanhismo. Estar imerso em gelo e rocha e frio e espaço superior é submeter-se a uma fantasmagórica, rigorosa iniciação, a uma transformação. Estar acima de todas as nuvens com apenas mais algumas montanhas altas, também ao sol, com o mundo humano ainda adormecido sob a sua cinzenta manta de nuvens aurorais, constitui um dos primeiros passos rumo àquilo a que Aldo Leopold chama «pensar como uma montanha». Nos anos subsequentes, escalei a maior parte dos cumes do Noroeste – monte Hood, o monte Baker, o monte Rainier, o monte Adams, o monte Stuart, e outros.
[SNYDER, 2018: 157]



NOTA Pedestris
*A tradução correcta é “crampões”: dispositivos providos de picos metálicos (geralmente 12 pontas) que se colocam nas botas de montanha para possibilitar a progressão em neve dura, gelo e/ou terreno misto.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SNYDER, Gary. A Prática da Natureza Selvagem. Lisboa: Antígona Editores Refractários, 2018, pp. 256. ISBN 978-972-608-326-9

sexta-feira, 31 de maio de 2019

a-LUZ-cin-ação


Não, este não se trata, de todo, de um livro sobre caminhadas e, muito menos, sobre pedestrianismo, apesar de nele surgirem alguns inveterados andarilhos e de abordar diversas andanças… Nem sequer se trata de um livro campestre, pese embora muito do que aí é dito se passar em cenários de retorno ao campo, ademais quando a urbanidade surge de forma explicita ou mais ou menos (re)velada. Segundo os Editores Refractários desta obra, o personagem principal – Estêvão Vao –, se assim é lícito nos pronunciarmos, «exprime uma oposição liminar à demência do astronauta, ao paradigma que corporiza a indigente ambição de viver na Terra fora da terra». Aí – nesse preciso paradigma – reside a idiossincrasia societária dos humanos que, em diversos tempos e espaços coetâneos, surgem travestidos e/ou alienados sob roupagens (pós)modernas ou, bem mais importante que isso – porque para além (ou aquém?) do dito paradigma –, são a expressão de uma cultura milenar…





EMPREENDEDORISMO AGRÁRIO

Estêvão Vao1 ia a descer a mui inclinada Rua do Comércio, por onde não passam veículos automóveis, quando a meio da bruma espectral inserida no mês em curso julgou perceber que à sua frente caminhavam duas senhoras. Ao descortina-las, as duas figuras remeteram-no para o Bucha e Estica, porque uma era assaz volumosa e a outra bastante magra, parecendo esta ter-se esquecido de desligar o programa de emagrecimento. Notou que caminhavam como patos coxos, ou meio coxos. Porém, ao notá-lo, viu desprender-se delas uma nuvem de perfume chique e agoniante que logo o abocanhou, fazendo-o cair numa das ratoeiras em que se revela pródigo o mundo urbano.
Empreendendo um apreciável esforço cerebral para identificar a estranheza da andadura das senhoras, apercebeu-se de que iam montadas sobre umas botas de salto alto e fino, primor de elegância que as obrigava a apalpar terreno, para não se estatelarem na calçada. (…)
(HENRIQUES, 2017: 9-10)


ALDEIAS SEM ESTRUME, S.A.

(…) Nesse dia, na Câmara Municipal de Xispeteó já tinha começado de manhã uma importantíssima reunião regional aonde aportara um bom número de autarcas, conclave destinado a ultimar um «projecto estratégico», como rezava o documento jazente na vasta mesa, que no intervalo para o almoço (opíparo e prolongado, como é de lei em tão sacras circunstâncias) a nossa amiga F. teve oportunidade de ler, por mero acaso, ao extraviar-se pelos meandros da Câmara em busca do gabinete de obras.
Esse documento punha em letra de forma uma excelsa ideia que há tempos começara a tossir alto por aquelas bandas, em entrevistas de autarcas a jornais e rádios de todo o território e até já chegara ao altar televisivo: a criação de uma rede de aldeias sem estrume. O «sem estrume» sintetizava várias outras medidas do mesmo jaez, sendo os habitantes das aldeias incitados a denunciar «às autoridades competentes», não só a presença desse material orgânico, mas também, por exemplo, casas que ainda tivessem janelas, portas ou corrimões em alumínio. Tratava-se, lambiam-se já os beiços criativos, de uma magnífica operação de limpeza étnica destinada a embelezar as aldeias, de modo a estas poderem figurar, em várias línguas, nos folhetos turísticos de promoção, cartazes, brochuras, vídeos e demais propaganda publicitária a que o Turismo recorre, gulosamente, com a sua costumeira histeria fotográfica, videográfica e escritográfica.
Para anunciar sem tardança ao apetecido público-alvo («turistas de qualidade»)2 as impecáveis características das aldeias a integrar na Grande Panaceia das economias locais3, fora decidido dar à organização um nome de marcante sabor: Rede de Aldeias Sem Estrume, S.A.. (…)
(HENRIQUES, 2017: 36-37)


CAMINHO PARA UM NOVO SOL

(…) Convém dizer que Estêvão considerava com brando cepticismo os entusiastas do «regresso ao campo» que alardeiam grandes coisas sem as aplicarem no terreno, desprovidos da indispensável coerência entre o que é dito e o que é feito; intuía neles ambíguas ambições, cujo móbil parecia consistir, sob simpáticos ademanes, e pôr a trabalhar na roça quem caísse na rede, amiúde embrulhada em esoterismos fumosos, pozinhos de perlimpimpim, gurus e outros santos milagreiros; ou que se enfatuavam com transições destinadas tão-somente a envernizar o mundo e a fazer currículos. Adriano, quanto a ele, andava a trabalhar em prol de uma autonomia que começava pela alimentar; não se espraiava em devaneantes optimismos segundo os quais podia desde já viver-se «fora do capitalismo» bastando para tal a vontade de um «espírito superior»; e também não idealizava beatamente o mundo camponês, ou o que por aqui restava dele, sabendo todavia – questão prévia – que se trata de uma cultura milenar e que uma cultura destas, como diz John Berger, não se pode deitar fora como quem risca contas saldadas. Estêvão sentia-o confiante, mas em algo que era preciso construir a partir de baixo, com a cabeça, sim, mas igualmente com as mãos; e que implicava um esforço incitativo em trabalho braçal e competências afins, aberto a uma diversidade de experiências com provas dadas e a outras que cometiam erros por estarem a ser feitas no terreno, correndo riscos. A sociedade vigente estava a rebentar pelas costuras e não eram bem-vindas as gentis propostas conducentes a remendar com panos quentes tais costuras. Era diversa e mais funda a perspectiva por ele perfilhada: sair desta civilização, contribuir para a parição de uma outra – sem que isso, contudo, significasse uma inteira tábua rasa: anteriores culturas perseguidas continuavam, agora mesmo, a sua luta pela existência de um mundo plural. Fosse como fosse, em muitos lugares da Terra essa perspectiva estava a caminhar em busca de um novo sol. (…)
(HENRIQUES, 2017: 96-97)



NOTAS DO AUTOR
1 · De seu nome completo Francisco Hermes Estêvão Vao (do antigo ramo dos Vaos, ou Vaus, de Entre Douro e Minho) de Alencastre Reboredo e Souza. Inspirado na obra do grande geógrafo anarquista Élisée Reclus, aplicou a parca fortuna que lhe coube em herança em infindáveis caminhadas de naturalista, que o levaram do Norte da Galiza ao Levante, e daí, depois, a todo o litoral mediterrânico, o que lhe deu uma invejável estrutura muscular de caminheiro, deslocando-se a pé por todo o lado. Isso mesmo se verá, se Deus quiser (se Não Quiser está o caldo entornado), em próximos capítulos das suas ígneas aventuras.
2 · A expressão «turismo de qualidade» significa, traduzida em miúdos, o turismo destinado a gente com contas bancárias chorudas, de preferência estrangeiros oriundos de «países bons». Para as restantes multidões, o turismo não tem de ser «de qualidade», basta ser uma merda qualquer.
3 · Grande Panaceia é um sinónimo pós-moderno de Turismo, já devidamente dicionarizado.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
HENRIQUES, Júlio. Alucinar o Estrume. Lisboa: Antígona – Editores Refractários, 2017, pp. 176. ISBN 978-972-608-287-3

(An)dar na bibliofagia


© Antígona 

A 89ª Feira do Livro de Lisboa começou no dia 29 de Maio e irá decorrer até ao dia 16 de Junho, no Parque Eduardo VII. Para inveterados bibliófagos, como nós, não no sentido de Um Caso de Bibliofagia, à António Victorino d’Almeida, ou de animalejos literalmente comedores de livros, mas num senso metafórico de quem tem pela leitura um reiterado prazer, este é um evento a não perder. Trata-se de uma oportunidade única para usufruir de um tão grande número de editores e livreiros reunidos num mesmo espaço, de deparar com edições difíceis de encontrar e, claro, comprar livros a preços inferiores aos habituais. A juntar a isso, e certamente não menos importante, acresce a necessidade (diríamos antes “a oportunidade”) de, para visitar a totalidade dos expositores, ter de percorrer a pé uma distância e desnível que, sem ser nada de extraordinário, merece enaltecer.
Foi aliás dentro do espírito andarilho das frequentes andanças, praticamente diárias, que empreendemos na cidade (da) luz – Lisboa – e que apelidamos, “em amaricano”, de “Lisbon Walks” (vá-se lá a saber porquê!), que fizemos um raid cirúrgico a essa feira livreira, no dia da sua inauguração, aos pavilhões D40 a D42 e A15: mais precisamente à Antígona e à Letra Livre. Na primeira destacamos o livro do (desse) dia Walden ou a Vida nos Bosques e da promoção d’A Desobediência Civil/Defesa de John Brown, ambos de Henry David Thoreau; mas não foi por essas obras, nem sequer pelo interessantíssimo livro Caminhada, do mesmo autor, trilogia a que regressamos amiúde e que fortemente recomendamos, que visitámos esses Editores Refractários. Nessa feita adquirimos, todavia, Alucinar o Estrume, de Júlio Henriques, A prática da natureza selvagem, de Gary Snyder, e O Tempo dos Assassinos, de Henry Miller. E dessas aquisições daremos, em breve, o devido e respectivo fidebéque (?) neste espaço de andanças encantas que dá pelo nome “Pedestris”. No segundo pavilhão encomendámos Reflexões sobre a Morte de Mishima, de Henry Miller (edições &etc), que iremos recolher, hoje, num segundo raid ainda mais cirúrgico do que o primeiro. Na verdade, apreciamos feiras de livros e andanças, mas mais ainda a busca de livreiros recônditos e amplos espaços de ar livre dificilmente compagináveis com multidões. Vou ali (a pé), já venho!


Pedro Cuiça © Lisbon Walks (29/Mai. 2019) 

Pedro Cuiça © Lisbon Walks (31/Mai. 2019) 

Pedro Cuiça © Lisbon Walks (31/Mai. 2019) 

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Walked and Climbed


Black Hills Sun Rise © Pinterest

The Indian viewed the sun as the greatest symbol of the Spirit he worshiped and always placed the opening of his tepee toward the east, where it first appeared in the morning. He did not worship the sun or set aside certain days specifically for devotion. His belief was integrated into his daily life, which it had to be, with his god always presente and manifest in all things.
Gifted as the White man is with imagination and perception, and sometimes with compassion, he has never been able to understand why the Indians fought so fiercely to retain the Black Hills that rose in rugged outline above the grassy plains in the Dakota Territory. The Sioux believed that the Great Spirit had his abode in these hills even as the gods of ancient Greece lived on Mount Olympus. This belief had been etched in their consciousness throught centuries. From where they lived in the land of the tal grass, they could see the Thunder Bird hovering above the high peaks, conjuring rain and snow storms. They knew that spirits lived in the caves, and roamed among the forests of this Paradise where they worshiped.
(…)
Pictures painted on the walls of the caves up there were interpreted by the holy men as a guide on how to live. They were looked upon as the mystic language of the Great Spirit.
The springs that gushed from the cliffs and formed into pools were put there for man’s use. They were the tears of the Great Spirit, and the healing waters were magic to the sick, the injured and crippled who went there for help; and where they often recovered miraculously. They filled their buffalo horns and rawhide bags with the healing water, and carried it back to their homes for the sick and those who were too old to journey to the waters.
Other tribes went to the wilderness health resort, and the Sioux did not molest them when they pitched their tepees, for they knew that no one would dare remain as permanent guests. The Great Spirit would punish them, or the Thunder Bird would wash them away in a flood. They hunted the deer and the elk and the bear which had been placed there in abundance by the Creator to provide meat and fur for his children.
The chiefs of the Sioux and other tribes held councils in the caves, and the medicine men went there often to commune, and refresh and replenish their belief and reverence.
[FOX, 1971: 10-12]

Thunder Bird © South Dakota Ancient Art

To presente this god as Nature is like trying to imobilize a wave by driving a nail into it. The Indian was aware of the statutes written in the Book of Nature, meaning that gave him reverence and serenity; but the Great Spirit was something he could not see. It existed only in symbology and in the invisible outposts of his consciousness. His concept of divinity was inconceivable to the strict religionists who came to his landed Paradise in 1492.
[FOX, 1971: 14]


Devils Tower © Victoria Weeks

There were many peaks in the Black Hills never climbed by the old time Indians because there was a strong belief that it was visited by the Thunder Bird.
Legend further adds that whenever the Thunder Bird stopped it caused much lightning and thunder in the Black Hills.
My mother tells this story about my grandfather as he had told it to her when she was a child.
Many years ago many Sioux Indians went into the Black Hills to gather lodge poles for their tepees and wild fruits.
They camped at foot of a Hill. While the others Indians were sleeping he walked away and climbed to the top of the hill.
He raised his hands to the heavens above and prayed to the Mighty Spirit to watch over his children and their children to give them power, strenght and good health to guide in peace or war.
[FOX, 1971: 194-195]



REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
FOX, Chief Red. The Memoirs of Chief Red Fox. USA: McGraw-Hill Book Company, 3ª ed., 1971, pp. 210.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Le pittoresque


Nicholas Roerich © Himalaias

Ce texte [Les Rêveries du Promeneur Solitaire] rédigé en 1776 marque l’aboutissement d’une évolution identifiée dès le siècle antérieur. Au cours du 17e siècle, les discours sur Paris ont évolué autant que l’espace urbain a été transformé par l’affirmation de l’absolutisme royal. L’invention du premier trottoir moderne en 1607 symbolise la nouvelle division de l’espace public entre les piétons et les véhicules. Pour les élites, cela implique désormais deus modes de transport: dans la rue, le statut aristocratique requiert de se déplacer en véhicule pour ne pas se mélanger au people, tandis que des parcs et jardins sont aménagés comme espaces dédiés à la promenade entre-soi, où il devient loisible de marcher pour marcher. «L’art de la marche» et «l’art des jardins» trouvent leurs origines aristocratiques conjointes quando les élites de toute l’Europe commencent à rivaliser à ces sujet au cours du 16e siècle.

L’apparition de la promenade moderne mete en jeu la capacite à différencier et à rendre distinctive la marche-loisir, réalisée pour elle-même et pratiquée par l’élite, par rapport à la marche-déplacement, réalisée par necessité pour aller d’un endroit à une utre, pour ceux qui n’ont pas d’autre choix. C’est en effet la marche-loisir élitiste que réalise et décrit Rousseau, et c’est bien la marche-déplacement triviale qu’il tend à marginaliser et à occulter dans la «Deuxième promenade», qui laisse pourtant deviner de nombreux piétons à côté du promeneur-rêveur «solitaire». L’ouvre  de Rousseau donne alors un grand retentissement à deux innovations romantiques. D’une part, la promenade sort alors du strict cadre des parcs et jardins pour s’étendre aux campagnes bucoliques, puis aux environnements «sauvages» (cf. la naissance de l’alpinisme aristocratique). D’autre part, les élites ajoutent à l’activité physique et mondaine de la promenade une activité littéraire ou picturale.
[MONNET, 2015]

Pedro Cuiça © Jardim da Quinta Real de Caxias (Dezembro 2018)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
MONNET, Jérôme (2015): La marche à pied entre loisir et déplacement. La géographie nº 1557, p. 12.15
MONNET, Jérôme (2016): Marche-loisir et marche-déplacement: une dicotomie persistante, du romantisme au fonctionnalisme. Sciences de la Societé, Presses Universitaires du Midi, pp. 75-89 

  

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Através da paisagem


Lentamente, o meu cérebro começou a reajustar-se a espaços que não utilizava havia meses. Durante muito tempo, tinha vivido na universidade, em bibliotecas e salas de aula, de cenho franzido a olhar para ecrãs, a corrigir trabalhos, a tentar encontrar referências académicas. Era um outro tipo de perseguição. Ali eu era um animal diferente. Alguma vez viram um veado a sair do seu esconderijo? Dão um passo, param e ficam imóveis, com o nariz no ar, a olhar e a farejar. Um frémito nervoso poderá percorrer-lhe os flancos. E depois, tranquilizados por se sentirem em segurança, saem do meio dos arbustos para irem pastar. Naquela manhã, senti-me como o veado. Não que estivesse a farejar o ar ou parada com medo – mas tal como ele, estava dominada por modos muito antigos e emocionais de me deslocar através de uma paisagem, a experimentar formas de atenção e de comportamento que estavam para além do controlo consciente. Qualquer coisa dentro de mim comandava os meus passos sem que eu tivesse grande consciência disso. Talvez fossem milhões de anos de evolução, talvez fosse intuição, mas na minha busca de açores sinto-me tensa quando caminho ou estou imóvel ao sol, dou comigo a dirigir-me inconscientemente para zonas de luz, ou escapar-me para zonas de sombra estreitas e frias ao longo dos vastos intervalos entre os renques de pinheiros. Encolho-me se oiço o chamamento de um gaio, ou o grito de alarme repetido e zangado de um corvo. Estes dois sons podiam significar Alerta, humano! ou Alerta, açor! E naquela manhã eu estava a tentar encontrar um ocultando o outro. Essas antigas intuições fantasmagóricas que há milénios ligam corpo e espírito tinham-se afirmado, impondo a sua vontade, fazendo-me sentir incomodada sob a luz intensa do sol, inquieta no lado errado de uma cumeeira, de certo modo obrigada a caminhar sobre uma elevação coberta de ervas descoradas para chegar a qualquer coisa do outro lado que acabaria por se revelar um lago.
[MACDONALD, 2015: 14]


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
MACDONALD, Helen. A de Açor. Alfragide: Lua de Papel, 2015, pp. 344. ISBN 978-989-23-3394-6

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Senso e Sentido

Hoje, que se realiza o lançamento do Volume X das Obras Completas de António Telmo, Capelas Imperfeitas, editadas pela casa Zéfiro, deparei-me com um pequeno texto – Carta íntima a mim próprio – integrante do Volume I dessa “colectânea”, A Terra Prometida, com interessantes considerandos acerca do senso e do sentido, que me remeteram para as caminhadas holotrópicas, mormente pelo marcado cariz sensorial destas. Afinal tudo está (inter)ligado a tudo e, ademais, algumas coisas mais que outras…


«O ouvido torna-se um foco de atenção quando falta a luz. O principal foco da atenção. Depois vem o olfacto e o tacto. A vista guia-se por estes três sentidos. Os filósofos para quem o mundo sensível é uma noite detêm o segredo da palavra que expulsa os ídolos. Este de que falamos [Sampaio Bruno] é desta espécie e daí privilegiar a metáfora, não pelo seu esplendor, mas pelo que ela manifesta do poder da palavra transformando o sentido.
Álvaro Ribeiro, seu discípulo, nisto como noutras coisas igualmente importantes, não gostava da palavra sentido, utilizada para designar os cinco órgãos de apreensão do sensível. Propunha senso para a substituir. O sentido, ensinava ele, é o que o senso encontra fora de si. Não é o em quem sente, mas o no que é sentido. Estranhamente preferiu o rigor lógico da linguagem ao seu uso popular, que tanto prezava. Preferiu o científico ao primitivo. É um dos poucos pontos em que não posso estar com ele. Pois que, quando dizemos, como é uso popular, que por determinado caminho vou no sentido do norte, digo muito mais do que se dissesse que vou na sua direcção. Sinto o Norte para aquele lado, o Norte torna-se o que sinto, isto é, o meu sentido, o que está em mim e ao mesmo tempo lá fora. Do mesmo modo, quando, numa quadra popular, ele diz para ela “Trago-te no meu sentido”, o sentido aqui é a alma que sente e a alma que ela é.
A designação dos cinco sentidos é toda ela feita com particípios passados: Ouvido, vista, olfacto, tacto. Toda, não. Falta o paladar, que é uma operação do palato. Passado ou perfeito, o que diz um mundo sensível integrado no nosso senti-lo.»
[TELMO, 2014: 146-147]



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
TELMO, António. A Terra Prometida – Maçonaria, Kabbalah, Martinismo & Quinto Império. Sintra: Zéfiro, Obras Completas de António Telmo, Vol. I, 2014, pp. 212. ISBN 978-989-677-115-7
TELMO, António. Capelas Imperfeitas – dispersos e inéditos. Sintra: Zéfiro, Obras Completas de António Telmo, Vol. X, 2019, pp. 286. ISBN 978-989-677-167-6

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Andar sem pés


«Quem tenta penetrar no Roseiral dos Filósofos sem chave parece um homem que quer andar  sem pés.»

Michael Maier, Atlanta Fugiens, Oppenheim, De Bry, 1618, emblema XXVII 
(in ECO, 2016: 46)

Collegium Fraternitatis in Speculum Sophicum Rhodo-Stavroticum (1618), de Teophilus Schweighardt Constatinus, pseudónimo de Daniel Mögling (1596-1635)


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ECO, Umberto. O Pêndulo de Foucault. Lisboa: Gradiva, 2016, pp. 720. ISBN 978-989-616-717-2

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Festejar a Montanha


Pedro Cuiça © Biblioteca de Montanha  (Queijas, 2018)

Nestes dias em que se “(sobre)vive” (a) um afã híper-consumista, ademais nesta que é designada a “época natalícia” (!), será pertinente salientar a importância de apoiar os mercados livreiros de nicho, mormente aquele que se dedica à montanha: editoras, livrarias, alfarrabistas e autores, entre outros – como agora se costuma dizer – stakeholders! O assunto num país como Portugal fará pouco ou nenhum sentido, tendo em conta que a realidade editorial de montanha é praticamente inexistente e o pouco que existe ou existiu é como se não existisse ou tivesse existido!... Particularidades e/ou minudências, para muitos, de somenos num país à beira-mar plantado e historicamente ancorado a uma gesta marítima que talvez não se coadune com ambientes de montanha. No entanto, e tendo em conta a globalização do consumo, designadamente com a possibilidade de comprar on-line produtos provenientes das mais diversas partes desta aldeia global que é a Terra, se pretende ofertar algo, a um familiar, amigo ou mesmo a si próprio, aposte na literacia de montanha e não hesite em apoiar os micro, “piquenos” e médios projectos editoriais que continuam a medrar em diversas línguas por esse mundo fora, nomeadamente no “ arco alpino” (com destaque para o francês, alemão e italiano), mas não só (também em inglês, espanhol e, pasme-se, português). É nesse contexto, que aproveitamos para destacar um pequeno texto, sobre a temática da literatura de montanha, publicado no número de Dezembro da revista Montagne360. E, claro, é igualmente neste contexto que desejamos Boas Festas a todos os leitores do Pedestris, se possível de ar livre ou, caso contrário, numa boa viagem de sofá...

Pedro Cuiça © Editorial Desnivel (Madrid, 16/12/2018)

IL COLLEZIONISTA
A cura di Leonardo Bizzaro e Riccardo Decarli, Biblioteca della Montagna

Le collane – almeno da quando l’alpinismo è diventato uno sport di massa, o quasi – hanno forse avvicinato alla pratica della montagna più persone di quanto abbiano fatto le scuole del Cai. Lo han ben intuito Pietro Crivellaro, che proprio alle “Cordate di libri” ha dedicato una bella mostra per la decima Rassegna internazionale dell’editoria di montagna, nel 1996 al Filmfestival di Trento, presentandone venti delle più importante, da La piccozza e la penna di Adolfo Balliano, nata nel 1929, alla relativamente recente I Licheni di Vivalda. Tra le più note, eppure sconosciute dal punto di vista bibliografico, c’è Montagne di Zanichelli, che per i primi suoi titoli è stata curata nientemeno che da Walter Bonatti. Non solo, ché a disegnarne la grafica, e la veste editoriale, è stato un genio come Albe Steiner, il più bravo trai i grafici attivi nel mondo librario nostrano. Debuttò nel 1961 la collana, con Le mie montagne (dodici ristampe fino al 1981 e altre tre in economica), che Bonatti scrisse senza esserne ancora il titolare. Dell’importanza di quel libro, il più appassionante del suo autore, non occorre qui aggiungere altro. Vale però la pena ricordare gli altri che lui volle collana, senz’altro con lo zampino degli Enriques, proprietari della casa editrice dal 1946 e grandi patiti della montagna. Eccoli: Il Gran Cervino curato da Alfonso Bernardi, del 1963 ; Il quattordici ‘8000’ a cura di Mario Fantin, del 1964; i due volumi di Il Monte Bianco, del 1965 e 1966, a firma ancora di Bernardi (pure in elegante cofanetto telato e decorato, e anche in volume unico): tranne Bonatti, la cui prima edizione sfiora spesso i 200 euro, gli altri si trovano di solito a cifre ragionevoli, um po’più caro solo il Monte Bianco. Poi, al tempo dell’addio alla pratica della montagna, il più mediato dei nostri alpinisti abandono anche quest’attività, passata prima ad Alfonso Bernardi, poi all’ottimo Luciano Marisaldi.
[in Montagne360, Dez. 2018: 77]

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
Montagne360 – La rivista del Club alpino italiano, Dezembro, 2018, pp. 80. ISSN 2280-7764