A la idea del camping deporte en sí mismo, la
definición que lo considera adyuvante de otro deporte agrega la de su alianza
tan natural con las otras actividades de la vida al aire libre. Hoy día, no se
hacen solamente marchas, sino travesías por etapas con campings intermedios;
muchos piragüistas se han convertido en piragüistas acampadores, y el
ciclo-camping ha encontrado numerosos adeptos entre los cicloturistas. También
el ski se presta a un audaz camping sobre la nieve, a condición de estar
provisto de una buena tienda isotérmica. Es por esto que alguien ha calificado
de «supersport» al camping porque debe ser considerado como deporte en el más
amplio sentido de la palabra. En este sentido, deporte no significa otra cosa
que un ejercicio físico practicado como juego de diversión. No debemos
confundir este concepto con el de competición deportiva que sin embargo se
tiende hoy en día a incluir en la significación de la palabra deporte.
Para nosotros, existe un hecho mucho más
característico de la naturaleza del camping, y es que los diferentes deportes
de los cuales él es el adyuvante tienen todos un mismo objectivo: la práctica
del turismo. El camping es pues el deporte turístico por excelencia, y
podríamos definirlo así: medio de turismo
deportivo que permite un contacto más estrecho con la naturaleza mediante la
utilización de la tienda como abrigo. [JORSIN, 1966: 12-13]
Numa época de apologias, mais ou menos sub-reptícias ou
ostensivas, sobre ambientes tão virtuais quanto alienantes, na qual vigoram
superficialismos estereotipados e obsessões “politicamente correctas”, em torno
de equívocos (pretensos) unanimismos, virá à colação uma reflexão sumária sobre
o woodcraft, ademais no dia em que se
comemora o nascimento do fundador do Boy Scout
Movement: Lord Baden-Powell of Gilwell. Neste contexto, serão de destacar
notórias perdas, que se têm vindo a propagar paulatinamente, desde há décadas,
no domínio da naturalidade, da espontaneidade e de inúmeras liberdades
elementares, mormente através de discursos encomiásticos que, a par de
propagandear a comercialização e a banalização da “aventura” (e não só), promovem
uma obcecação pela segurança!
A evolução (ou involução?) que se verificou na prática scout, em particular, surge como um
exemplo expressivo – pela autenticidade e pioneirismo deste movimento (que, por
isso, constitui um autêntico landmark
em matéria de vivência do “ar livre”) – daquilo que viria a afectar, em geral,
toda a fenomenologia das praxis “fora
de portas”. Aquele que na edição original se designou Scouting for Boys e cujo
subtítulo deixava bem claro o seu objectivo – A Handbook for Instruction in Good Citizenship Through Woodcraft – transverteu-se, na versão
portuguesa, numa tradução que ignorou a componente nuclear de woodcraft, deixando adivinhar um
tendente sumiço da educação mediante actividades de plein air ou, melhor seria dizer, arejadas. Arejadas, desde logo,
por se praticarem em espaços de ar livre (ao invés de ambientes de sala ou
salão) e, além disso, sob formas o mais libertas de condicionalismos e
condicionantes que possível seja.
É sob essas tendências – que alguns apenas poderão intuir dansl’air
du temps (ou nem isso!) e que outros, sem dúvida mais sensíveis, sofrem
inequivocamente na pele – que se chegou a uma moldura contextual pródiga em contraditórias
aparências e mal-entendidos. E não estamos a pensar, de todo, apenas na propensão
pelo facilitismo, artificialismo e domesticação de preceitos que se traduzem,
por exemplo, na predilecção por acantonamentos – palavra utilizada na gíria esco(u)tista
para designar o acto de passar a noite entre quatro paredes (numa casa) – em
vez de dormir sob as estrelas. Antes fosse!...
Os tempos actuais são prolíferos no tocante a incongruências
e inconvenientes que se expressam sob diversificados moldes. Desde logo, uma
“paranóia regulamentar” de tudo legislar, burocratizar e normalizar, com
decorrentes proibições e restrições, de acesso, de andar, de acampar, de
foguear, etc.. E, pasme-se, os
condicionalismos estendem-se ao como (não) estar, ser, fazer!... Num contexto
de democracia inquestionável (?) é curioso constatar que nunca se verificou um
tão grande cerceamento de liberdades elementares, no tocante à prática de
actividades de ar livre, como agora! Tal como uma apetência e predisposição por
espaços intervencionados, ao jeito de “parques de recreio” normalizados e que
funcionem como uma espécie de sucedâneo daquilo que, como concepção alternativa,
passará (a muito custo) por “natureza”: parques de campismo, “parques aventura”,
percursos pedestres balizados, vias de escalada equipadas, arborismo, etc.. Outro fenómeno diverso, mas
semelhante no que concerne às motivações/crenças de base e aos erros
conceptuais destas resultantes, traduz-se na necessidade de implementar
mecanismos de gestão que supostamente não só garantam como catalisem a
eficiência e a eficácia, confundindo matrizes de desempenho com o próprio
desempenho ou gráficos com a realidade.
Ambos os sintomas, a “paranóia regulamentar” e os “tiques
tecnocráticos”, estão generalizados aos diversos sectores da sociedade e, portanto,
não se restringem exclusivamente às práticas outdoor e, muito menos, ao movimento esco(u)tista ou similares. [Poderemos considerar,
sem estar longe da verdade, que ambos se tratam de fenómenos globais e
globalizantes, ao estilo “huxleyano”, de um Admirável Mundo Novo(Brave New World)!] No entanto, é sobretudo
no âmbito do dito “desporto aventura”, e também do escotismo (ou escutismo,
como se queira), que estas fenomenologias revelam roupagens, a nosso ver, bastante
interessantes enquanto caso(s) de estudo, tendo em conta o desiderato original de
se constituírem como “escolas de vida” baseadas na livre vivência dos vastos
espaços naturais. Acresce ao aludido que ambos os sintomas ocorrem
frequentemente acompanhados por uma terceira variável: uma manifesta necessidade
de afirmação/poder/autoridade pessoal, muitas vezes extravasada sob a forma de “masculinidade
sobredimensionada” e/ou atitudes militaristas desfasadas dos contextos em que se
inserem. Aliás, foi por estas e por outras razões que surgiram, desde cedo,
movimentos divergentes do Scouting como o Kindred of the Kibbo Kift.
É neste enquadramento histórico que se assiste, nos últimos
anos, a uma metodologia educativa (extra)ordinária: os “educadores” ao invés de
se centrarem nas crianças/jovens, estimulando o desenvolvimento concreto das
suas capacidades e competências, alicerçadas num autodidactismo simultaneamente
livre e responsável (em que estes decidam, façam e aprendam por si), dispersam-se
em infindáveis reuniões em torno de abstracções escudadas por supostos critérios
de evidência que se traduzam invariavelmente naquilo que eles entendem (ou que
alguém entende por eles) ser o “sucesso”! Afinal basta que as matrizes e os gráficos
estejam bonitos, devidamente preenchidos com valores que tornem patente uma
expectável “excelência”.
Outro fenómeno curiosíssimo, digno do Entroncamento,
consiste na aparente convivência dos opostos “aventura” e “segurança”. Na verdade
tal não passa de uma risível aldrabice tendo em conta que se trata tão somente
de pseudo-aventura, dentro de limites de segurança considerados perfeitamente
aceitáveis! É nesse contexto, aliás, que se passou a impedir as crianças de
usar facas de mato (e até canivetes!) ou machados, de subir às árvores ou simplesmente
extravasarem alguma réstia de espontaneidade ou de experimentalismo digno de se chamar “aventura”. Fenómeno, aliás, que também se encontra vastamente difundido
no âmbito dos designados “desportos aventura”, mormente no ramo da animação
turística! É também neste contexto que será oportuno relembrar, neste Dia do Fundador,
valores antigos, de que tanto carecem os tempos actuais, na linha daqueles que foram defendidos por Baden-Powell. Só assim, com força e nobreza, se poderão derrotar a
fraqueza e o vício… A dureza e a vitalidade do corpo foram tão necessárias como
o são hoje. A híper-natural utopia espartana, ao contrário da utopia moderna
anti-natural, é tão actual quanto foi outrora e para a aplicar basta:
1. responder com simplicidade e honestidade – ser lacónico;
2. ter vontade de excelência – ser virtuoso;
3. limpar a vida de todos os detalhes supérfluos – ser simples;
4. endurecer a mente e o corpo contra o medo, a adversidade e a dor,
sobrando clareza e confiança para conquistar qualquer situação – ser corajoso.
Afinal, pontos de vista altaneiros permitem amplas
panorâmicas e contribuem para a largueza de vistas, enquanto que espaços
confinados ou limitados são o seu contrário. Para bom entendedor meia palavra
deveria bastar e contudo…
«Temos que levar gente, não a uma vida cómoda, a uma vida
fácil, mas temos que ter a coragem de levá-la a uma vida difícil, a uma vida
perigosa, pois só com uma vida difícil, rigorosa e perigosa, dá o homem o
melhor de si próprio. É necessário obrigá-lo a saltar obstáculos. A primeira
tarefa de educar é procurar varas bem altas e obrigá-lo a saltar.
Baden-Powell, o que fez nessa conferência célebre foi
exactamente isso, o exigir que se ponha diante das pessoas um objecto que vá
muito além daquele que lhe possibilitam as suas forças. Ele queria, para todos
os rapazes e para todas as moças, quando chegassem a essa idade, uma educação que
lhes temperasse a vontade, não mais gente na rua vendo gente a passar, não mais
gente encostada pelas portas dos cafés, não mais gente de 20 anos
vergonhosamente desocupada, passando todo o dia sem fazer coisa nenhuma,
fraquíssima de carácter, fraquíssima de corpo, esperando que chegue o tempo de
jantar para que chegue o tempo de dormir para que chegue o tempo de se levantar.»
Agostinho da Silva – Baden-Powell, Pedagogia e Personalidade
(1961) inTextos e Ensaios Pedagógicos II,
pp. 26-27
E para aqueles
que pensam que o Pedestrianismo é algo de recente, aqui fica o link de um
“livrinho” que deita por terra tais mitos. Trata-seda
obra de Estwick Evans (1787-1866) intitulada Evans's Pedestrious Tour of Four Thousand Miles – 1819. Como o título indica, o "rapaz" apreciava percursos
de longo curso…
A youth movement with significant pagan
elements, Woodcraftwas founded by Canadian-American nature writer ErnestThompson Seton (1860-1946) in 1902, at his home in Cos Cob in suburban
Connecticut. Concerned about the impact of industrialization and urban life on
youth, Seton launched the movement as an attempt to bring young people into
contact with nature and to teach values of self-discipline and cooperation.
Seton was an early supporter of Native American rights, and drew on Native
American traditions in launching his movement.
The movement started out as a single
‘tribe’ of 42 boys in Cos Cob, but expanded dramatically over the following
years, reaching a membership of 200,000 by 1010. After a brief and unsuccessful
alliance with the Boy Scouts of America, Seton set up the Woodcraft League, an
international organization, in 1915. Woodcraft tribes had groups for different
age levels and a detailed program of activities and honors. A especial inner
circle for adults, the Red Lodge, had three degrees of initiation and a
spiritual dimension focused on what Seton called the Red God, the spirit of
wild nature and the “Buffalo Wind” that called too-civilized humanity back to
its roots in living nature.
The Woodcraft League gained its first
overseas members in the year of its founding, when a group of English Quakers,
dissatisfied with the militaristic elements of Lord Baden-Powell’s Boy Scouts,
turned to Woodcraft instead and launched the Order of Woodcraft Chivalry, the
first British Woodcraft group. In 1919 there was another addition to Woodcraft
ranks as John Hargrave, a charismatic Scout leader, broke with the Boy Scouts
and founded a Woodcraft group called the Kindred of the Kibbo Kift (“kibbo
kift” being an old Kentish dialect phrase for “proof of strength”). Another
Woodcraft group, the Woodcraft Folk, broke away from Hargrave’s group in 1924.
All three of the British Woodcraft groups set aside Seton’s Native-American
symbolism in favor of a mixture of Celtic and Anglo-Saxon imagery more
appropriate to British youth. In the process, they helped to lay the
foundations of modern Wicca. See Wicca.
The Woodcraft movement reached the peak
of its popularity in the 1920s and 1930s, with groups active in some 20 countries
around the world. The Second World War and the period of massive
industrialization and Cold War militarism that followed it, however, brought a
steep decline in the movement. After Seton’s death in 1946 the Woodcraft League
went out of existence, and the few surviving Woodcraft groups in the second
half of the twentieth century continued in isolation. Woodcraft today remains
an active but very small movement, with a variety of local groups linked mostly
by the Internet. Whether it will survive or flicker out in the twenty-first
century remains to be seen.
Further reading: Hargrave 1927, Seton,
1920, Seton 1926.
(…) Gardner had close connections to the
English branch of woodcraft, a youth movement founded around the beginning of
the twentieth century by Canadian-American nature writer Ernest Thompson Seton
(1860-1846). Starting in 1915, when Quaker groups opposed to the militarism of
Lord Baden-Powell’s Boy Scouts imported Woodcraft as an alternative, two
Woodcraft organizations – the Order of Woodcraft Chivalry and the Kindred of
the Kibbo Kift – had an active presence in the New Forest area where Gardner
claimed to have worshipped with surviving witches’ covens. Similarities between
Wicca and English Woodcraft ceremonies from the 1920s even include references
to the earth as a goddess and to a horned god of nature, and Seton’s Woodcraft
included an inner, initiatory branch for adults, the Red Lodge, with three degrees
of initiation.
Na sequência dos posts que publicámos anteriormente sobre The Kindred of the Kibbo Kift e John Hargrave, o seu fundador, deixamos aqui algumas
referências histórico-bibliográficas acerca da evolução do woodcraft e, nesse contexto, um vídeo sobre a Woodcraft Folk, que ainda
se encontra hoje no activo, com vista a contextualizar esse fenómeno que,
actualmente, será remotamente associado àquilo que se considera esco(u)tismo.
Um famoso clássico sobre vida ao ar livre e
técnicas de campo trata-se de Woodcraft and Camping (1884), um
livro escrito por George Washington Sears (1821-1890),
mais conhecido como "Nessmuk". Trata-se de uma obra que, apesar de
ter mais de um século, se revela bastante actual e mostra o quanto Nessmuk
estava "à frente"... A designação "Nessmuk" é bastante
conhecida pelas características facas assim denominadas, mas o mesmo não
acontece com os escritos do autor que deu a conhecer esse nome. Para além do
referido livro, Nessmuk também escreveu diversos artigos para a revista Forest and Stream.
The American Boy’s Handybook of Camp-lore and Woodcraft(1920) trata-se de mais um clássico, desta feita
de Dan Beard (1850-1941). Daniel Carter "Uncle Dan" Beard foi um ilustrador e escritor, fundador dos Sons of
Daniel Boone (1905) que viriam a integrar os Boy Scouts of América (1910). Outro
clássico de Dan Beard é Shelters, Shacks, and Shanties (1914).
Mais um clássico: The Book of Woodcraft and Indian Lore(1913), de Ernest Thompson Seton (1860-1946). Este escocês, naturalizado norte-americano, foi um notável escritor e artista
dedicado à temática da vida selvagem. Foi também o inspirador do movimento
escotista na Inglaterra e, posteriormente, do Kibbo Kift. Outra importante obra
de Thompson Seton é Boy Scouts of America (1910). Um livro no qual esse profícuo
escritor, com mais de meia centena de obras publicadas sobre “artes do campo”,
cria os fundamentos do escotismo na América do Norte. Saliente-se que
Baden-Powell foi coautor.
O escotismo surge, em 1907, como uma forma de woodcraft, pioneira na descoberta/exploração
da natureza por parte de crianças e jovens num contexto de actividades de ar
livre. O movimento, fundado por Baden-Powell
(1857-1941), implantou-se com base no conhecidíssimo Scouting for Boys (1908),
publicado em Portugal inicialmente sob o título de Manual do Escoteiro
(1915) e posteriormente com o título Escutismo para Rapazes. Não deixa de
ser curioso comparar o original com as traduções portuguesas…
Members of Ndembo Lodge (c. 1923), from left: John Hargrave (White Fox), Leonard Pember (Silver Fox), Aubrey Colebrook (Tiger Moth), J. E. Williams (Running Panther) (seated) and Cecil Mumford (Little Lone Wolf) (ROSS & BENNET, 2015: 32)
By
this time he had distanced himself from the ‘wan spirituality’ of his
largely female Theosophist supporters: ‘I know that I have only to let out a
little pseudo-Swami-yogi-Rishi-Pranayana Wanamanaism to fetch both people and money…
but this sort of Kagmag would push us right off the trail’, he wrote in August
1923 to A. C. Garrad, a Kinsman who took Eastern esoterica very seriously and
must have felt rather taken aback by the comment. As a virile leader, Hargrave
was drawn towards ‘magic’ rather than ‘spirituality’ – a perfect example of
Alex Owens’ insight than in turn-of-the-century England ‘magic and mysticism
were in effect subtly gendercoded, with magic – “intellectual, aggressive and
scientific” – assuming a masculine status’: mysticism, by contrast, was
‘associated with emotionalism, a sense of rapture, which did not accord with
the intellect-driven will to know characterizing the magical endeavour’. Later
in life Hargrave was even more critical of Theosophy’s perceived wishy-washyness.
He recalled the Dutch youth leader Baron von Pallandt as having “the vague aura
of post-war theosophiscal seeking… thought-form wisps floating in a mystical
blue haze’. Emmeline Pethick-Lawrence was one of many later dismissed as
‘drenched in hesitancy, mistaken for reflective wisdom’. Rudolf Steiner was not
only weak but completely dead: ‘I heard Dr. Rudolf Steiner speak in London in
German’, Hargrave recalled. ‘I understood not a word but I knew the man.
Afterwards I shook hands with him. Then I knew I was right – a “dead” man. A
bright, white intellectual light shining through a corpse: the light
illuminating nothing except the busy complicated intellectual mechanism of this
living dead man. Just a little uncanny because he has killed himself long
before he died.’
What
then was the nature of the occult magic that Hargrave professed, in preference
to wishy-washy Theosophy? The presiding flavor was Rosicrucian Hermetic
knowledge, a kind of robust magic that depend on a select band od ‘adepts’, a
chosen few who were party to secret esoteric knowledge and who maintained bonds
of brotherhood through initiation ceremonies and ritual, passing their magical
powers down through time in secret runes and diagrams*. Embedded in this
world-view was the notion of two levels of knowledge: esoteric knowledge – only
available to those who had demonstrated their fitness to handle it; and
exoteric knowledge, which was translated into a form able to be absorbed by the
unilluminated masses. The exoteric/esoteric split was fundamental to much of
Hargrave’s later politics, and although as a general principle it might seem to
betray his own belief in self-education, it partly reflected his view that some
people just could not cope with the disturbance to their psyche that some
knowledge would cause. Esoteric knowledge was only to be circulated amongst
those who could ‘eat good and evil without indigestion’, or who could ‘stand
the abyss’, phrases he used when discussing a candidate for initiation into one
of the Kindred’s male lodges.
The
second thing Hargrave drew from the occult was a profound sense of mission,
above and beyond his immediate task of helping the English nation after the
catastrophe of the First World War. His work was now part of ‘the Great Game’,
the battle between good and evil that had been tumbling down through the
centuries and which had played out through many manifestations of art, science
and philosophy across many civilisations. (…) He saw himself as one of the
illuminated ones, a spirit chief whose reach stretched far beyond the tribe,
and whose facility with reading symbols went far beyond woodcraft. Occultism
inflated Hargrave’s tendency to take himself very seriously indeed.
The Kindred of the Kibbo Kift was to be the practical realization of all these
esoteric beliefs, but they came together initially in a small group of men that
Hargrave formed in 1919 and that he named the ‘Ndembo Lodge’. The name ‘Ndembo’
had appeared in The Great War Brings It
Home as an example of a tribal council from Western Congo. In 1919 was more
or less exactly that, a tribal council – albeit operating from Chesham Bois in
Buckinghamshire and overseeing a tribe made up from Baden Powell’s Boy Scouts. Hargrave
had drawn around him a group of like-minded Scoutmasters, all party to the
woodcraft plots being hatched by White Fox and Seeonee Wolf. (…)
By
1922 the group had assumed a more religious look and feel. ‘Camps’ had become ‘conclaves’,
attendees wore monk-like ‘vestments’ made from sackcloth (…).
[ROSS
& BENNETT, 2015: 30-31]
Kibbo Kift hike formation (c.1928)
NOTE
*Hargrave's
comments about the practical magic of images and objects are particularly
interesting in relation to the naming of the Kibbo Kift's symbolic visual
insignia, later in the 1920s, as 'sigils'. In particular the word was used for
the circular devices designed by Hargrave to be embroidered onto ceremonial
costumes. (...) The sigil is claimed by occultists to have a long history but
it was popularised – if not invented – as a practice of spell-making through
design in the writings of London artist Austin Osman Spare (1886-1956). Spare
had received his creative training at the Royal College of Art and his occult
knowledge from Crowley. Although there is no evidence in Kibbo Kift papers that
Spare and Hargrave ever met, they could certainly have crossed paths in the
tight social circles of London's interwar occult networks. Spare's theory
of sigil magic, first published in his Book of Pleasure in 1913, certainly corresponds with Hargrave’s use of the
visual as a form of magical persuasion. [POLLEN, 2015: 156]
Bibliographic references
POLLEN, Annebella. The Kindred of the Kibbo Kift: Intellectual Barbarians. London: Donlon Books, 2015, pp. 222. ISBN 978-0-9576095-1-8 ROSS,
Cathy & BENNETT, Olivier. Designing Utopia – John Hargrave and the
Kibbo Kift. London: Museum of London, 2015, pp. 182. ISBN
978-1-78130-040-4
At the most mystical of all woodcraft groups,
Kibbo Kift’s practices – even at the most mudane level – were steeped in magic
and ritual. The ceremonial method of organization established new traditions
that lent coherence and formality to Kin activities, and provided a structure
rooted in common custom rather than military drill or committee method. The
Kindred drew on mythology and folklore sourced from geographically and historically
diverse cultural and spiritual traditions; as with their design inspirations,
these were characteristically adapted into new forms, blended with the latest
thinking in art, science and philosophy, and brought to earth in the English landscape.
Always original and sometimes secret, Kibbo Kift’s elaborate and poetic rituals
were devised to lend a sacred quality to all areas of group life from the
making and breaking of camp, to the cooking of meals and the lighting of fires;
hikes were reconfigured as pilgrimages and membership induction was recast as
initiation. Combined with the newness and strangeness of Kin costume and
language, the effect was otherworldly, even religious. Hargrave and many other
Kinsfolk sought and found spiritual nourishment in the Kindred. Like all Kibbo
Kift’s operation, however, their belief system stood firmly apart from existing
structures. A consequence of this rebellion against spiritual convention was
that Kibbo Kift earned a reputation as something of a cult; certainly its
embrace of no-Christian ritual practices was as controversial in the period as
its non-segregated camping practices, its skimpy exercise costumes and its
plainspoken ideas about sex education. Many ceremonial practices were concealed
behind the public face of the Kindred for this reason, and further rites were
only shared among selected, closed lodges within the larger membership. In more
open-minded times, and with access to previously inaccessible documents, Kibbo
Kift’s littleknow and little-understood myth, magic and mysticism can be
repositioned as fundamentally important aspect of the organization.
[POLLE, 2015: 143]
Bibliographic
reference
POLLEN,
Annebella. The Kindred of the Kibbo Kift: Intellectual Barbarians. London:
Donlon Books, 2015, pp. 222. ISBN 978-0-9576095-1-8
Não posso deixar de considerar caricatas algumas
especificidades inerentes à evolução (ou involução?) da prática de
pedestrianismo nas últimas décadas. Aquilo a que se chama “pedestrianismo” mas
que se poderá designar, sem desprimor, por “caminhada”, “marcha”, “andar”,
“andarilhar”, “vagabundear”, "vadiar" ou… simplesmente chamar-se “nada” (aquele nada que
é tudo)! Tão só usufruir plenamente a experiência concreta de pôr um pé diante
do outro e ir mais além…
O sequestro (ou a tentativa de sequestro) sectorial
dessa actividade de ar livre – dessa prática ancestral sinónima de liberdade, "evasão" e inspiração – tem progredido paulatinamente de forma consentânea com a
crise do associativismo (informal ou institucional) de que tanto se fala mas, a
meu ver, extravasa em muito esse fenómeno. Desde logo pela simples razão de se
poder caminhar a solo (e como diziam
os "antigos": antes sozinho do que mal acompanhado), sem qualquer consideração
pelos “actuais” e insistentes alertas face a essa pretensa imprudência. E sem
que isso impeça, claro está, antes complemente e enriqueça, a possibilidade de,
numa espontânea manifestação de livre associativismo, poder partilhar a
experiência do andar com diversos companheiros e das formas mais variadas,
longe de tutelas, enquadramentos legais ou outros espartilhos. É precisamente a
multiplicidade de possibilidades e mormente as facetas de liberdade e de gratuitidade
associadas ao pedestrianismo que fazem com que certas tendências das últimas
décadas surjam como evidentes limitações a uma prática que se pretende aberta e
inovadora.
A conjectura a que aludimos remete para uma crise mais
vasta, uma crise de valores, uma crise civilizacional, que se tem traduzido,
por exemplo, numa crescente privatização/comercialização da actividade e em condicionalismos
à prática da mesma (designadamente na Rede Nacional de Áreas Protegidas), a par
do aumento do consumismo, do egoísmo, da alienação e da “domesticação” dos
praticantes!
A locomoção bípede é inerente ao Homo e ninguém deverá condicionar quanto mais proibir essa
actividade. A liberdade de vivenciar essa capacidade da forma que nos aprouver
surge desde logo pela designação que lhe queiramos dar ou pela ausência da
mesma. Podemos andar à “porta-de-casa” em ambiente urbano e/ou em longínquas e
inóspitas paragens naturais (wilderness),
em caminhos marcados tal como em trilhos não balizados, depressa ou devagar, sozinhos
ou acompanhados, ir em peregrinação, andar pela saúde ou sem qualquer motivo, etc.. Andar poucos minutos, horas, dias,
semanas ou meses, há lugar para os que andando vestidos o fazem descalços e para
aqueles que sendo nudistas andam calçados, para os minimalistas e/ou primais e
para aqueles que gostam de andar artilhados com materiais topo de gama ou com o
último gadget do mercado, etc., etc., etc..
Para mim, uma prática em
autonomia é certamente um objectivo a alcançar mas, tão ou mais importante, é igualmente
fundamental ser autêntico e original (ir às origens) conseguindo cultivar
permanentemente uma atitude de abertura a novas (ou velhas?) concepções, experimentações e
aprendizagens; é primordial ganhar asas para poder andar...
Um pouco mais de sol - eu era brasa Um pouco mais de azul - e eu era além. Para atingir, faltou-me um golpe d'asa... Se ao menos eu permanecesse àquem...
George Washington Sears (1821-1890) foi um
escritor, conhecido sob o nome literário de “Nessmuk”, que popularizou a vida
ao ar livre e o “canoeing”. Não, não
se trata de “canyoning” mas sim de,
numa tradução algo difícil, “campismo em canoa”! Este explorador, que foi
buscar o seu pseudónimo a um índio amigo de infância, escreveu inúmeros artigos
na revista “Forest and Stream” e diversos livros de que se destaca Woodcraft and Camping (1884). George
Sears era apologista do uso de uma trilogia de instrumentos de corte para
colmatar as necessidades com que se deparava em campo: “his little double bit hatchet of his own design, a light fixed blade
and a substantial Moose pattern folder”. Regressar aos "clássicos" das artes do camping revela-se sempre estimulante, que mais não seja porque há sempre algo a (re)aprender.
As origens do campismo remontam ao
início do século. Os pioneiros praticavam essa actividade numa postura de
descoberta e impregnados numa mística a que o romantismo não estará alheio. O
que diriam aqueles que palmilhavam os campos livremente, de mochila às costas,
face às actuais proibições de acampar?
Nos tempos heroicos não se poderia
prever que o campismo iria sofrer um incremento exponencial praticando-se em
diversos moldes e transformando-se, nomeadamente, numa actividade social
acessível a toda a família – desde a criancinha ao avozinho. Ainda não se tinha
montando uma indústria e um mercado especificamente dedicados a essa forma de
recreio que atrai multidões. O “campismo livre” passou a designar-se por “campismo
selvagem” e os praticantes ficaram, de certo modo, condicionados aos parques de
campismo. Há poucos anos atrás podia-se circular e acampar livremente sem
grandes preocupações, mesmo em propriedades privadas, mas hoje não se passa o
mesmo. A natureza encontra-se sob a tutela do Estado e este, despertando para a
problemática ambiental, vê-se forçado a legislar e a regulamentar.
Em Espanha, todas as comunidades
autonómicas proibiram o campismo fora dos parques alegando diversas razões,
entre as quais se destacam evitar o perigo de incêndio e a poluição por
dejectos e detritos.
A Comunidade Autonómica de Madrid foi
a última a aderir à vaga proibicionista abolindo o “campismo livre” no seu
território. A Federação Madrilena de Montanhismo (FMM) interpelou diversas
vezes a Comunidad de Madrid acerca das proibições de acampar, solicitando
esclarecimentos: instalar uma tenda é acampar? Instalá-la só para dormir é
acampar? O director do Meio Natural da Comunidade Autonómica de Madrid remeteu
a definição do termo “acampar” para o dicionário da Real Academia da Língua
Espanhola. No entanto, a lei não se pretende omissa, sendo obrigação do
legislador definir, clarificar e informar. Será que se estabelece a diferença
entre “campismo fixo”, “campismo volante ou de passagem” (pernoita com tenda) e
bivaque (pernoita sem tenda)? Não, para o Estado e a Administração é tudo o
mesmo. Mas, na realidade, será idêntico montar uma tenda ao lado do automóvel
durante 15 dias ou, pelo contrário, acampar ao cair da noite para desmontar a
tenda de manhã e partir de mochila às costas? O acampamento fixo, sobretudo se
não existir fossa sética, será sem dúvida fortemente contestável.
A rectificação das medidas que
indiscriminadamente proíbem o campismo ocorreu no caso da Comunidade de Navarra.
Segundo esta, o direito reconhecido pela Constituição de disfrutar de um meio
adequado para o desenvolvimento da personalidade, assim como o princípio
regulador da política social inserido no artigo 403 do texto constitucional que
postula a adequada utilização do ócio, não se coadunam com a interdição
regulamentar sobre a prática do campismo livre em Navarra. Por outro ado, o
Plano de Uso e Gestão do Parque Nacional de Ordesa rectifica e reconhece a
possibilidade de acampar livremente entre os 1800 e os 2500 metros de altitude
em determinadas áreas desse espaço natural. A polémica promete continuar.
(Pedro Cuiça – FORA DE PORTAS – jornal Forum Ambiente
. nº 118 . 28/Fev. 1997)