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terça-feira, 4 de junho de 2019

Ultimas inscrições



A quarta edição dos Curso de Treinadores de Pedestrianismo – Grau I e do Curso de Treinadores de Montanha – Grau I terá início no próximo mês de Julho, mais uma vez numa iniciativa levada a cabo pelo Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal/Escola Nacional de Montanhismo (CF-FCMP/ENM), com a chancela do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ).
As datas de realização das aulas práticas presenciais mantêm-se conforme o previsto mas o período de inscrição, em ambos os cursos, foi alargado até ao dia 28 de Junho, com consequentes reajustes na calendarização do ensino e-learning das componentes geral e específica. Uma oportunidade única dos interessados mais retardatários ou indecisos poderem ainda candidatar-se e das turmas integrarem um maior número de formandos optimizando, desta forma, as dinâmicas de ensino-aprendizagem tão importantes nas aulas de campo desta tipologia de acções de formação.
Esta será certamente a última edição dos Cursos de Treinadores, na área dos desportos de montanha, antes da alteração da Lei nº 40/2012, de 28 de Agosto, que “estabelece o regime de acesso e exercício da atividade de treinador de desporto”. A frequência e conclusão de um Curso de Treinadores, com avaliação positiva, aufere o Título Profissional de Treinador de Desporto (TPTD) na modalidade desportiva versada no mesmo. A posse de TPTD é condição obrigatória, por lei, não só para “o treino e orientação competitiva de praticantes desportivos” como também para o exercício do “enquadramento técnico de uma actividade desportiva”, como profissão exclusiva/principal ou até de forma sazonal ou ocasional independentemente de auferir remuneração.



segunda-feira, 3 de junho de 2019

Congresso dos Treinadores


Dra. Edite Estrela a discursar na abertura do 7º Congresso dos Treinadores de Língua Portuguesa
Pedro Cuiça © Portimão Arena (1/Jun. 2019)

O 7º Congresso dos Treinadores de Língua Portuguesa decorreu, nos dias 1 e 2 de Junho, na Cidade Europeia do Desporto 2019: Portimão. O evento, que envolveu a realização de diversas e importantes iniciativas – designadamente a reunião da Confederação Lusófona de Treinadores e de seis conferências – teve a novidade de contar com a presença do Pedestrianismo e do Montanhismo, no leque das modalidades representadas nos workshops de sábado à tarde: Andebol, Futebol, Futsal, Golfe, Hóquei em Patins, Karaté, Natação, Remo, Taekwondo e Vólei*. Esta tratou-se da primeira vez que Desportos de Montanha estiveram representados num evento desta natureza, traduzindo o reconhecimento, que muito nos apraz e honra, da qualidade do trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, desde 2011, no âmbito da formação inicial e da formação contínua de Treinadores, mormente de Pedestrianismo e de Montanha (Alpinismo, Montanhismo e Escalada). 
O workshop de Pedestrianismo e Montanhismo, sob o título genérico de “Percursos Pedestres e Prática de Pedestrianismo”, decorreu das 14.30 às 19.30 e consistiu numa primeira parte subordinada ao tema “Andar a pé, em Portugal e na Europa”, ministrada por Rúben Jordão, e numa segunda sobre “Percursos Pedestres de Longo Curso – estratégias de progressão rápida e (ultra)leve”, por Pedro Cuiça.
No domingo destacamos a realização de um debate sobre o programa Nacional de Formação de Treinadores (PNFT) e a nova “Lei dos Treinadores”, moderado por Pedro Sequeira (Presidente da Confederação Portuguesa das Associações de Treinadores) e que contou com a presença de Mário Moreira (Director do Departamento de Formação e Qualificação do IPDJ – Instituto Português do Desporto e Juventude), Paulo Cunha (da Universidade Lusófona), António Vasconcelos Raposo (Treinador), Isabel Mesquita (da FaDUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto) e Abel Figueiredo (da REDESP – Rede de Escolas com Formação em Desporto do Ensino Superior Politécnico Público).

Workshop de andar a de-correr no Congresso de Treinadores
Rúben Jordão  © Portimão Arena - Sala Praia de Alvor (1/Jun. 2019)

NOTA
*Para além dos workshops versando as modalidades referidas, também foram ministrados um de Formação Contínua de Professores (CCPFC), sobre a temática do “Treino de Força Integrado na Educação Física Curricular: A Sobrecarga em Termos Coordenativos”, e um de Técnico de Exercício Físico (TEF), sobre “Treino de Força e Performance Desportiva e Diminuição do Risco de Lesões”.



sexta-feira, 24 de maio de 2019

Geo-grafias visionárias


Em A Arte de Andar (Pedestris, 24 de Junho de 2014) fiz alusão à referência sagaz de Kenneth White: «Se Thoreau utiliza os pés fá-lo, afinal de contas, em benefício da cabeça ou, digamos, do seu ser, do seu corpo-espírito inteiro. Não é um desportista que sai de casa para fazer quilómetros, não faz footing como costuma dizer-se. Pratica a caminhada inteligente.» E é precisamente de uma caminhada inteligente (e seus rumos inerentes), nos seus mais diversos sentidos concretos e metafóricos, que os humanos (e os não-humanos?) necessitam nestes tempos de inegável e inevitável transição. Tempos que carecem de abordagens integradas e integrantes, sistémicas e inclusivas. A coexistência e a convivência de diferentes escal(ad)as de tempo(s) e de espaço(s), de diversas ortodoxias e heterodoxias – sob vivências assumidamente paradoxais –, designadamente no que concerne às nossas necessidades, urgem face a uma catástrofe anunciada pela denominação “Antropocénico”1
Um reajustamento (verdadeiramente) “verde” da pirâmide das necessidades de Maslow encaminhado para a superação (melhor será dizer “transcendência”) dos seres humanos e daí de todos os (entre)seres? Será certamente um interessante caminho a experimentar e (quem sabe?) a cumprir-se. 
As leituras e as interpretações de geo-grafias visionárias, porque de início essencialmente visionadas, enriquece(ra)m-se com a simultaneidade das paisagens sonoras, odoríferas e de outros apelos sensoriais, constituindo o ancora-d’ouro ou o porto de partida (e de chegada) que permite, para além de vastíssimas deambulações, a coincidência de aparentes extremos: ser original (indo às origens) e ao mesmo tempo navegar em novas caravelas do espírito rumo ao por-vir, aqui e agora.

© Flauta de Luz nº 6

O colóquio internacional Linhas da Terra – Percursos geofilosóficos e geopoéticos no Antropoceno, realizado na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, nos dias 21 e 22 de Maio, em homenagem a Kenneth White e que contou com a sua participação, revelou uma interessantíssima polifonia de linguagens que confluíram, contudo, em numerosas pontes: marcas, sem dúvida, «de uma vida comum e passante» nesta partilha coetânea da condição seminal de ser terráqueo. Durante o evento foi apresentado o último número (6) da revista Flauta de Luz, por parte do escritor (e seu editor) Júlio Henriques, de que se destaca um dossier precisamente sobre Kenneth White.

O «nómada intelectual» que eu sou, e que desenvolveu, com comprovados exemplos, a teoria-prática do nomadismo intelectual no livro L’Esprit nomade, atravessa territórios e culturas em busca de elementos susceptíveis de ser incluídos numa possível cultura mundial. Situado no extremo limite crítico da sua «própria» civilização, este nómada abre um caminho explorando margens de pensamento e de experiências esquecidas. Lucidamente. Sem se converter seja ao que for. Sem esperança. E por não viver de esperanças, nunca posso sentir-me desesperado. Quando certos jornalistas me perguntam, em entrevistas, se sou optimista ou pessimista, respondo: nem uma coisa nem outra – possibilista.2



NOTAS
· [1] O termo “Antropocénico” foi cunhado pelo biólogo Eugene Stoermer, em 1980, e foi popularizado pelo químico e prémio Nobel Paul Crutzen, em 2000, para enfatizar o impacte antrópico sobre o planeta Terra. O começo do Antropocénico corresponde à Revolução Industrial (finais do século XVIII) e ao fim do Holocénico – a época geológica que teve início há cerca de 12 mil anos com o final da última glaciação (Würm) e que, juntamente com o Plistocénico, faz parte do sistema/período mais recente da tabela cronoestratigráfica (o Quaternário ou Antropozóico), tabela onde estão definidos os “tempos geológicos” e os seus respectivos nomes e durações. 
· [2] In Em diálogo com Kenneth White – Entrevista de Jorge Leandro Rosa e Júlio Henriques (revista Flauta de Luz – Boletim de Topografia nº 6, 2019, 110-11)

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Motricidade transcendente


A Ciência da Motricidade Humana (CMH), por mim teorizada, foi apresentada, publicamente, nas minhas provas de doutoramento, em 1986. Porque estuda o movimento intencional da transcendência, é uma ciência social e humana. Aliás, a transcendência é uma dimensão específica humana, inédita nas demais criaturas, já que se afirma como ruptura e como projecto como criação de um mundo novo. [SÉRGIO, 2016: 158]

A reforma permanente (na escola, no lazer, no treino, nas competições, nas federações, nas associações e no clubismo em geral) que deverá ser levada a cabo por agentes de prática diligente e rigorosa, mormente os licenciados pelos cursos universitários de motricidade humana e desporto. Reforma permanente ainda porque há-de ser a Escola, através de uma séria educação lúdica e desportiva, o primeiro espaço do lazer desportivo e até de uma certa competição, onde pela transcendência o «agente do desporto» tome consciência de que não é objecto da história, mas sujeito criador da própria história. Na escola não há lugar à «especialização precoce», mas ao cultivo daquelas virtudes que preparem a criança, não para o conformismo mas para «incoformar-se», à alta competição, sem escrúpulos, da vida hodierna. Não vivemos em pleno hipercapitalismo, onde o individualismo, e exclusão, o progresso linear e quantitativo imperam? Desporto que, no Lazer, na Saúde, na Educação, no Trabalho, na Alta Competição (ou Alto Rendimento) apareça como o corpo em ato, movimentando-se intencionalmente, de acordo com uma ética e uma estética da existência. O movimento é sinal e fator de vida. Praticá-lo, nomeadamente como ginástica, ou jogo, ou desporto, é contribuir para a saúde e o bem-estar da pessoa e da sociedade. A preservação natural, os espaços verdes e um urbanismo arquitetado em critérios ecológicos deverão ter-se também em conta, no desenvolvimento desportivo. A cidade civilizou o cidadão, mas as megalópolis afastam-no da natureza e do seu semelhante. As percentagens assustadoras das doenças mentais, nervosas e cárdio-circulatórias traduzem um custo real. [SÉRGIO, 2017: 33-34]
(…) Do que venho de escrever se infere que os licenciados em Motricidade Humana, ou em Desporto, podem fazer sua, tanto no treino, na competição, ou na escola, a paráfrase, que eu proponho, das palavras de Kant e Hans Jonas: «Pratica desporto de tal maneira que o resultado da tua prática promova e fomente a permanência de uma vida autenticamente humana sobre a Terra». [SÉRGIO, 2017: 44]
(…) O modelo, no desporto hodierno, ainda intimamente ligado à cultura do ter e não à cultura do ser. Ora, é o homem que se é que triunfa no treinador (ou no jogador, ou no dirigente) que se pode ser. No desporto entendido como movimento intencional, ele é mais escola do que circo – nele, vive-se num «fieri» (tornar-se) permanente. [SÉRGIO, 2017: 53]

Urge ainda clarificar a noção de movimento humano. Segundo esta filosofia da encarnação, fica reforçada a convicção que o corpo tem uma intencionalidade dinâmica, que se dirige para as coisas e para os homens, com os quais compartilha o Mundo. O movimento humano oferece uma certa significação perceptiva, forma com os fenómenos exteriores um sistema tão intimamente relacionado que a percepção se compreende no deslocamento dos órgãos perceptivos, encontrando neles, não uma explicação expressa, mas pelo menos o motivo das transformações que acontecem na vida. Existe um movimento intencional do corpo, diferente do simples movimento no espaço, e que tange ao caminho e abertura para as coisas, para os outros. [SÉRGIO, 2018: 103]

© Pedro Cuiça:  o Prof. Dr. Manuel Sérgio (à esquerda) e o treinador Fonseca e Costa (à direita). Foi um grato privilégio receber os ensinamentos do Prof. Manuel Sérgio (e, claro, do Prof. Fonseca e Costa) de viva-voz, no seminário “Debater a Motricidade Humana” que decorreu no Dia da Actividade Física (6 de Abril de 2019), na Biblioteca Municipal de Odivelas. 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SÉRGIO, Manuel. Desporto em Palavras. Porto: Edições Afrontamento/Plano Nacional de Ética no Desporto, 2016, pp. 176. ISBN978-972-36-1453-4
SÉRGIO, Manuel. Para um Desporto do Futuro. Lisboa: Instituto Português do Desporto e Juventude, 2017, pp. 64. ISBN978-972-36-1587-6
SÉRGIO, Manuel. Para uma Epistemologia da Motricidade Humana. Lisboa: Nova Veja, 2018, pp. 208. ISBN 978-989-750-076-3

As linhas da Terra


As linhas da Terra
Percursos geofilosóficos e geopoéticos no Antropoceno

Colóquio Internacional 
Homenagem a Kenneth White com a sua presença

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - Anfiteatro III 
21 e 22 de Maio de 2019


A língua que passa pelo mundo, traçando nela linhas, é uma língua aberta à polifonia que aí ecoa. É atravessada pela polifonia dos elementos que se movem incessantemente. A polifonia das expressões de milhares de culturas humanas. E a polifonia dos inúmeros seres que vivem connosco. Todas essas vozes – que chegaram a participar da língua aqui evocada – entraram hoje em tumulto enquanto outras foram silenciadas definitivamente. É aquilo a que os humanos chamam o Antropoceno, a Era em que o homem põe fim à diversidade das expressões do mundo teorizando ao mesmo tempo a sua própria supremacia. 
Cada linha traçada na terra é a marca de uma vida comum e passante. Todos estamos na Terra, mas a consciência dessa situação pode aí ser escutada pelo nomadismo assumido por um corpo ou pela palavra que prolonga esse movimento. A todos os participantes é pedido um certo percurso, partindo de alguma posição na Terra e, daí, traçando linhas que atravessarão as demarcações estabelecidas por esquemas de pensamento.
Este encontro é também uma homenagem ao poeta, escritor e pensador Kenneth White, criador da Geopoética, propondo um exercício de escuta e expressão em comum com uma variante possível desta língua, a Geofilosofia. Nem o filósofo está liberto do que de poético lhe trazem as vozes intratáveis da Terra, nem o poeta se encontra dispensado dos saberes inteligíveis ou da reflexão epistémica que o seu ofício contém.
«Espaço», «energia» e «luz» são, segundo o próprio, três palavras-chave deste autor. Sabendo de que modo a civilização recorreu a elas, a pergunta pertinente não será tanto a de saber o que fizemos delas e das forças que lhes estão associadas, uma história dos equívocos que nos dispensaram do planeta, mas antes aquela que se questiona sobre o que nelas permanece ignorado, votado à inutilidade e, ainda assim, indispensável a uma vida que se redescobre inteira nesta Terra.
Texto: Comissão Organizadora




PROGRAMA

21 de Maio

14:30 – Abertura 

15:00-16:30 
Paulo Borges – O Tempo do Sonho. Poesia Cósmica e Metamorfose nas Culturas Indígenas
Paula Morais – Yoga e os mitos da presença: a dança, a escuta, a transformação
 Pedro Cuiça – Do (a)vistar ao ser (a) Montanha: uma forma de (geo)poética

16:30-16:45 – Pausa

16.45-17:00 – Apresentação do nº 6 da revista Flauta de Luz, que inclui um dossier «Kenneth White», pelo editor, Júlio Henriques


17:00-17:30 – Jorge Leandro Rosa – «Não com a língua, mas com a vida». Acontecimento e grito

17:30-19:00 – Kenneth White (conferência) – The Rediscovery of the World / A Redescoberta do Mundo

19:00-19:30 - Eternal Forest (filme) – apresentação e leitura de poemas pela cineasta e artista Evgenia Emets 


22 de Maio

15:00-16:30 
 Maria José Varandas – A Tragédia dos Comuns e o Último Homem
 Felipe Milanez – Título a indicar
 Ilda Castro - Animalia Vegetalia Mineralia: conexões e movimentos: uma reflexão sobre os sistemas humanos e os sistemas mais-que-humanos, macro e micro, na Natureza e no Antropoceno-Capitaloceno.

16:30-16:45 – Pausa

16:45-17:45 
 Alexandra Pinto – Um olhar cinematográfico sobre o Antropoceno
 Isabel Alves – My First Summer in the Sierra e The living Mountain: as  linhas e as vozes da montanha – A demanda de uma geopoética da esperança

18:00-19:30 – Sur les chemins du Nord profond (52 mn) – Filme realizado por François Reichenbach e apresentado por Kenneth White, argumentista e protagonista. De Tokyo a Hokkaïdo, Kenneth White no percurso traçado por Matsuo Basho. Debate

19:30 – Conclusão



Comissão Científica: Viriato Soromenho-Marques, Paulo Borges, Jorge Leandro Rosa
Comissão Organizadora: Paulo Borges, Paula Morais, Eduardo Jordão, Marco Martins
Organização: Seminário Permanente Vita Contemplativa. Práticas Contemplativas e Cultura Contemporânea – Grupo Praxis do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa / Centro de Estudos Anglísticos da Universidade de Lisboa


terça-feira, 9 de abril de 2019

Cursos de Treinadores



O Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal/Escola Nacional de Montanhismo (FCMP/ENM) vai realizar, em 2019, mais uma edição (a quarta) do Curso de Treinador de Pedestrianismo – Grau I e do Curso de Treinador de Montanha – Grau I. Estas acções de formação possuem uma componente geral (comum e idêntica a ambos os cursos), uma componente específica (diferente para cada um dos cursos) e um processo de estágio (desenhado por cada estagiário em conjugação com o tutor e o coordenador de estágio).
A componente geral, que decorre na totalidade em regime e-learning, exceptuando o teste teórico final presencial, corresponde a uma carga horária de 41 horas. A componente específica realiza-se em regime b-learning, ocorrendo as aulas teóricas on-line e as aulas/avaliações teórico-práticas presencialmente. A componente específica do Curso de Treinadores de Pedestrianismo tem uma carga horária de 45 horas, no total, e envolve um fim-de-semana de aulas e avaliações teórico-práticas na Serra de Candeeiros e sua envolvente. A componente específica do Curso de Treinadores de Montanha possui 80 horas, no total, e dois módulos de aulas/avaliações teórico-práticos: um fim-de-semana na Serra da Estrela e quatro dias em Estrutura Artificial de Escalada (EAE), no Fojo (Serra da Arrábida) e no Penedo da Amizade (Serra de Sintra). Os estágios têm duração mínima de 10 meses e decorrem numa entidade de acolhimento (associação ou empresa), sob a orientação de um tutor detentor do Título Profissional de Treinador de Desporto (TPTD), de Grau II ou de Grau III, nas modalidades de Alpinismo, Montanhismo e/ou Escalada (no caso do Curso de Montanha de Grau I) ou na modalidade de Pedestrianismo (no curso homónimo de Grau I).
Ambos os cursos estão inseridos no Plano Nacional de Formação de Treinadores (PNFT) e atribuem, após frequência e avaliação positiva nas três fases, o Título Profissional de Treinador de Desporto (TPTD), em conformidade com a Lei nº 40/2012, de 28 de Agosto. O TPTD de Montanha – Grau I atesta a competência dos respectivos detentores para enquadrarem e treinarem praticantes, num nível de iniciação, em actividades de montanhismo (em média montanha) e de escalada (em vias de um só largo, com acesso pedonal ao topo e à base). O TPTD de Pedestrianismo – Grau I atesta a competência dos respectivos detentores para enquadrarem e treinarem praticantes, num nível de iniciação, em percursos pedestres com a duração de um ou mais dias, mas que não envolvam pernoita ao ar livre.


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Gestão Ambiental


Pedro Cuiça © Passadiços do Paiva (Arouca, 2018)

O Centro de Formação da Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal/Escola Nacional de Montanhismo (FCMP/ENM) vai realizar, no dia 16 de Maio, mais uma edição das Palestras da Montanha, desta feita sob o tema Gestão Ambiental (d)e Percursos Pedestres. Esta acção de formação contínua é validada pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), atribuindo por isso Unidades de Crédito para a revalidação de Títulos Profissionais de Treinador de Desporto em Pedestrianismo, nos seus vários graus: I, II e III.
A prática de Pedestrianismo – tal como o desenho, a implementação e a utilização de Percursos Pedestres, mormente Pequenas Rotasâ (PRâ) e Grandes Rotasâ (GRâ) – não deve estar alheada de questões essenciais no âmbito da gestão ambiental. O desempenho adequado das funções de Treinador de Pedestrianismo deve necessariamente integrar estratégias e metodologias de gestão ambiental, sob diversas formas e abordagens, sendo esse o enfoque desta edição das Palestras da Montanha.
De entre os objectivos específicos desta palestra destacam-se o conhecimento (1) de conceitos basilares no âmbito da gestão ambiental, (2) das características e especificidades de diversas tipologias de Percursos Pedestres, (3) das estratégias de sensibilização e educação ambiental, (4) do enquadramento legal basilar sobre Ordenamento do Território com implicações no âmbito dos Percursos Pedestres, (5) das diferentes tipologias de intervenções nos Percursos Pedestres, no domínio das infraestruturas, e suas implicações no âmbito da conservação da natureza e, por último, (6) das especificidades da pegada ecológica e matrizes de impactes ambientais da prática de Pedestrianismo.

Pedro Cuiça © Grande Rota e Caminho de Santiago (Barcelinhos, 2016)

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A palestra foi acolhida com muitíssimo interesse por parte dos participantes, tendo sido levantadas diversas questões e estabelecidos pequenos "debates". A dinâmica que se verificou fez com que os trabalhos se prolongassem bastante para além da hora prevista, mas tal revelou-se muitíssimo gratificante tendo em conta a profundidade e a qualidade das abordagens, designadamente por parte de Técnicos de Percursos Pedestres e de técnicos do ICNF que estiveram presentes no evento.

Rúben jordão © Sala de Formação na sede da FCMP (16/Mai. 2019) 

sexta-feira, 22 de março de 2019

Paisagens da Montanha


Ontem à noite (21 de Março) tive o grato prazer de apresentar uma palestra sobre Gestão de Grupos em Actividades de Montanha – Leitura da paisagem e estratégias em terrenos técnicos, numa iniciativa organizada pela AGMA – Associação de Guias de Montanha dos Açores. O evento, que decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal da Madalena, das 20.00 às 22.00, foi também uma enriquecedora oportunidade para troca de experiências e rever companheiros.
A palestra começou por apresentar diversos conceitos de paisagem e a sua evolução histórica, com destaque para o pioneirismo de Leonardo da Vinci, na forma como mudou o paradigma da relação do Homem com a Montanha, e a importância dos românticos, no que concerne ao retorno e religação à natureza selvagem (wilderness). Seguiu-se uma abordagem da paisagem sob três aspectos distintos e, simultaneamente, complementares – técnico, geográfico e estético –, sua relação com a Pirâmide de Necessidades de Maslow e sua utilização na gestão de grupos em actividades de montanha. Por último, foram abordados alguns exemplos concretos, com base no Pico, da variabilidade significativa das “condições da montanha” e suas implicações na progressão em terrenos técnicos, designadamente no que concerne a estratégias e equipamentos a adoptar: técnica da corda curta, EPIs, bastões, bastão ou piolet, crampões ou “espigões” (spikes), entre outras opções.
A actualização de conhecimentos e a aquisição de novas competências, nomeadamente mediante o desenvolvimento e a utilização de ferramentas e de metodologias de trabalho inovadoras, no âmbito da gestão e da liderança de grupos em actividades de montanha, é de fundamental importância numa actividade cuja formação deve ser contínua e promotora de eficiência e de segurança no desempenho dos guias em contextos reais, no terreno. É neste contexto que a leitura e a interpretação da paisagem, associadas à Pirâmide de Necessidades de Maslow, surgem como uma interessante e poderosa ferramenta de trabalho, designadamente na tomada de decisões.


DR © Madalena do Pico (21/03/2019) 

DR © Madalena do Pico (21/03/2019) 



segunda-feira, 4 de março de 2019

Celestes


Pedro Cuiça © Centro Desportivo Nacional do Jamor (04/03/2019)

Com os pés bem assentes na terra, as caminhadas de domingo de manhã também percorrem magníficas PAISAGENS CELESTES...

sábado, 2 de março de 2019

Subida ao Pico

DR © Montanha do Pico (2016)

«O Pico é a mais bela, a mais extraordinária ilha dos Açores, duma beleza que só a ela pertence, duma cor admirável e com um estranho poder de atracção. É mais do que uma ilha – é uma estátua erguida até ao céu e moldada pelo fogo (…).»
Raúl Brandão in As Ilhas Desconhecidas (1926)


Vem SUBIR O PICO connosco, no próximo mês de Junho, numa actividade organizada pela Naturthoughts – Turismo de Natureza... Montanhismo e pedestrianismo, história e património natural, cultura e gastronomia, com acompanhamento personalizado por parte de guias profissionais e devidamente titulados.
Uma oportunidade diferente de atingir o ponto mais alto de Portugal  o Piquinho  – e de conhecer os encantos de uma das ilhas mais belas dos Açores: a Ilha Montanha. A actividade inclui também a realização de dois percursos pedestres – Criação Velha e Santa Lúzia – onde se irão revelar antigos segredos da ilha e dar a conhecer o diversificado património picaroto.


Pedro Cuiça © Montanha do Pico (2017)

Com mais de duas décadas de experiência na subida ao Pico e na realização de percursos pedestres nos Açores, na sequência da elaboração do livro-guia Açores – Percursos Naturais (Forum Ambiente, 2000), este ano vamos também regressar à Ilha Montanha para mais um conjunto de importantes iniciativas de formação no âmbito do montanhismo e do turismo de natureza.



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

É Paisagem


Albert Bierstadt - Mont Blanc (séc. XIX)

«(…) estávamos a usar as nossas pernas para atravessar a paisagem.»
Bill BRAISON (in Cuiça, 2015: 55)

«A paisagem serve para designar a espécie de pano de fundo que acompanha as nossas deambulações sobre a superfície da terra
François BÉGUIN (1995: 8)

A história da noção de paisagem revela que a palavra surgiu de início para qualificar maneiras de ver em detrimento de maneiras de fazer (BÉGUIN, 1995: 8). Até ao século XVII predominou uma ‘visão’ subjectiva da paisagem, vinculada à acepção pictórica. Foram os pintores, depois os romancistas e os geógrafos, que criaram essa noção ‘visual’ de paisagem… O termo “paisagem”, a partir do século XIX, começa a ser utilizado pelos geógrafos, de um ponto de vista essencialmente geomorfológico e, posteriormente, também tendo em conta a componente antrópica na sua modelação. Nada de surpreendente tendo em conta que a maior parte das paisagens europeias foram construídas, são o resultado de uma longa história de intervenção humana, para além de uma muitíssimo mais longa história geológica. No século XX destaca-se o surgimento da abordagem holística da paisagem, iniciada por J. C. Smuts – autor de Holismo e Evolução (1926) –, tal como o surgimento da perspectiva ecológica e ecosófica. Neste contexto extremamente simplificado, já que ignora as concepções que sobre a matéria terão tido os humanos na Idade Média – a também designada “Idade das Trevas” (!) – e em épocas ainda mais recuadas, que se perdem na noite dos tempos (!!), facilmente se constata diferentes formas de entender/vivenciar a paisagem.

Nicholas Roerich - Mount of Five Treasures (1933)


MONTANHAS DA MENTE
No que concerne a mudanças radicais de entender/vivenciar paisagens destacamos a profunda mudança de paradigma na forma de “ver” a alta-montanha. Na segunda metade do século XVII começou a generalizar-se o sentimento do esplendor e beleza das paisagens montanhosas. Antes desse século, as montanhas eram consideradas esteticamente repelentes: excrescências, verrugas da terra, “desertos” e até mesmo – com as suas cristas labiais e vales vaginais – ‘partes pudendas da natureza’, habitats do sobrenatural, do hostil e de um bestiário a condizer (MAcFARLANE, 2004: 18). A maior parte das pessoas no final do século XVIII não gostava da natureza selvagem (wilderness) e, nesse contexto, também da alta-montanha. Somente no século XIX é que se generalizou a forma de ver “a beleza da(s) montanha(s)”, a par do interesse científico pela alta-montanha. Num período de três séculos ocorreu, portanto, uma tremenda revolução da percepção em relação às montanhas. Fenómeno que leva a questionar se quando olhamos uma paisagem vemos o que realmente lá está ou aquilo que sentimos/pensamos lá estar? O que chamamos “montanha” será uma conjunção do mundo físico com a imaginação dos humanos: na verdade, uma “montanha da mente” na feliz expressão de Robert MacFarlane (2004: 19).
Por último, não poderemos deixar de mencionar, no que concerne a esta mudança de paradigma, a genialidade pioneira de Leonardo da Vinci (1452-1519). Desde logo, o interesse científico que o levou a ascender diversas montanhas, designadamente, em 1511 ou 1516, o monte Bô (2556 m), para ver em primeira mão e “ao vivo” como era, de facto, esse meio. Interesse que, inevitavelmente, também era de cariz artístico: «se sabe que aquel genio admiró y sintió en su más profundo ser la belleza clásica de las montañas» (FAUS, 2003: 48). Leonardo ficou certamente impressionado pela forte luminosidade da montanha, pelo «potente azul del cielo, comparándolo con el de las gencianas» (ibidem: 47). Nesse contexto, «en sus pinturas dejará de vez en cuando que los Alpes figuraran como fondo» (ibidem), como no famoso quadro da Mona Lisa ou Gioconda, algo perfeitamente inovador não só em termos pictóricos como também conceptuais. Da Vinci, que abriu os olhos da humanidade para inúmeras inovações, contribuiu também para a descoberta da beleza da montanha.

Leonardo da Vinci - Mona Lisa, La Gioconda (1503-1506?)


Leonardo da Vinci - Santa Ana, a Virgem e o Menino (1510-1513)


GESTÃO COM BASE NA PAISAGEM
Para aqueles que praticam actividades de ar livre, ademais numa postura de ir ao encontro da Natureza, as três concepções da paisagem apresentadas acima, numa abordagem histórica, podem ser vivenciadas simultaneamente, aqui e agora, sob três perspectivas distintas mas, contudo, complementares: (1) estética, (2) científica e (3) ecosófica.
A primeira perspectiva centra-se nas emoções e nos sentimentos resultantes da paisagem: beleza, imensidão, pitoresco, etc.. Salienta-se, neste contexto, a apreensão das formas, cores e sons, da própria luminosidade e sombras, os estados transitórios dos dias e das estações, tal como as aspirações e inspirações individuais, como elementos indutores susceptíveis de contribuir para a revelação das paisagens (BÉGUIN, 1995: 24).
A segunda explora as realidades abióticas, bióticas e antrópicas de que a paisagem é a expressão conjunta, diremos nós que de modo predominantemente geográfico (melhor seria dizer “científico”). As “paisagens científicas” surgem, desta forma, como fisionomias que agrupam os traços e elementos mais característicos de uma região: o seu relevo, as litologias presentes, as linhas de água, o coberto vegetal, a fauna característica, a arquitectura popular, as estradas e caminhos, etc..
A terceira centra-se na leitura e interpretação das condições do meio e nas suas implicações a nível da tomada de decisões no que concerne à gestão de actividades no terreno. Cada área apresenta condições do terreno (paisagem exterior), variáveis ao longo dos dias e das estações do ano, que devem ser convenientemente interpretadas e geridas, com implicações a nível da tomada de decisões, no decurso de actividades, por parte dos envolvidos. Esta terceira abordagem – ecosófica (e que, por isso, se pretende holística) – baseia-se, como as anteriores, no “ver” (na visualização e/ou na leitura/interpretação da paisagem), mas privilegia o fazer (que decisões tomar a partir dessa “visualização” e/ou leitura/interpretação). A título de exemplo destacamos a leitura e a interpretação das “paisagens celestes” (no que concerne à meteorologia) e as suas implicações a nível da gestão de actividades no terreno.
A utilização prática destas três perspectivas de sentir/conhecer/analisar as paisagens, no âmbito da gestão de actividades de ar livre no terreno, deve decorrer em simultâneo, sem prejuízo de dar, em determinadas ocasiões, um especial relevo ou enfoque a uma ou duas delas. Por outro lado, a sequência de abordagem dessas perspectivas não tem necessariamente de decorrer na sequência histórica apresentada, ademais quando é sugerido que se processem em simultâneo ou seja conveniente invertê-la.
Na verdade, para quem esteja a iniciar-se na gestão concreta de actividades de ar livre e/ou tenha problemas de integrar as três perspectivas em simultâneo, no terreno, é preferível inverter a sequência histórica apresentada e começar precisamente pela abordagem ecosófica. Tendo em conta a pirâmide de necessidades de Maslow, é fundamental dar atenção às necessidades basilares – fisiológicas e de segurança – e, só depois, avançar rumo ao topo. Neste contexto, começa-se por estar atento à designada “paisagem ecosófica”, indissociável de uma abordagem prática (mormente técnica) de como fazer, focada numa percepção holística, tendo por base a satisfação das necessidades fisiológicas e a segurança dos envolvidos. Só depois se dará eventualmente importância à denominada “paisagem dos geógrafos”, assente numa abordagem científica, com vista a proporcionar aos envolvidos uma satisfação intelectual mediante a transmissão de um conjunto atractivo de conhecimentos sobre o meio envolvente. Por último, deverá ser dada uma particular atenção à chamada “paisagem dos artistas”, ancorada numa abordagem estética, com vista a atingir um amplo bem-estar e realização dos envolvidos, podendo mesmo ser atingidos estados elevados de satisfação e de maravilhamento. O factor humano, designadamente nos seus aspectos emocionais e intimistas (que poderemos designar por “paisagens interiores”), surge, portanto, como uma variável central e centralizadora que deve ser trabalhada desde o início até ao final de todas as actividades, e desde a base até ao topo da pirâmide de Maslow. Só nesse contexto é que será possível atingir uma percepção e gestão paisagística integral e integradora indissociável dos sentidos: não só a visão como também a audição, o olfacto, o tacto e o paladar.

PIRÂMIDE DE MASLOW


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
· AA.VV.. Manual de Monitores de Pedestrianismo. Lisboa: Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, 2001, pp. 136. ISBN 978-989-20-0564-5
· BÉGUIN, François. Le Paysage. Paris: Flammarion, 1995, pp. 128. ISBN 2-08-035401-9
· CUIÇA, Pedro. Passo a Passo – Manual de Caminhada e Trekking. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2015, pp. 312. ISBN 978-989-626-721-6
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· FAUS, Agustín. Historia del Alpinismo – Montañas y Hombres: Hasta los albores del siglo XX. Cuarte: Barrabés Editorial, vol. I, 2003, pp. 304.
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· MAcFARLANE, Robert. Mountains of the Mind – A History of a Fascination. London: Granta Books, 2004, pp. 308
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