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domingo, 20 de novembro de 2016

The Kindred of the Kibbo Kift


At the most mystical of all woodcraft groups, Kibbo Kift’s practices – even at the most mudane level – were steeped in magic and ritual. The ceremonial method of organization established new traditions that lent coherence and formality to Kin activities, and provided a structure rooted in common custom rather than military drill or committee method. The Kindred drew on mythology and folklore sourced from geographically and historically diverse cultural and spiritual traditions; as with their design inspirations, these were characteristically adapted into new forms, blended with the latest thinking in art, science and philosophy, and brought to earth in the English landscape. Always original and sometimes secret, Kibbo Kift’s elaborate and poetic rituals were devised to lend a sacred quality to all areas of group life from the making and breaking of camp, to the cooking of meals and the lighting of fires; hikes were reconfigured as pilgrimages and membership induction was recast as initiation. Combined with the newness and strangeness of Kin costume and language, the effect was otherworldly, even religious. Hargrave and many other Kinsfolk sought and found spiritual nourishment in the Kindred. Like all Kibbo Kift’s operation, however, their belief system stood firmly apart from existing structures. A consequence of this rebellion against spiritual convention was that Kibbo Kift earned a reputation as something of a cult; certainly its embrace of no-Christian ritual practices was as controversial in the period as its non-segregated camping practices, its skimpy exercise costumes and its plainspoken ideas about sex education. Many ceremonial practices were concealed behind the public face of the Kindred for this reason, and further rites were only shared among selected, closed lodges within the larger membership. In more open-minded times, and with access to previously inaccessible documents, Kibbo Kift’s littleknow and little-understood myth, magic and mysticism can be repositioned as fundamentally important aspect of the organization.
[POLLE, 2015: 143]



Bibliographic reference
POLLEN, Annebella. The Kindred of the Kibbo Kift: Intellectual Barbarians. London: Donlon Books, 2015, pp. 222. ISBN 978-0-9576095-1-8



sexta-feira, 6 de junho de 2014

Pobres milionários

Eu e a minha mulher fizemos uma excursão curiosa. Demos um passeio a pé na orla do deserto do Saara, no ponto onde ele se transforma na aridez pedregosa dos Montes Aures. Levávamos duas mulas para o transporte do material de campo e dois árabes armados a servirem de guias e de guardas.
No trajecto cruzámos a estrada feita pelos franceses que leva à cidade do deserto chamada Bizcra, e nela, em lugar das costumadas fiadas de camelos, vimos automóveis atravessando a planície como bólidos.
Dentro viam-se "turistas" de antolhos e véus, levados à desfilada para o seu destino - o grande Hotel de Bizcra - sem darem pelas alegrias da caminhada, de conseguir o próprio sustento (até ao ponto de procurar no solo leves fendas que revelam trufas na terra) e prepará-lo ao ar livre e dormir no chão à noite sob o céu estrelado.
Ao vê-los, ambos exclamamos ao mesmo tempo: "Pobres milionários"!

Baden-Powell: A Caminho do Triunfo; Edições Flor de Lis (1974)
Original: Rovering to Sucess (1922)


quarta-feira, 27 de novembro de 2013

NESSMUK

George Washington Sears (1821-1890) foi um escritor, conhecido sob o nome literário de “Nessmuk”, que popularizou a vida ao ar livre e o “canoeing”. Não, não se trata de “canyoning” mas sim de, numa tradução algo difícil, “campismo em canoa”! Este explorador, que foi buscar o seu pseudónimo a um índio amigo de infância, escreveu inúmeros artigos na revista “Forest and Stream” e diversos livros de que se destaca Woodcraft and Camping (1884). George Sears era apologista do uso de uma trilogia de instrumentos de corte para colmatar as necessidades com que se deparava em campo: “his little double bit hatchet of his own design, a light fixed blade and a substantial Moose pattern folder”. Regressar aos "clássicos" das artes do camping revela-se sempre estimulante, que mais não seja porque há sempre algo a (re)aprender. 
© Heron Dance (2011)

domingo, 24 de novembro de 2013

Fora de Portas (II)

Campismo
As proibições andam aí

As origens do campismo remontam ao início do século. Os pioneiros praticavam essa actividade numa postura de descoberta e impregnados numa mística a que o romantismo não estará alheio. O que diriam aqueles que palmilhavam os campos livremente, de mochila às costas, face às actuais proibições de acampar?

Nos tempos heroicos não se poderia prever que o campismo iria sofrer um incremento exponencial praticando-se em diversos moldes e transformando-se, nomeadamente, numa actividade social acessível a toda a família – desde a criancinha ao avozinho. Ainda não se tinha montando uma indústria e um mercado especificamente dedicados a essa forma de recreio que atrai multidões. O “campismo livre” passou a designar-se por “campismo selvagem” e os praticantes ficaram, de certo modo, condicionados aos parques de campismo. Há poucos anos atrás podia-se circular e acampar livremente sem grandes preocupações, mesmo em propriedades privadas, mas hoje não se passa o mesmo. A natureza encontra-se sob a tutela do Estado e este, despertando para a problemática ambiental, vê-se forçado a legislar e a regulamentar.
Em Espanha, todas as comunidades autonómicas proibiram o campismo fora dos parques alegando diversas razões, entre as quais se destacam evitar o perigo de incêndio e a poluição por dejectos e detritos.
A Comunidade Autonómica de Madrid foi a última a aderir à vaga proibicionista abolindo o “campismo livre” no seu território. A Federação Madrilena de Montanhismo (FMM) interpelou diversas vezes a Comunidad de Madrid acerca das proibições de acampar, solicitando esclarecimentos: instalar uma tenda é acampar? Instalá-la só para dormir é acampar? O director do Meio Natural da Comunidade Autonómica de Madrid remeteu a definição do termo “acampar” para o dicionário da Real Academia da Língua Espanhola. No entanto, a lei não se pretende omissa, sendo obrigação do legislador definir, clarificar e informar. Será que se estabelece a diferença entre “campismo fixo”, “campismo volante ou de passagem” (pernoita com tenda) e bivaque (pernoita sem tenda)? Não, para o Estado e a Administração é tudo o mesmo. Mas, na realidade, será idêntico montar uma tenda ao lado do automóvel durante 15 dias ou, pelo contrário, acampar ao cair da noite para desmontar a tenda de manhã e partir de mochila às costas? O acampamento fixo, sobretudo se não existir fossa sética, será sem dúvida fortemente contestável.
A rectificação das medidas que indiscriminadamente proíbem o campismo ocorreu no caso da Comunidade de Navarra. Segundo esta, o direito reconhecido pela Constituição de disfrutar de um meio adequado para o desenvolvimento da personalidade, assim como o princípio regulador da política social inserido no artigo 403 do texto constitucional que postula a adequada utilização do ócio, não se coadunam com a interdição regulamentar sobre a prática do campismo livre em Navarra. Por outro ado, o Plano de Uso e Gestão do Parque Nacional de Ordesa rectifica e reconhece a possibilidade de acampar livremente entre os 1800 e os 2500 metros de altitude em determinadas áreas desse espaço natural. A polémica promete continuar.

(Pedro Cuiça – FORA DE PORTAS – jornal Forum Ambiente . nº 118 . 28/Fev. 1997)


Fotos: Sierra de Gredos © PC (1997)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

The Camping Way...

Campismo: origens e novos paradigmas no virar de século

Há quem fale na rudeza do acampamento. Sim, o “pata-tenra” pode achá-lo rude e incómodo. Mas, para um velho explorador não tem rudeza nenhuma, porque sabe olhar por si e conseguir comodidades.
Robert Baden-Powell

O Campismo, em sentido restrito, é uma forma de estadia que recorre ao uso de tenda. "Alojamento" que pode durar várias horas, dias ou mesmo semanas. Mas, o acto de acampar pode também ser encarado como a simples pernoita em campo, com recurso a tenda. Para alguns essa actividade constitui um meio de gozar férias económicas, para outros vale pelo contacto com a natureza, pela fuga ao dia-a-dia e ao betão, há ainda (ou houve?) quem veja o Campismo como uma escola de carácter ou uma “filosofia de vida”… As motivações serão tantas quantos os praticantes, testemunhando a própria evolução dessa actividade ao longo de mais de um século.
O uso de abrigos móveis remonta às origens do Homem e a pernoita em tenda em expedições ou viagens de exploração pratica-se há séculos. No entanto, a origem do Campismo é atribuída ao casal Gunn, com a fundação, em 1861, do "Gunnery Camp" nos Estados Unidos da América. O primeiro clube de Campismo terá sido a Association of Cycle Campers, fundado em 1901, na Grã-Bretanha. Depois da Primeira Grande Guerra, esta associação e outros pequenos grupos criaram, em 1919, o Camping Club of Great-Britain and Ireland, clube à frente do qual esteve muito tempo o fundador do escutismo (ou escotismo) Lord Baden-Powell of Gilwell. Este tinha organizado o primeiro campo de rapazes na ilha de Browsea, de Julho a Agosto de 1907, evento precursor do movimento escutista que viria a surgir no ano seguinte. A prática de Campismo generalizou-se rapidamente aos restantes países europeus.
Curiosamente o primeiro acampamento associativo, de que se tem conhecimento, realizado em Portugal ocorreu, em 1908, na Chã das Abrotegas (Serra do Gerês). Uma iniciativa da revista Ilustração Portuguesa que envolveu cerca de 100 campistas e uma dúzia de tendas. Mas sabe-se que, já em Maio de 1875, Ramalho Ortigão tinha recebido uma carta, remetida por Eça de Queiroz, onde era informado da remessa duma volumosa encomenda de material e vestuário campista a seu pedido. O escritor conta-se, pois, entre os pioneiros do Campismo em Portugal. Saliente-se, também, que a Expedição Scientifica á Serra da Estrella, de 1881, acampou no planalto serrano… E, portanto a arte de acampar em Portugal já contava no início do século XX com alguma tradição!
A Associação dos Escoteiros de Portugal (AEP), fundada em 1913, e o Corpo Nacional de Escutas (CNE), fundado em 1923, contribuíram significativamente para a implementação da prática de Campismo. Alguns pequenos grupos de aficionados da modalidade surgiram paulatinamente a partir de 1920, mas o grande estímulo para a expansão do movimento foi dado pelo I Congresso do Campismo Desportivo realizado, de 13 a 15 de Setembro de 1940, na Quinta do Senhor da Serra (Belas), por iniciativa de Os Sports: o primeiro jornal a criar uma secção de Campismo orientada por Hermínios Portugal (pseudónimo de Antero Nobre). Mas a divulgação do Campismo estendeu-se igualmente a outros jornais da época. Como exemplo, salientam-se a rúbrica Eco Campista, do jornal A Vida Social (Porto), da autoria de Edmundo Chaves Mendes e Augusto Guimarães ou, dos mesmos autores, Coisas do Saco Alpino, uma rúbrica da Gazeta do Sul (Montijo)
O livro Scouting for Boys (1908), de Baden-Powell, traduzido do francês por Hermano Neves, foi editado pela primeira vez em Portugal, em 1915 ou 1917, sob o título Manual do Escoteiro. Essa obra constituiu a fonte onde gerações de campistas foram beber. Os manuais de campismo só iriam surgir mais tarde: Ar Livre e Campismo – Manual Técnico (1938), de Antero Nobre; Manual Prático de Campismo (1942), de Edmundo Chaves Mendes; Cadernos de Campismo – Conselhos a todos os Campistas (1943), de José Santos Ferreira; Guia do Campista (1945), de Edmundo Chaves Mendes; O Campismo na Vida Moderna (1946), de Mário Mendes Moura; Manual de Campismo – I (1963), de Alberto Marques Pereira; Campismo e Caravanismo (1970), de Almeida Henriques ou Campismo – Férias e Turismo (1983), de Joaquim Campino, entre outros.
A Carta de Campista Nacional foi criada pelo Decreto-Lei nº 32/241, de 5 de Setembro de 1942, e a Federação Portuguesa de Campismo (FPC) foi fundada em 1945. O campismo, hoje em dia, pratica-se predominantemente em parques específicos para o efeito, sob condições tão comerciais como as verificadas na indústria hoteleira ou na restauração. No entanto, os primeiros Parques de Campismo só surgiram em Portugal no ano de 1949, na Quinta de S. Gonçalo (Carcavelos) e na Madalena (Vila Nova de Gaia).
A massificação do Campismo, que se verificou na segunda metade do século XX e sobretudo a partir de 25 de Abril de 1974, levou à criação de legislação tendente à proibição dessa prática fora dos parques. Essa tendência proibicionista e os diversos condicionalismos existentes em Portugal variam, no entanto, segundo os países e mesmo dentro de cada um deles. Sendo verdade que é cada vez mais proibido acampar fora dos parques em muitas áreas montanhosas da Europa, essa prática não deixa de ser comum em muitos maciços e também é certo que, por exemplo, nas montanhas himalaianas mais famosas se verifica a instalação de autênticas “cidadelas de tela”. A Suécia onde é possível acampar fora dos parques constitui também um exemplo de outras formas de encarar a modalidade…
O acampamento em parques não satisfaz muitos daqueles que praticam actividades de ar livre e, por isso, o designado “Campismo Selvagem", que alguns preferem chamar "Campismo Livre", continua a constituir uma opção a ter em conta entre praticantes de actividades fora de portas e essencial no âmbito do Montanhismo ou outras actividades congéneres. O acampamento fixo ou permanente não se justifica fora dos parques, mas o Campismo de Passagem ou Volante é perfeitamente aceitável e, por vezes, incontornável, caso se respeitem as susceptibilidades ambientais das áreas visitadas.
Na viragem de mais um século torna-se, para nós, evidente a necessidade de (re)assumir a vertente desportiva de ar livre (ou de natureza, como se queira chamar) no seio do Campismo. Se por um lado é importante defender a prática de Campismo Desportivo fora dos parques, sob determinadas regras, é tão ou mais importante implementar pólos de atractividade, no que concerne à prática de actividades de ar livre, nos Parques de Campismo e nas imediações destes. Nesse âmbito, destacamos a implementação de redes de Percursos Pedestres e o treino acompanhado em actividades de Pedestrianismo, a instalação de Estruturas Artificiais de Escalada (EAE) ou de circuitos de arborismo, tal como a disponibilização de BTTs, entre outras (numerosas) iniciativas. O século passado viu o surgimento de outras facetas da prática, como o Campismo Motorizado (Caravanismo e Autocaravanismo), os praticantes do século XXI têm a responsabilidade de (re)inventar novos (ou velhos) paradigmas e não deixarem morrer o Campismo.

Texto: Pedro Cuiça
(Revista Campismo & Montanhismo - Ano 10 - Série II - nº 37 - Jul./Ago./Set. 2013 - p.22-23)


© GM-CCCC (2003)